July 7, 2006

Kavafis - Cien Poemas

A imagem “http://www.arquitrave.com/imagenes/Konstandinos%20Kavafis.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

Pode ser encontrada na web uma bela edição em Castelhano de Kavafis, intitulada ‘Cien Poemas‘. A seleção e tradução são encarregadas por Miguel Castillo Didier, Doris Jiménez e Ernesto Carmona. Dentre os poemas, vários inéditos (que não constam como os "canônicos" de Kavafis). Uma das versões de Kavafis que utilizo para minhas traições é essa. A edição pode ser encontrada nesse link. Os créditos são da Biblioteca Virtual Beat 57.

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June 2, 2006

Constantine Cavafy - Os Reis de Alexandria (1912)

Reuniram-se os alexandrinos
para verem os filhos de Cleópatra:
Cesarião e seus irmãos mais jovens,
Alexandre e Ptolomeu, que
por vez primeira ao Ginásio levados
reis seriam proclamados,
em parada militar brilhante.

Alexandre foi proclamado rei da Armênia, de Média e de Patia.
Ptolomeu, rei da Cecília, Síria e Fenícia.
Cesarião de pé, na frente deles,
vestido com seda cor-de-rosa,
um ramalhete de jacintos nos braços,
na cintura uma dupla fila de ametistas e safiras,
as sandáliaaas atadas com brancas fitas,
com amarelas pétalas bordadas.
A ele coube o maior dos títulos:
proclamaram-nos Rei dos Reis.

Os Alexandrinos certamente compreenderam
que tudo aquilo eram palavras de faz- de- conta.

O dia estava quente, porém, e poético,
com céu de pálido azul.
O Ginásio de Alexandria era uma obra-prima.
As vestes dos cortesãos, esplêndidas,
Cesarião era todo charme e beleza
(filho de Cleópatra, sangue dos Lágids).
Os alexandrinos, em multidões, ao festival acorreram
e entusiasmados saudavam em grego,
em egípcio, em hebraico alguns,
encantados com a beleza do espetáculo,
embora soubessem, naturalmente,
o que tudo aquilo valia,
eram aqueles reinos palavras vazias.

- Constantine Cavafy/Konstantinos Kavafis/Konstandinos Kavafis -
In Babel de Poemas - Antologia Multilíngue (Trad. Carlos Freire). Porto Alegre: Ed. L&PM, 2004. (pesquise preços dessa edição no Buscapé) Contribuição de Virginia Fulber. A versão em grego pode ser lida aqui.  

April 29, 2006

Constantine Cavafy - Círios

Os dias do futuro se erguem à nossa frente
como círios acesos, em fileira -
círios dourados, cálidos e vivos.

Os dias idos ficaram para trás,
triste fila de círios apagados;
os mais próximos ainda fumaceiam,
círios pensos e frios e derretidos.

Não quero vê-los, que me aflige o seu aspecto.
Aflige-me lembrar a sua luz de outrora.
Contemplo, adiante, os meus círios acesos.

Não quero olhar para trás e, trêmulo, notar
como se alonga depressa a fileira sombria,
como crescem depressa os círios apagados.

In Konstantinos Kaváfis - Poemas (Trad. de José Paulo Paes). RJ, Nova Fronteira, 1990.  

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April 24, 2006

Constantine Cavafy: Ítaca (1911)

Quando você começar sua viagem a Ítaca,
deseja que a estrada seja longa,
cheia de aventura, plena de conhecimento.
Os Lestrigonianos e os Ciclopes,
O odioso Poseidon - não os tema:
Você nunca os encontrará em seu caminho,
se seus pensamentos permanecerem elevados, se uma fina
emoção tocar seu espírito e seu corpo.
Os Lestrigonianos e os Ciclopes,
O feroz Poseidon você nunca irá encontrar,
se você não os carregar junto à tua alma,
se tua alma não os dispor acima de ti.

Peça para que a estrada seja longa.
Que as manhãs de verão sejam muitas, quando,
com cada prazer, com cada alegria,
você entrará em portos vistos pela primeira vez;
pare em mercados fenícios,
e adquira fina mercadoria,
âmbares e ébanos, pérolas e corais,
e perfumes voluptuosos de toda espécie
tão voluptuosos quanto você conseguir;
visite muitas cidades Egípcias,
para aprender e aprender com os sábios.

Sempre tenha Ítaca em sua mente.
Chegar lá é seu último destino.
Mas não aprece a viagem, contudo.
É melhor deixá-la perdurar por muitos anos;
e ancorar na ilha quando você estiver velho,
rico com tudo o que ganhou no caminho,
sem esperar que Ítaca lhe ofereça riquezas.

Ítaca deu a você uma linda viagem.
Sem ela você poderia ter nunca saído a caminho.
Nada mais ela tem a lhe dar.

E se você encontrá-la pobre, Ítaca não o decepcionou.
Sábio como há se tornado, com muita experiência,
você já terá compreendido o que Ítaca significa.

tradução/traição: a partir das versões de um excelente site, e de: KAVAFIS, C. Cien Poemas. Traducción del griego al castellano: Miguel Castillo Didier (chileno). Selección: Doris Jiménez y Ernesto Carmona. Biblioteca Virtual BEAT 57.

Compare também preços de livros de Kavafis, clicando aqui (via site Buscapé). No mesmo link, há o curioso lançamento de um livro intitulado Reflexões sobre Poesia e Ética. Provavelmente, é outra publicação póstuma, já que Kavafis nada publicou em vida.

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April 14, 2006

Os 300 de Esparta

Conheci a história dos 300 de Esparta por acaso. Tudo começou no Yonos, onde encontrei, de passagem, a poesia de Constantine Cavafy (Konstantinus Kavafis). O poema em questão era Ithaca. Foi paixão à primeira vista. Desde então, tenho tentado até arriscar algumas traduções/traições de Kavafis, aqui no Catatau.

Lendo um pouco mais Cavafy, encontrei a bela Thermopylae, e logo depois, uma tradução ao português:

Honra àqueles que Termópilas fixaram
em suas vidas para as defender.
Que, jamais se furtado à obrigação,
foram justos e retos nos seus atos,
mas condoídos, também, e compassivos;
generosos, quando ricos; quando pobres,
generosos ainda com seu pouco,
socorrendo a quem pudessem; proclamando
sempre a verdade, embora sem nutrir
ódio algum por aqueles que mentissem.

E de mais honra serão merecedores
se previram (como tantos o fizeram)
que Efialte finalmente há de surgir,
e que os medas finalmente passarão.

- Constantine Cavafy (tradução de José Paulo Paes - Poemas, ed. Nova Fronteira). Outra tradução, confira aqui

Leia mais

April 9, 2006

Traduzir Cavafy

Estive me aventurando em traduzir Cavafy. Às vezes a partir das versões em inglês, às vezes em espanhol, aqui ou ali outras versões, acolá uma ajuda de tradutores virtuais e dicionários. Encontrei Cavafy por acaso, em um de meus sites preferidos, e fiquei fascinado por seu "Ítaca". Fiz uma tradução preliminar de Ítaca (principalmente uma traição da versão inglesa) que logo estará por aqui. Já consultei várias outras traduções ao espanhol e ao português, mas sei que nada será parecido com a língua-mater. Espero, ao menos, estar fazendo boas traduções, que são elas mesmas, traições.

A respeito dessas tentativas, encontrei um texto curioso (a respeito das traduções ao inglês), do qual destaco uma passagem:

Rereading Cavafy got really interesting at the stage of comparing the different versions, when I decided that Cavafy is un translatable, that we still don’t have a really fine English translation of Cavafy, and I wanted to read the original Greek. The efforts of Rae Dalven, John Mavrogordato, Edmund Keeley and Philip Sherrard all have their fine moments, but it’s impossible to reproduce in English Cavafy’s strict syllabics and rhyme schemes. What, then, do we have left of Cavafy in translation? We have his unique elegiac voice, his unmistakable tone of voice that feels like the voice of the past, like the voice of Alexandria personified.

Ou, em outras palavras, é difícil ler Cavafy se não for diretamente do grego…

Constantine Cavafy: Os cavalos de Aquiles

Ao verem Pátroclo morrer tão jovem,
em todo o seu vigor e bravura sem par,
os cavalos de Aquiles puseram-se a chorar.
A imortal natureza deles se insurgia
contra o feito de morte a que assistia.
Sacudiam as cabeças, as longas crinas agitavam,
e, pisoteando o chão com os cascos, pranteavam
Pátroclo, a quem ali percebiam inerme, aniquilado -
cadáver ora desprezível - o espírito evolado -
indefeso - sem sopro de vivente -
exilado, da vida, no grande Nada novamente.

O pranto dos seus cavalos imortais
fez pena a Zeus. "No casamento de Peleu",
disse, "irrefletido foi o gesto meu;
inditosos cavalos, melhor fora, creio,
não vos ter dado. Que faríeis lá no meio
da mísera humanidade que é joguete da Sorte?
Vós, a quem velhice não ronda nem espreita morte,
infortúnios fugazes padeceis. Às suas
dores os homens vos prendem". - Mas as lágrimas suas
pelo eterno, sem remissão jamais,
infortúnio da morte vertiam os dois nobres animais.

- Constantine Cavafy (Konstantinos Kavafis) -
Traduzido por José Paulo Paes em "Poemas" (RJ, Nova Fronteira, s/d).

April 8, 2006

Constantine Cavafy: O mar pela manhã (1915)


Um blog chamado Absorto (blog interessantíssimo!) tem publicado uma série de poemas de Constantine Cavafy, comentado e debatido suas traduções.

Seguindo a tradução ao castelhano, encontrei uma tradução ao português, que o absorto comenta, feita por Jorge de Sena (espero postar sobre ele também no futuro).

O mar pela manhã

Deixem-me estar aqui. Que também eu contemple,
um pouco, a natureza - o mar, nesta manhã,
o céu azul sem nuvens, de um e de outro a luz
onde se alonga amarelada praia.

Deixem-me estar aqui. Que eu pense que isto vejo
(não é que o vi um instante, quando aqui parei?)
Tudo isto só - e não, também aqui, visões,
memórias, e os espectros do prazer antigo.

- Constantine Cavafy -

March 31, 2006

Constantine Cavafy - Finalidades (1911)

Em meio ao temor e às suspeitas
com espírito agitado e olhos apavorados
nos consumimos e planejamos como fazer
para evitar o iminente
perigo que tão terrivelmente nos ameaça.
E assim nós erramos, ele não estava em nossos caminhos:
falsas eram as mensagens
(ou não as escutamos, ou não as entendemos bem).
Outra catástrofe, que nunca imaginaríamos,
repentina, fulminante, cai sobre nós
e despreparados - não há mais tempo - nos arrebata.

tradução/traição: a partir das versões de um excelente site, e de: KAVAFIS, C. Cien Poemas. Traducción del griego al castellano: Miguel Castillo Didier (chileno). Selección: Doris Jiménez y Ernesto Carmona. Biblioteca Virtual BEAT 57.

March 21, 2006

Constantine Cavafy: Monotonia

Um dia monótono é seguido
por outro monótono e idêntico dia. As mesmas
coisas acontecerão, e tornarão a acontecer -
os mesmos momentos nos encontram e partem.

Um mês passa e traz outro mês.
Pode-se facilmente adivinhar o que vem;
são as mesmas coisas fastidiosas de ontem.
E a manhã se completa sem parecer mais manhã.

tradução/traição: a partir das versões de um excelente site, e de: KAVAFIS, C. Cien Poemas. Traducción del griego al castellano: Miguel Castillo Didier (chileno). Selección: Doris Jiménez y Ernesto Carmona. Biblioteca Virtual BEAT 57.