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February 19, 2010

Teerã pretende recuperar a paternidade de seus grandes pensadores


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Você sabia que o filósofo Avicena e o poeta Rumi eram persas? As autoridades culturais iranianas temem que os grandes pensadores, poetas, filósofos e cientistas de origem persa não sejam "recuperados" de outros países, relata o Tehran Times.

"A organização responsável pela herança cultural iraniana decidiu empreender medidas para impedir outros países de se apropriar de pensadores iranianos", explica o jornal iraniano. Dentre as iniciativas, está a de criar os prêmios Avicena, Al-Khwarizmi ou Al-Kashani.

O Irã pretende também organizar conferências portando seus nomes e criar um museu dedicado a suas personalidades. Em 2007, o governo iraniano ficou à sombra de uma iniciativa da UNESCO. A organização celebrou os 800 anos do poeta Rumi por iniciativa do Afeganistão, Egito e Turquia, sem o Irã.

"Avicena, o filósofo Al-Farabi e outros pensadores iranianos foram considerados como de origem árabe ou asiática nos textos ocidentais e árabes nos últimos anos", lembra o jornal. [Clipping/tradução livre: CourrierInternational/ Créditos da imagem]

February 2, 2010

A escrita e a ignorância


"Ao escrevermos, como evitar que escrevamos sobre aquilo que não sabemos ou que sabemos mal? É necessariamente neste ponto que imaginamos ter algo a dizer. Só escrevemos na extremidade de nosso próprio saber, nesta ponta extrema que separa nosso saber e nossa ignorância e que transforma um no outro. É só deste modo que somos determinados a escrever. Suprir a ignorância é transferir a escrita para depois ou, antes, torná-la impossível. Talvez tenhamos aí, entre a escrita e a ignorância, uma relação ainda mais ameaçadora que a relação apontada entre a escrita e a morte, entre a escrita e o silêncio. (Gilles Deleuze)

January 11, 2010

Albert Camus (7 de Novembro de 1913 – 4 de Janeiro de 1960)


 

Albert Camus faleceu há exatos 50 anos, em um acidente de carro acompanhando em viagem Michel Gallimard. Sobre o evento, Eduardo Graça vinculou sucessivas referências, no sempre excelente Absorto.

Roger-Pol Droit publicou um pequeno artigo antes da data, formulando a pergunta: Camus é um filósofo?

Conforme as referências de Graça, Camus continua atual. No ano passado um condenado à morte por injeção letal nos Estados Unidos escolheu como última palavra uma citação do escritor francês:

Matar um homem no paroxismo da paixão é compreensível. Fazer com que o matem de forma calma e refletida (…) é  incompreensível.

September 21, 2009

Quando a Filosofia não é para todos


Já apresentamos ao público brasileiro o caso do argentino Horacio Potel. Professor de Filosofia, ele organizava e divulgava textos filosóficos de Nietzsche, Derrida e Heidegger há mais de 10 anos. Criou três sites, publicando e reunindo textos difíceis de encontrar de outra forma (tanto em termos de acesso, quanto de edições disponíveis, traduções e material). Mas após uma ação iniciada pela editora francesa Minuit, os sites sobre Derrida e Heidegger foram proibidos por questões de "direito autoral", restando online apenas o de Nietzsche.
 
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July 31, 2009

Albert Camus: O Estrangeiro


link: webcamus

Via Absorto, encontrei o webcamus, sobre o escritor argelino. O site é muito bom. Traz, além de passagens do próprio punho de Camus, resumos, estudos e comentários sobre suas obras. Abaixo, livre tradução de uma parte do prefácio à edição estadunidense de "O Estrangeiro":

"Resumi O Estrangeiro, já faz bastante tempo, com uma frase que reconheço ser bastante paradoxal: Em nossa sociedade, todo homem que não chora no enterro de sua mãe corre o risco de ser condenado à morte. Pretendo dizer apenas que o herói do livro é condenado porque ele não joga o jogo. Nesse sentido, ele é estrangeiro à sociedade onde vive; ele erra, à margem, nos subúrbios da vida privada, solitária, sensual. E por isso os leitores são tentados de considera-lo como um arruinado. Ter-se-á contudo uma idéia mais exata do personagem, em todo caso mais conforme às intenções de seu autor, caso se pergunte de que modo Meursault não joga o jogo. A resposta é simples, ele recusa mentir. Mentir não é somente dizer o que não é. É também, sobretudo, dizer mais do que é; e, no que concerne ao coração humano, dizer mais do que se sente. É o que fazemos todos, todos os dias, para simplificar a vida. Meursault, contrariamente às aparências, não quer mais simplificar a vida. Ele diz o que é, recusa mascarar seus sentimentos e imediatamente a sociedade se sente ameaçada. Pedem por exemplo para ele dizer que se arrepende de seu crime, segundo a fórmula consagrada. Ele responde experimentar a esse respeito mais enfado do que arrependimento verdadeiro. E esse tom o condena.

 Meursault, para mim, não é portanto um arruinado, mas um homem pobre e nu, amante do sol que não deixa sombra. Longe de ser privado de toda sensibilidade, uma paixão profunda, porque tenaz, o anima, a paixão do absoluto e da verdade. Trata-se de uma verdade ainda negativa, a verdade de ser e de sentir, mas sem a qual nenhuma conquista sobre si jamais será possível.

Não seria errôneo, portanto, ler em O Estrangeiro a história de um homem que, sem nenhuma atitude heróica, aceita morrer pela verdade."

Essa passagem complementa um dos primeiros "posts" do Catatau (sem a tradução).

***

A propósito de verdadeiras (e não "livres") traduções, vale acompanhar a produção de A Loucura do Dia, de Maurice Blanchot, no Espectral. Vale muito acompanhar também as traduções feitas em O Sopro.

June 19, 2009

Compilação inédita de Wittgenstein por um professor brasileiro


O prof. João Carlos Salles, da UFBA, lançará hoje uma nova tradução de Anotações sobre as cores, de Wittgenstein [pesquisa de preços e link na Cultura].

A tradução tenta completar e suprir as imprecisões de outro trabalho anterior, parcial e mal estabelecido.

Informe sobre o lançamento do livro, e comentário de Salles sobre a edição.

May 7, 2009

Arquivos de Potel, recursos sobre Heidegger, Derrida, e outros


 

http://i292.photobucket.com/albums/mm7/catatando/heidegger002.jpg
 
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April 3, 2009

Para não perder o arquivo Derrida, e algo mais


  O último texto mencionou a ação judicial contra Horacio Potel e seus sites, incluindo o JacquesDerrida.com.ar. A notícia se espalhou mundo afora, embora sem muita atenção no Brasil.
 
Potel sempre se empenhou em duas tarefas: reunião de textos online, e disponibilização de traduções. E por isso, corre o risco de permanecer preso até seis anos (reportagem no Clarin). 
 
Conforme Carolina Botero, por trás da ação feita pela Camara Argentina do Livro está a editora francesa Minuit:
El proceso penal lo inicia la Editorial francesa Minuit que ha publicado solo una de las obras de Derrida en francés. La editorial se quejó a la embajada Argentina en Francia de allí pasó a las Cámara Agentina del Libro.
E conforme Carolina, a Argentina tem problemas "editoriais" muito semelhantes aos do Brasil: livros caros, pouca difusão, edições raras ou esgotadas, difícil acesso a obras completas (quantas obras completas vemos publicadas no Brasil, como se faz tanto em outros países?)… Lá, como aqui, o livro também é um bem de luxo.
 
Sem contar o que mencionou Patricio Lorente: ao disponibilizar seus sites a mais de 4 milhões de leitores, Potel não divulgaria os livros de Derrida muito melhor do que as editoras? Caso consideremos as prováveis compras de livros a partir do site de Potel, imaginemos quem deveria a quem.
 
Em gesto de apoio, convido os leitores a multiplicar o caso de Potel, e até mesmo o material divulgado por ele. Ações como a argentina simplesmente desconsideram um elemento trivial da internet: bastou publicar, para que se multiplique.  Com ou sem ação, lá está boa parte do material até 2007, no Wayback Machine (seguindo dica do Alexandre Nodari, todos os arquivos de Heidegger e Derrida já estão disponíveis no EasyShare). Como no caso do heideggeriana, divulgamos abaixo os links (e convidamos todos a divulgar):
 
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April 1, 2009

Heideggeriana é desativado por ação judicial


http://i292.photobucket.com/albums/mm7/catatando/heidegger002.jpg
 
Horacio Potel é um argentino que, durante os últimos 10 anos, cuidadosamente elaborou sites em castelhano sobre as obras de Nietzsche, Heidegger e Derrida.
 
Incrivelmente, alguns indivíduos acionaram a "justiça" para fechar os sites sobre Heidegger e Derrida (o nietzscheana permanece online). Para saber mais, aqui e aqui.
Los imputados son los sitios sobre Heidegger y Derrida, ya que la investigación preliminar realizada por la Unidad Fiscal de investigación de Delitos Tributarios y Contrabando (UFITCO) estableció –gracias a la lectura de la página web denunciada- que el fallecimiento de Friedrich Whilem Nietzsche ocurrió en el año 1900, superando los 70 años establecidos por la ley para la conservación de los derechos de autor.
 Dada a função pública evidente dos sites de Potel, abaixo consta um pequeno gesto de apoio: todos os textos da Heideggeriana, atualizados até fevereiro de 2008, disponíveis via Wayback Machine (e antes da "justiça" também acionar o Wayback Machine, não seria uma boa idéia multiplicá-los?):
 
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December 3, 2008

Claude Lévi-Strauss fez 100 anos


 
 
A notícia passou despercebida, mas o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss fez 100 anos no dia 28/11. Informes aqui, aquiaqui, aqui, aqui, aqui, e sobre o Brasil.
 
Um de seus últimos livros, intitulado "De Perto e de Longe" (uma série de entrevistas concedidas a Didier Eribon), está disponível para download em excelente versão (pdf) aqui
 
Outro achado é uma edição da Paidós de Tristes Trópicos. Outros possíveis podem ser garimpados no 4shared.
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