January 27, 2010
Dois Velhos
UM VELHO
No meio do café barulhento, debruçado
sobre a mesa, um velho está sentado;
com um jornal a sua frente, sem companhia
E no desdém de sua velhice mísera de agora
pensa quão pouco aproveitou os anos de outrora
em que tinha fluência, e beleza, e energia.
Percebe que envelheceu muito; sente, conhece.
E contudo o tempo em que era jovem lhe parece
ontem. Como o tempo passa, como o tempo passa!
E pensa em como a Prudência o enganou;
e como - que loucura! - sempre lhe acreditou
quando dizia; "Amanhã. Há tempo." - Que trapaça!
Lembra ímpetos que segurou; felicidade,
quanta sacrificou. Cada oportunidade
perdida de seu saber insensato graceja.
Mas de tanto refletir e recordar
o velho tonteou. E agora dorme a sonhar
no café recostado sobre a mesa.
Konstantinus Kavafis (1897)
AINDA É TEMPO?
Nem uma vida inteira de desculpas
Vai dar graça à tua face, minha cara.
Teus pecados mortais, as mil culpas,
Que te afligem agora, a dor não sara.
Tua beleza se foi, vieram as pústulas
Do tempo e contra elas nada salva,
Nada pode. A dívida são multas
Que a vida cobra à tapa na tua cara.
Cinqüenta anos passaram e não viste
Nada, que não fosse o espelho em tua frente.
E se a imagem que vês hoje te fere,
É porque tua alma, de dedo em riste,
Vê em ti, apenas a sombra indiferente
A tudo que ela amou e sentiu na pele!
Antonio Thadeu Wojciechowski (2006)





Paulo Moreira Says —
Me permito acrescentar dois poemas curtos de um mesmo velho, o mexicano Efraín Huerta:
Ecología
De la
Ilusión
A la
Erosión
No hay
Más que
Medio
Siglo
Decisión
En vista
De lo cual
-58 años
Malignamente
Cumplidos-
De ahora
En adelante
Solamente lucharé
Por una
Soledad
Sin clases
RE: Belas contribuições, outras são bem-vindas!
Made on January 28, 2010 @ 8:17 pm