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July 4, 2008

Inéditos de Santo Agostinho encontrados na Alemanha


 

Presume-se… que os códices originais destes Sermões provenham de círculos muito próximos de Agostinho, tendo sido levados para Inglaterra, quando o Papa Gregório Magno (m. 604) enviou dois monges cultos (Agostinho e Hadriano, também africano) evangelizar a Grã-Bretanha.

Informes do Mare Nostrum e do Núcleo de Beira Interior. Fontes, aqui e aqui.

May 24, 2008

As edições do açougueiro


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As Éditions du Boucher são um empreendimento que publica belos e-books. Tudo para download grátis.

O catálogo se divide em "literatura" e "ensaios". Dentre as preciosidades, constam por exemplo L´Art de Jouir (de La Mettrie, já mencionado), e Mes Souvenirs, de Adélaide Herculine Barbin.

Como se vê, os livros são em francês, mas o empreendimento é bem parecido com o Traficantes de Sueños

Vale relembrar o "esquema" do Traficantes: eles vendem livros impressos, mas dispõem gratuitamente as mesmas edições, em PDF.

May 20, 2008

La Mettrie: O Homem-Máquina e A Arte do Gozo


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Existe uma corrente atual (na verdade, ela é bem mais antiga do que admitiriam seus mais fiéis defensores) de pensamento que busca subsumir os dados históricos às "descobertas", "avanços" e "temas" contemporâneos. Assim, um livro esquecido hoje teria sua justificativa de ser "esquecido" precisamente por não ter relevância alguma para historiadores ou cientistas: é algo como irrelevante, ultrapassado, demodé.
 
Um exemplo é  L´Homme Machine, de La Mettrie. De um lado, alguns o colocariam como algo semelhante a um "precursor" das ciências cognitivas. De outro, seu modelo "mecanicista" seria sumamente ultrapassado, coisa de criança, ou quase uma piada.
 
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May 15, 2008

Filosofia vivida


(…) pude usufruir de um meio acadêmico ímpar, delineado pela relação entre o mestre e os alunos e marcado pelo respeito, pelo diálogo e pela fidelidade às próprias intenções intelectuais e pessoais. Na verdade, o que ele nos dizia nas entrelinhas era isso: abraçar a filosofia só vale a pena se você puder ser fiel a si próprio. E isso a despeito do que ocorre a partir da incorporação do ideal de profissionalização aos moldes do capitalismo americano pela universidade brasileira, incluindo a valorização quantitativa, senão massificação, da produção acadêmica e o incentivo à competitividade excessiva. Ser fiel aos próprios desejos podia parecer velharia numa época tão pragmática, uma relíquia existencialista datada… Mas essa era a preciosidade adquirida, enfrentar o desafio contra a própria corrente e o espírito do tempo (…)
 
…imensa responsabilidade de zelar por seu legado.

May 13, 2008

Humanis Corporis Fabrica de Vesalius em português


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Em 1543 Andreas de Vesalius publicou uma lição de anatomia intitulada De Humanis Corporis Fabrica. Como Copérnico, Vesalius foi considerado por muitos um "precursor" de formas científicas modernas.
 
Sobre a lição de Vesalius, existem várias edições on-line. Dentre elas, uma tradução em inglês. A Biblioteca da USP também dispõe da edição original, para acesso público.
 
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A boa novidade é a primeira versão da obra em português, produzida pela Ateliê Editorial (pesquisa de preços). Tradução de Pedro C. P. Lemos e Maria C. V. Carnevale.
 
Sobre a nova edição, Eduardo Kickhofel publicou um review, na Scientia Studia: A lição de anatomia de Andreas Vesalius e a Ciência Moderna.

May 8, 2008

Frédéric Gros, sobre novas noções de Guerra


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A Caros Amigos pulicou uma entrevista com Frédéric Gros, concedida a Gabriela Laurentiis. Reproduzimos, abaixo:

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April 28, 2008

Obras Completas de Charles Darwin on-line


 
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“…it is always advisable to perceive clearly our ignorance.”
 
*** 
Para ter uma idéia do tamanho do acervo, e da preciosidade,
Segundo a organização da Biblioteca Universitária de Cambridge, esta é a maior coleção de documentos e manuscritos de Darwin. São cerca de 20 mil itens e 90 mil imagens que por décadas foram acessados apenas por acadêmicos. Os documentos foram doados pela família de Darwin em 1942, mas a instituição os recebeu apenas após a Segunda Guerra Mundial.

February 23, 2008

Estéticas da Biopolítica


Dois motivos relacionados entre si podem explicar porque a importância do conceito de biopolítica para a compreensão dos dilemas políticos do presente tardou quase quinze anos para ser reconhecida. Em primeiro lugar, para reconhecê-lo era fundamental ultrapassar a rigidez dicotômica da distinção ideológica tradicional entre esquerda e direita, aspecto que já se encontrava presente na análise foucaultiana do caráter biopolítico não apenas do nazismo e do stalinismo, mas também das democracias liberais e de mercado. Em segundo lugar, penso que o fenômeno da biopolítica só poderia ser entendido enquanto forma globalmente disseminada de exercício cotidiano de um poder estatal que investe na multiplicação da vida por meio da aniquilação da própria vida, a partir do advento recente da política transnacional globalizada e ‘liquefeita’, segundo a terminologia de Bauman. Nesse sentido, creio que a reflexão de Deleuze sobre as transformações sociais da última década, as quais iniciaram o processo de substituição do modelo disciplinar de sociedade pelo modelo de “sociedade de controle”, articulada em redes de visibilidade absoluta e comunicação virtual imediata, constitui o paradigma a partir do qual Toni Negri e Michael Hardt puderam formular seu conceito de “Império”, no centro do qual se encontra, justamente, uma apropriação do conceito foucaultiano de biopolítica, redefinido agora em termos da biopotência da Multidão. [Continua em Sobre a Biopolítica: de Foucault ao século XXI, por André Duarte]
 
As decisões globais dependem cada vez menos da opinião e da vontade, e cada vez mais do dever cego e inevitável dos fluxos psicoquímicos (hábitos, medos, ilusões, fanatismos) que atravessam a mente social. O lugar de formação da esfera pública se transferiu da dimensão do confronto entre opiniões ideologicamente fundadas para o magma do oceano neurotelemático, no qual as coisas se determinam fragmentariamente, imprevisivelmente, por efeito de tempestades psicomagnéticas e cada vez menos referidas a esquemas políticos definidos. Claro que há divergência de opiniões, cada um pode se expressar como quiser, mas isso já não tem nenhuma importância, pois já nada significa, não tem efeito algum. A proliferação ilimitada das fontes de informação, por sua vez, não necessariamente significa uma abertura democrática, talvez porque o efeito-sociedade não se encontra mais na esfera do discurso, mas na psicoquímica. [Continua em Mutações Contemporâneas, por Peter Pal Pelbart]
A coletânea completa chama-se "Estéticas da Biopolítica", e vale muito a pena conferir. 

December 14, 2007

Nietzsche, um louco


img527/7476/ubermenscham2.jpgO texto chama-se O Declínio de Nietzsche, do psiquiatra Vittorino Andreolli. Sigamos:  

 Um dos principais filósofos do século XIX, o alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche foi vítima de um distúrbio mental, provavelmente causado pela sífilis, que arruinou seus últimos anos de vida e cuja evolução pode ser percebida em suas obras.

A evolução da doença se divide em três fases: na primeira a infecção fica restrita aos órgãos genitais; na segunda, alastra-se pelo organismo; na terceira causa paralisia progressiva e demência. Nietzsche adoeceu em 1873, mas só se afastou da atividade docente na Universidade da Basiléia em 1879 − quando sua voz era quase inaudível para os alunos. Os sintomas da demência só vieram dez anos depois, mas os primeiros sinais de deterioração intelectual já aparecem nos seus textos de 1887.

O que se observa, a partir de A gênese da moral, é a passagem de um Nietzsche que escreve com força e determinação, de forma densa e ao mesmo tempo sintética, para “outro” que parece incapaz de afrontamentos, que se perde entre notas e apontamentos publicados postumamente e cuja organização lógica até hoje é alvo de críticas. Nessa mesma época, o filósofo alemão redige quatro panfletos pouco concisos, cheios de contradições, que parecem escritos com raiva, algo que os leitores não esperavam encontrar em volumes de filosofia.

Os quatro panfletos
O primeiro, Nietzsche contra Wagner, de 1888, chega a ofender o amigo músico. Depois de se aconselhar com seu editor, o filósofo corrige o texto, publica-o novamente com um prefácio, um epílogo e ainda um post scriptum. O segundo panfleto se chamaria Alegria de um psicólogo, mas por sugestão do editor recebeu o título O crepúsculo dos ídolos: ou a filosofia a golpes de martelo. Diz o autor nesse texto: “Não existe uma realidade supra-sensível, aquela imaginada pelos idealistas, não existe um mundo racional, não há um mundo moral, ainda que os moralistas continuem insistindo. Não existe nem mesmo o mundo das aparências. Definitivamente não existe nada”.

O anticristo é o terceiro panfleto e se limita a demolir o cristianismo. Aqui também as frases são carregadas de violência, ira e ausência de reflexão e de direção. O quarto e último panfleto é Ecce homo. O que significam os títulos desses dois textos? Uma referência a Cristo? Talvez O anticristo fosse somente um nome para indicar a figura mítica de Dionísio, que Nietzsche passou a encarnar em algumas cartas a amigos.

Outra idiossincrasia diz respeito ao emprego de expressões líricas, usadas de forma superficial em alguns textos, ao mesmo tempo que outros se aprofundavam na introspecção e na auto-reflexão. Estes elementos testemunham o declínio de uma mente brilhante, declínio este que começou exatamente no dia 5 de janeiro de 1889. Nesse dia Nietzsche teve início a enviar cartas aos amigos Jacob Burckhardt e Franz Overbeck. Ao primeiro escreveu: “Eu sou Ferdinand de Lesseps, eu sou Prado, eu sou Chambige [assassinos dos quais se ocupavam a imprensa parisiense], eu fui envolvido no lençol dos mortos duas vezes neste outono”. Overbeck recebeu uma carta com o mesmo conteúdo macabro. Em uma terceira correspondência, enviada ao músico Peter Gast, ele assina como “o crucificado”. À antiga amiga Cosima Wagner (mulher do compositor Wilhelm Richard Wagner), escreve: “Arianna, eu te amo”. Assinado: “Dionísio”.

Anos depois, historiador francês Daniel Halévy refaz o caminho de Overbeck em busca do amigo perturbado: “Overbeck parte para Turim. Encontra Nietzsche num quarto mobiliado, cantando e gritando sua glória, batendo no teclado do piano (…) Mais tarde, ao sair de casa, viram um homem que guiava uma carroça batendo no próprio cavalo; indignado, o filósofo colocou-se imediatamente entre os dois, imobilizando o homem com os braços e impedindo-o de continuar a bater no animal. Os transeuntes pararam para olhar, um agente policial interveio. Queriam retirá-lo daquela situação, mas ele se jogou no chão, parecia numa crise de delírio (…) O policial decidiu algemá-lo, mas Overbeck intercedeu. Falando em nome da Universidade da Basiléia, obteve permissão para levá-lo de volta para casa”.

Nietzsche estava completamente perturbado. Misturava canções, dirigia-se às pessoas por meio de cantigas. Um médico da Basiléia, cujo filho era grande apreciador das obras do filósofo, dedicou-se ao caso com particular atenção e o transferiu para uma clínica psiquiátrica em Jena, de onde saiu em 1897 para viver com a mãe em Naumburg. Com a morte dela, mudou-se para a casa da irmã em Weimar, onde permaneceu até a morte em 1900. Desses anos sabemos muito pouco. É possível que ele tenha chegado à forma grave de demência, mas o assunto era delicado demais para ser comentado na época.

Algumas coisas não estão muito certas nesse texto. Outras, são muito interessantes.

Coisas estranhas: o italiano refere-se a um livro chamado "A Gênese da Moral". "Gênese"? O título original da obra de Nietzsche é Zur Genealogie der Moral; e o filósofo faz questão: Genealogie, em absoluto, nada tem a ver com Ursprung (origem). Talvez seja problema de tradução.

A respeito da obra de Andreolli, pouco sabemos. Mas um dos aspectos mais interessantes constatados por leitores de Nietzsche - e também de outros filósofos contemporâneos - é algo peculiar: como assim, um filósofo louco? Nosso amigo Andreolli arrisca dizer o limite preciso: dia 5 de janeiro de 1889 Nietzsche enlouqueceu, malgrado certos "traços" de loucura entrevistos antes, em sua obra.

O que leva a desconfiar que a data não é tão precisa assim. 

Mas isso não resolve nada. Pelo contrário, apenas recoloca o problema. Se Nietzsche é um filósofo, em que medida há em sua obra algo que se chama filosofia, e não loucura? Onde começa a loucura, e onde termina o Pensamento? Ou ousaríamos dizer que a obra de Nietzsche apenas tornou-se notória - como tantas outras - como obra de um autor louco?

Um problema muito interessante, e ao mesmo tempo insolúvel. Nossa época não pára de denotar artistas loucos como artistas (ou pensadores loucos como, enfim, pensadores). E isso tudo se assemelha aos temas (mais ou menos comuns) batidos de conservar o cérebro de Einstein, ou fazer a frenologia do crânio de Descartes. Reduz-se o problema, do Pensamento em geral, ao pensamento (com "pê" minústulo) que está ali, naquela cabeça que antes permanecia viva, e agora morreu.

Como se o Pensamento em nada nos afetasse, não estivesse comprometido com a "realidade" mesma em que se implica, e não dissesse respeito àqueles que agora buscam reduzi-lo àquele crânio. Ora, se aceitamos o postulado de que o Pensamento se reduz aos organismos que o "criam", o que nos conduz a aceitar esse postulado mesmo, sem colocá-lo em questão? Foram outras cabeças pensantes, outros sujeitos empíricos, que o "criaram". Logo, no mínimo isso abre um problema…

O artigo de Vittorino Andreolli saiu no site da Mente e Cérebro deste mês. Para quem se interessar, uma boa indicação é  Nietzsche: a experiência de si como transgressão (loucura e normalidade), de Daniel Pereira Andrade. O autor pesquisa precisamente os últimos textos do filósofo alemão, e as implicações de um "filósofo louco".

- A charge acima pertence ao JP

- Outros posts sobre esse tema: Estamira e o Trocadilo, e Os loucos e a loucura na arte

December 10, 2007

Camus: 50 anos do Prêmio Nobel


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Cinquenta anos atrás, Albert Camus recebeu o Nobel de Literatura, por A Peste. Informe no Absorto.
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