Este blog sairá do ar no dia 7/12/2011. Dentro de 30 segundos você será redirecionado
para o novo endereço, http://catatau.wordpress.com



November 30, 2011

Usando a máquina pública… ou não


Um dia, tempos atrás, toca o telefone. O curitibano atende e lá vem uma voz rouca e familiar:

- Oi, tudo bem? Aqui é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tudo bem com você?

É uma gravação com a voz do presidente, contando várias de suas benfeitorias ao Brasil no tom do "nunca antes na história desse país…"

O curitibano tem uma síncope (curitibanos não elegem prefeitos do PT há anos, críticos que são da continuidade no governo ;) ). Então quer dizer que o próprio presidente se aproveita da máquina pública para se promover pessoalmente, considerando as eleições já próximas?

É o aparelhamento geral, agora da própria vida privada! Quem é esse para invadir minha privacidade? E mais: é o uso da máquina pública para vantagens pessoais, não é mesmo? Improbidade!

Agora o curitibano pense que isso aconteceu de verdade. Só que a ligação não é de Lula, e sim do prefeito Luciano Ducci (PSB), ligado ao grupo dominante da cidade há décadas (Lerner, Taniguchi, Richa…) e provável candidato à reeleição.

November 23, 2011

A estranha e perigosa apatia do curitibano no caso Derosso


Rogerio Galindo na coluna Caixa Zero, publicada nesta quarta-feira, na Gazeta do Povo

O presidente da Câmara de Curitiba, João Cláu­­dio Derosso [do PSDB], foi à lona devido a um golpe certeiro do Ministério Público. Ficasse um dia mais no cargo e correria o risco do vexame de ser expulso. Assim, tentou iludir o distinto público fazendo parecer que agia com grandeza: não queria atrapalhar as investigações. Se fosse esse verdadeiramente o caso, teria saído quatro meses atrás.

(more…)

November 16, 2011

Curitibas, cães e microchips


Tempos atrás, havia um grande cão solto no bairro. A dona tinha problemas com bebida, deixava o portão aberto e lá ia o cachorro avançar nos transeuntes. Eu já precisei carregar pau e tijolo, enquanto outros tiveram (por sorte) a pasta mordida.

Nisso, acionamos o infalível serviço do 156 (para quem não sabe, é o "canal de comunicação entre a prefeitura e o cidadão", sic). Como de costume, a informação começou a rodar entre os órgãos (no caso, a secretaria de meio ambiente, a guarda municipal e a polícia), até morrer em algum conjunto de bytes que hoje substituem arquivos empoeirados.

Um dia tiraram o cachorro de lá: a dona se mudou… Mas a prefeitura não fez nada.

Vai ver porque, sendo "cidade da gente" que é, Curitiba está preocupada com assuntos muito mais importantes, certo?

Por exemplo, atenciosos vereadores se preocupam agora em colocar serviço de microchip em cães. Em atenta sinergia com a cidade, devem seguir a linha de outros projetos muito importantes, como o do Dia da Lambaeróbica.

Ou o Derosso (PSDB) que, enfim, não deixamos largar o osso.

***

A imagem acima é do Latuff.

October 25, 2011

Curitiba entre imagens e palavras (sobre a ciclofaixa)


 

(more…)

October 11, 2011

Curitiba e seu tráfego de influências


Mais uma para a série: o curitibano, adepto dos governos "tecnocratas" e "saneadores" do PSDB, não gosta de continuidade no governo (apesar de mantê-la há décadas) e de nomeações espúrias.
 
Pois bem, Curitiba foi nomeada "cidade resiliente" em uma recente pesquisa na gringolândia. Cidade "resiliente" é aquela "empenhada em retornar a seu estado de equilíbrio ecológico após passar por intenso processo de urbanização".
 
Por que Curitiba seria "resiliente"? Ora, tudo se deve ao trânsito e ao transporte público. Eles ocasionam o "retorno" da cidade a certo "estado de equilíbrio ecológico", certo?
 
A considerar as palavras do prefeito Luciano Ducci, errado. Curitiba, segundo ele, tem 1140 carros novos por semana nas ruas. Isso (ainda segundo ele) obriga a criação de uma nova secretaria, agora de "trânsito". URBS, Diretran, IPPUC e outras instituições já existentes não dão conta de planejamento e fiscalização, é preciso uma secretaria só para o planejamento.
 
Critérios técnicos para deixar a cidade resiliente (que paradoxalmente obriga, incita, ocasiona a compra de 1140 carros semanais) mais resiliente, certo? Então por que há quem diga que os técnicos serão… políticos indicados do PPS?

September 23, 2011

Curitiba, “cidade resiliente”


 
 
De acordo com o Blog Empresa Verde, fez-se uma pesquisa na gringolândia na qual se delimitou Curitiba como a segunda cidade mais resiliente do mundo. Por cidade "resiliente" entende-se "aquela empenhada em retornar a seu estado de equilíbrio ecológico após passar por intenso processo de urbanização". Segundo o blog, "pesou" muito na decisão a implementação do biarticulados e ligeirinhos, décadas atrás. 
 
Um olhar atento (ou nem tanto, convenhamos) sobre Curitiba mostra como essa decisão é surpreendentemente estranha, a começar pelo "décadas atrás".
 
Em primeiro lugar, todas as medidas predominantes nos últimos tempos (década[s]?) foram, quando muito, paliativas: a qualidade do transporte público decaiu na mesma medida em que Curitiba passou a possuir a maior frota do Brasil por habitante, dois carros para cada três pessoas. Muitas linhas retiraram cobradores e diminuiram o tamanho dos ônibus (quando não a própria frequência). E - o que é importante e decisivo - o crescimento da "malha" não acompanhou a demanda, criando um contra-efeito nocivo e nem um pouco resiliente: a migração, de quem tem condições, aos carros.
 
Vale repetir: a política de transporte de Curitiba, durante os últimos governos, tem feito sistematicamente o usuário migrar para o carro, e não deixá-lo na garagem em virtude de uma evolução do transporte. 
 
 
 
Isso sem contar as novas demarcações nas ruas, convertidas sistematicamente para um sentido único. Ou ainda a conversão de faixas de estacionamento em novas vias. Tudo converge em um nome: carro.
 
Se a pesquisa aponta a cidade mais resiliente, é estranho considerar o que Curitiba não é. Pode ter sido um dia, mas quem vive de passado é museu e as últimas prefeituras nem de longe atualizaram o que um dia foi motivo de elogio (dentro de alguns lampejos cujo olhar de qualquer historiador verá que se articulam com propósitos ainda não bem esclarecidos…).
 
Isso sem contar a largura das principais vias da cidade. Se os prefeitos das primeiras décadas do século passado não pensassem em criar vias largas…

August 9, 2011

O “cachorro” que ladra (e o que não ladra)


Dependendo do político, certos comentários podem ser encarados pela imprensa como gravíssimos, enquanto denúncias graves podem não receber maior atenção.
(more…)

July 25, 2011

“É a ponte da amizade!”


Durante a semana, a incrível cena dos traficantes atravessando a Ponte da Amizade em zombaria ocorreu em meio às notícias de outros casos surpreendentes de corrupção ou irregularidades no Brasil. Simples coincidência?

(more…)

May 9, 2011

O Novo Paraná e a falta de educação


Beto Richa, governador do Paraná (PSDB), disse em seu discurso de posse:

A educação será a nossa maior prioridade.

E isso eu já pude demonstrar durante a campanha eleitoral, assumindo compromissos com os professores e indicando o nosso vice-governador e professor Flávio Arns para ocupar a Secretaria da Educação.

Só a educação liberta as pessoas e faz com que elas possam romper com a pobreza e a falta de oportunidades.

Se a educação vai bem, todas as outras áreas podem avançar na mesma proporção.

É preciso investir com a educação integral nas áreas mais carentes do nosso Estado.

É preciso valorizar o professor e todos os profissionais da educação.

É preciso melhorar a infraestrutura e as condições de trabalho.

É preciso, enfim, encontrar soluções para questões que se arrastam ao longo do tempo, como a do financiamento do transporte escolar e a da falta de salas de aula para atender adequadamente a todos os estudantes.

Durante a campanha, o agora governador fez literalmente as seguintes promessas: reajuste de 26% dos salários dos professores; concursos públicos; diminuição do número de alunos por sala e aumento do número de professores (por exemplo, professor regente e auxiliar). Sobre o reajuste dos professores, basta ver o vídeo:

Em meio a tantas promessas, quer dizer, "metas" eleitorais (segundo Richa, firmadas em cartório), vale ver a primeira sinalização concreta do governo em relação à educação:

Entre janeiro e fevereiro de 2010, o governo de Requião aplicou R$ 848,6 milhões em educação, de um total de R$ 5,4 bilhões previstos para todo o ano. No mesmo período da gestão tucana, o setor recebeu apenas R$ 791,6 mi­­­­lhões, apesar de o valor anual previsto ser maior: R$ 6,2 bilhões.

A execução orçamentária mostra que o maior corte ocorreu no ensino fundamental, para o qual foram destinados R$ 345 milhões no início de 2011 – R$ 50 milhões a menos do que em 2010.

 E

Outra área que recebeu menos recursos em 2011 foi a de ciência e tecnologia. Foram repassados R$ 10 milhões no primeiro bimestre, uma queda de 23% em relação a 2010. O impacto maior foi na área de desenvolvimento tecnológico e engenharia, que recebeu apenas R$ 7,9 milhões, contra R$ 11,1 milhões do ano passado.

Vale repetir: no discurso de posse, Richa disse "A educação será a nossa maior prioridade".

April 27, 2011

Curitiba, cidade dos carros


 

 Há quem diga que Curitiba já tem dois carros para cada três habitantes. Verdade ou não, durante os últimos anos as dinâmicas do trânsito mudaram muito.

A faixa de pedestres, por exemplo. Antigamente ela indicava a preferência do pedestre para atravessar a rua. Visto que curiosamente enquanto a tecnologia aumenta os homens se animalizam (outras explicações são bem-vindas!), hoje, dentro de um carro ultra-tecnológico, a leitura das coisas ao redor também se animalizou. Todas aquelas faixas brancas paralelas se dirigindo para a frente só podem indicar "siga", certo? Ou quando não dá para seguir (afinal até os cachorros aprenderam a evitar os grandes trambolhos metálicos), ela só pode indicar "pare em cima".

Isso quando reconhecem a faixa. A função do "Pare" escrito na rua, por exemplo. Até a prefeitura reconhece que definitivamente ela não serve para nada, a não ser, é claro, que a televisão reclame.

Sinal amarelo: certa vez ele significava "alerta", "atenção". Desde a auto-escola se deveria aprender: só passe o amarelo se ele aparecer exatamente no momento em que você passa pela faixa de sinalização próxima ao sinal (sim, isso existe).  Mas hoje o significado mudou: "aproveite", ou então mande os "lerdos FDP" para aquele lugar. Sem contar o novo significado do sinal verde: arranque à toda, ultrapasse os lerdos, pois adiante o sinal pode fechar! - quem são estes para atravancar minha passagem assim?

Claro que a fiscalização só pode acompanhar as novas tendências. Se praticamente não há ninguém fiscalizando o cotidiano cada vez mais semelhante a Mad Max (tente atravessar a rua nas rápidas), os fiscais devem estar alguma hora em algum lugar. E todo sábado de manhã (e só de manhã) lá estão alguns, zelosamente multando as madames ao redor do mercado municipal (ainda não tiveram a ousadia de colocá-los para organizar a entrada nos shoppings).

Os curitibanos, com seu "novo jeito" de interpretar seu mundo, ainda reclamam da própria fiscalização. Eles mesmos notam como ela é apenas setorizada, restrita e um tanto quanto arbitrária (a regra da placa posta na rua vale apenas enquanto o fiscal está ali; em outros lugares iguais a lei não vale porque não há fiscalização etc. etc…).
 
Eles não concordam com radares e acham estranha essa indústria. Mas não se surpreendem muito quando as aberrações não precisam nem ser escondidas, afinal todo mundo comete um errinho… E mais: se a indústria dos radares faz respingar dinheiro público em bolsos privados, "se eu estivesse ali eu faria o mesmo", certo?

Em Curitiba o memorial das vítimas de trânsito fica atrás do museu do automóvel. Os próprios jornalistas chamam uma rua reformada, porém sem calçadas e com o calçamento cheio de entulhos, de "revitalizada" (rua = passagem de carros privados e eventualmente pessoas, não lugar público de pessoas e eventualmente carros).

O mito de que nessa cidade existem ciclovias esconde o fato de que para a prefeitura elas nem são interessantes (tampouco importantes) e, enfim, sempre serviram para o lazer dos domingos de manhã (basta ver o traçado das mais recentes). Bicicleta? A prefeitura dá o tom: ou é lazer de parque ou logo será crime.

Afinal, bicicleta serve para quê? E não me diga que você gostaria de andar a pé, certo? Os ônibus estão ali, menores e mais caros (quando maiores, igualmente lotados), mas ainda ali. Tenha paciência, pois arrancaremos as canaletas para construir o metrô.

Ou ainda, reclama de quê? O povo tanto gosta disso que demonstrou sua aprovação nas urnas. O mesmo grupo não está no governo durante tantos anos à toa. E além do mais, em Curitiba existem dois carros para cada três habitantes…

Ajude o blog comprando um livro na Cultura via Catatau