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Na edição de Veja da semana, a revista entrevistou Paulo Renato de Souza, ex-ministro da educação do governo FHC e secretário da educação do governo Serra.
O título da entrevista na edição on-line dá o tom: "Contra o corporativismo: O secretário da Educação de São Paulo diz que sem meritocracia não haverá avanços na sala de aula - e que os sindicatos são um entrave para o bom ensino".
O que parece interessante é a idéia que Paulo Renato pretende fazer passar por debaixo do tapete: a "meritocracia", contra o "corporativismo" dos professores brasileiros.
(more…)Alguns dias atrás conheci o Twitter. Aliás, conheci o twitter após ler um interessante informe sobre como esse instrumento pode auxiliar na educação.
Como o twitter é apenas uma plataforma, isso é interessante, o instrumento pode realmente auxiliar na educação, como qualquer outro instrumento também o pode. Mas… como um instrumento que permite digitar apenas 140 caracteres pode fornecer tal "auxílio"?
Talvez o twitter sirva de hipertexto - quadro geral, gratuito e acessível para agenciar contatos e possibilidades entre indivíduos. Mas o chamariz da plataforma é algo mais (ou menos) do que isso: "exchange of quick, frequent answers to one simple question: What are you doing?"
(more…)Da ABN:
O piso de R$ 950 é uma antiga revindicação da categoria. O valor deverá ser pago para professores com carga horária de 40 horas semanais. Pela proposta, o piso salarial nacional será implantado em todo o país, de forma gradual, até 2010.
De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), existem mais de 5 mil pisos salariais diferentes para a categoria, variando entre R$ 315 e R$ 1.400. Está prevista no projeto a complementação da União para os entes federados que não atingirem o valor de piso nacional.
Caso tomemos em conta as estatísticas da Catho, tem-se (dispondo o dado mais próximo do salário líquido):
Vendedor:
Recepcionista:
Segurança ("vigilante patrimonial"):
O Marcos chamou a atenção a um recente estudo, divulgado pela revista da FAPESP. Demonstra-se lá a eficácia de políticas afirmativas na inserção de estudantes desprivilegiados, nas universidades.
(more…)Alguns dias atrás um menino de 8 anos passou em direito:
Segundo a mãe, ele não é superdotado. "É um menino comum. É muito dedicado, gosta de ler e estudar. Mas brinca, se diverte e faz amigos." O objetivo dele agora é ser juiz federal.
A OAB (Ordem do Advogados do Brasil) de Goiás diz que há preocupação com o fato de o garoto de apenas oito anos ter passado no vestibular e diz que irá estabelecer maior rigor na fiscalização. Segundo a entidade, há uma "mercantilização do ensino jurídico".
Já a Unip diz que "o desempenho do estudante, levando em consideração sua idade e sua escolaridade, foi bom, especialmente na prova de redação, em que revelou boa capacidade de expressão e manejo eficiente da língua".
A professora de português Paula Aparecida Alves, 37, foi agredida na tarde de anteontem com socos e pontapés por um aluno de 14 anos, da 7ª série do ensino fundamental, na escola estadual Professor José Lima Pedreira de Freitas, na Vila Virgínia, em Ribeirão Preto (interior de São Paulo).
De acordo com o relato da professora, o aluno a ofendeu após ser repreendido por atrapalhar a aula. Quando estava sendo retirado da sala por uma inspetora da escola, o estudante se soltou e deu dois socos no rosto da professora. Paula tentou correr, mas foi derrubada e levou chutes no estômago. (…)
Curiosamente esse tipo de relato só muda de endereço. Podemos imaginar, para cada dado formalizado, quantos permanecem sem apuração alguma.
Saltam aos olhos as questões: como a reportagem se concentrou no papel individual do aluno (seus "problemas anteriores com outros professores"); a "suspensão" (medida considerada branda pelos outros professores, que paralisaram a escola); a fácil e quase inocente defesa do agressor, e assim por diante.
No entremeio, uma multidão de outras questões não esclarecidas. Principalmente, a relação professor-aluno.
Diz-se muito nos ambientes pedagógicos que a produtiva relação entre professor e aluno pode mudar uma sociedade. Mas no cotidiano, o papel do professor está em crise: de um lado, o salário baixo e a dúvida sobre seu papel na educação pública; de outro, a confusão entre papel pedagógico e relação cliente x prestador de serviços nas instituições particulares.
Nas duas esferas, o professor é muitas vezes desrespeitado, e destituído de seu lugar. Isso porque a relação pedagógica exige tanto condições mínimas de existência (boa formação, bom salário, bom background institucional), quanto evitar relações de clientela.
Professor não é pau-pra-toda-obra, e nem funcionário. Claro que é os dois, mas no Brasil de um modo não muito produtivo. No país do jeitinho, sempre ocorre um mal começo, quando se deve "dar um jeito" para conseguir ser professor.
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E certa vez um colega me deu uma receita interessante para não passar por esse tipo de situação. Recomendou que um bom professor deve se "impor" na sala.
Como existem vários tipos de imposição, a que ele se referia era essa mesma: fatores como o tamanho do professor, sua força física, ou modo de lidar impositivamente com os alunos, podem auxiliar no "respeito".
O que mostra no mínimo uma coisa: em muitos lugares, e para muita gente, a relação professor x aluno parte de qualquer coisa, menos de pressupostos pedagógicos.