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	<title>Comments on: &#8220;Justiça com as próprias mãos&#8221;</title>
	<link>http://catatau.blogsome.com/2008/11/27/justica-com-as-proprias-maos/</link>
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	<pubDate>Sun, 12 Feb 2012 11:21:33 +0000</pubDate>
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	<item>
		<title>by: Marcus</title>
		<link>http://catatau.blogsome.com/2008/11/27/justica-com-as-proprias-maos/#comment-2907</link>
		<pubDate>Sat, 29 Nov 2008 13:42:02 +0000</pubDate>
		<guid>http://catatau.blogsome.com/2008/11/27/justica-com-as-proprias-maos/#comment-2907</guid>
					<description>Se &quot;as testemunhas&quot; tivessem dito o contrário (que o promotor não se defendeu), ele teria sido condenado. Testemunho é prova e juiz nenhum despreza provas.

Antes de acreditar na cobertura tendenciosa e sangue-nos-olhos da imprensa, eu prefiro imaginar que uma decisão UNÂNIME de um colegiado extenso é sinal de que a legítima defesa era ponto pacífico. Em outro caso o tribunal também já condenou (também de forma unânime) outro promotor de justiça com muito mais tempo de serviço e influência que esse.

O julgamento do que é ou não legítima defesa, e se houve ou não excesso dela, é um julgamento técnico que se faz com base em um enorme conjunto de provas.

Pelo que li no caso, houve ameaças gravíssimas e sucessivas à integridade física do promotor e de sua namorada. É irrelevante quem começou a discussão. Bater boca não é crime. O que interessa é que as vidas dele e da namorada ficaram em risco, e a ação dele foi para protegê-las.

&lt;em&gt;&lt;strong&gt;RE:&lt;/strong&gt; Você teve acesso ao caso, Marcus? 
Com certeza a decisão deve ter pautado legítima defesa. Mas fico pensando nas circunstâncias dessa &quot;proteção&quot;. Ora, pessoas comuns costumam ter suas namoradas abordadas vez ou outra por imbecis, e digamos que com uma raridade um pouco maior são agredidas por isso. Via de regra, alguém nessa situação não continua o affair, simplesmente sai. 
Agora, um promotor armado não apenas está armado; e até mesmo por ser um promotor (tem certo privilégio não apenas jurídico, mas também social), não evita a situação. Com o aumento da tensão, saca a arma e dá tiros de advertência. Os provocadores ficam mais irritados, e o promotor é &quot;obrigado&quot; a atirar. 
Em termos jurídicos, é mais do que possível essa decisão por absolver, tanto que ocorreu. Agora, é uma questão bem diferente falar de integridade física enquanto se está desarmado, e enquanto se leva uma arma a um luau. O promotor estava armado, e sabia que estava exposto a situações como essa. A situação de &quot;risco à integridade física&quot; foi outra, ocasionada já dentro desse contexto duvidoso, de uma arma, por um promotor, em um luau. 
E aí chego à questão: em circunstâncias semelhantes
- se o promotor não estivesse armado, agiria da mesma forma?
- se não fosse um promotor, agiria da mesma forma?
- se fosse outra pessoa armada, teríamos a mesma decisão judicial?
Essa última pergunta é mais séria, pois a conclusão é fácil: ninguém leva uma arma a um luau, e um promotor ameaçado a ponto de precisar carregar uma arma não iria a um luau. Alguém que leva uma arma a um luau, e se mete em confusão, certamente é julgado de modo a concluir que ele sabia o que estava fazendo quando levou sua arma. Ninguém carrega uma arma sem prever consequências possíveis disso.
O caso do promotor foi de uma tensão crescente, que por um certo contexto prévio resultou no assassinato. A &quot;preservação da integridade&quot; foi consequência dessa situação.
Como não tenho acesso pleno aos fatos, sou tentado a chegar a essas conclusões (um imenso gosto de privilégio social à brasileira). Estariam elas erradas? &lt;/em&gt;</description>
		<content:encoded><![CDATA[	<p>Se &#8220;as testemunhas&#8221; tivessem dito o contrário (que o promotor não se defendeu), ele teria sido condenado. Testemunho é prova e juiz nenhum despreza provas.</p>
	<p>Antes de acreditar na cobertura tendenciosa e sangue-nos-olhos da imprensa, eu prefiro imaginar que uma decisão UNÂNIME de um colegiado extenso é sinal de que a legítima defesa era ponto pacífico. Em outro caso o tribunal também já condenou (também de forma unânime) outro promotor de justiça com muito mais tempo de serviço e influência que esse.</p>
	<p>O julgamento do que é ou não legítima defesa, e se houve ou não excesso dela, é um julgamento técnico que se faz com base em um enorme conjunto de provas.</p>
	<p>Pelo que li no caso, houve ameaças gravíssimas e sucessivas à integridade física do promotor e de sua namorada. É irrelevante quem começou a discussão. Bater boca não é crime. O que interessa é que as vidas dele e da namorada ficaram em risco, e a ação dele foi para protegê-las.</p>
	<p><em><strong>RE:</strong> Você teve acesso ao caso, Marcus?<br />
Com certeza a decisão deve ter pautado legítima defesa. Mas fico pensando nas circunstâncias dessa &#8220;proteção&#8221;. Ora, pessoas comuns costumam ter suas namoradas abordadas vez ou outra por imbecis, e digamos que com uma raridade um pouco maior são agredidas por isso. Via de regra, alguém nessa situação não continua o affair, simplesmente sai.<br />
Agora, um promotor armado não apenas está armado; e até mesmo por ser um promotor (tem certo privilégio não apenas jurídico, mas também social), não evita a situação. Com o aumento da tensão, saca a arma e dá tiros de advertência. Os provocadores ficam mais irritados, e o promotor é &#8220;obrigado&#8221; a atirar.<br />
Em termos jurídicos, é mais do que possível essa decisão por absolver, tanto que ocorreu. Agora, é uma questão bem diferente falar de integridade física enquanto se está desarmado, e enquanto se leva uma arma a um luau. O promotor estava armado, e sabia que estava exposto a situações como essa. A situação de &#8220;risco à integridade física&#8221; foi outra, ocasionada já dentro desse contexto duvidoso, de uma arma, por um promotor, em um luau.<br />
E aí chego à questão: em circunstâncias semelhantes<br />
- se o promotor não estivesse armado, agiria da mesma forma?<br />
- se não fosse um promotor, agiria da mesma forma?<br />
- se fosse outra pessoa armada, teríamos a mesma decisão judicial?<br />
Essa última pergunta é mais séria, pois a conclusão é fácil: ninguém leva uma arma a um luau, e um promotor ameaçado a ponto de precisar carregar uma arma não iria a um luau. Alguém que leva uma arma a um luau, e se mete em confusão, certamente é julgado de modo a concluir que ele sabia o que estava fazendo quando levou sua arma. Ninguém carrega uma arma sem prever consequências possíveis disso.<br />
O caso do promotor foi de uma tensão crescente, que por um certo contexto prévio resultou no assassinato. A &#8220;preservação da integridade&#8221; foi consequência dessa situação.<br />
Como não tenho acesso pleno aos fatos, sou tentado a chegar a essas conclusões (um imenso gosto de privilégio social à brasileira). Estariam elas erradas? </em>
</p>
]]></content:encoded>
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	<item>
		<title>by: Marcus</title>
		<link>http://catatau.blogsome.com/2008/11/27/justica-com-as-proprias-maos/#comment-2906</link>
		<pubDate>Fri, 28 Nov 2008 16:11:56 +0000</pubDate>
		<guid>http://catatau.blogsome.com/2008/11/27/justica-com-as-proprias-maos/#comment-2906</guid>
					<description>O tribunal tomou a decisão correta. O promotor apenas se defendeu.

É natural que muitas pessoas reclamem. Não foram bem informadas pela imprensa sobre os detalhes do episódio.

&lt;em&gt;&lt;strong&gt;RE:&lt;/strong&gt; Mas que detalhes justificariam (1) andar armado (2) por andar armado, reagir à provocação da namorada e (3) por defesa ou não, não evitar a situação, e ainda atirar nos provocadores?
Concordo que seja muito provável - embora as testemunhas digam o contrário - o acusado ter reagido a provocações dos outros jovens. Mas não poderíamos pensar numa miríade de outras possibilidades? Se não fosse um promotor; se fosse um homem qualquer empunhando uma arma; se reagíssemos segundo o mesmo princípio sempre quando um imbecil provoca... e assim por diante?
Penso que discutimos uma situação bem complicada: tanto a impunidade dos assediadores, que sairiam ilesos mesmo dando uma surra no promotor; quanto a impunidade do assassino, que afinal andava armado e parece não ter evitado tanto o fato de atirar.
Se a moral da história for que ele está certo, o que impede a todos nós agirmos  segundo os mesmos princípios?&lt;/em&gt;</description>
		<content:encoded><![CDATA[	<p>O tribunal tomou a decisão correta. O promotor apenas se defendeu.</p>
	<p>É natural que muitas pessoas reclamem. Não foram bem informadas pela imprensa sobre os detalhes do episódio.</p>
	<p><em><strong>RE:</strong> Mas que detalhes justificariam (1) andar armado (2) por andar armado, reagir à provocação da namorada e (3) por defesa ou não, não evitar a situação, e ainda atirar nos provocadores?<br />
Concordo que seja muito provável - embora as testemunhas digam o contrário - o acusado ter reagido a provocações dos outros jovens. Mas não poderíamos pensar numa miríade de outras possibilidades? Se não fosse um promotor; se fosse um homem qualquer empunhando uma arma; se reagíssemos segundo o mesmo princípio sempre quando um imbecil provoca&#8230; e assim por diante?<br />
Penso que discutimos uma situação bem complicada: tanto a impunidade dos assediadores, que sairiam ilesos mesmo dando uma surra no promotor; quanto a impunidade do assassino, que afinal andava armado e parece não ter evitado tanto o fato de atirar.<br />
Se a moral da história for que ele está certo, o que impede a todos nós agirmos  segundo os mesmos princípios?</em>
</p>
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