November 28, 2009

Viajando na maionese

A semana foi agitada. Por último, mas em primeiro lugar, o ataque de César Benjamin - ou mais precisamente da Folha de São Paulo -, acusando o presidente de sodomita e estuprador:

Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: “Você esteve preso, não é Cesinha?” “Estive.” “Quanto tempo?” “Alguns anos…”, desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: “Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta”.

Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de “menino do MEP”, em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do “menino”, que frustrara a investida com cotoveladas e socos.

Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o “menino do MEP” nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.

O "outro publicitário brasileiro" mencionado acima - Silvio Tendler - escreveu suas próprias impressões, desmentindo Benjamin:

Você estava lá? Você, o Lula, o César Benjamin, o publicitário Paulo de Tarso e o tal marqueteiro dos Estados Unidos?

Na verdade eu não me lembro é do César Benjamin lá no almoço (…) e, sim, o publicitário que ele diz não lembrar era eu. E ele, se estava lá, sabe e se lembra que era eu; não tinha mais três publicitários na campanha, portanto ele sabe que era eu quem estava lá…mas eu não sei se ele estava, não me lembro, de verdade, se ele tava na sala. Ele agora diz não se lembrar do “publicitário” porque sabe que eu não iria corroborar essa maluquice, até porque eu vi, testemunhei, a quantidade de erros, de bobagens que ele cometeu durante a campanha… (…)

Ok, esses detalhes à parte, você estava à mesa do almoço no dia da tal conversa do Lula?

Eu estava lá, sentado à mesa. Eu sou o publicitário “anônimo” que estava lá. O Lula, um cara que foi brincalhão durante toda a campanha, mesmo quando já tava tudo perdido. Eu até pensava “esse cara passa a noite pensando em como sacanear os outros”, porque todo dia tinha uma piada, um brincadeira, uma vítima de gozação… nesse dia o Lula queria chocar o tal marqueteiro americano… (…)

E o que aconteceu?

…e aí, nesse dia, o Lula, claramente num clima de brincadeira, tava a fim de sacanear, de chocar o americano com essa história dele “seco” na prisão, todos na mesa, nós todos, sabíamos que aquilo era uma brincadeira, era gozação, sacanagem, e imaginando como seria se fosse traduzido pro cara…

Você tem, teve então a certeza de que era uma brincadeira? Não teve e não tem nenhuma dúvida?

Nenhuma. Era claro, óbvio que era uma brincadeira, mais uma piada, mais uma gozação do Lula, nenhuma dúvida. E além disso a história, a cena toda não teve de forma alguma esse ar, essa dramaticidade que o César enfiou nesse texto melodramático. É incrível essa história… todos sabíamos que aquilo era uma brincadeira, como tantas outras feitas durante a campanha…

As tais “conversas de homem”…

Nem era esse clima “conversa de homem”, era brincadeira, pura gozação, nenhuma responsabilidade, nunca, nunca com esse tom de “confissão” que o Benjamin fez parecer que teve. E você acha que se isso fosse, soasse verdadeiro, todos nós não ficaríamos chocados? Todos ali da esquerda, com amigos presos, ex-presos e tudo mais, você acha que nós ouviríamos aquilo com tom de verdade, se assim fosse ou parecesse, e não reagiríamos, não ficaríamos chocados?

Na sua opinião, que conhece os personagens dessa história, o que aconteceu?

O César Benjamin guardou ressentimentos por 15 anos para agora despejar todo esse rancor. Ele pirou com o sucesso do Lula. Ele transformou uma piada num drama, vai ganhar o troféu “Loura do ano”.

O Paulo de Tarso estava lá?

Estava. E estava o americano… pensa só uma coisa: você acha que o Lula, logo o Lula, tão pouco esperto como ele é, em meio a uma campanha presidencial, vai chegar na frente de um gringo que ele mal conhecia, um gringo que vai voltar pro país dele e contar tudo o que viu, você acha que o Lula vai chegar pra um gringo que nunca viu, na frente de testemunhas, e vai contar que tentou estuprar alguém? É, foi óbvio, evidente, que aquilo era gozação, piada, brincadeira, sem nada desse drama todo do Benjamin de agora… rimos e ninguém deu a menor importância àquilo…

Você, um cineasta, um documentarista que viveu a cena, relembrando-a quadro a quadro, o que verdadeiramente pensa, o que diria hoje?

O Lula adorava provocar… era óbvio para todos que ouvimos a história, às gargalhadas, que aquilo era uma das muitas brincadeiras do Lula, nada mais que isso, uma brincadeira. Todos os dias o Lula sacaneava alguém, contava piadas, inventava histórias. A vítima naquele dia era o marqueteiro americano. O Lula inventou aquela história, uma brincadeira, para chocar o cara… como é possível que alguém tenha levado aquilo a sério?

Um dos presos com Lula, hoje presidente do PSTU (Zé Maria), também desmente:

Lula foi detido pela polícia política no dia 19 de abril de 1980 e libertado no dia 20 de maio. Nesses 31 dias chegou a dividir a cela com até 18 pessoas. Um de seus companheiros mais jovens, com 23 anos, era o atual presidente do PSTU, José Maria de Almeida - na época militante da Convergência Socialista. Ontem, após ler o artigo, ele comentou: "Tenho motivos para atacar o Lula. O seu governo é uma tragédia para a classe trabalhadora. Mas isso que está escrito não aconteceu. O Benjamim viajou na maionese. Não me lembro sequer de que havia alguém do MEP preso conosco."

E o mesmo para outro preso, Enilson Simões de Moura:

O vice-presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Enilson Simões de Moura, o Alemão, também estava na cela. Após classificar o comentário de Benjamin como “absurdo”, comentou: “O que eu lembro é que, brincando com uma bola de basquete, Lula acertou sem querer a cara do rapaz do MEP”. Não lembrou, no entanto, nome do rapaz.

A segunda crítica vem de O Globo, em um surpreendente recurso retórico da capa: Lula estimula consumo e produtos começam a faltar:

 

Dada a visível linha editorial da Globo (o privilégio pelo mote de "cortar gastos" ao invés do favorecimento ao consumo interno), as reaçoes foram imediatas (resta ver agora as associações entre Lula e Stálin). Isso, como pastichou PHA e vinculou a própria Globo, "Especialistas ouvidos pelo GLOBO já se mostram preocupados com as desonerações".

A terceira crítica ao governo foi referente a Honduras, pelas posições discordantes entre Brasil e EUA. O Jornal Nacional encarnou o parecer da Veja, sobre o "imperialismo megalonanico". Duplo recurso retórico: de um lado identifica uma espécie de "veracidade" maior no peso da posição norte-americana, deslocando a discussão sobre a legitimidade da deposição para o simples assentimento ao que os EUA decidiram; de outro lado, desqualifica qualquer posição autônoma brasileira. Isso, sem colocar em debate as consequências da posição brasileira na política externa, resumindo tudo a uma espécie de dependência implícita e sem recursos. Simples desqualificação do "adversário", nítida até na edição: os críticos, e não os defensores, dão os juízos conclusivos. E se o recurso é ao "especialista", não se consultaram especialistas com argumentos afins à posição brasileira.

O que surpreende não são as críticas ao governo Lula, mas o princípio retórico delas. É óbvio, trivial que um governo pode e deve ser criticado (e nesse sentido, durante a semana Rodrigo Cassio vinculou uma boa entrevista com Jacques Rancière). Mas não com alusões ad hominem, simples desqualificações travestidas de argumento, generalizações equivocadas e afins, não é mesmo?

September 22, 2009

Enquanto isso, no Dia Mundial sem Carro…

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…São Paulo comemora com 70 Km de congestionamentos.

Em Curitiba, o prefeito Beto Richa (PSDB) foi de ônibus para o trabalho. Na ocasião especial, há quem declare sobre a URBS conceder mais ônibus às linhas utilizadas por Richa, para não passar a impressão - diária - de superlotação.

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September 3, 2009

Collor, Imortal

A eleição do senador foi feita com base no conjunto de artigos publicados em jornais na imprensa local e nacional. Collor de Mello foi representado pelo presidente do Instituto Arnon de Mello, Carlos Mendonça. Collor foi comunicado por telefone. A posse ainda não foi marcada.

Fernando Collor de Mello obteve 22 votos dos 30 membros da Academia que compareceram à votação. Foram computados ainda 8 votos em branco e nenhum nulo. O presidente da Academia, bispo D. Fernando Iório, que está há sete meses no comando da casa, disse nunca tinha visto uma votação tão expressiva quanto essa. Segundo ele, dos 40 membros, 30 compareceram para votar. [estadão]

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August 31, 2009

Expondo-se pelas próprias palavras

Segundo anúncio da Veja, Ali Kamel publicou mais um livro: Dicionário Lula - Um presidente exposto por suas próprias palavras. Como esses dois nomes - Ali Kamel e Lula - nunca se colocariam lado a lado sem alguma curiosidade, vamos às considerações:
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August 26, 2009

Um homem acima de qualquer partido

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Ontem Suplicy deu cartão vermelho a José Sarney:

Tendo avisado o presidente Sarney que ia discursar, venho a esta tribuna reiterar que não vejo como o senador Sarney continue na presidência enquanto não explicar satisfatoriamente todos os fatos contidos nas representações perante o Conselho de Ética. (…) O melhor passo para a saúde do Senado e do próprio Sarney é simbolizado neste cartão vermelho. Que ele deixe a presidência do Senado permitindo que o Senado volte aos seus trabalhos normais

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August 24, 2009

“Ué, mas só agora?”

 
Nesse belíssimo quadrinho "crumbiano" (clicar na imagem), Arnaldo Branco e Leonardo "diagnosticam" nossos últimos tempos, pelos olhos vermelhos do Capitão Presença. (ps1: que desenhista de mão cheia é o Leonardo! ps2: crise é uma questão de visibilidade; se ela "aparece" tanto, por que "só agora"?) ;) Via Malvados

August 13, 2009

Fazer desfazendo

Dia 9 de agosto o Senador José Agripino (DEM-RN) escreveu em seu twitter:

O Senado está completamente anestesiado pela crise. A licença do presidente Sarney seria um bálsamo http://migre.me/4Unl

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August 12, 2009

Para combater vírus da gripe suína, Curitiba reduz número de clientes em agências bancárias

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"A partir de hoje (10), as agências bancárias de Curitiba, no Paraná, estão obrigadas, por determinação judicial, a monitorar o fluxo de pessoas, permitindo o ingresso de dez clientes a cada quatro caixas. Para agências que têm de cinco a oito caixas será permitida a entrada de 20 clientes" [uol]

- E as agências com apenas 1 ou 2 caixas?

(Créditos da foto [sem alteração]: Daniel Caron, Paraná Online)

August 11, 2009

“O Maranhão não suportava mais nem queria”

O Maranhão não suportava mais nem queria o contraste de suas terras férteis, de seus vales úmidos, de seus babaçuais ondulantes, de suas fabulosas riquezas potenciais com a miséria, com a angústia, com a fome, com o desespero das corridas que não levam a lugar nenhum senão ao estágio do que o homem de carne e osso é o bicho de carne e osso.

O Maranhão não quer a desonestidade do governo, a corrupção nas repartições e nos espaços (públicos). O Maranhão não que a violência como instrumento da política para banir direitos os mais sagrados que são o da pessoa humana com a impunidade dos assassinos garantida pelos delegados e a liberdade garantida a penas como uma oportunidade para abastardar os homens.

O Maranhão não quer mais a coletoria como uma caixa privada a angariar dízimos inexistentes para inexistentes arcas reais que não são inexistentes (!) porque se podem pronunciar os nomes dos beneficiários identificados ao longo desses anos de corrupção. (…)

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August 7, 2009

Duque, Paulo Duque

Algumas frases do presidente do Conselho de Ética do Senado, Senador Paulo Duque (PMDB-RJ):

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