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May 8, 2009

Carros blindados voadores, Daslu e financiadores de campanha


"Deputado dirigindo carro blindado a 200 quilômetros por hora bate e mata dois jovens em Curitiba". Pelo menos foi essa a manchete divulgada pelo Jornal da Band, sobre a colisão do carro do deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho com outro veículo, contendo dois passageiros.

O carro de Ribas Carli travou o velocímetro em 190 Km/h. Em zona urbana.

No Rio, a manchete foi outra. Dois bandidos em uma moto encostam, e assaltam uma pedestre. Logo atrás, o condutor de um Gol vermelho arranca, atropela, e mata os dois assaltantes. E foge.

Em ambos os casos, os condutores podem responder por homicídio doloso.

Atualização: já se começou a relativizar o velocímetro do carro do deputado, a despeito das testemunhas. Elas também alegaram que um dos carros (o do deputado) literalmente voou para cima do outro, dado um desnível na pista. Qual será o próximo passo?


***

 E no Caixa Zero, o Rogerio Galindo vincula um bom texto sobre Daslu, Franchesi e cia ilimitada. Vale o clipping:

O caso de Eliana Tranchesi, a famosa dona da Daslu, merece ser estudado futuramente. Ou melhor, merece ser estudado o quanto antes, se quisermos saber o país que somos. Na semana que passou, Eliana, condenada à prisão por crimes de sonegação fiscal e formação de quadrilha, entre outros, se transformou em mártir nacional.

A julgar pelo que a grande imprensa noticiou, muito especialmente as revistas semanais, Eliana Tranchesi deveria entrar para o livro de heróis da pátria. Sua efígie deveria estar impressa em notas de dinheiro. As criancinhas deveriam estudá-la na escola primária. A empresária foi vítima de um grande engano. Ora, tenham dó.

O fato de a maior parte da imprensa se unir para dizer que a pena de 94 anos é um absurdo diz muito sobre nossa imprensa. E sobre nosso país. Sonegar imposto, aqui, nunca foi considerado um crime grave. Para grande parte da nossa imprensa, não parece nem mesmo que isso deva se enquadrar como um crime. É um delito menor, digamos. Um deslize a que damas e cavalheiros de estirpe podem se dar ao luxo de vez em quando. Afinal, nossa carga tributária é muito alta. O Estado é grande demais. Um pouquinho de imposto a menos é até saudável, decerto…

Eliana Tranchesi foi considerada vítima ainda maior pelo fato de enfrentar, neste momento, uma doença grave, um câncer. Realmente, o câncer é uma doença terrível, que não se deseja nem ao pior inimigo. Nem a um criminoso.

Mas ontem, a voz da razão finalmente falou. E foi pela boca do secretário de Fazenda de São Paulo, Mauro Ricardo Costa. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, ele declarou que os 94 anos a que a empresária foi condenada são pouco (desde que as provas contra ela sejam consistentes, como parecem ser). E explicou o porquê. Quem sonega está tirando dinheiro da saúde, da educação, da segurança pública. Está tirando dinheiro que deveria, inclusive, salvar pessoas que precisam de tratamento contra o câncer na rede pública de saúde.

“Quem sonega está prejudicando não só uma pessoa, mas toda a população”, afirmou o secretário. No final, exagerou. Disse que os sonegadores não deveriam nem ser presos. Deveriam ser crucificados. Há países em que isso não pareceria estranho. Na China, por exemplo, políticos acusados de corrupção (que estão igualmente se beneficiando de dinheiro que deveria ser público) são presos, não executados.

Mas não. Estamos em um Estado de Direito, não em uma ditadura. A prisão está de bom tamanho. Serve para alertar os nossos políticos, nossos empresários, nosso primeiro escalão de que com o dinheiro público não se brinca.

Querer a punição da dona da Daslu não é o mesmo que desejar o fim do luxo. Não é o mesmo que decretar que os ricos devem ser punidos pelo que possuem. É, sim, exigir que os ricos, para bancar seus luxos, não passem por cima dos outros. E que cumpram minimamente com a sua função social, pagando os impostos que devem sobre o que ganham. É assim que faremos surgir um país melhor.

 Aliás, o guri parece ser muito bom! Sobre a Camargo Correa, financiadora de campanha de Beto Richa, Kassab e outros (um pequeno texto que simplesmente toca no princípio de todos os financiamentos de campanha do Brasil - será que algum curso de jornalismo um dia estudará esse tipo de coisa, tocar nos princípios da picaretagem?):

 Jornalistas que cobrem política passam boa parte de seu tempo procurando escândalos, principalmente de ordem financeira, em todas as esferas de poder. O mais estranho, porém, é que muitas vezes o escândalo está explícito. São atos feitos à luz do dia, anunciados em sites oficiais e confirmados por todos os envolvidos. E, curiosamente, não causam vergonha a ninguém. É que esses escândalos, embora sejam absolutamente chocantes, são permitidos por lei.

Veja-se o caso da Camargo Corrêa, a empreiteira que virou alvo de uma operação da Polícia Federal nesta semana. Esqueçam-se todas as possíveis ilegalidades que estão sendo investigadas na empresa. Vamos nos concentrar apenas na parte legal de tudo o que foi noticiado pela imprensa.

A parte legal é a doação de dinheiro para candidatos e partidos políticos, uma das especialidades da empreiteira. Nos últimos seis anos, a empresa doou algo perto de R$ 30 milhões para bancar candidaturas de toda espécie: do Partido dos Trabalhadores ao Democratas (antigo PFL, vindo da antiga Arena).

O que está sendo discutido agora é se as doações foram feitas dentro do que manda a lei eleitoral brasileira. Mas a própria doação, pensando bem, é um despropósito. Só para reeleger Gilberto Kassab na prefeitura de São Paulo, a empresa gastou R$ 3 milhões. Só por achar que ele seria o melhor prefeito entre os candidatos? Pensando que a finalidade de uma empresa privada é o lucro, parece estranho, certo?

O que deixa tudo ainda mais estranho, porém, é a política da empresa de apostar em mais de um cavalo ao mesmo tempo, no mesmo páreo. Curitiba foi exemplo disso em 2008. Tanto o prefeito Beto Richa (PSDB) quanto sua principal adversária, Gleisi Hoffmann (PT), receberam recursos da Camargo Corrêa – R$ 300 mil e R$ 500 mil, respectivamente.

Mas nesse caso a empresa não pode achar que os dois são, igualmente, a melhor opção para a prefeitura de Curitiba. É claro que existe alguma outra motivação. A empresa estaria decidida a fomentar o debate público a esse ponto? Gastando R$ 30 milhões em seis anos? Seria um caso de civismo louvável.

Quem está acostumado a cobrir, ou mesmo a acompanhar política, certamente dirá que criticar essas apostas múltiplas é ingenuidade, já que isso é fato comum e antigo. Aqui mesmo, no Paraná, um grande empresário local dizia, durante a última campanha para o governo do estado, que pretendia dar dinheiro a todos os quatro principais candidatos ao Palácio Iguaçu, já que eram todos seus amigos! Além do civismo, a lealdade dos amigos!

Mas não deveríamos encarar isso como um fato normal. Deveríamos nos espantar cada vez que vemos uma empresa doar milhões para um político. Deveríamos nos espantar ainda mais quando essas doações são para todos os candidatos que têm alguma chance real de chegar ao poder. Nos fingimos de cegos, e isso está simplesmente errado.

A lei brasileira deveria, no mínimo, barrar doações de empresas que têm interesses econômicos muito óbvios na região da eleição. No caso de Curitiba, por exemplo, a Camargo Corrêa é atualmente a responsável pela coleta de lixo da cidade, por meio da Cavo, e toca a maior obra em execução da capital, a Linha Verde. Será coincidência o interesse cívico da empresa pela administração da cidade?

Para responder a nosso caro amigo, deixemos um dos responsáveis pela campanha de Beto Richa, Fernando Chignone (vinculado aqui, do Campana):

Com relação à participação de construtoras, o presidente do comitê financeiro do PSDB, Fernando Ghignone, diz acreditar que elas devam ter financiado outros candidatos. “Ninguém está pensando em retorno porque toda relação com o município e empresa é feita por meio de licitações e concorrências públicas. Vence aquela que oferecer melhores condições aos municípios”, afirma. “Imagino que muitos desses contribuintes de campanha sejam idealistas que vêem na liderança do candidato a perspectiva de dias melhores.

2 Comments »

  1. benito Says

    Idealistas???? hahahahhaahhahahhahahahhahahahhahahhahahahahhahahahhahahahhaha

    RE: ;)

    Made on May 13, 2009 @ 2:29 am

  2. Danilo St Says

    Daqui a pouco vão dizer que Papai Noel e Coelho da Páscoa existem…

    ê Brasil!
    Tem muitos “bons samaritanos”… que o diga a construtora Gautama lá pra cima.

    Made on May 25, 2009 @ 8:08 pm

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