April 29, 2008

Malthus de novo

Reproduzo abaixo o pequeno "O Retorno de Malthus", de Luiz Marques, no História Viva.

 De todos os filósofos e pensadores da economia política que vicejaram desde o século XVIII, nenhum foi objeto de críticas tão unânimes quanto Thomas R. Malthus, autor em 1798 de um livro famoso: Um ensaio sobre o príncípio da população e sobre o modo como afeta o aperfeiçoamento futuro da sociedade. O pessimismo de sua tese, segundo a qual “há uma constante tendência em todas as formas de vida animada a crescer além dos estoques de alimentação disponíveis para ela”, jamais granjeou consenso. Pois a tal pessimismo, opunham-se dois tipos de otimismo. Os “integrados”, ou seja, os otimistas liberais, sempre acusaram Malthus de miopia apocalíptica, argumentando que a simbiose entre a livre-iniciativa e a tecnologia seria capaz de prover indefinidamente a demanda global de alimentos. A “revolução verde” deu-lhes razão. De seu lado, os “apocalípticos”, vale dizer, os otimistas quanto à capacidade humana de superar o capitalismo, sempre o consideraram um “integrado”, um reacionário empedernido, contrário até mesmo à mais tímida legislação paliativa da pobreza. O progresso da legislação social desde a Revolução Francesa também deu-lhe razão.

Mas as coisas mudaram. Transcorridos 210 anos do ensaio de Malthus, esses dois tipos de otimismo debatem-se em crises terminais, enquanto o pessimismo malthusiano retorna. Dados da ONU: em 2008, a população urbana do planeta está se equiparando à população rural; beiramos hoje 6,8 bilhões; em 70 anos, de 1950 a 2020, mais que triplicaremos; nos próximos 40 anos atingiremos a marca de 9,2 bilhões de indivíduos: 50% a mais que a população de 2000; em 2050, 6,4 bilhões de pessoas – o equivalente à população atual do planeta! – apinhar-se-ão em cidades. Portanto, em 40 anos (2010-2050), a população urbana, sempre sequiosa de alimentos, duplicará.
 
Haverá 50% a mais de alimentos no planeta em relação à produção já insuficiente de 2000? A resposta é não. A revolução verde atingiu seus limites. Ela foi possível por causa do petróleo abundante e barato e a conseqüente petroquímica dos fertilizantes e defensivos agrícolas. Enxertamos no solo quantidades imensas de energia fóssil. Segundo Richard Manning (The oil we eat, O petróleo que comemos) “as plantações de Iowa [EUA] requerem a energia de 4 mil bombas de Nagasaki por ano”. E esse é o padrão atual da agricultura de escala. Ora, é consenso que a tecnologia será incapaz de descobrir novas jazidas de petróleo em ritmo compatível com o do crescimento da demanda. O esgotamento das reservas petrolíferas é um fato. Ela já acarreta o aumento implacável dos preços do petróleo e o dos alimentos agrícolas, analisado por Paul Krugman em artigo do Washington Post de 7 de abril (“Grains gone wild”, Os grãos enlouqueceram). Isto para não falar no pior: o declínio dos cardumes e a demanda crescente por gado de corte, voraz consumidor de florestas e grãos, com custos ambientais terrificantes. Mas é melhor parar por aqui: neste assunto os carnívoros humanos nem querem ouvir falar.

Muito interessante o modo como Marques colocou Malthus entre os liberais e os marxistas: entre a "liberdade" do mercado, constatável a posteriori, e a condução das estruturas sociais por uma massa consciente, figuraria o pensador inglês, ou mais precisamente o significado que se poderia extrair de sua obra.

Contra o liberalismo, a presença de um Malthus "atual" mostraria que não ocorre nem um equilíbrio espontâneo e igualitário da economia, e nem um consumo "livre" adequado a recursos infinitos. Contra os socialismos reais, afirmaria que a própria realidade mostrou a impossibilidade de superar os instrumentalismos em direção a uma razão substantiva.

"Mas é melhor parar por aqui: neste assunto os carnívoros humanos nem querem ouvir falar." [2] ;)

March 22, 2008

“Salvar as águas”: quais águas?

Em um outro texto já vinculado (reproduzido abaixo), este blogue tentou apresentar uma questão bastante curiosa; se hoje é apenas história e elucubração, no futuro muito provavelmente ganhará tom de seriedade. Trata-se da questão de uma próxima e muito provável escassez de água potável.

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March 16, 2008

Ashley Dupré, e o que “agride” o “conhecimento humano”

Estava me lamentando a respeito do escândalo Ashley Alexandra Dupré figurar em evidência, enquanto a "descoberta" de que Saddam não era ligado à Al Qaeda não foi notícia nem comentada, quando resolvi consultar a blogosfera brasileira. Quase nada lá. Indignado, resolvi ligar a televisão.

Um pastor da Assembléia de Deus falava. Foi padre durante 5 anos, mas Jesus "sempre foi muito bom para comigo". A bondade divina havia lhe destinado telefonemas semanais de duas velhinhas. Elas ligavam, e sempre repetiam "Padre, Jesus está contigo, não desanime!". Jesus de fato "estava com ele", de modo que até deixou de ser padre e tornou-se pastor. Mas não é só: Jesus está com muita gente também, dizia o pastor. Não podemos deixar de saber que Ele está com os homossexuais e drogados, mesmo que sejam homossexuais e drogados. Ainda, junto com esses, Jesus está com os marxistas, leninistas e trotskistas, mesmo que sejam como os homossexuais e drogados. Jesus de fato está com todos, dizia o pastor, quando
 
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March 14, 2008

Ashley Alexandra Dupré e a curiosa economia dos escândalos políticos

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March 10, 2008

O blog definitivo

Dialogando com o Hermenauta:

O blog definitivo, último e perfeito teria apenas um post, e nenhum comentário: o post seria tão perfeito que nenhuma idéia, acontecimento ou palavra possível fugiria da redação, já prévia.

Ou o blog definitivo seria absolutamente vazio, permitindo então comentários infinitos: ele daria vazão para que tudo fosse dito e pensado, multiplicando esse vazio em todo o possível. Tudo o que fosse dito e feito seriam desdobramentos desse post vazio.

March 7, 2008

La sangre de los caídos

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Qué lejos está mi tierra
Y, sin embargo, qué cerca
o es que existe un territorio
donde las sangres se mezclan.
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February 27, 2008

O canudinho da vida

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A Scientific American anunciou a criação de um canudinho que consegue filtrar quase 100% de vírus e bactérias.

Imediatamente ligada à ajuda humanitária, a invenção venceu um concurso de idéias que podem mudar a humanidade.

A idéia da diminuição das desigualdades sociais em escala mundial não foi classificada. "Está fora de moda", disse um dos organizadores do concurso. emoticon

February 11, 2008

Coisas de Televisão

No primeiro intervalo de férias dos últimos anos, com um baita problema no braço, tive nos últimos tempos um certo hábito de assistir programas de televisão. Os de domingo, nunca - soube de fontes confiáveis que no inferno deve passar o Faustão e o Gugu todos os dias.

Não quer dizer que os outros sejam tão melhores. Há algo de grotesco nas programações. Por exemplo, em uma novela de horário nobre, falam em uma universidade privada sobre a importância dos financiamentos privados na educação pública. Isso carrega uma série de assuntos importantes sobre educação, o papel do ensino, da pesquisa, da televisão, e afins. Mas o engraçado é que no mesmo capítulo um professor da mesma universidade recebia a tarefa de ministrar aulas de "Física Quântica aplicada ao dia-a-dia"!

Conservando seu papel social, a mesma novela mostrou, alguns capítulos atrás, como um bom brasileiro deve se defender: comprando uma bazuca, ou mantendo uma metralhadora atrás da mesa de seu bar.

Sem contar a aula de mitologia do segundo capítulo do Big Brother Brasil 8. Lá o sempre altivo Pedro Bial ensinava a nós - a ralé - sobre como Dionísio é uma manifestação do deus Apolo, ou que o nome grego do latino Dionísio é Baco. Se bem que, no mesmo episódio, haviam comparações bem mais grosseiras (e ninguém ainda escreveu algo sobre como esse programa conseguiu reverter a gosto popular o caráter negativo do Big Brother de Orwell em um show de bundas).

Ainda tem o teor literário: diante da desclassificação de algum "Brother", o Bial sempre recorre à poesia. A última "vítima do paredão" acabou vitimando também Fernando Pessoa, entre bundas e gentes efusivas.

O caráter literário do BBB foi muito bem mostrado pelo concorrente Fernando. Pinta de Pit Boy, no início do programa a cada 10 frases enunciadas, 11 continham a expressão "pegar mulher". Avançando o programa, o indivíduo "pegou" uma delas. Logo depois, encenou uma espécie de quase briga com outro concorrente: inicialmente, "arrebentaria" o desafeto; em seguida, disse que apenas queria conversar.

Entre a mulher e a briga, nosso "brother" suposto pit boy ficou totalmente desarmado: não podendo brigar nem com desafetos, nem com os outros integrantes que descaradamente flertam com a mulher "pegada", resta um silêncio cômico, com outras cômicas tentativas de estabelecer comunicação por vias alternativas às  expostas acima. Talvez foi de uma dessas cenas que o Luiz Antonio Ryff extraiu a pérola by Fernando:

 - Graças a Deus nunca fui de ler livro.

E eu vendo TV. emoticon

Finalmente, houve a polêmica do tapa-sexo de Viviane Castro. Uma puta injustiça. Onde se viu pensar que a mulher estava nua na Sapucaí? Só porque os 4 centímetros utilizados eram menores que os costumeiros tapa-sexo com 10 centímetros polidamente vestidos?

viviane castro tapa-sexo carnaval 2008

 

February 3, 2008

Bush

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January 4, 2008

Poste rapidote

Plantas e o Mar - Farol de Santa Marta 
foto de Zé Maciel

Um grande abraço, e feliz ano novo a todos! (Impedido de blogar nos próximos dias por motivos de ausência de força maior).