November 11, 2009
Suicídios e práticas organizacionais
A transição das práticas organizacionais na France Telecom acarretou 24 suicídios em 18 meses.
O Amauri Ferreira recomendou dois links sobre o trágico universo corporativo da France Telecom. Em 18 meses, 24 suicídios (!).
Tudo devido à famosa política de "transição" da empresa para os "novos tempos" - dos antigos modelos de emprego estável para as novas dinâmicas "líquidas" e ao mesmo tempo "enxutas" do mercado.
No site do Nassif, pulularam comentários sobre as práticas análogas no Brasil:
Tudo isso aconteceu no Banco do Brasil, no malfadado Governo FHC, quando milhares de servidores do Banco perderam seus empregos por meio de uma carnificina chamada PAQ – Plano de Adequação de Quadros e um outro, ainda pior, o PDV – Programa de Desligamento Voluntário que de voluntário só tinha o nome. Os que não perderam o emprego foram transferidos do interior do país – o Piauí, por exemplo – para Brasília, São Paulo, Rio, etc. Embora abafado, o corpo funcional teve notícia de muitos suicídios em todo o país (…)
Outros leitores citaram uma entrevista de Naomi Klein e alguns de seus livros (citaram No Logo - parece acertar em cheio a questão!).
Nisso tudo, interessante o caso da France Telecom ser relativamente "recente" (caso se possa dizer isso). Pois no Brasil, a linguagem dos Planos de Demissão Voluntária e seus análogos, se não se pode dizer que terminou no governo Lula, saiu relativamente de cena.
Por aqui existem alguns poucos relatos de boas transições, mas é notável o tema das transições massacrantes.
A diferença é aparentemente não haver no Brasil uma ampla discussão sobre os elementos visíveis no caso francês. Nos círculos informais, nas ruas e no boca-a-boca, talvez em alguns círculos acadêmicos restritos, essa discussão existiu. Mas não amplamente, nem se dedicou atenção midiática. Por que será?





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