April 11, 2008

Oito anos no Tibet - Eight Years in Tibet (livro)

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Muitos já conhecem o filme de Jean Jacques Annaud, "Sete Anos no Tibet". Estrelado por Brad Pitt, teve relativo sucesso na época, e foi baseado no livro homônimo de Heinrich Harrer (publicado no Brasil em edição de bolso, e em outra mais elaborada).
 
O que não se conhece muito é o livro de seu companheiro de viagem, chamado Peter Aufschnaiter, intitulado "Oito anos no Tibet" (Eight Years in Tibet). Duas resenhas, aqui e aqui.
 
Outra curiosidade: não é à toa que o ator David Thewlis interpretou o montanhista austríaco. Sua fisionomia é incrivelmente semelhante à de Aufschnaiter.

February 14, 2008

“Foreign movies”

O post é daqueles de "primeira impressão". Mas parece que o foriegn movies tem um acervo fabuloso daquele tipo de produções que nunca ouviremos falar, ou teremos acesso muitas vezes peneirando, ou por acaso. Redroduzo abaixo as tags do site, para dar um gostinho:    
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February 13, 2008

Abu Ghraib, liberdades civis, e 30 anos atrás

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O Festival de Cinema de Berlim lançou um documentário chamado "Standard operating procedures". Dirigido pelo norte-americano Errol Morris, trata dos abusos cometidos em Abu Ghraib. No mesmo contexto, Taxi to the Dark Side concorre ao Oscar 2008.     
 
Outro filme que tratou de passagem o mesmo tema é Kurtlar Vadisi, produção turca de 2003 que trata de um comando combatendo forças norte-americanas no Iraque. O filme reúne vários temas bem caros à percepção do oriente médio sobre a intervenção norte-americana.
 
Em contexto não muito distante, um dos sites-destaque do del.icio.us é o Loss of Civil Liberties Since 9/11. Reúne linhas de tempo de diversos temas:
This is the History Commons project for the loss of US civil liberties under the current administration, and before. We are currently focusing on several topics, including the expansion of executive power (the “unitary executive”), the NSA’s domestic surveillance program, the use of “national security letters” to force information from citizens, and others.
Por coincidência, lia um texto de Robert Fisk, a respeito da invasão da embaixada norte-americana no Irã em 1979, durante a revolução islâmica. Sobre as tentativas de intervenção norte-americana da época, no Irã e em outros países (após a Operação Ajax, encabeçado pelos EUA e Inglaterra para depor o primeiro ministro iraniano Mohamed Mossadeq, temia-se um novo golpe norte-americano contrário à Revolução, que alavancou a oposição a Jimmy Carter, e favoreceu ironicamente a eleição futura de Ronald Reagan, alguém segundo Fisk "menos sensível" a questões do oriente médio), consta:
 A iranian girl who had studied journalism in New York - who had experienced, as she put it, the fruits of American Democracy - demanded to know why americans were prepared to support the Shah´s regime when it had opposed individual freedom and dissent. ‘In the United States, we learned all about liberty and the freedom to say what we wanted to say. Yet America went on propping up the Shah and forcing him to squander Iran´s wealth on arms. Why did it do that? Why was America a democracy at home, and a dictator abroad?’ There was, of course, a contradiction here. The fact that President Carter, whose campaign for human rights was well known in Iran, should have continued to honour America´s political commitment to the Shah before the revolution - in however tentative a way - was regarded as Hypocrisy. (The Great War for Civilization, Ed. Harper Perennial, p. 146)

January 31, 2008

Os sete samurais (1954)

 

December 17, 2007

Animals, e Children of Men

Para quem não viu, Children of Men (2006) é um belo filme. Ilustra um futuro marcado por temas diretamente projetados por nosso presente: fascismo, guerras, doenças, e desilusão.
 
Várias cenas são de tirar o fôlego: algumas duram mais de 10 minutos, sem cortes. O youtube disponibiliza muitas (mas eu não recomendaria àqueles curiosos que gostam de fazer "clima" antes de ver um filme ;) ). Além disso, o filme é repleto de detalhes, que às vezes acompanham o roteiro, ou mesmo denotam outros sentidos.
 
Aqui consta uma boa resenha, sobre filmagem e implicações. De nossa parte, chamamos a atenção a uma das curiosas cenas:
 
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Não se parece com a capa de Animals, do Pink Floyd?
 
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***
E falando nesses futuros…
Depois de 25 anos da estréia de "Blade Runner" e após quatro versões, o diretor Ridley Scott está satisfeito com a última montagem do filme transformado em mito e que, ao contrário dos robôs humanóides que o protagonizam, parece ter vida eterna.

Assim garantiu o cineasta britânico, que completa 70 anos em novembro, na entrevista coletiva de apresentação do filme, exibido fora de competição no 64º Festival Internacional de Veneza.

Scott afirmou que, ao ver peças publicitárias e

vídeos musicais, se deu conta de que "’Blade Runner’ estava tendo uma influência muito forte nas novas gerações".

Além disso, "é uma obra artística" que "influiu muito no mundo da moda e também na obra de arquitetos de prestígio, que disseram que o filme tinha mudado seus conceitos", acrescentou.

Com o título de "Blade Runner: The Final Cut" (a montagem final), esta versão definitiva foi exibida pela primeira vez no sábado (1º) em Veneza. 

A paisagem do festival não podia ser mais diferente da obscura, caótica e tecnológica Los Angeles do ano 2019 no qual o filme é ambientado, uma mistura de cinema negro e ficção científica existencialista repleta de metáforas religiosas.

Para os que viram a versão anterior, "Blade Runner: The Director’s Cut" (a montagem do diretor), de 1992, a nova apresenta pequenas inovações que não alteram o espírito do filme, como ocorreu com o original, de 1982.

A versão de 2007 apresenta planos que contribuem para perfilar os personagens e suas relações, especialmente a do policial e a personagem interpretada pela atriz Sean Young, assim como alguns ajustes na inesquecível trilha sonora composta por Vangelis.

Outros planos que nunca convenceram Scott foram retocados graças à tecnologia digital.

Entre eles, estão a inclusão do rosto da atriz Joanna Cassidy na seqüência da perseguição de sua personagem, onde antes era possível perceber a presença de uma dublê na cena.

Também foi modificado o vôo da pomba que finaliza o famoso monólogo final do ator Rutger Hauer, presente na entrevista coletiva e cujas "naves em chamas além de Orión" ficaram marcadas na mente de várias gerações.

"Poucos trabalhos me deram tanta satisfação e prazer", ressaltou Hauer sobre a produção baseada no romance "Os andróides sonham com ovelhas elétricas?", de Philip K. Dick, sobre um grupo de replicantes - robôs de aspecto humano com vida limitada a quatro anos - que se rebelam e devem ser exterminados.

"É difícil explicar porque foi tão difícil a rodagem", mas o certo é que "quando o filme foi finalizado e foram realizadas as exibições prévias, o resultado foi ruim e alguns críticos me massacraram", lembrou Scott.

Os produtores concordaram com Scott em eliminar um plano no qual Ford sonhava com um unicórnio - chave para entender o personagem -, gravar uma locução que explicasse seus pensamentos durante todo o longa e procurar um final feliz.

Sobre isso, o diretor de "Alien" afirmou que fez "ajustes porque havia coisas que não funcionavam bem".

Em relação ao futuro da sétima arte, o diretor disse não ter idéia dos rumos do cinema e comentou que não é contra a onda de segundas partes de filmes de sucesso em Hollywood, porque "são divertidas, e isto é uma indústria".

Talvez o Catatau chegou atrasado para a festa, mas… a versão final é boa? 

November 16, 2007

Rendition (2007)

 
Trata-se de um filme sobre um engenheiro egípcio preso como terrorista a partir de um engano telefônico. Alguém conhece?
 
Vendo assim, o enredo parece com Road to Guantanamo. Trailer aqui.

October 22, 2007

Abou Fatma e o acontecimento

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 The Four Feathers (do romance de Woodley Mason, intitulado Honra e Coragem por aqui) conta a história de um soldado imperial inglês que, ao recusar a convocação para a guerra, é taxado de covarde. Perde tudo: o apreço dos familiares, os amigos, a vida social, e por fim a noiva. Com tudo perdido, parte para recuperar a honra.
 
O enredo do filme de 2002 não difere nada dos famosos longas em que o herói anglo-saxão enfrenta os malvados orientais (no caso, sudaneses). No meio da história, o amor de uma mulher, um ou outro elemento antagonista…

 Até aí, os clichês. E ainda aparece repentinamente Abou Fatma, um selvagem. Ele surge da mesma maneira que vai embora: sem motivo, sem data, sem terra natal ou história. É um nômade, como vários dos povos "colonizados" pelos ingleses na Áfica. Nada além da imagem de Sexta-Feira, e o clichê continua.

 
Mas algo em Abou Fatma faz repentinamente o filme fugir dos clichês. A abertura é breve, ocorre em algumas cenas. Ao invés de representar apenas o bom acompanhante, Fatma desmancha a bagagem cultural de Harry, o mocinho. Do sorriso aos velhos hábitos, tudo se transforma em irrisão e falsas pretensões. O próximo cede lugar ao distante, o familiar à diferença. Harry se depara com um outro que não é o selvagem domesticado.
 
A abertura é breve. Fecha-se logo depois para um final previsível, que reaproxima tudo aquilo que era distante. Entretanto, ela permanece:

- Por que me está protegendo?
- Deus te pôs em meu caminho. Não tinha nenhuma opção.

- Deus? Deve ter feito algo terrível para ofendê-lo.
- Ri-te como um Inglês.

- E como ri um Inglês?
(após a imitação, gargalhadas)

*** 

Parabéns aos finalistas do concurso BOB´s 2007. Especialmente ao Inagaki, Ao Mirante, Donizetti e Carlos Serra. Palpite: pelo padrão diferente dos outros blogs selecionados, o prêmio do júri vai para o Carlos Serra, no seco e no molhado. california fires san diego

***

E o Giornale Nuovo avisou que vai encerrar seus posts. Que pena! Deve ter seus motivos. Mas tomara que ele faça como o Romário: avise, faça o maior alarde, e depois retorne ;)

September 24, 2007

Tropa de Elite, osso duro de roer

img146/4218/posterod6.jpgO atual affair dos supostos livros didáticos "bolcheviques" brasileiros (que "manipulariam" a "alma" de "nossas crianças"), deixou mais uma vez escancarada uma idéia um tanto trivial: de que certas figuras do jornalismo brasileiro são no mínimo precipitadas para julgar o que julgam; que o rigor do julgamento não corresponde ao rigor da apuração dos dados; e que enfim, nada mais fazem do que apoiar sua suposta competência nas posições que ocupam. Escrever com mínimo rigor, que é bom…
 
Tropa de Elite não passou desapercebido por alguns desses pseudo jornalistas, intelectuais, blogueiros e "filósofos" (muitas aspas!). Não passou desapercebido, mas segundo o princípio exposto acima: muitos foram enfáticos em criticar negativamente aquilo que nem chegaram a ver.
 
Afora a violência exacerbada, e toda a montagem que se assemelha muito a filmes "da moda", Tropa de Elite tem uma série de boas idéias desenvolvidas. Se o crítico não conceder que o enredo é bom, não há como negar que o filme é bom nas entrelinhas. Por mais que o espectador possa em alguns momentos recair nos velhos hábitos de enxergar mocinhos e bandidos, o filme escancara aquilo mesmo que ocorre: uma guerra de fato, numa sociedade civil de direito; a "merda com chip´s" (a melhor expressão de Arnaldo Jabor, em toda uma carreira de duvidosas expressões) convivendo em um mesmo regime de relações com "nós, da classe média e média alta" (portanto, "nossos" modos de vida são flagrantemente comprometidos com esses outros, desprivilegiados); a corrupção generalizada e sua tênue fronteira com o "jeitinho brasileiro"; e a crônica confusão entre as esferas pública e privada.
 
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September 5, 2007

A moral dos homenzinhos verdes

O Hermenauta anunciou que Keanu Reeves é possível candidato para uma nova regravação de "O dia em que a Terra parou" (compartilho da dúvida: será ele Gorth ou Klaatu? ;) ). Sobre esse filme, publicamos aqui o link para download e sobre a frase antológica: Klaatu Barada Nikto!
 
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Sobre "gente" de outros planetas, assisti novamente alguns dias atrás O Segredo do Abismo (The Abyss, 1989, dirigido por James Cameron). Para quem não sabe, lançaram algum tempo atrás a versão do Diretor, com mais cenas. Para quem gosta e viu apenas a versão antiga, incitamos a curiosidade com uma ‘palhinha spoilerizada’:
 
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A versão do diretor está disponível no fórum do Rapadura, para download, em formato .rmvb
 
Unindo os dois filmes, interessante pensar sobre seus contextos: Os dois foram gravados durante a Guerra Fria, cada qual em uma de suas extremidades. Os dois filmes tratam de alienígenas; também, da nossa ignorância humana diante de regras morais que seriam ao mesmo tempo nossas, e universais. Ainda, os filmes lidam com projeções bem interessantes de algumas culturas bem específicas (alguém adivinha??), como se todo o universo pensasse segundo esses temas. Finalmente, e o que ultimamente penso ser o mais interessante, é como certas manifestações do cinema projetam ideais morais não na religião, mas nos simpáticos - ou nem tanto assim - extra-terrestres.
 
Deveres morais de faceta extra-humana difíceis de serem cumpridos, e ainda prescritos por alienígenas? Isso soa bem engraçado.  

August 18, 2007

Devem mesmo estar loucos?

Lembram-se daquele filme, Os Deuses devem estar Loucos? Foi produzido em 1980, e mostra uma tribo de bosquímanos africanos que encontram uma garrafa de coca-cola. A garrafa interfere nas relações da tribo, e um deles resolve devolvê-la aos "deuses".
 
Os bosquímanos (ou Khoisan) vivem no deserto do Kalahari, na África. Têm estatura menor do que os outros homens, são perfeitamente "adaptados" ao ambiente, e desenvolvem uma cultura complexa e própria. Diz-se que seu DNA é mais complexo do que o dos outros homens, indício de que os boxímanes seriam os seres humanos mais "antigos".
 
No século XIX, os invasores ingleses notaram uma diferença anatômica: bosquímanos têm glúteos e genitais (femininos) avantajados. Como nessa época os impérios misturavam um certo grau de ciência com fascinação (e uma gigantesca dose de preconceito), esse tipo de contexto rendeu a criação de uma figura: a Vênus Hottentote, uma mulher levada à Europa para "expor" seus traços anatômicos.
 
Para quem não viu o filme, vale muito a pena. Especialmente para prestar atenção sobre como outras culturas dizem muito a respeito da nossa. O Rapadura Açucarada disponibilizou para download (um achado!).