February 20, 2009
Mais sobre o shopping e a praça do Batel - e o argumento do trânsito em Curitiba
Esse informe diz tudo. Antigo, porém atual:
Mas se o projeto da Prefeitura atravessa a praça, a alternativa de Xavier passa por cima de uma casa, localizada na Rua Bruno Filgueira. Construída em 1913, a casa é tombada pelo patrimônio histórico e fica nos fundos do terreno, de antiga propriedade da Família Gomm, rica comerciante de erva mate no passado. O terreno é particular, e o proprietário planeja usá-lo para a construção de um shopping.
O administrador da Regional Matriz da Prefeitura de Curitiba, Omar Ackel, explica que a abertura da Rua Bruno Filgueira fica impedida, porque a obra prejudicaria a residência tombada. “Já o shopping pode até ser construído, desde que preserve a casa que fica nos fundos do terreno”, diz Ackel. Porém, o documento que tombou a Casa Gomm em 1989, inscrito no Livro Tombo das Belas Artes da Coordenadoria de Patrimônio Cultural do Estado, recomenda a preservação do terreno: “A casa está localizada em extensa área verde que deve ser preservada como entorno do edifício”.
O administrador da Regional Matriz admite que a obra foi negociada com a empresa de Salomão Soiffer, mesmo proprietário do Shopping Mueller, que pretende construir o novo shopping. “A Prefeitura impôs que a empresa patrocinasse o binário Água Verde/Bigorrilho”. Ackel explica como isso ocorreu. “A abertura da praça está sendo feita com recursos da Prefeitura. Mas o shopping deve financiar outras obras”, conta.
Retornemos ao que estava em jogo: a prefeitura cortou a Praça do Batel no meio com o argumento da melhora do trânsito na região. O movimento "amigos da praça do Batel" contra-argumentou, dizendo que se poderia obter os mesmos resultados atravessando uma quadra da rua Bruno Filgueira.
Para atravessar essa quadra, deveria-se interferir numa propriedade privada, considerada patrimônio histórico. Assim, a praça foi dividida ao meio.
Mas a condição de patrimônio histórico prescreve que a propriedade continue intacta, tanto na construção, quanto na conservação da vegetação ao redor.
Moral da história: o mesmo terreno que não poderia ser violado, justificando a violação da Praça, é agora o terreno que será violado, para a construção de um Shopping. Simples assim!











