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September 3, 2009

Collor, Imortal


A eleição do senador foi feita com base no conjunto de artigos publicados em jornais na imprensa local e nacional. Collor de Mello foi representado pelo presidente do Instituto Arnon de Mello, Carlos Mendonça. Collor foi comunicado por telefone. A posse ainda não foi marcada.

Fernando Collor de Mello obteve 22 votos dos 30 membros da Academia que compareceram à votação. Foram computados ainda 8 votos em branco e nenhum nulo. O presidente da Academia, bispo D. Fernando Iório, que está há sete meses no comando da casa, disse nunca tinha visto uma votação tão expressiva quanto essa. Segundo ele, dos 40 membros, 30 compareceram para votar. [estadão]

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August 21, 2009

As “primeiras impressões” de Vladimir Arseniev


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July 31, 2009

Albert Camus: O Estrangeiro


link: webcamus

Via Absorto, encontrei o webcamus, sobre o escritor argelino. O site é muito bom. Traz, além de passagens do próprio punho de Camus, resumos, estudos e comentários sobre suas obras. Abaixo, livre tradução de uma parte do prefácio à edição estadunidense de "O Estrangeiro":

"Resumi O Estrangeiro, já faz bastante tempo, com uma frase que reconheço ser bastante paradoxal: Em nossa sociedade, todo homem que não chora no enterro de sua mãe corre o risco de ser condenado à morte. Pretendo dizer apenas que o herói do livro é condenado porque ele não joga o jogo. Nesse sentido, ele é estrangeiro à sociedade onde vive; ele erra, à margem, nos subúrbios da vida privada, solitária, sensual. E por isso os leitores são tentados de considera-lo como um arruinado. Ter-se-á contudo uma idéia mais exata do personagem, em todo caso mais conforme às intenções de seu autor, caso se pergunte de que modo Meursault não joga o jogo. A resposta é simples, ele recusa mentir. Mentir não é somente dizer o que não é. É também, sobretudo, dizer mais do que é; e, no que concerne ao coração humano, dizer mais do que se sente. É o que fazemos todos, todos os dias, para simplificar a vida. Meursault, contrariamente às aparências, não quer mais simplificar a vida. Ele diz o que é, recusa mascarar seus sentimentos e imediatamente a sociedade se sente ameaçada. Pedem por exemplo para ele dizer que se arrepende de seu crime, segundo a fórmula consagrada. Ele responde experimentar a esse respeito mais enfado do que arrependimento verdadeiro. E esse tom o condena.

 Meursault, para mim, não é portanto um arruinado, mas um homem pobre e nu, amante do sol que não deixa sombra. Longe de ser privado de toda sensibilidade, uma paixão profunda, porque tenaz, o anima, a paixão do absoluto e da verdade. Trata-se de uma verdade ainda negativa, a verdade de ser e de sentir, mas sem a qual nenhuma conquista sobre si jamais será possível.

Não seria errôneo, portanto, ler em O Estrangeiro a história de um homem que, sem nenhuma atitude heróica, aceita morrer pela verdade."

Essa passagem complementa um dos primeiros "posts" do Catatau (sem a tradução).

***

A propósito de verdadeiras (e não "livres") traduções, vale acompanhar a produção de A Loucura do Dia, de Maurice Blanchot, no Espectral. Vale muito acompanhar também as traduções feitas em O Sopro.

July 30, 2009

Saramago e o Brasil


 O Lula apresentou-se como alguém que iria resolver aquilo. Mas estava claríssimo que ele não podia. Se não mudava, se não transformava as lógicas do poder que fazem do Brasil um país um pouco estranho nesse particular… é que no fundo não há partidos, há grupos de interesses, alianças, que se fazem e se desfazem consoante as conveniências.
 
Há uma espécie de, digamos, "caciques", mas há qualquer coisa que vem, digamos, na linha do "caciquismo" que é o influente político que não sabe muito bem por que é que ele ganhou aquele poder, mas a verdade é que o ganhou.

José Saramago [livros], em entrevista de 16 minutos, comentando, entre outros assuntos, sobre Lula e o Brasil.

July 22, 2009

Huxley versus Orwell


http://i131.photobucket.com/albums/p312/thedoctoroperates/aldous-huxley.jpg http://i86.photobucket.com/albums/k98/brianpetters/Orwell.jpg 
 
Um interessante quadrinho vinculado pelo Trabalho Sujo: Aldous Huxley x George Orwell. Aponta para os dois lados de muitas discussões sobre regimes atuais de governo (via NPTO).

June 30, 2009

A Mitologia dos Instintos


 http://eduardo.mahieu.free.fr/2008/binswanger_gif.jpeg

"Sempre tivemos o pressentimento, escreve [Freud] aos setenta e seis anos, que atrás desses inumeráveis instintos pequenos se oculta algo grave e poderoso, algo a que desejamos nos aproximar com cautela. A teoria dos instintos é, por assim dizer, nossa mitologia; os instintos são seres místicos grandiosos em sua indeterminação. Em nosso trabalho não podemos retirar a vista deles por um instante sequer, e não obstante, nunca estamos seguros de vê-los com claridade".

Aqui vemos o incessante assombro do investigador da natureza ante a gravidade e o poder da vida e da morte a ela imanente, o assombro diante de uma vida que, como pensou Freud, "todos sofremos muito", sofrimento para o qual não há compensação nem consolo, mas cuja tolerância segue sendo "o primeiro dever de todos os seres vivos". Só é possível cumprir com esse dever se nos orientamos até a morte, si vis vitam, para mortem, pois a vida se nos faz mais "suportável" quando concedemos mais valor à verdade, em particular frente à morte. (BINSWANGER, L. La Concepción Freudiana del Hombre. Articulos y Conferencias Escogidas. Madrid: Gredos, s/d)
 
 
 http://i6.photobucket.com/albums/y201/cosmorama/fernandopessoa.jpg
 “… o mundo, monturo de forças instintivas, que em todo o caso brilha ao sol com tons palhetados de ouro claro e escuro. (…) Um terramoto e um massacre não têm para mim diferença senão a que há entre assassinar com uma faca e assassinar com um punhal. O monstro imanente nas coisas tanto se serve – para o seu bem ou o seu mal, que, ao que parece, lhe são indiferentes – da deslocação de um pedregulho na altura ou na deslocação do ciúme ou da cobiça num coração”.
 
“há momentos em que a vacuidade de se sentir viver atinge a espessura de uma coisa positiva. Nos grandes homens de ação, que são os santos, pois que agem com a emoção inteira e não só com parte dela, este sentimento de a vida não ser nada conduz ao infinito. Engrinaldam-se de noite e de astros, ungem-se de silêncio e de solidão. Nos grandes homens de inação, a cujo número humildemente pertenço, o mesmo sentimento conduz ao infinitesimal; puxam-se as sensações, como elásticos, para ver os poros da sua falsa continuidade bamba. E uns e outros, nestes momentos, amam o sono, como o homem vulgar que nem age nem não age, mero reflexo da existência genérica da espécie humana. Sono é a fusão com Deus, o Nirvana, seja ele em definições o que for; sono é a análise lenta das sensações, seja ela usada como uma ciência atômica da alma, seja ela dormida como uma música da vontade, anagrama lento da monotonia”.
 
(…) “A persistência instintiva da vida através da aparência da inteligência é para mim uma das contemplações mais íntimas e mais constantes. O disfarce irreal da consciência serve somente para me destacar aquela inconsciência que não disfarça.
Da nascença à morte, o homem vive servo da mesma exterioridade de si mesmo que têm os animais. Toda a vida não vive, mas vegeta em maior grau e com mais complexidade. Guia-se por normas que não sabe que existem, nem que por elas se guia, e as suas ideias, os seus sentimentos, os seus actos, são todos inconscientes - não porque neles falte a consciência, mas porque neles não há duas consciências.
Vislumbres de ter a ilusão - tanto, e não mais, tem o maior dos homens.
” (Livro do Desassossego, nº 133, 155 e 149)

June 8, 2009

Saboro Nossuco: Koan do Como Onde


Thadeu Wojciechowski, o Polaco da Barreirinha, lançou seu novo livro, intitulado Koan do Como Onde. A julgar por seu blogue, livros e outros trabalhos (por exemplo a bela tradução-traição do Tao Te Ching), trata-se de uma belíssima obra.
 
Vale ler o review de Dante Mendonça, com citações.
 
O livro já está nas livrarias Chaim e Curitiba. Mas o próprio Polaco também entrega.

February 5, 2009

Saramago, blogueiro


Surpreende-me que vários jornalistas me tenham perguntado pela minha condição de blogueiro quando tínhamos atrás o anúncio de uma exposição estupenda, a que é organizada pela Fundação César Manrique no Instituto Tomie Ohtake, com os máximos representantes e patrocinadores, e com a apresentação de um novo livro à vista. Mas a muitos jornalistas interessava-lhes a minha decisão de escrever na “página infinita da Internet”. Será que, aqui, melhor dito, nos assemelhamos todos? É isto o mais parecido com o poder dos cidadãos? Somos mais companheiros quando escrevemos na Internet? Não tenho respostas, apenas constato as perguntas. E gosto de estar escrevendo aqui agora. Não sei se é mais democrático, sei que me sinto igual ao jovem de cabelo alvoroçado e óculos de aro, que com os seus vinte e poucos anos, me questionava. Seguramente para um blog.

January 15, 2009

O Homem que desdenhava a máquina


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Quando Tsekung, discípulo de Confúcio, veio para o sul, ao estado de Ch´u, no caminho de Chin passou por Hanyin. Aí viu um velho empenhado em fazer uma vala para ligar a sua horta a um poço. Transportava ele um jarro na mão, com o qual trazia água e a derramava na vala, com enorme trabalho e pouco resultado.

- Se tivesses uma máquina - disse Tsekung -, poderias num dia irrigar cem vezes a tua área. O esforço necessário é insignificante comparado com o trabalho que ela faz. Não gostarias de ter uma?

- Que vem a ser isso? - perguntou o hortelão, olhando para ele.

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December 16, 2008

William Blake e Francisco de Holanda


Gravura de Aetatibus Mundi Imagines (1543-1573), do ilustrador português Francisco de Holanda (via BibliOdyssey)
 
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