November 25, 2008
Cabresto digital
Ontem o Jornal da Band exibiu uma matéria bombástica (imperdível): indícios de que nosso sistema eleitoral, das urnas eletrônicas, não é confiável. O Jornal esteve em Caxias/MA (mas também levantou as mesmas suspeitas em Guarulhos), colheu dados, e encontrou diversas irregularidades: teve até candidato a vereador que não encontrou o próprio voto computado.
O Pedro Doria chamou muito bem a atenção ao que está em jogo: o TSE não põe em questão a credibilidade do sistema eletrônico (alardeado como "infalível"). Segundo eles, muito provavelmente a culpa é dos próprios eleitores, que não souberam votar.
O Jornal teve acesso a documentos, e consultou diversos profissionais de tecnologia. Eles responderam o que qualquer pessoa com algumas horas na frente do computador sabe: não existe sistema 100% seguro.
E aí retornamos ao velho tema: é interessante notar como se põe o debate. De um lado, a defesa ferrenha de que o sistema é 100% seguro, contra os que contestam isso. De outro, a querela sobre se o aparelho é incorruptível, ou se o caso é da ignorância do do povo. O que evidenciaria dois pontos: crença ingênua de instituições como o TSE sobre sistemas eletrônicos, e preconceito para com a própria credibilidade de escolha do povo (ninguém teme onde esse preconceito pode chegar?).
Mas, discutindo assim, atingimos o ponto em questão? Dizer que um sistema é inseguro não significa afirmar que é ineficaz. A urna eletrônica funciona muito bem, como aliás também funciona o sistema convencional, dos papéis.
Como se voltar ao sistema antigo, ou adotar outro, resolvesse algo. Não figuraria o problema mais embaixo?
O caso das urnas é um pouco parecido com o da Lei Seca, e com todos os outros: tanto faz mudar o sistema - o problema não estava na aplicação?








Cássio Augusto Says —
“que qualquer pessoa com algumas horas na frente do computador sabe: não existe sistema 100% seguro”
É exatamente isso que penso!!!
Made on December 6, 2008 @ 5:10 pm