
"Taming the Yellow Dragon": Exposição de James Whitlow Delano no Digital Journalist, sobre as mudanças climáticas na China (publicamos aqui)
O argumento central afirma que, se ocorre aquecimento, não se deve à influência do homem, mas provavelmente a determinados eventos físicos alheios a essa influência.
Por outro lado, o ceticismo cabe bem ao interesse dos grandes produtores de petróleo.
Numa terceira alternativa, a crença no papel principal do homem apenas favoreceria outros vieses mercadológicos, ou até mesmo a diversificação da atividade das mesmas grandes corporações, alvos das principais críticas. Em outras palavras, trocaríamos apenas o
conteúdo, mas
a forma da exploração continuaria a mesma:
Muito se falou, não raro com razão, que a indústria do petróleo financiava os céticos. Em 1998, o Instituto Americano do Petróleo (API), poderosa organização que congrega as maiores empresas do ramo nos EUA, tentou arregimentar cientistas que pudessem ir a público e falar das falhas das teorias sobre as causas do aquecimento global. O jornal The New York Times descobriu a tramóia e os céticos começaram a ser vistos com desconfiança.
Por outro lado, seria injustiça dizer que todos os negacionistas sejam vendidos, como os tacha a maioria dos cientistas que defendem a hipótese antropogênica. "Aquecimento global virou uma religião. Falar algo contra a corrente dominante virou heresia", afirma Nigel Calder, ex-editor da revista New Scientist, ele mesmo um "herege" assumido. Calder é um dos principais personagens do documentário The Great Global Warming Swindle ("A Grande Farsa do Aquecimento Global", inédito no Brasil, mas que você vê no site da Super), que foi ao ar na TV inglesa em março. O filme defende uma tese controversa: da mesma maneira que há empresas interessadas em negar o impacto da poluição humana na mudança climática - como as de petróleo, carvão e automóveis -, há pessoas, empresas e grupos de pressão que não se dariam mal com a histeria em torno do aquecimento global.
Esse tipo de tese concorda com livros como o de Naomi Klein, "A doutrina do choque": grandes catástrofes ou transformações geológicas e culturais apenas favoreceriam novos meios de exploração e investimento, e por conseguinte novas possibilidades de consumo. Curto e breve, o aquecimento global seria um "bom negócio": levaria a outros modos de gestão da vida humana, sem modificar significativamente a relação do homem com o mundo.
Mas nada disso toca a pergunta sobre o papel do homem. Não é muito difícil constatar que ocorrem mudanças de clima em regiões com grandes alterações, em curto período de tempo (associação de poluição, hidrelétricas, desmatamento, monocultura…). A chuva ácida e as máscaras utilizadas numa Pequim sob neblina seriam apenas os exemplos agudos. Dado isso, a idéia de que a mudança global do clima se deve às alterações locais dos últimos 150 anos parece bem tentadora. Daí, a conclusão se impõe: formas de vida fundam diretamente padrões de consumo, e vice-versa.