October 28, 2009
O Fim do Geocities (1994-2009)
O serviço de hospedagem gratuita de sites do Yahoo, chamado Geocities, foi apagado ontem, dia 26/10/2009.
O que parece uma notícia banal é, na verdade, um marco na história da internet. Criado em 1994, o GeoCities foi a primeira plataforma realmente "popular" de divusão de conteúdo, bem antes dos blogues.
Antes do nascimento de ferramentas como o Google, o Geocities organizava seus conteúdos em "cidades", com longos endereços temáticos, divididos em sub-temas e aí no número de cada site (ex.: http://www.geocities.com/TheTropics/Cabana/8434/superind.html - antigo endereço do fabuloso quadrinho "Supermanietzsche")
Primeiramente autônomo, o endereço foi incorporado ao Yahoo!. Mas a incorporação não trouxe ampliações ao serviço, praticamente inalterado enquanto evoluia o resto da Rede. O Geocities permaneceu com os mesmos recursos dos anos 90 enquanto surgiam os blogues, as plataformas dinâmicas, as comunidades virtuais e os endereços curtos.
Perdeu usuários. E mesmo as pequenas alterações (primeiramente o endereço encurtado para o nome de usuário; depois um frame de publicidade no lado direito da tela, e uma plataforma limitada de blogs) não acompanharam a Rede.
O Geocities é importante porque nessa plataforma vimos pela primeira vez um fenômeno relativamente corriqueiro hoje em dia: pessoas comuns despontando como difusoras de informação e do que a informação pode ocasionar. Indivíduos comuns com privilégios relativos e temporários diante da "grande mídia".
Com uma diferença: a novidade dessa mídia, nos anos 90, conferia a essas pessoas um estatuto estranho, não evidente, dificilmente enquadrável. Não foram poucos os textos de jornal ou revista se reportando a esses tipos de site com certo ar de desconfiança, reprovação ou reserva, ao mesmo tempo em que se admitia haver ali um fato novo e informações efetivas e pertinentes.
Tal "estranheza", na época, era de muitos modos festejada. Criou-se literatura em novos formatos, e muito se explorou sobre as possibilidades do hipertexto e suas relações com a "realidade". Essa passagem do hipertexto à realidade - e não da realidade ao hipertexto, preocupação de todo movimento posterior até hoje - trazia importantes questões, sobre possíveis contribuições da Rede para a emancipação das pessoas.
Como dizia a autora do informarte.net, abria-se a possibilidade de verdadeiros bailes de máscaras, com tudo o que um "baile de máscaras" significa: um grande encontro aberto, onde os indivíduos deixam mediações autoritárias ou personalizantes de lado para construir algo em comum.
No auge do Geocities, despontava esse tipo de questão.





Marcus Says —
Tive alguns sitezinhos no GeoCities. No início era bem amigável, mas depois que o Yahoo comprou, estragou com os layouts.
Hoje o mais fácil, sempre, é abrir um blog, até porque os blogs do WordPress podem ser organizados em páginas e não em posts, e fica um site mesmo, de verdade, com as limitações de temas, é claro.
Eu devia fazer um post sobre isso também, mas na falta de tempo deixo apenas esse comentário.
Made on October 28, 2009 @ 7:29 pm