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August 14, 2009

“Gestão” de dados e bibliotecas


Cruzando referências entre Cesar Schirmer e o Hermenauta, uma formulação muito boa:

 «se o conceito de biblioteca surgisse hoje, ia ter gente tentando proibi-lo. Que triste» http://ow.ly/k3z4


A formulação é perfeita, porque à luz de um movimento no qual a figura tupiniquim é o projeto de lei do Senador Eduardo Azeredo (muito discutido no Trezentos), ela mostra muito bem o significado desse "movimento".

De um lado o caráter democratizante das Bibliotecas e do livre acesso ao conhecimento. De outro, o jogo de proibições e vigilâncias, mediado pelo que muitos chamam de "capitalização" do "humano". 

Nem sempre as bibliotecas ofereceram livre acesso ou esse caráter democrático. O acesso ao escrito sempre foi codificado, da alfabetização à instituição e suas formações. Mas seu significado e legado sempre se misturaram muito bem com o aspecto emancipatório. Não é a Rede encarada, desde sua popularização, como a possibilidade de uma biblioteca "universal"? Basta ver a noção de hipertexto para constatar: ela diz respeito a acesso sem mediação, e a difusão sem mediador. Com o hipertexto antigas relações se desfazem, possibilitando novas e não mediadas. Um rapaz pobre e sem acesso, porém com boas idéias, pode cortar infinitas cadeias de mediações (apadrinhamentos, cunhadismos, etc.) e fazer contato direto com algum pesquisador do outro lado do mundo, para dar um exemplo.

Assim a frase é muito boa: se as bibliotecas surgissem hoje, muita gente as proibiria; dada a idéia inicial de que a internet serviria para livre acesso e difusão, hoje tudo busca capitalizar tanto o acesso, quanto a difusão. Assim, não se conceberia uma biblioteca sem antes conceber "modelos de gestão" para restringir e modalizar seu acesso (que alguns poderiam hipocritamente chamar "livre"). Trocando  o termo "biblioteca" por "Rede", tem-se bem a dimensão do que ocorre - veja-se, por exemplo, os inúmeros Athens, Jstor, Pubmed e outros, restringindo acesso até mesmo de material acadêmico!

Daí cada vez mais o livre acesso e a livre difusão se chamarem, para alguns,  "pirataria". Só não se considera que essa visibilidade cada vez maior do que se chama de "pirataria" não é pirataria por definição, não passa pela cópia criminosa de produtos; "pirataria", cada vez mais, é muito simplesmente o efeito colateral dessas políticas de gerir, capitalizando, o acesso e a difusão. Querem chamar tudo o que o capital não gere, tudo o que ultrapassa suas bordas, de "pirataria".

2 Comments »

  1. Ricardo Says

    Estou acompanhando o seu blog e acho que vc é do tipo de pessoa que gostaria de ver este site www.skoob.com.br é uma rede social só para leitores.

    Made on August 20, 2009 @ 5:13 pm

  2. _Maga Says

    Um ótimo texto, Catatau. Uma certeira - e triste - reflexão.

    Um abraço

    RE: Oi Maga! Uma reflexão nunca pode ser triste! Triste é a ausência de reflexão, isso sim ;)
    abraços,

    Made on September 10, 2009 @ 3:47 am

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