November 7, 2008

O vagabundo perfeito

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Um homem vai ao médico e pergunta: “será que viverei até os cem anos? O médico lhe responde: “Você fuma”? “Não”, foi a resposta. “Bebe? Come bem? Se arrisca de vez em quando? Faz amor sempre, todo dia? Viaja? Se cansa”? “Não”, era a resposta. Ao que o médico encerra o diálogo: “então, para que você quer viver até os cem anos”?

O Sinólogo André Bueno escreve diversas vezes belos textos. Como este, sobre a "vida sossegada", citando sábios orientais e as implicações de algo semelhante ao Wu Wei nas práticas de vida.

Ele cita também Lin Yutang, o que deixou a pergunta: quando ele traduz o Tao Te Ching em A Sabedoria da China, assemelha o Wu Wei ao laissez-faire. Mas será que esses termos se coadunam? Yutang não reduziria noções chinesas para conformá-las a noções "ocidentais" mais apreciadas ou agradáveis? O próprio Bueno comenta sobre isso em outros textos, sem entretanto citar Yutang. Perguntas à parte, respostas também, lá estão boas considerações sobre gozar a vida ;)

Pintura de um certo Sr. chamado Wu Wei (1459-1508)

November 5, 2008

Obama, McCain, e os princípios

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O Inagaki pescou duas citações do Pedro Doria, sobre os discursos da derrota de John McCain, e da vitória de Barack Obama:

Esta noite, mais do que em qualquer outra noite, o que tenho é amor por este país e por todos seus cidadãos. Desejo, agora, a melhor das sortes pelo homem que foi meu adversário e agora é meu presidente. Nós, americanos, não nos escondemos do futuro, nós fazemos o futuro" (McCain)

e

"O grande mérito desta nação não é a força, são nossas idéias: democracia, oportunidade, liberdade. Esta é a América verdadeira" (Obama)

Não é por acaso que a citação do Marquês de Mirabeau, lá dos idos de 1750 (e retirada do último post, apagado para formular este), fica bem melhor no contexto dessas duas frases acima. Não diria ela - um pouco antes dos EUA nascerem - mais do que enuncia?

O inglês, o mais esclarecido dos povos da Europa em sua conduta no novo mundo, é neste como em suas terras um composto de dois princípios tão opostos em sua natureza, que será sempre impossível reuni-los em um ponto, e sua mistura devorará toda sociedade, como destruirá por fim essa nação, se um desses princípios não se destacar do outro; falo do amor à liberdade, e do amor à riqueza. ("L’ami des hommes, ou Traité de la population" [1756])

November 3, 2008

A primeira pedra

Em um post passado, a Alba comentou sobre como o brasileiro é um povo "emotivo", e como essa emotividade poderia até mesmo dizer  respeito à configuração da esfera "pública" brasileira.

Para isso, mencionou a questão dos linchamentos, e o nome de José de Souza Martins (livros + livrarias). Sociólogo, Martins estudou a questão dos linchamentos durante várias décadas. Em uma entrevista (vinculada pela Alba), saltam aos olhos informações impressionantes: o Brasil é, possivelmente, o país que mais lincha no mundo; ocorrem por aqui em torno de 3 a 4 linchamentos por semana; e São Paulo é o Estado onde isso mais acontece.

É uma forma de punição coletiva contra alguém que desenvolveu uma forma de comportamento anti-social. O anti-social varia de momento para momento e de grupo para grupo. Na França, ter traído a pátria era um motivo para linchar. No caso da Itália, aconteceu o mesmo. No Brasil, é o fato de não termos justiça, pelo menos na percepção das pessoas comuns. Nesse caso do atropelamento de um frentista em Ribeirão Preto, por exemplo, o delegado decidiu inicialmente por crime culposo (depois mudou para doloso). As pessoas que tentaram linchar o rapaz acreditavam que não haveria justiça, já que a pena seria mais leve por conta da atenuante.