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February 2, 2010

A escrita e a ignorância


"Ao escrevermos, como evitar que escrevamos sobre aquilo que não sabemos ou que sabemos mal? É necessariamente neste ponto que imaginamos ter algo a dizer. Só escrevemos na extremidade de nosso próprio saber, nesta ponta extrema que separa nosso saber e nossa ignorância e que transforma um no outro. É só deste modo que somos determinados a escrever. Suprir a ignorância é transferir a escrita para depois ou, antes, torná-la impossível. Talvez tenhamos aí, entre a escrita e a ignorância, uma relação ainda mais ameaçadora que a relação apontada entre a escrita e a morte, entre a escrita e o silêncio. (Gilles Deleuze)

7 Comments »

  1. Orlando Says

    Sismicidade Induzida pelo homem
    http://www.obsis.unb.br/index.php?option=com_content&view=article&id=61&Itemid=73&lang=pt

    RE: Muito interessante, Orlando. Mas a que vem?

    Made on February 2, 2010 @ 10:09 pm

  2. Dan Says

    Deleuze é realmente fabuloso, tais extremidades apontam para o vazio e a sensação desta dimensão é que torna possivel a escrita. Fazendo da escrita um fragmento daquilo que supomos saber e da ignorância muito mais do que podemos sustentar.

    Made on February 17, 2010 @ 6:59 am

  3. Catatau Says

    Não seria o contrário Dan, a escrita um fragmento do que sabemos deliberadamente não saber, e daí a ignorância como a única coisa a se sustentar, indefinidamente?

    Made on February 17, 2010 @ 12:59 pm

  4. Dan Says

    Quem saberá? Se um fragmento do que sabemos puder deliberar certa habilidade na ignorância? Li o pensamento de Deleuze (que não conhecia) e lembrei-me do “saber que não se sabe” da Maud Mannoni. É o madrugar e as suas persistências… Entretanto, ainda penso que a dimensão do vazio é o que faz suportar a dor do silêncio e da morte, e a escrita sustentando tais implicações. É a cara do Deleuze isto… principalmente no final de seu pensamento

    Made on February 17, 2010 @ 3:35 pm

  5. Dan Says

    Agora vou lhe falar uma coisa: eu tenho um péssimo hábito de mudar quando sou acometido pelo sentimento da admiração. E você eu admiro de verdade… e isto é perigo iminente! Posso facilmente mudar rapidinho.

    RE: Se o perigo é iminente, não há o que fazer!
    Mas é como na citação acima: só há espaço para um lugar comum fora da admiração e do desprezo (um pouquinho da noção de “fora” passa por aqui) - um não é o inverso e o simétrico do outro?

    ;)

    Made on February 17, 2010 @ 3:47 pm

  6. Dan Says

    fora o lugar comum ainda continuo preferindo a dimensão do incomum. Quanto ao perigo é a sua prescindência que me aproxima das idéias suas. Não tenho escolha em relação aos “nãos” , mas garanto que se há uma moderação ou consenso perco completamente a inspiração.

    RE:
    “Amizade sem divisão e sem reciprocidade, amizade para o que passa sem deixar rastro, resposta da passividade à não-presença do desconhecido (…). A amizade não é um dom nem uma promessa, a generosidade genérica. Relação incomensurável de um para o outro; ela está relacionada com o de-fora na sua ruptura e na sua inacessibilidade. O desejo puro impuro e o apelo, a superar a distância, o apelo a morrer em comum pela separação.” (Maurice Blanchot)

    ;)

    Made on February 17, 2010 @ 5:57 pm

  7. Dan Says

    depois de Blanchot…vou aqui ficar quieto e inspirado, escutando o “Do me good” da Amy Winehouse.

    Made on February 17, 2010 @ 7:24 pm

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