September 6, 2011
“Você é a prova viva de que no Brasil político e rico sempre escapam da justiça?”
"Às vezes sim"
- Jaqueline Roriz -
Como se esse tipo de prática nada devesse a casos como o do Alceu.
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- Jaqueline Roriz -
Como se esse tipo de prática nada devesse a casos como o do Alceu.
Um dos princípios básicos da Constituição brasileira (e de toda democracia que se preze) é que todos somos iguais perante a lei. Sem isso, caímos no antigo regime, em que uns tinham direito divino a certos privilégios, enquanto outros estavam condenados a nunca ter certos direitos.
Polícia e justiça são bastante ineficientes. Se um homem pobre comete assassinato e é pego, ele será aprisionado e talvez até levará um tiro; mas se ele é rico e tem amigos, ele pode crer que nenhuma consequência muito severa vai acontecer. (…) Com essa inteira falta de princípio em muitos dos principais homens, com o país repleto de funcionários turbulentos e mal pagos, as pessoas ainda acreditam que uma forma democrática de governo pode ocorrer!
"É coisa de quem sai pouco do próprio bairro"
, afirma Sylvia Colombo na FSP, sobre o infeliz lançamento do "Guia do Politicamente Incorreto da América Latina" (em post anterior, perguntávamos sobre o teor de "discussão" propriamente dito desse livro). Colombo chama os autores à resposta, acusando-os de impostura. Resta ver a reação.
Dias atrás certo pessoal da FUNAI matou uma onça, que invadiu sua base próxima da fronteira com o Peru. A onça matou um cachorro e estava a poucos metros de gente hospedada no lugar.
O Blog da Amazônia, que registrou o caso, publicou também a justificativa do pessoal da FUNAI. Eles responderam às diversas críticas sustentando a necessidade de matar a onça. O sertanista encarregado disse:
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É um pouco difícil de compreender o procedimento de algo como o "Guia do Politicamente Incorreto da América Latina", livro recém lançado por aí. Como diz esse informe, o livro pretende "desmascarar" os "heróis" latino-americanos, a começar por Che Guevara.O Derecho a Leer publicou um pequeno documentário sobre o livre acesso à leitura. O documentário termina entrevistando Horacio Potel, criador do Nietzscheana e do Heideggeriana.
Tempos atrás a Minuit processou Potel por divulgar livros de Derrida e outros autores. Potel foi obrigado a retirar os sites do ar, até convencer a justiça sobre a legitimidade do que faz.
Esse tipo de imposição ainda permanece, vistos os diversos constrangimentos sofridos por exemplo por sites como o importante Livros de Humanas.
Durante uma reunião de espectro internacional ocorrida em Curitiba sobre a educação, o economista e auto-intitulado "educador" Gustavo Ioschpe cometeu tais palavras (em flagrante desacordo com certa posição do ministro da educação):
Quando se é ministro você sempre quer aumentar a verba da sua pasta, mas o fato é que não há comprovação empírica de que aumento de gasto por aluno melhore a educação.
Ele ainda disse que a remuneração do professor não afeta em nada a educação e titulações como mestrado ou doutorado são "irrelevantes" para a educação básica. O "educador" do Jornal Nacional e da Veja reitera sua "tese" em diversos outros pronunciamentos, declarando que não há evidências de que um investimento maior por aluno ou por professor indique necessariamente melhorias.
Ele emprega aqui algo muito parecido com a doutrina "meritocrática" tupiniquim do ex-ministro Paulo Renato. Em linhas bem gerais (ver isso), segundo ele não há muito proveito em um sistema educacional propriamente dito (um "sistema" por definição, regras prévias regulando certas práticas em um ambiente que se chamaria "escolar"), mas sim em práticas que regulem sempre a fortiori, por decorrência e não por princípio, a produtividade do ensino.
Uma anedota: no Museu Nacional de História Natural de Paris não é raro ver turminhas de crianças muito pequenas, em fila indiana, quase esbarrando e impondo passagem aqui e ali sobre os transeuntes (mesmo quando o museu está vazio). Essas crianças são, provavelmente, muito menos habilitadas do que um adulto para compreender o que se passa ao redor, em meio a tantos esqueletos e fósseis às vezes com mais de 50 milhões de anos.
Mas as crianças visitam o museu e marcam presença. Elas vivenciam ali experiências e aprendizados que mesmo o tecnocrata mais almofadinha não ignorará terem grande validade e importância para o futuro (com boa fé imagino que até os tecnocratas possuem o hábito de, às vezes, enriquecer sua imaginação criativa com programas artísticos, turísticos, culturais etc.).
No "pacote" do passeio estão uma ampla gama de recursos: o transporte das crianças até o museu, as entradas, as possíveis lembranças (esses museus costumam ter lojas incríveis) e mesmo os recursos materiais e didáticos a trabalhar em sala por alguns dias depois da visita. Em cada um desses elementos, das preparações necessárias de aula pelo professor até o motorista do ônibus ou o lanche, há um custo por criança.
Mas enfim, o fato mesmo é que não há comprovação empírica alguma de que o aumento de gasto por aluno melhore a educação.
Uma operação auto-intitulada “jurídica” extrapolou os limites da razoabilidade. Os defensores de Carli Filho (o ex-deputado paranaense que, dirigindo a 170 Km/h em via pública, com a carteira cassada e alcoolizado, fez o carro levantar vôo e literalmente arrancou a capota de um honda fit matando dois jovens) lançaram uma nova “tese” de defesa: eles agora alegam que os responsáveis pelo ocorrido são as vítimas, pelo fato de não terem visto, ao entrar na rua, que o carro do deputado vinha na preferencial a… 170 Km/h (e numa via cheia de relevos, inclusive o que fez o carro decolar) .
Para Scandelari, culpar o ex-deputado “é como culpar pelo acidente a pessoa que estava no sinal verde e não a que estava no sinal vermelho”.
“Quem é o responsável pelo acidente? Não é quem tinha bebido. Não é quem estava em suposto excesso de velocidade. Não é quem era deputado, quem tinha carro importado. É quem violou a via preferencial”, avalia Dotti
Há mais: apelando ao princípio de igualdade perante a lei, os advogados também protestam contra a “celeridade” (sic) do caso! O leitor leu bem: em argumento no mínimo inusitado, advogados apelam à morosidade da justiça brasileira como trunfo (!), e não revés, para o bom andamento de um julgamento (!).
Sobre isso vale ouvir o comentário de Ricardo Boechat, da Band:
Pouco tempo atrás Roberto DaMatta lançou um livro intitulado Fé em Deus e pé na tábua: como e por que o trânsito enlouquece no Brasil (outras referências aqui). Dentre outros temas, DaMatta analisa precisamente o figurado na fala dos advogados: cabia às vítimas não se colocarem na frente, como se estivéssemos em uma situação normal de trânsito e ponto final.
Segundo o democrata Dario Burro, vereador de Jacareí pelo DEM, os professores não gostam de dar aula e só alimentam a hipocrisia de um sistema hipócrita. Em suma: são "inúteis" (sic).
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