October 23, 2011
Curitiba anda de ré, e contra as bicicletas
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Passa mal. Vai ao hospital. O caso é grave e o encaminham à UTI. Ali permanece por algum tempo. Então recebe alta, os médicos dizem que já está bom e pode voltar para casa. Da UTI direto para casa? A família é humilde, pergunta "mas não seria melhor ficar um pouco mais no hospital?" Como de costume, gente humilde não merece explicações técnicas. Os médicos não explicam o caso e, com a costumeira autoridade, dispensam o paciente ("deve ser assim mesmo no hospital", racionalizam os familiares). Chegando em casa ele só faz piorar. Mas se a própria UTI o dispensou… É de noite. A situação se agrava cada vez mais. De manhã volta ao hospital, mas não dá tempo.
Bombeiros fazem boca-a-boca em cão após tirá-lo de incêndio nos EUA

Sem muita dificuldade dá para pensar em pequenos mecanismos acoplando três ou quatro cones em telhados ou quintais para produzir e armazenar água potável diariamente e de modo automático. Uma pequena bomba traz a água a ser purificada, um pequeno tanque armazena a água pura, células fotovoltaicas e gravidade fazendo o serviço de transportar a água…
Nos últimos dias a Globo tentou dar alguns lances de cordel nordestino.
O desfecho de "Cordel do Fogo Encantado", última novela da Globo, foi muito interessante. Não propriamente a respeito de algum mérito narrativo ou artístico, mas sim nesse aspecto cotidiano e um pouco monótono da tradição das novelas brasileiras e seus encantamentos enviados ao povo.
A novela é sobre um cordel e encerrou com diversos cordelistas consagrados do nordeste, declamando algo parecido com o enredo dos últimos meses (o que é um belo gesto e quase lembrou da época em que havia algum esforço por adaptação, digamos, mais fiel a obras do que a audiências, como em O tempo e o vento). Mas antes disso, a última cena foi digna de atenção. Os mocinhos da novela - um grupo de amigos e parentes - certamente passou os mesmos últimos meses brigando com um coronel, que desapareceu ou foi morto (provavelmente nos capítulos finais).
O coronel devia ser realmente ruim. Tão ruim que, mesmo depois de morto, conseguiu não deixar os mocinhos em paz. No último lance eles seguem à fazenda desocupada do coronel, quando encontram um mancebo mal encarado. Ele apresenta documentos comprovando a posse da terra e manda todos embora. Então, junto com o personagem de Mateus Nachtergaele, os mocinhos comentam (parafraseio): "vamos embora, não temos o que fazer aqui. O mal sempre retorna, não importa o que se faça. Mas o importante é que somos um grupo e temos um ao outro".
Vale repetir: as injustiças vêm e vão, mas… somos felizes e nossa ação importa na medida e na proporção mesma em que "temos um ao outro".
Não muito longe do assunto, ontem o "Fantástico" apresentou outro tema de cordel: um velho Sr. possui mais de 50 filhos, isso sem considerar os "não contabilizados" espalhados pelo mundão. Como conseguiu? Revezando esposa e cunhada (quando não a sogra). Alguns comentadores então disseram: é a "sociedade coronelista", "machista" etc.. Ele mesmo tinha a resposta na ponta da língua: não fiz com ninguém que não quis.
Vale mencionar outro caso, também reduzido ao puro conteúdo individual, passional (candidato a um cordel?): uma amante manda matar a esposa e oferece mil reais. Recordando que era amigo de infância da mulher, o assassino decide simular sua morte, afinal não é sempre que se ganha 1000 reais, certo? Ele tira uma foto da mulher cheia de Ketchup com uma faca junto ao braço. Foto feita, valeu o prêmio. Dias depois a "morta" reaparece ao lado do marido, criando o maior escândalo. O caso renderia prisões ou maiores consequências? Conforme o delegado, não passou de um lance de humor pastelão. Afinal, valeu a sorte: a possível vítima era amiga de infância do assassino - este, o verdadeiro dono do destino da estória. Ufa!
Entre os amigos que enfim "têm um ao outro", as famílias criadas ao bel querer de certos caprichos e o destino individual controlado por assassinos de mil reais, não seria inútil lembrar de Lampião. Mesmo vivendo no mesmo universo acima, outra é a narrativa sobre ele. Cada cordel tem seu "encantamento", mas outro é o poder de simpatia de Virgulino. Os cordéis não contam suas presepadas, mas suas peripécias. O estatuto de seus atos e o próprio raio de ação são diferentes e contam outras virtualidades. Diante de sua peixeira teme o coroné, o policial, o patriarca, o assassino… e até o diabo:
Lampião disse: vá logo
quem conversa perde hora
vá depressa e volte já
eu quero pouca demora
se não me derem ingresso
eu viro tudo as avesso
toco fogo e vou embora.
O vigia foi e disse
a Satanás no salão:
saiba vossa senhoria
que aí chegou Lampião
dizendo que quer entrar
e eu vim lhe perguntar
se dou-lhe ingresso ou não.
- Não senhor, Satanás disse
vá dizer que vá embora
só me chega gente ruim
eu ando muito caipora!
eu já estou com vontade
de botar mais da metade
dos que tem aqui pra fora.
- Lampião é um bandido
ladrão da honestidade
só vem desmoralizar
a nossa propriedade
e eu não vou procurar
sarna pra me coçar
sem haver necessidade.
"A visão de mundo mais perigosa é a visão de mundo daqueles que nunca viram o mundo". Alexander von Humboldt (14.9.1769–1859)
Postado por andrevallias
"É coisa de quem sai pouco do próprio bairro"
, afirmou Sylvia Colombo na FSP, sobre o infeliz lançamento do "Guia do Politicamente Incorreto da América Latina"
"What do you expect?" the gardener asked me near the ruins of the old royal winter palace in Jalalabad. "The Taliban came from the refugee camps. They are giving us only what they had." And it dawned on me then that the new laws of Afghanistan - so anachronistic and brutal to us, and to educated Afghans - were less an attempt at religious revival than a continuation of life in the vast dirt camps in which so many millions of Afghans had gathered on the borders of their country when the Soviets invaded 16 years before.
Essa é de Robert Fisk, em A Grande Guerra pela Civilização/Great War for Civilization (passagem ampliada).
Variações que remontam a… 2500 anos? Durante o governo Bush, um assessor de alto escalão disse a um jornalista do NYT:
O mundo não funciona mais assim. Somos um império agora, e quando agimos, criamos nossa própria realidade. E enquanto vocês estudam essa realidade - judiciosamente, como queiram -, agimos novamente, criando outras novas realidades, que vocês podem estudar também, e aí está como as coisas serão. Somos os atores da história… e vocês, todos vocês, apenas ficarão estudando o que nós fazemos.
Já as versões tupiniquins sempre têm seu coeficiente próprio de arretância. Essa de Nelson Jobim - ainda fresquinha - superou todas as expectativas. Segundo ele, o Código Florestal não precisa tratar do futuro,
"pois estaremos todos mortos"