December 21, 2006

Nephelibata

link: nephelibata.com

Acabei encontrando por acaso as Edições Nephelibata, a partir do Arquivo Kavafis BR. Trata-se de um interessante empreendimento editorial, de edições artesanais entregues a pedido. O acerfo oferecido é bom, e inclusive eles oferecem a obra de Kavafis em 3 tomos.

Sobre Kavafis, comprei seu Reflexões sobre poesia e ética [pesquisa de preços]. Trata-se de um compilado de anotações pessoais e reflexões, com idéias muito interessantes a respeito do papel da arte e da poesia para a vida, e sobre as relações entre vida e arte. Contém uma ótima apresentação e comentários de José Paulo Paes, relacionando mesmo poesias que Kavafis imputava como singulares, para "poucos leitores", com os elementos imortais de suas poesias que contém mitologia, como Ítaca.
 

November 4, 2006

Constantine Cavafy - Um Velho (1897)

link: http://cavafis.i8.com

Traduções de R. M. Sulis, M. P. V. Jolkesky, A. T. Nicolacópulos [pesquisa de livros de Konstantinos Kavafis]. Sobre esse poema em especial, gostei mais dessa outra tradução (original aqui). Mas notemos abaixo a boa tradução também das rimas.  Pintura acima de Hervé Thibault.

UM VELHO

No meio do café barulhento, debruçado
sobre a mesa, um velho está sentado;
com um jornal a sua frente, sem companhia

E no desdém de sua velhice mísera de agora
pensa quão pouco aproveitou os anos de outrora
em que tinha fluêcia, e beleza, e energia.

Percebe que envelheceu muito; sente, conhece.
E contudo o tempo em que era jovem lhe parece
ontem. Como o tempo passa, como o tempo passa!

E pensa em como a Prudência o enganou;
e como - que loucura! - sempre lhe acreditou
quando dizia; "Amanhã. Há tempo." - Que trapaça!

Lembra ímpetos que segurou; felicidade,
quanta sacrificou. Cada oportunidade
perdida de seu saber insensato graceja.

Mas de tanto refletir e recordar
o velho tonteou. E agora dorme a sonhar
no café recostado sobre a mesa.   

October 30, 2006

Constantine Cavafy: A Cidade (1910)

Dizes: "Irei a outra cidade, irei a outro mar.
Outra cidade será encontrada, melhor que essa.
Todo esforço meu é condenado pelo destino;
e meu coração está - como um cadáver - sepultado.
Até quando nesse marasmo permanecerá meu espírito.
Para onde quer que volte meus olhos, para onde posso mirar
Vejo aqui as obscuras ruínas de minha vida,
Onde passei tantos anos, a arruinei e desperdicei"

Novas terras você não irá encontrar, você não encontrará outros mares.
A cidade irá seguir você. Vagarás pelas mesmas
ruas. E nos mesmos bairros te farás idoso,
nessas mesmas casas envelhecerá.
Sempre você chegará nessa cidade. Para outra cidade - não espere -
não há barco, não há caminho.
Assim como você arruinou sua vida aqui
nesse pequeno lugar, no mundo inteiro está destruída.

tradução/traição: a partir das versões de um excelente site, e de: KAVAFIS, C. Cien Poemas. Traducción del griego al castellano: Miguel Castillo Didier (chileno). Selección: Doris Jiménez y Ernesto Carmona. Biblioteca Virtual BEAT 57.

Compare também preços de livros de Kavafis, clicando aqui (via site Buscapé). No mesmo link, há o curioso lançamento de um livro intitulado Reflexões sobre Poesia e Ética. Provavelmente, é outra publicação póstuma, já que Kavafis nada publicou em vida.

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August 27, 2006

Pois Deus abandona a Antônio

Quando de repente, à hora da meia-noite, se ouvir
passar a turba invisível
com músicas requintadas, com vozes –
a tua sorte que já cede, as tuas obras
que falharam, os planos da tua vida
que deram em equívoco, não os deplores em vão.
Como preparado há muito, como corajoso,
despede-te dela, da Alexandria que se vai embora.
Sobretudo não te enganes, não digas que foi
um sonho, que foram defraudados os teus ouvidos;
tais esperanças vãs não te rebaixes a aceitar.
Como preparado há muito, como corajoso,
como convém a ti que mereceste tal cidade,
aproxima-te resoluto da janela,
e ouve com emoção, mas não
com as súplicas e as queixas dos covardes,
qual último deleite, os sons,
os instrumentos requintados da turba oculta,
e despede-te dela, da Alexandria que perdes.

Constantine Cavafy/ Konstantinus Kavafis [pesquise preços das edições impressas]. Tradução de Joaquim Manuel Magalhães e Nikos Pratsinis
rebelde, marcola, sanguessuga, rebeldes

July 7, 2006

Kavafis - Cien Poemas

A imagem “http://www.arquitrave.com/imagenes/Konstandinos%20Kavafis.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

Pode ser encontrada na web uma bela edição em Castelhano de Kavafis, intitulada ‘Cien Poemas‘. A seleção e tradução são encarregadas por Miguel Castillo Didier, Doris Jiménez e Ernesto Carmona. Dentre os poemas, vários inéditos (que não constam como os "canônicos" de Kavafis). Uma das versões de Kavafis que utilizo para minhas traições é essa. A edição pode ser encontrada nesse link. Os créditos são da Biblioteca Virtual Beat 57.

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June 2, 2006

Constantine Cavafy - Os Reis de Alexandria (1912)

Reuniram-se os alexandrinos
para verem os filhos de Cleópatra:
Cesarião e seus irmãos mais jovens,
Alexandre e Ptolomeu, que
por vez primeira ao Ginásio levados
reis seriam proclamados,
em parada militar brilhante.

Alexandre foi proclamado rei da Armênia, de Média e de Patia.
Ptolomeu, rei da Cecília, Síria e Fenícia.
Cesarião de pé, na frente deles,
vestido com seda cor-de-rosa,
um ramalhete de jacintos nos braços,
na cintura uma dupla fila de ametistas e safiras,
as sandáliaaas atadas com brancas fitas,
com amarelas pétalas bordadas.
A ele coube o maior dos títulos:
proclamaram-nos Rei dos Reis.

Os Alexandrinos certamente compreenderam
que tudo aquilo eram palavras de faz- de- conta.

O dia estava quente, porém, e poético,
com céu de pálido azul.
O Ginásio de Alexandria era uma obra-prima.
As vestes dos cortesãos, esplêndidas,
Cesarião era todo charme e beleza
(filho de Cleópatra, sangue dos Lágids).
Os alexandrinos, em multidões, ao festival acorreram
e entusiasmados saudavam em grego,
em egípcio, em hebraico alguns,
encantados com a beleza do espetáculo,
embora soubessem, naturalmente,
o que tudo aquilo valia,
eram aqueles reinos palavras vazias.

- Constantine Cavafy/Konstantinos Kavafis/Konstandinos Kavafis -
In Babel de Poemas - Antologia Multilíngue (Trad. Carlos Freire). Porto Alegre: Ed. L&PM, 2004. (pesquise preços dessa edição no Buscapé) Contribuição de Virginia Fulber. A versão em grego pode ser lida aqui.  

April 29, 2006

Constantine Cavafy - Círios

Os dias do futuro se erguem à nossa frente
como círios acesos, em fileira -
círios dourados, cálidos e vivos.

Os dias idos ficaram para trás,
triste fila de círios apagados;
os mais próximos ainda fumaceiam,
círios pensos e frios e derretidos.

Não quero vê-los, que me aflige o seu aspecto.
Aflige-me lembrar a sua luz de outrora.
Contemplo, adiante, os meus círios acesos.

Não quero olhar para trás e, trêmulo, notar
como se alonga depressa a fileira sombria,
como crescem depressa os círios apagados.

In Konstantinos Kaváfis - Poemas (Trad. de José Paulo Paes). RJ, Nova Fronteira, 1990.  

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April 24, 2006

Constantine Cavafy: Ítaca (1911)

Quando você começar sua viagem a Ítaca,
deseja que a estrada seja longa,
cheia de aventura, plena de conhecimento.
Os Lestrigonianos e os Ciclopes,
O odioso Poseidon - não os tema:
Você nunca os encontrará em seu caminho,
se seus pensamentos permanecerem elevados, se uma fina
emoção tocar seu espírito e seu corpo.
Os Lestrigonianos e os Ciclopes,
O feroz Poseidon você nunca irá encontrar,
se você não os carregar junto à tua alma,
se tua alma não os dispor acima de ti.

Peça para que a estrada seja longa.
Que as manhãs de verão sejam muitas, quando,
com cada prazer, com cada alegria,
você entrará em portos vistos pela primeira vez;
pare em mercados fenícios,
e adquira fina mercadoria,
âmbares e ébanos, pérolas e corais,
e perfumes voluptuosos de toda espécie
tão voluptuosos quanto você conseguir;
visite muitas cidades Egípcias,
para aprender e aprender com os sábios.

Sempre tenha Ítaca em sua mente.
Chegar lá é seu último destino.
Mas não aprece a viagem, contudo.
É melhor deixá-la perdurar por muitos anos;
e ancorar na ilha quando você estiver velho,
rico com tudo o que ganhou no caminho,
sem esperar que Ítaca lhe ofereça riquezas.

Ítaca deu a você uma linda viagem.
Sem ela você poderia ter nunca saído a caminho.
Nada mais ela tem a lhe dar.

E se você encontrá-la pobre, Ítaca não o decepcionou.
Sábio como há se tornado, com muita experiência,
você já terá compreendido o que Ítaca significa.

tradução/traição: a partir das versões de um excelente site, e de: KAVAFIS, C. Cien Poemas. Traducción del griego al castellano: Miguel Castillo Didier (chileno). Selección: Doris Jiménez y Ernesto Carmona. Biblioteca Virtual BEAT 57.

Compare também preços de livros de Kavafis, clicando aqui (via site Buscapé). No mesmo link, há o curioso lançamento de um livro intitulado Reflexões sobre Poesia e Ética. Provavelmente, é outra publicação póstuma, já que Kavafis nada publicou em vida.

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April 14, 2006

Os 300 de Esparta

Conheci a história dos 300 de Esparta por acaso. Tudo começou no Yonos, onde encontrei, de passagem, a poesia de Constantine Cavafy (Konstantinus Kavafis). O poema em questão era Ithaca. Foi paixão à primeira vista. Desde então, tenho tentado até arriscar algumas traduções/traições de Kavafis, aqui no Catatau.

Lendo um pouco mais Cavafy, encontrei a bela Thermopylae, e logo depois, uma tradução ao português:

Honra àqueles que Termópilas fixaram
em suas vidas para as defender.
Que, jamais se furtado à obrigação,
foram justos e retos nos seus atos,
mas condoídos, também, e compassivos;
generosos, quando ricos; quando pobres,
generosos ainda com seu pouco,
socorrendo a quem pudessem; proclamando
sempre a verdade, embora sem nutrir
ódio algum por aqueles que mentissem.

E de mais honra serão merecedores
se previram (como tantos o fizeram)
que Efialte finalmente há de surgir,
e que os medas finalmente passarão.

- Constantine Cavafy (tradução de José Paulo Paes - Poemas, ed. Nova Fronteira). Outra tradução, confira aqui

(more…)

April 9, 2006

Traduzir Cavafy

Estive me aventurando em traduzir Cavafy. Às vezes a partir das versões em inglês, às vezes em espanhol, aqui ou ali outras versões, acolá uma ajuda de tradutores virtuais e dicionários. Encontrei Cavafy por acaso, em um de meus sites preferidos, e fiquei fascinado por seu "Ítaca". Fiz uma tradução preliminar de Ítaca (principalmente uma traição da versão inglesa) que logo estará por aqui. Já consultei várias outras traduções ao espanhol e ao português, mas sei que nada será parecido com a língua-mater. Espero, ao menos, estar fazendo boas traduções, que são elas mesmas, traições.

A respeito dessas tentativas, encontrei um texto curioso (a respeito das traduções ao inglês), do qual destaco uma passagem:

Rereading Cavafy got really interesting at the stage of comparing the different versions, when I decided that Cavafy is un translatable, that we still don’t have a really fine English translation of Cavafy, and I wanted to read the original Greek. The efforts of Rae Dalven, John Mavrogordato, Edmund Keeley and Philip Sherrard all have their fine moments, but it’s impossible to reproduce in English Cavafy’s strict syllabics and rhyme schemes. What, then, do we have left of Cavafy in translation? We have his unique elegiac voice, his unmistakable tone of voice that feels like the voice of the past, like the voice of Alexandria personified.

Ou, em outras palavras, é difícil ler Cavafy se não for diretamente do grego…