E eu ainda estava escrevendo isso, torcendo para que desse um friozinho (o pessoal do sul me entenderá, rssss):
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Recebi da Nanda a prazeirosa tarefa de indicar coisas legais para se fazer em Curitiba. Agradeço o convite, e lá vai (sem ordem hierárquica)
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- Andar de bicicleta: Curitiba tem várias ciclovias, e belos lugares escondidos nas proximidades para quem quiser forçar um pouco mais as pernas. Desde cachoeiras, até locais históricos, morros, e farta mata atlântica. Em um dia de pedalada pode-se conhecer vários parques, tomar ‘garapa’ num dos vários quiosques do caminho, e mesmo desbravar novas direções.
- Peregrinar pelos Sebos: Curitiba dispõe de vários sebos muito bons, ou pelo menos dignos de receberem peregrinações cotidianas para fuçar as novidades. A maioria fica no centro. Pensei já há algum tempo em traçar um roteiro para visitar boa parte deles, mas fica para uma tarefa futura. Dentre os meus preferidos (com certeza esqueço de algum, e ainda estou desatualizado), estão a Feira dos Livros Usados, a Livraria Osório, e a Cervantes. Em Curitiba, pelo menos, tem duas categorias principais de sebos: os "com" e os "sem" noção dos títulos e dos preços. Com paciência, pode-se encontrar coisa boa nas duas categorias. Os "sem noção" às vezes podem impressionar, com ótimos títulos garimpados por preços ínfimos. Nos "com noção", há maior oferta de bons títulos, mas deve-se ter maior cuidado e critério nas buscas, pois nem sempre o preço é tão acessível. A maior parte dos meus livros foram comprados nesses sebos curitibanos.
- Visitar o Bosque do Papa (com uma condição): Quando não está entulhado de gente nos fins de semana (essa é a condição), o Bosque do Papa é uma ótima opção, desde o Museu Niemeyer, passando pelo gramadão dos fundos, até os bares que costeiam a ciclovia.
- Beber e curtir no Largo da Ordem: O Largo é o autêntico reduto boêmio de Curitiba, com seus bares aconchegantes e noites sempre sujeitas a histórias inesperadas. Tenho do Largo a experiência de um lugar onde as "baladas" são desfeitas em nome de bons papos, acontecimentos fortuitos, muita bebida, e histórias para serem levadas. Tem também o imperdível cachorro quente da Dona Rose (custa apenas 1 real!), o Memorial de Curitiba (com uma bela vista do terraço), o Bar do Matias, a Cinemateca, belo nascente e poente, uma linda vista da lua cheia refletida no bebedouro a partir do cassario antigo, e várias outras opções na calçada e arredores.
- Apreciar os poentes: Como se pode notar aqui no Catatau, gosto muito de apreciar os poentes dessa cidade. O divertido é buscar sempre ângulos diferentes. Mas como Curitiba é uma cidade ’sub-tropical’, nenhum poente, mesmo visto do mesmo lugar, é apreciado com o mesmo ângulo. À medida em que se aproxima o inverno, os poentes se deslocam para o norte, e vice-versa no verão vindouro. Mas bons locais para se apreciar os poentes são o Jardim Botânico, o Alto da XV, e o Barigui (não é tão alto, mas fica bonito, especialmente no inverno), dentre outros.
Tem muito mais coisas, além dessas 5 (repito, não são as hierarquicamente superiores), muito legais de se fazer em Curitiba. Cidade que, aliás, é cheia de coisas
As fotos acima foram retiradas do Flickr (exceto a primeira), e todas são linkadas aos respectivos autores.
Caríssimos leitores do Catatau:
O Jethro Tull virá a Curitiba agora, dia 25/4/2007, para realizar um novo show na cidade. No mesmo horário, enfrentarei uma viagem de dez horas e meia, para assistir a apenas uma aula no outro dia (faltar gera 90% de chances de péssimas consequências), e já retornar. E agora? Alguma alma indulgente com suma autoridade poderia me ajudar? Trata-se de um show do Jethro Tull, compreendem?
Falando em música, uma banda curitibana chamada Motorocker - considerada um dos melhore covers do AC-DC - tem feito um bom sucesso ultimamente. Faltei ao show deles no sábado, mas… no mesmo dia não faltaram os "prazeres da carne - costelada, frango assado e churrascão"
Lembrando ainda alguns amigos leitores: sempre que encontramos alguma referência na internet, faz parte da netiqueta postar a origem, concordam? Tenho percebido vários leitores vincularem-reproduzirem-copiarem dados parciais ou totais, ou mesmo referências vinculadas aqui no Catatau, porém sem mencionar de onde veio o toque. Poxa vida, às vezes o trabalho de unir referências num post é gigantesco. Como diz o velho ditado, "mencionar é citação; copiar é plágio".
Sobre Curitiba, o blog Curitibocas tem um projeto interessante: lançar um livro de entrevistas com várias figuraças carimbadas da cidade. Até na porta do Vampiro já bateram.
Enfim, a respeito do vídeo "Eu gosto de Cu…ritiba", música de autoria de Carlos Careqa, foi interpretada das mais diversas formas, desde o sério civismo, ao culto (quase a la Rafael Greca) à terra das araucárias. Atentando ao jeito despojado de Careqa, a música mostra de fato um bom lugar para "ir fundo, no meio do mundo, aqui é o meu lugar"
Sentado na praça, pessoas ao redor. Várias delas, solitárias, outras com cães, e outras ainda com filhos. Bruscamente, uma mulher começa a correr. Veste uma daquelas mochilas de deixar o bebê junto ao corpo. A mulher corre, a mochila vazia, as alças suspensas, balançando com as passadas. Aconteceu algo? O bebê caiu? Ela vai até a lixeira, pega uma espécie de plástico, e faz meia volta, também em ritmo frenético. De repente, atrás de uma moita, sai um simpático cãozinho. Rapidamente, a mulher envolve a mão com o plástico, e pega um pequeno cocô. Na outra mão, o cão é levado à mochila, e os dois vão embora.
Tem também aquele cãozinho com a fita na cabeça, balançando junto com os pêlos tratadíssimos. É levado por uma dona zeloza e conversadeira. Conversa com o cão. Aliás, raramente passa alguém ali que não conversa com seu cão. Ou aquele casal que levou o cachorrinho como pretexto para o primeiro encontro, acariciando o bichinho nos intervalos do flerte. Ou a feiosa que passa rebolando com o cachorro, toda a praça. Ou as crianças que brincam com os bichos de estimação. Aquele fenômeno estranho: quase todos os donos conversando - ora alegremente, ora fazendo alguma advertência - com seus animais. Mas entre aqueles vários indivíduos que se entrecruzam com seus bichinhos, quase não há conversa alguma. Mundos que confluem, ali, apenas os do novo casal que flertava.
Sem falar naquela história dos vizinhos. Curitiba tem uma certa fama de poucos amigos, e sempre quando esse pré-conceito se levanta, chovem opiniões polêmicas e conflituosas. Inegável é que tem casos de vizinhos que chegam a ser cômicos. Como meus vizinhos de cima. Nem imagino quem sejam. Mas já fazem alguns dias, ocorre uma grande guerra entre ‘nós’ e ‘eles’. Porquê? Ainda não descobri. O fato é que eles têm dois costumes, um que pode ser considerado ‘normal’, e outro estranhíssimo. Costume ‘normal’: ocasionalmente, escutam música alta na alta madrugada. Costume ‘estranhíssimo’: barulhos inesperados ecoam do apartamento, também de madrugada.
Quanto á música, não há o que fazer, além de reclamar. Quanto aos outros barulhos, não consegui mais do que formular algumas hipóteses: (1) a do pinico: tanto barulho de fluidos caindo só podem denotar a existência de um pinico, já que a planta do apartamento não admitiria (provavelmente) um banheiro por ali. E… se não for um pinico? A frequência das prováveis urinas é bem maior do que um homem normal costuma fazer, especialmente durante à noite. Certo, os vizinhos podem ter voltado da festa, e deixado o pinico logo ali, do ladinho. Mas a dúvida permanece, pois o barulho às vezes perdura entre conversas bem humoradas. (2) a dos gemidos estranhos: provavelmente algumas vezes os vizinhos fazem sexo, logo acima. O que talvez nem imaginem é que isso pode ser ouvido. Uma estranha ‘intimidade’ mostrada a vizinhos que nem ao menos se conhecem. (3) a do ’sapateado’: dia e noite um (ou vários?) dos indivíduos residentes acima anda com algo que pode ser um tamanco, uma sandalha de salto, ou algum desses calçados de sapatear. A frequência dos ‘toc-toc-toc’ aumenta exponencialmente a cada vez que reclamamos. Junto aos passos, coisas são derrubadas, algo como uma vassoura (ou quem sabe unhas friccionadas?) é ocasionalmente passado no chão (porém sem uma continuidade que indicaria alguém varrendo o quarto), e o barulho não tem hora para terminar. Já pensei na hipótese de colocar o som alto de manhazinha, como vingança. Mas sou eu quem ainda acorda com os sapateados.
Vamos então à forma da ‘guerra’. Após pelo menos duas noites com tais acontecimentos, iniciamos as clássicas ‘vassouradas’ no teto. O que aconteceu? Simplesmente, como mencionado, a frequência aumentou consideravelmente. Talvez, como uma queda de braço, vassouradas versus barulhos estranhos. Quem ganhará? Muitas vassouradas durante o dia são cansativas, há toda a gravidade a favor do adversário. Dado que tudo o que foi descrito acima é obviamente aversivo a qualquer pessoa exposta a tais ruídos, não há outra coisa a se considerar senão que é tudo de propósito. Ou poderia ser um fetiche? O fato é que, por incrível que pareça, da conversa com os cães, ao silêncio para com o vizinho, à fixação por usar salto quando se poderia calçar um chinelo, existem pessoas que empenham suas vidas em tal tipo de ofício… a pergunta envolve então o que deixamos para trás com tudo isso.
- Coisas de Curitiba vol. I , vol. II e vol. III
- Pesquisa de livros de autores curitibanos e sobre Curitiba (literatura, humanas, turismo e afins)
- Charge de Luis Eduardo Leon
Quem acompanha meus últimos posts, talvez esteja notando um mal humor um pouco diferente do costumeiro. Em outras palavras, além da rabugentice costumeira, há uma insistência em um certo tema que gera a rabugentice. O tema em questão é o clima.
Voltei a Curitiba para pegar o resto da mudança. Fui brindado por um lindíssimo céu cinza, característico dessa cidade. Lindíssimo mesmo: faz parte da natureza de Curitiba ter as estações bem definidas, expectativa de 200 dias de chuva por ano, e os velhos dizeres sobre as 4 estações num único dia. Resultado de tudo isso? O curitibano (não sou curitibano) é conhecido como um povo ranzinza, e muitos atribuem essa característica ao clima local. Prefiro ver diferente: o resultado dos dias de chuva, do frio, e do céu cinza de curitiba, é um belo clima, com as estações definidas, mantendo uma infinidade de rios caudalosos (inclusive o Iguaçu), e uma Serra do Mar intocada. A natureza de Curitiba depende do clima da região, e não das propagandas de cerveja ou das moças do tempo que ficam tristes com finais de semana chuvosos. Se a propaganda insiste na cerveja, por aqui há bastante vinho, e dos bons; "se o Rio tem o mar, Curitiba tem o bar".
Mas resta ainda o motivo da rabugentice: o clima. Algo não anda bem com o clima, de Curitiba e de fora. Fiz mudança alguns dias atrás, e chegando ao lugar destinado, encontrei um puta calor. O lugar nem é tão longe, e até é conhecido pelo clima ameno. Mas estava insuportável! Que alegria, então, retornar a Curitiba, e vê-la oferecendo um clima temperado e um belo céu cinza. Só faltam agora os frios mais intensos e as geadas de maio.
O povo de Curitiba, bem, é um outro assunto. Também essa nossa ‘rabugentice’ de cada dia (rssss)
Abaixo, a ode de Carlos Careqa a essa cidade: “Eu gosto de Cu…..ritiba”
PS1: Ando muito cansado, exausto. Ao mesmo tempo, cheio de idéias na cabeça. Isso não é bom para quem escreve, já que uma idéia não é nada sem uma boa exposição. Por isso, minhas desculpas por ocasionais erros, frutos da pressa na escrita, e de outros problemas que impedem no momento uma maior atenção.
O Marcio Pimenta foi ao Chile cursar seu doutorado em estudos latino-americanos. Boa viagem a esse companheiro "de blog", e que tudo dê certo em sua pesquisa. Já conservo - pelos posts do Marcio - a espectativa de ver uma grande pesquisa sobre as potencialidades que a AL nunca perdeu. Ficamos ‘no aguardo’.
Chamou-me a atenção o contexto no qual o Marcio colocou um link do Catatau, em seu post de "despedida". O link é sobre outro post do Catatau, a respeito do crescente desprivilégio concedido aos doutores, no Brasil. De fato, o post do Marcio e a menção dele me tocaram bastante, já que manifesta a preocupação de alguém que vai para fora fazer doutorado, porém com receio do que está sendo feito com os doutores por aqui.
Já passei por duas experiências diretamente relacionadas a todo o contexto desse ‘desprivilégio’ mencionado (alguns leitores do blog acompanharam de perto). Isso se reflete bastante nos textos escritos aqui, como se pode perceber. No momento, estou cursando disciplinas de minha pós num lugar distante (isso explica alguns momentos de ausência), gastando dinheiro que ainda não tenho, e seguindo caminho. Nisso, o que teria a dizer ao Marcio, é que compartilho de seu sentimento, duplamente: primeiro, a situação está um tanto difícil, com desafios a mais do que apenas a - difícil - confecção de uma boa tese; mas em segundo lugar, poder fazer a nossa pesquisa é por demais gratificante para que a abandonemos!
No mais, sigamos, como nos versos de Luiz Marenco:
"Firmei a mala do poncho
compus de novo os arreios
cruzei as rédeas do mouro
que vem atirando o freio
sigo cantando milongas
com assovios pelo meio"
e
"Deixar rastros e milongas
sinais de cascos e esporas
é como semear "rio grande"
vida adentro, campo afora…";)