November 3, 2009

Entre o meritocrata e o tecnocrata, o mundo é dos espertos

Na edição de Veja da semana, a revista entrevistou Paulo Renato de Souza, ex-ministro da educação do governo FHC e secretário da educação do governo Serra.

O título da entrevista na edição on-line dá o tom: "Contra o corporativismo: O secretário da Educação de São Paulo diz que sem meritocracia não haverá avanços na sala de aula - e que os sindicatos são um entrave para o bom ensino".

O que parece interessante é a idéia que Paulo Renato pretende fazer passar por debaixo do tapete: a "meritocracia", contra o "corporativismo" dos professores brasileiros.

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May 4, 2009

Lacônico e loquaz

Alguns dias atrás conheci o Twitter. Aliás, conheci o twitter após ler um interessante informe sobre como esse instrumento pode auxiliar na educação.

Como o twitter é apenas uma plataforma, isso é interessante, o instrumento pode realmente auxiliar na educação, como qualquer outro instrumento também o pode. Mas… como um instrumento que permite digitar apenas 140 caracteres pode fornecer tal "auxílio"?

Talvez o twitter sirva de hipertexto - quadro geral, gratuito e acessível para agenciar contatos e possibilidades entre indivíduos. Mas o chamariz da plataforma é algo mais (ou menos) do que isso: "exchange of quick, frequent answers to one simple question: What are you doing?"

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July 4, 2008

Piso de 950 reais por professor

Da ABN:

O piso de R$ 950 é uma antiga revindicação da categoria. O valor deverá ser pago para professores com carga horária de 40 horas semanais.  Pela proposta, o piso salarial nacional será implantado em todo o país, de forma gradual, até 2010.

De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), existem mais de 5 mil pisos salariais diferentes para a categoria, variando entre R$ 315 e R$ 1.400. Está prevista no projeto a complementação da União para os entes federados que não atingirem o valor de piso nacional. 

Caso tomemos em conta as estatísticas da Catho, tem-se (dispondo o dado mais próximo do salário líquido):

Vendedor:

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Recepcionista:

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Segurança ("vigilante patrimonial"):

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June 3, 2008

Ensino Superior

A imagem “http://i292.photobucket.com/albums/mm7/catatando/educacaosuperior2.jpg” contém erros e não pode ser exibida.
É para quê, mesmo?

May 5, 2008

Categorias raciais e sociais, no informe sobre ações afirmativas.

O Marcos chamou a atenção a um recente estudo, divulgado pela revista da FAPESP. Demonstra-se lá a eficácia de políticas afirmativas na inserção de estudantes desprivilegiados, nas universidades.

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April 3, 2008

Assessoria Acadêmica para trabalhos universitários (ou como ser incrivelmente burro, e ainda contar vantagem)

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March 12, 2008

Para o vestibular, o “manejo eficiente da língua”

Alguns dias atrás um menino de 8 anos passou em direito:

Segundo a mãe, ele não é superdotado. "É um menino comum. É muito dedicado, gosta de ler e estudar. Mas brinca, se diverte e faz amigos." O objetivo dele agora é ser juiz federal.

A OAB (Ordem do Advogados do Brasil) de Goiás diz que há preocupação com o fato de o garoto de apenas oito anos ter passado no vestibular e diz que irá estabelecer maior rigor na fiscalização. Segundo a entidade, há uma "mercantilização do ensino jurídico".

Já a Unip diz que "o desempenho do estudante, levando em consideração sua idade e sua escolaridade, foi bom, especialmente na prova de redação, em que revelou boa capacidade de expressão e manejo eficiente da língua".

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February 27, 2008

Do mais novo professor espancado em sala de aula

A professora de português Paula Aparecida Alves, 37, foi agredida na tarde de anteontem com socos e pontapés por um aluno de 14 anos, da 7ª série do ensino fundamental, na escola estadual Professor José Lima Pedreira de Freitas, na Vila Virgínia, em Ribeirão Preto (interior de São Paulo).

De acordo com o relato da professora, o aluno a ofendeu após ser repreendido por atrapalhar a aula. Quando estava sendo retirado da sala por uma inspetora da escola, o estudante se soltou e deu dois socos no rosto da professora. Paula tentou correr, mas foi derrubada e levou chutes no estômago. (…)

Curiosamente esse tipo de relato só muda de endereço. Podemos imaginar, para cada dado formalizado, quantos permanecem sem apuração alguma.

Saltam aos olhos as questões: como a reportagem se concentrou no papel individual do aluno (seus "problemas anteriores com outros professores"); a "suspensão" (medida considerada branda pelos outros professores, que paralisaram a escola); a fácil e quase inocente defesa do agressor, e assim por diante.

No entremeio, uma multidão de outras questões não esclarecidas. Principalmente, a relação professor-aluno.

Diz-se muito nos ambientes pedagógicos que a produtiva relação entre professor e aluno pode mudar uma sociedade. Mas no cotidiano, o papel do professor está em crise: de um lado, o salário baixo e a dúvida sobre seu papel na educação pública; de outro, a confusão entre papel pedagógico e relação cliente x prestador de serviços nas instituições particulares.

Nas duas esferas, o professor é muitas vezes desrespeitado, e destituído de seu lugar. Isso porque a relação pedagógica exige tanto condições mínimas de existência (boa formação, bom salário, bom background institucional), quanto evitar relações de clientela.

Professor não é pau-pra-toda-obra, e nem funcionário. Claro que é os dois, mas no Brasil de um modo não muito produtivo. No país do jeitinho, sempre ocorre um mal começo, quando se deve "dar um jeito" para conseguir ser professor.

***

E certa vez um colega me deu uma receita interessante para não passar por esse tipo de situação. Recomendou que um bom professor deve se "impor" na sala.

Como existem vários tipos de imposição, a que ele se referia era essa mesma: fatores como o tamanho do professor, sua força física, ou modo de lidar impositivamente com os alunos, podem auxiliar no "respeito".

O que mostra no mínimo uma coisa: em muitos lugares, e para muita gente, a relação professor x aluno parte de qualquer coisa, menos de pressupostos pedagógicos. 

January 19, 2008

Sobre os salários dos professores em rede pública e privada

A informação é no mínimo inusitada:

Os professores da educação fundamental das escolas públicas (estadual e municipal) do país ganham, em média, mais do que os da rede particular.

Os docentes de 1ª a 4ª série (o antigo primário) das escolas estaduais têm um rendimento mensal médio de R$ 1.398, ante R$ 1.051 das municipais e R$ 1.048 das particulares.

A constatação está presente em tabulações da Pnad 2006 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE) feitas por Simon Schwartzman, ex-presidente do IBGE e atual presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade. Dados do Ministério do Trabalho confirmam o panorama.

A rede pública paga mais também na 5ª a 8ª (antigo ginásio) e da educação superior.

No antigo ginásio, a média no sistema estadual é de R$ 1.347, contra R$ 1.120 na particular –a municipal paga R$ 1.230.

O sistema particular só oferece salários maiores no ensino médio (antigo colegial) -veja mais em quadro ao lado.

A lógica se mantém mesmo quando se simula que todos os educadores do país tivessem a mesma jornada.

Uma das explicações para que a média na rede particular seja mais baixa é sua heterogeneidade. Na capital paulista, por exemplo, há escolas de regiões mais pobres em que os salários não chegam a R$ 700, enquanto outras escolas de ponta, como o Santa Cruz (em Pinheiros), pagam mais de R$ 8.000.

Essa diferença salarial entre os colégios reflete na qualidade de ensino no setor privado.

As médias no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) entre as dez escolas particulares de São Paulo de melhor salário variam de 68 a 58, numa escala de 0 a 100. Entre as dez com piores salários, a variação é de 47 a 56. O ranking de rendimentos foi feito pelo sindicato dos professores da rede particular no ano passado.

A oscilação salarial não costuma ter tanto impacto nas redes públicas. No sistema estadual de São Paulo, por exemplo, a diferença entre o piso e o teto da 1ª a 4ª séries é de 92,3%.

A grande diferença entre os Estados também ajuda a explicar as baixas médias. O cruzamento dos dados da Pnad 2006 com o Censo dos Profissionais do Magistério da Educação Básica, feito em 2003 pelo MEC, aponta que os salários da rede privada no Nordeste puxam a média nacional para baixo.

Em Sergipe, por exemplo, a rede particular pagava R$ 410, contra R$ 628 da pública.

Naquele ano, as redes privadas do Distrito Federal e de São Paulo pagavam uma média superior a R$ 1.200.

Algumas coisas não estão bem claras. Em primeiro lugar, a própria reportagem mostra: os salários em escolas particulares são heterogêneos, não seguem um padrão. Variando a região e o tipo da escola, variam drasticamente os salários. Isso é decisivo para comprometer uma análise em termos de média.

O mesmo se poderia dizer a respeito dos professores de rede pública: em vários estados os salários diferem significativamente, de município a município, ou comparando as escolas municipais com as estaduais.

Em suma, a pesquisa mostra um caquete frequente: a confiança nas médias diante de dados essencialmente heterogêneos. Caso fossem consideradas as regiões e condições que influem em cada classe salarial, haveria maior utilidade e relevância das informações.

Outra questão controvertida é a de como os salários são baixos. Caso se mostre que predominantemente os salários de rede pública são maiores que os de particular - isto é, considerando todas as estratificações, e não apenas estabelecendo uma média geral -, temos aí algo bem interessante: em primeiro lugar, o tema de que professor particular ganha melhor que o de rede pública deveria ser revisado. Em segundo lugar, saltaria aos olhos como até mesmo nas redes privadas a educação segue em níveis alarmantes… 

***

E no Ensino Superior:

Quarenta e nove cursos de pedagogia e 11 de normal superior (formação de professores) com baixa avaliação no exame da educação superior do Ministério da Educação vão passar por um processo de supervisão pela pasta que pode acarretar desde redução de aluno por sala até a suspensão de novos processos seletivos.

O procedimento é semelhante ao que ocorreu com 80 cursos de direito –até agora, 26 deles terão que cortar 6.323 vagas de vestibular, principalmente para diminuir o número de alunos por sala. Os outros ainda estão sendo examinados.

Pelo jeito, o MEC começa a se mexer. Mas o dado oculta um outro resultado: diante da numerosa aprovação de cursos superiores nos últimos anos, não houve fiscalização para acompanhar práticas que se aproximam da barbárie, especialmente com professores.

Quem já acompanhou a avaliação de novos cursos sabe como tal fiscalização seria simples. Bastariam algumas visitas da mesma comissão avaliadora do MEC, para acompanhar possíveis mudanças. Ora, se um curso é aprovado pelo MEC, teoricamente tem capacidade para seguir em frente sem problemas maiores.

O que se vê hoje prova que tem algo errado. Via de regra, o principal elemento que muda após a aprovação de um curso é o quadro docente. Em diversos cursos, professores qualificados aparecem nos índices apenas por conveniência: em momentos de avaliação, ou sendo contratados em regime horista para ministrar apenas uma ou duas disciplinas. Ou mesmo se utiliza apenas um professor qualificado como pau pra toda obra: ministra cursos das mais diversas competências, inclusive em áreas um tanto quanto distantes de sua formação original. Isso confere ao curso uma suposta qualidade que não existe.

Esperemos a hora dos outros cursos serem também "atingidos" pela avaliação (outro assunto seria considerar também a qualidade dessa avaliação).

August 30, 2007

Educação superior privada, e novo informe sobre renda

A primeira é do blog do Paulo Ghiraldelli, que no mesmo movimento de várias outras manifestações, também chama a atenção ao "descalabro" do ensino superior particular de boa parte das faculdades brasileiras:
Na maioria das universidades particulares não há pesquisa – há um engodo. Não há professores bem pagos e a carga de aulas deles ou é exagerada ou é pequena a ponto de fazer com que eles tenham que se deslocar de faculdade em faculdade. As universidades que possuem lucro, não investem em si mesmas, enquanto instituições de ensino. Normalmente, a mantenedora tem lá alguém cujo patrimônio cresce de modo desproporcional.
 
O professor Renato Mezan, há alguns anos, na Folha de S. Paulo, denunciou o ensino particular universitário (e não todo o ensino particular superior, o que é diferente), dizendo que todo este tipo de ensino, com raras exceções, é uma grande mentira. Disse também, na época, como que ele via a atuação do governo e da CAPES. Todos nós sabemos que este governo do Lula é igual ao do FHC em relação ao ensino superior: não criou mecanismo para apertar as universidades, exigindo que elas cumpram o que lhes é obrigatório por lei para usufruírem o nome de universidade. [daqui]
Consoante ao artigo antigo (porém atual) de Renato Mezan, não é inútil lembrar a idéia trivial: quanto mais manifestações dos professores, maior a possibilidade do quadro se reverter.
 
A segunda notícia é do Zero Hora, e vincula a desigualdade brasileira à educação e renda:
As famílias brasileiras gastam em torno de 75% de seus rendimentos em apenas três itens: habitação, alimentação e transportes. Se somadas à educação e à assistência à saúde, as despesas chegam a cerca de 85%. Mas os gastos em educação, que poderiam melhorar o salário, representam só 4,08% do orçamento. Esse retrato surge da pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base em dados apurados nos anos de 2002 e 2003, divulgada ontem.

A fotografia também mostra o tamanho da desigualdade no país. Enquanto cada pessoa das famílias mais ricas gastou R$ 1.814,61, entre os mais pobres o desembolso individual foi de R$ 179,44. Ou seja, os ricos gastam 10 vezes mais que os pobres.

Investir em educação aumenta muito a renda futura e, conseqüentemente, a capacidade de gastar. Famílias que contam com um integrante com curso superior ganham R$ 3.817,96, em média, mais do que o triplo das famílias que não têm ninguém com esse nível de estudo. [completo]

Ainda, 10% das famílias teriam renda maior ou igual a 3800 reais, enquanto os 40% mais pobres receberiam em torno de 750 reais. Esses dados são um pouco estranhos, dado que as médias não refletem bem a grande estratificação da sociedade brasileira. Por exemplo, desses 10% mais ricos, a maior parte absoluta recebe em torno de 3800.
 
O que gera um panorama interessante, considerar que quase toda a população brasileira recebe faixa menor ou aproximada de 3800 reais. Renda baixíssima, considerando que a grande maioria que recebe em torno dessa quantia figuraria entre os "mais ricos"!