June 9, 2009
Operação Angustifolia

Sábado de manhã, em diversos pontos da tradicional Rua XV de Curitiba, alguns agentes do IBAMA exibiam orgulhosamente troncos de Araucárias centenárias cortados ilegalmente, apreendidos na operação "Angusti-folia" (Conferir notícias).
A operação se detém na vasta região centro-sul do Paraná, abrangendo diversos municípios. Região notável precisamente pelas Araucárias: Mangueirinha, que não fica longe, contém a maior reserva de remanescentes do mundo.
Não por acaso, grande parte da economia local - e da política - se move por interesses ligados às madeireiras. E unindo esses dois interesses, o caráter "estratégico" dessas empresas no local ultrapassa a própria função de madeireiras, em direção a outros tipos de empreendimento. Em outras palavras, além da geração de empregos na região, a história local de várias comunidades também se liga à existência dessa atividade.
Nisso se começa a ver a complexidade da situação. Embora infelizmente a fiscalização regular é pouca ou inefetiva no local, a operação Angustifolia não envolve apenas atividades isoladas, mas uma imbricada rede de interesses que também ultrapassa essas atividades. Talvez nesse sentido José Alvares Carneiro, superintendente do IBAMA no PR, afirme que “essa operação vai atrás dos peixes grandes”.
A lista dos "peixes grandes" de fato ultrapassa a mera esfera da atividade madeireira: foram presos os prefeitos de Bituruna (Remi Ranssolin, do PTB) e General Carneiro (Ivanor Dacheri [PSB], com o o presidente da câmara, José Cláudio Maciel[PSB]). De Coronel Domingos Soares foi preso o vice-prefeito, Volnei Barbieri (PSDB). O deputado estadual Luciano Pizzato (DEM) é um investigado. Diversas madeireiras foram embargadas, e as multas ultrapassam 4 milhões de reais.
Deixando claros os interesses acima, deputados da Assembléia Legislativa do Paraná se posicionaram contra a operação, não raro afirmando "excessos" e "terrorismo". Entre eles constam os deputados Valdir Rossoni (PSDB, cuja base política na região foi atingida), Reinhold Stephanes Júnior (PMDB) e Felipe Lucas (PPS).
Curioso notar como o tom de diversas dessas declarações é muito semelhante ao dos pronunciamentos públicos de algumas madeireiras embargadas. Embargadas por aplicação da lei e não por "política", como pretendem alguns desses deputados. De todo modo, não deixa de ser política a medida que interfere em tal rede de cumplicidades políticas, e a revolta desses deputados só põe à luz essas cumplicidades (caso contrário, veríamos na cobertura apenas a aplicação da lei).
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Um caso recente mostra como os deputados deveriam ser mais cuidadosos em suas declarações públicas.
Alguns dias atrás, sobre o caso Ribas Carli Filho, o blogue do Fabio Campana divulgou um pronunciamento do presidente da ALPR, deputado Nelson Justus. Na ocasião ele se pronunciou contra os "exageros" (sic) na investigação do caso.
Dado que "exagero" se referia à grande repercussão, unida à suspeita pública de que a investigação foi é mal conduzida e com tratamento diferenciado (basta ver o tom dos âncoras e as notícias dos últimos dias), Justus retificou a declaração (geradora de diversos comentários a contestando, sendo depois apagada do blog de Campana) e voltou atrás: segundo ele, "a assembléia não será conivente com a impunidade".
É claro que a situação da declaração de Justus é diferente dessa, dos deputados contra a operação Angustifolia. É claro que nunca se pode acusar a priori qualquer cidadão, e que a priori tudo "deve" ser investigado. Qualquer pessoa sabe disso. Mas o que nenhum deputado pode discordar é que, se entre essas declarações não há continuidade, há uma estranha homologia.


_Maga Says —
É sempre triste ver que quem foi escolhido pelo povo para defender os bens publicos são os primeiros a fazer mal uso deste e a ursupalos.
Essa arvore que tem as “folhas em forma de espinhos” me é muito cara. É com grande tristeza que vejo uma delas cortada sem justificativa plausivel que não a do lucro.
Um grande abraço
Made on June 12, 2009 @ 4:25 am