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January 31, 2009

Guerra é um esporte de espectadores


Robert Fisk:

Guerra [é] um esporte de espectadores, no qual o cuidadoso monitoramento - como numa partida de futebol, mesmo que o Oriente Médio seja uma tragédia sangrenta - tem prioridade assumida diante do sofrimento humano.

January 30, 2009

Freud, no reino do Inconsciente


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 Na melhor tradição Heavy Metal  :o

 

January 29, 2009

A Palestina, ontem e amanhã


Robert Fisk, a propósito de uma bomba em Ashkelon:

É por isso que Gaza existe: os palestinos que viviam em Ashkelon e nos campos vizinhos -Askalaan, em árabe- foram expulsos de suas terras em 1948, quando Israel foi criado, e terminaram nas praias de Gaza. Eles ou seus filhos, netos e bisnetos estão entre o 1,5 milhão de palestinos amontoados na fossa fétida de Gaza, onde 80% das famílias um dia viveram em terras que hoje pertencem a Israel. Esse é o verdadeiro assunto, em termos históricos: a maioria dos moradores de Gaza não vem de Gaza.
Mas, ao assistir aos telejornais, seria de imaginar que a história começou ontem, que um bando de islâmicos anti-semitas, barbados e lunáticos subitamente irrompeu dos cortiços de Gaza e começou a disparar mísseis contra Israel, um Estado democrático e amante da paz, e por isso atraiu a justa vingança da Força Aérea israelense. O fato de que as cinco irmãs mortas no campo de Jabaliya tenham avós oriundos das mesmas terras cujos proprietários mais recentes as mataram em um bombardeio simplesmente não é mencionado. 

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January 28, 2009

Gestão do Stress


O mais novo método infalível de eliminar o stress nas empresas:

 Prezados Senhores.
O stress é sem dúvida um dos grandes desafios das empresas de hoje. E da forma como vai o cenário mundial ele só tende a aumentar. Em vista disso notifico-lhes que o mercado oferece uma nova ferramenta. Um ritual terapêutico inserido em uma palestra que literalmente suprime o stress ou evita que este, silenciosamente, faça outras vítimas, isto é, que outro percam a motivação, que fiquem desprovidos de desempenho, irascíveis, cínicos, rígidos de pensamentos, deficitários de assertividade e aniquilados no que diz respeito à eficiência pessoal. O mesmo ritual, ainda, se incumbe de motivá-los a um comprometimento acentuadamente mais entusiasta em relação aos interesses da empresa.
Entretanto, considerando que o produto na área de recursos humanos ainda é desconhecido, convido-os a selecionar uma dezena de colaboradores e agendar uma data para, sem ônus algum, submetê-los ao ritual. Ao fim dele, ouvindo-os, ficarão pasmos.
Diante do grupo, por meio de vibrações que extraio de uma taça de som tibetana e de um sino, enquanto o ambiente é sonorizado por mantras, levo os participes a um estado de entorpecimento que me consente remover de seus inconscientes as tensões que se originam de seus conflitos íntimos. Os impasses psíquicos que procedem daquelas oposições de interesses e sentimentos que dificilmente são bem resolvidos. Em outras palavras, o stress, a seqüela provocada pelas angústias, ansiedades, animosidades, medos diversos, dos vários estados de desassossego advindos da falta de perdão e maus pensamentos. Ao mesmo tempo lhe suprimo também as dores de cabeça, pescoço, ombros e coluna, além da rigidez, palpitações, suores e demais mal-estares sempre que sejam pertinentes a este estado depressivo.
Ao serem despertos, todos sorriem em razão de sua paz interior, por se sentirem leves (a percepção é que lhe foram retirados “dezenas de quilos”), por terem voltado a confiar em si mesmos e por se perceberem psiquicamente ajustados e fisicamente saudáveis

 Moral da história: "Goooood Niiiight ding ding ding ding ding ding ding ding ding ding ding!"

January 27, 2009

1808: A vinda da família real, e os ingleses


Artigo de Luis Felipe de Alencastro na Folha, comentando a vinda da Família Real, junto com as narrativas e a historiografia desde então:

 Nessa perspectiva, o fator decisivo do translado da corte é a pressão inglesa para forçar a abertura do comércio do Brasil. Assim, o plano de mudança da sede do reino, cogitado desde sempre por uma elite portuguesa ansiosa por vir morar em Pindorama -eixo central da historiografia e do comemoracionismo-, se torna aleatório.

O texto trata ainda de relações entre a fuga da família real, a influência inglesa, e a continuidade do comércio escravista.

A visão irênica da chegada da corte propala a ocidentalização do Brasil pela dinastia dos Bragança que reinava nas duas margens do Atlântico. Mas houve também uma terceira margem no rio-oceano, formando a cadeia de trocas que conectou a barbárie ao progresso econômico: quanto mais cresceu a economia brasileira, mais gente foi arrancada da África e escravizada no Brasil.

A discussão sobre o texto, no blogue de Alencastro, está muito boa.

Sobre a vinda da realeza, publicamos a referência de um curioso relato, de um dos ingleses que acompanhava os "fugitivos reais".

January 26, 2009

Com o fechamento de Guantanamo…


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Pedro Doria fez um comentário interessante a respeito da medida de Obama:

Quando os EUA invadiram o Afeganistão com apoio de boa parte do mundo, começaram a juntar prisioneiros. Prisioneiros amealhados por ali existiam de vários tipos: a maioria, ficha pequena. Alguns, no entanto, podiam ter informação valiosa que pudesse levar à captura de Osama bin-Laden ou que revelasse algo sobre os projetos futuros da al-Qaeda. O então secretário de Defesa Donald Rumsfeld idealizou Guantánamo para estes ou, como ele descreveu certa vez, ‘os piores dentre os piores’.

Sobre isso, há muito este weblog divulgou um filme imperdível, intitulado Road to Guantanamo, do cineasta inglês Michael Winterbottom. Sobre o comentário de Doria, o filme lançaria luz mostrando casos nos quais os prisioneiros da base cubana não se resumiam apenas ao continuum "ficha pequena" x "informante" x "terrorista". A nos fiarmos em documentos como esse, os erros da prisão não se reduziam apenas a métodos considerados desumanos, mas também a "detentos" cuja legitimidade da detenção é no mínimo duvidosa.

Foi o que ocorreu com alguns dos relatos: ao saber da invasão norte-americana do Afeganistão, alguns jovens de Karachi se aventuraram rumo ao país invadido, para auxiliar nos protestos e no movimento contrário à invasão (isso os definiria como terroristas? Como, sem treino militar e intenções claramente delimitáveis como "belicistas"? O que definiria esses jovens como diferentes dos outros, quando agem de modo semelhante?). Lá, foram capturados.

 

January 23, 2009

Neve Gordon: Como vender guerra ‘ética’ e violar também os direitos civis dos israelenses


O gerenciamento da mídia em Israel não é só impressionante: é aterrorizante

Neve Gordon, Counterpunch, 16-18/1/2009

Um dos meus alunos foi preso ontem e passou a noite na cadeia. O crime de R. foi protestar contra o ataque de Israel contra Gaza. Foi juntado a outros mais de 700 israelenses que foram detidos desde o início desse cruel ataque a Gaza: cerca de 230 (pelas mais recentes estimativas) continuam presos. No contexto israelense, essa estratégia para impedir qualquer protesto e qualquer tipo de resistência é novidade, e impressiona que a mídia internacional não veja aí qualquer assunto a noticiar.

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Robert Fisk: Até aqui, Obama continua errando, no caso de Gaza…


Teria sido útil se Obama tivesse tido coragem para falar sobre o que todos falam, no Oriente Médio. Não, ninguém no OM fala sobre a retirada dos EUA, do Iraque. Sobre isso, já sabem. Todos esperavam o início do fim de Guantanamo, e a provável nomeação de George Mitchell, como enviado especial ao OM, foi apenas o mínimo que esperavam que acontecesse. Claro, Obama falou de "inocentes massacrados", mas não dos "inocentes massacrados" nos quais os árabes pensam, dia e noite.

Ontem, Obama telefonou a Máhmude Abbas. Talvez suponha que tenha conversado com o líder dos palestinos. Não. Todos os árabes sabem, exceto talvez o próprio Abbas, que Abbas é chefe de um governo fantasma, um já quase cadáver, mantido vivo à custa de transfusões de sangue que lhe chegam como apoio internacional e sob a forma da "parceria plena" que Obama aparentemente lhe ofereceu, e não se sabe o que significaria "plena". E ninguém se surpreendeu com o telefonema protocolar, para os israelenses.

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January 15, 2009

O Homem que desdenhava a máquina


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Quando Tsekung, discípulo de Confúcio, veio para o sul, ao estado de Ch´u, no caminho de Chin passou por Hanyin. Aí viu um velho empenhado em fazer uma vala para ligar a sua horta a um poço. Transportava ele um jarro na mão, com o qual trazia água e a derramava na vala, com enorme trabalho e pouco resultado.

- Se tivesses uma máquina - disse Tsekung -, poderias num dia irrigar cem vezes a tua área. O esforço necessário é insignificante comparado com o trabalho que ela faz. Não gostarias de ter uma?

- Que vem a ser isso? - perguntou o hortelão, olhando para ele.

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January 7, 2009

Robert Fisk: “Por que nos odeiam tanto?!” Que, pelo menos, ninguém minta que não sabe por quê.


Assim, mais uma vez, Israel abriu as portas do inferno sobre os palestinenses. 40 refugiados civis mortos numa escola da ONU, mais três noutra. Nada mau, para uma noite de trabalho do exército que acredita na "pureza das armas". Não pode ser surpresa para ninguém.

Esquecemos os 17.500 mortos – quase todos civis, a maioria mulheres e crianças – de quando Israel invadiu o Líbano, em 1982? E os 1.700 civis palestinos mortos no massacre de Sabra-Chatila? E o massacre, em 1996, em Qana, de 106 refugiados libaneses civis, mais da metade dos quais crianças, numa base da ONU? E o massacre dos refugiados de Marwahin, que receberam ordens de Israel para sair de suas casas, em 2006, e foram assassinados na rua pela tripulação de um helicóptero israelense? E os 1.000 mortos no mesmo bombardeio de 2006, na mesma invasão do Líbano, praticamente todos civis?

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