Uma
reportagem (não por acaso, feita em
Curitiba) mostra: com o aumento do número de carros, os níveis de
stress dos motoristas aumentam correlativamente. Mais trânsito, menor fiscalização dos guardas, sucateamento do transporte público: resultado, mais
stress.
O que fazer? A repórter consulta uma psicóloga. E ela fornece a resposta de especialista: para não sofrer no trânsito, o motorista deve pensar em coisas boas, tentar não se irritar, ouvir uma música agradável, e afins. O motivo do incômodo é a irritação do incomodado, não é mesmo?
Dias depois, outra repórter
cobre os assaltos em Fortaleza. Cidade turística, presencia seus turistas vitimados por salteadores - são tantos, que mais parecem formigas, do que ladrões.
Agora a repórter recorre ao policial (talvez não fosse caso para psicólogo, vá saber): para não ser assaltado, o turista deve evitar passear tranquilamente nos calçadões, tomando água de côco, e ostentando roupas de turista. Está vendo essa bolsa com fios de tecido? Pode aparecer um ladrão, e facilmente cortá-los. Vê a desatenção, o andar tranquilo, segurando o côco? Alvo fácil. Turista despreocupado - enfim, turista - pode se dar mal, conclui a análise do policial. E o título da reportagem: "Turismo com segurança: Policiais ensinam como evitar que as suas férias no paraíso virem um inferno" (sic).
É incrível o tipo de cobertura de certos jornalistas. Imaginemos o que se ensina por aí, em certas faculdades