March 11, 2008
Dois anos




Lembram do affair sobre o "aperfeiçoamento" do trânsito na Pracinha do Batel, em Curitiba? O caso se desdobra em outros curiosos acontecimentos, na Cidade da Gente.
A prefeitura argumentou que precisava cortar uma praça tradicional da cidade ao meio, com a justificativa de melhorias no trânsito e na própria praça. Dizia ainda que uma pequena central da guarda municipal seria implantada (algo que até agora não ocorreu).
Já os contrários à divisão da praça - dentre eles, este blogue - argumentavam que a medida era desnecessária, pois haveriam alternativas.
Ainda, permanecia sobranceira a hipótese de que tudo aquilo era feito apenas porque um shopping seria construído bem pertinho.
Pois bem, na capa da revista Paraná em Páginas deste mês aparece uma curiosa imagem:
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O que mostra que a hipótese do Shopping não era tão… distante.
Sem contar esse outro post, do Caixa Zero:
A prefeitura de Curitiba já está abrindo a segunda parte da Rua Desembargador Costa Carvalho. O trecho que está sendo aberto agora passa por dentro do antigo Clube Juventus. É a mesma rua que passa pela Praça do Batel, aberta no ano passado. É a mesma também que levará fregueses das Mercês e do Champagnat, dois dos bairros mais ricos da cidade, para o futuro Shopping Patteo Batel, cuja construção a prefeitura já autorizou. O shopping é da administradora de Salomão Soifer, que deu R$ 100 mil para a campanha de Richa. Tudo coincidência.
"das coisas cujas relações são difíceis de apreender porque pouco sensíveis a nossos sentidos, ou porque suas relações demasiado multiplicadas, obrigam-nos a um grande esforço em sua pesquisa, constituem para a alma um exercício que cansa demais o sentido interior através da excessiva tensão contínua desse órgão"A citação é do Nouveau Traité des Vapeurs (1770), de Jean-Baptiste Pressavin.
"nos letrados, o cérebro endurece, frequentemente tornam-se incapazes de ligar idéias" (Avis aux gens de lettres sur leur santé, de Simon-André Tissot [1767]).Não consegui encontrar a edição virtual dessas obras. Mas poderia-se complementar que o gosto pelas especulações abstratas, e o excessivo exercício do cérebro sem o cuidado com o corpo, endurece esse órgão da mesma forma que os músculos de um trabalhador manual, segundo esses fisiologistas do século XVIII. O conhecimento, abstrato e distante do sensível, provoca uma tensão excessiva no cérebro, agita os vapores, e pode resultar em loucura.
Você visita Curitiba, conhecida como "cidade modelo", lugar de "gente educada", e afins. De repente, se depara com uma figura assim:
O que? Um sujeito de sunga e cheio de óleo, passeando de bicicleta em pleno inverno curitibano? Steven Seagal em nova missão? Arnold Schwarznegger com rabo de cavalo? Elvis Presley, ciclista e reencarnado? Não, é o Oilman!
O Oilman é apenas um, dentre outros quase 20 personagens urbanos de Curitiba (mais ou menos "reais"), que João Varella e Cecilia Arbolave entrevistaram para compor o livro Curitibocas - Diálogos Urbanos. Trata-se de um perfil da capital paranaense, contado por várias de suas figuras.
O lançamento ocorrerá dia 7 de dezembro, às 19 horas, na Livraria Saraiva do Shopping Cristal. O livro custará 29 reais.
Para saber mais, o blog do livro publica todas as informações, e também criou um vídeo de divulgação.
O BibliOdyssey lançou um livro sobre os próprios conteúdos do blog:
No link acima figuram as informações para comprar. Em uma entrevista com o autor, PK nos ensina muito sobre a relação blogueiro x blog.
Já encomendei o meu. 
Leia mais“O problema com a maioria das formas de transporte, pensou, é que basicamente não valem a pena. Na Terra — quando havia a Terra, antes de ser demolida para dar lugar a uma via expressa hiperespacial — o problema tinha sido com os carros. As desvantagens envolvidas em arrancar montes de lodo preto viscoso do subsolo onde tinha estado escondido em segurança longe de todo mal, transformá-lo em piche para cobrir o chão, fumaça para infestar o ar e espalhar o resto pelo mar, tudo isso parecia descompensar as vantangens aparentes de se poder chegar mais rápido a um outro lugar — especialmente quando o lugar a que se chegava tinha ficado, como resultado, muito parecido com o lugar de que se tinha saído, ou seja, coberto de piche, cheio de fumaça e sem peixe.” Douglas Adams - O Restaurante do Fim do Universo
Fui convidado pelo Eduardo Graça para participar de uma corrente que não poderia evitar: mencionar as 5 leituras mais "presentes" e "próximas". [atualização: resultado do ‘meme’ aqui]
Atualmente, o que rege minhas leituras, em boa parte, são obrigações. Tenho que terminar um texto longo e difícil sobre um assunto bem complicado, que não tenho familiariedade alguma. Então, quase todos os esforços do semestre foram e estão concentrados nisso. Em suma, diria que esse grupo de textos seria minha "primeira" leitura, presente e próxima.
Mas dos livros que atualmente me circundam, gostaria de mencionar (links do título para referência em livrarias):
1 - O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro. Comprei esse agradável livro há alguns dias. Leitura fácil, atraente, muito interessante. Daqueles livros que é difícil de largar quando se começa a ler. Infelizmente, tenho que intercalar a leitura com as obrigações. Mas não tarda, e poderei terminar a prazeirosa leitura.
2 - O Diário da Ásia, de Thomas Merton. Trata-se de um apanhado de textos do último período da vida desse monge trapista, antes de falecer. Junto a relatos pessoais, constam várias conferências pronunciadas, inclusive a última e curiosa "Marxismo e perspectivas monásticas". Leitura interessante por vários motivos, dentre eles como uma espécie de catolicismo extremo vem de encontro com as próprias bordas externas do cristianismo.
3 - Lobo Solitário, de Kazuo Koike e Goseki Kojima. Exceção à regra, é um gibi. Mais especificamente um gibi japonês ("mangá"), de 28 volumes. Emprestei do Leandro
. Conta a história de um samurai medieval que percorre o Japão após ser deposto de seu cargo oficial. Leitura envolvente, desenhos impecáveis, quadrinhos fluidos, como em um filme. A pesquisa histórica é rigorosa, com referências abundantes da arte, literatura, e práticas sociais e jurídicas da época. Alguns posts do Catatau, como Wu Men e Oumi Hakkei, deveram-se a essa leitura.
4 - Meditações, de Marco Aurélio. As "Meditações" não são um livro. Consistem na verdade em um conjunto de anotações do imperador romano sob o título parecido com algo como "A mim mesmo". Cada passagem serve como uma espécie de lembrete ao filósofo; algo como uma ferramenta, cuja função é equipar o escritor com uma série de pensamentos que permitam o bem-viver, preparando-o para todos os acontecimentos. Disso, uma série de elementos interessantes saltam aos olhos, desde o papel da escrita, ao da filosofia. E não, filósofos antigos não são livros para administradores
5 - Bíblia do Peregrino. Essa tradução, comentada por Luís Alonso Schockel, é um imenso manancial, em vários sentidos. A começar pela beleza literária do texto, passando pelas imensas notas de rodapé, até a unidade do comentário, e as inúmeras referências.
Sem compromissos delegados, gostaria de passar o convite (e a curiosidade) adiante aos prezados: Marcio Pimenta, Donizetti, Marcela, Omar, e Hermenauta.
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Logo mais, comentarei sobre um outro "meme".***
Quero esse livro!