Temos idéia da dimensão de uma única empresa digitalizar e controlar o acesso de boa parte do acervo mundial?
Alguns dias atrás comentamos a notícia de que a Biblioteca Nacional da França disponibilizará parte de seu acervo no Google Books. Lá, colocamos a seguinte pergunta: será a Biblioteca Universal uma biblioteca universal e privada?
Quem acessa o google books sabe que não se digitalizam livros apenas por idealismo ou filantropia. Se assim fosse, todos seriam naturalmente completos e gratuitos - e sem links para as livrarias.
Nisso podemos ter idéia da dimensão de uma única empresa digitalizar e controlar o acesso de boa parte do acervo mundial.
Com a popularização de leitores eletrônicos de ebooks, cada dia a perspectiva de explorar tal acesso é maior. Pierre Levy divulgou material, dias atrás, sobre a possibilidade do Google concorrer com a Amazon, criando uma mega livraria.
Hoje, Levy divulgou outro link, com considerações sobre um possível monopólio do conhecimento. O mecanismo parece ser o mesmo do caso da BNF: com suporte financeiro, o Google desponta como referência de peso, obrigando os concorrentes a rever as próprias dinâmicas.
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Nesse contexto, essa notícia parece interessante.
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E mais dois links: "The Googlisation of Everything" (esse texto é interessante dentro do comentário do Marcus) e Institute for the Future of the Book
Diversas vezes chamamos a atenção aos estudos de Venicio de Lima, sobre as relações entre mídia e política no Brasil e no mundo. Lima estuda tanto a cobertura quanto a relação da cobertura com os mandatários das empresas de comunicação, notadamente as privadas.
Por vezes seus estudos lembram alguns de "semiótica", por exemplo focados nas histórias em quadrinhos ou nas relações entre cor e som no cinema. Lima, por sua vez, analisa a "montagem" tática das informações na edição de um jornal, por exemplo (pelo menos é parte do procedimento de Mídia: Crise política e poder no Brasil, [preços, Cultura]).
Nesse contexto é interessante o pequeno texto "A mídia como partido político", de onde cito um trecho sobre a briga Obama x Fox News:
Os grandes grupos privados de mídia – como a News Corporation, de Murdoch – seus sócios e aliados em todo o planeta, por óbvio, vão continuar reiterando cotidianamente suas acusações de não democráticos, autoritários e/ou totalitários a esses governos.Já não seria, todavia, a hora de se questionar – séria e responsavelmente – o discurso de que a grande mídia privada seria a mediadora neutra, desinteressada, imparcial e objetiva do interesse público nas sociedades democráticas? Como sustentar esse discurso diante de todas as evidencias em contrário, inclusive de partidarização, aqui e alhures?
O que está em jogo? Um fator novo, nas relações entre mídia e política: o governo Obama, reconhecendo a tendência editorial da Fox News, passa a encarar a emissora como uma fonte de oposição deliberada. "Encara" não sob o formato dos governos ditatoriais (que simplesmente eliminam os opositores), mas dentro do debate, forçando a emissora a assumir suas tendências.
"Qundo o presidente fala à Fox, já sabe que não falará à imprensa, propriamente dita" – ela [Anita Dunn, Diretora de Comunicações de Obama] explicou. – "O presidente já sabe que estará como num debate com o partido da oposição"
Como se o mito da neutralidade da mídia se colocasse em questão não por seus estudiosos, mas no próprio debate midiático. Ou em outras palavras, como se agora uma mídia devesse assumir suas tendências (sempre encaradas de modo geral como "neutras", ou com certa intenção de neutralidade), para manter sua credibilidade.
A edição de ontem do "Pinga-fogo", do Jornal da Globo, foi criminosa. Deu + tempo ao dep. do DEM, q abriu e fechou o quadro. (…) a Globo cortou o q falei em defesa do MST, sobre a CPI da Terra de 2005, as mortes no campo. Lamentável. (…) Na gravação com o repórter Heraldo Pereira, eu havia sido o último a falar. A edição fez parecer q ambos concordávamos! (…) além do desequilíbrio e parcialidade pró-ruralistas, o Jornal da Globo ainda me idenficou como do PT-SP (…) A emissora da família Marinho não perdeu o costume de 1989 (debate LulaxCollor). Edita conforme lhe convém. (…)
O enviado especial da ONU ao Afeganistão, Kai Eide, afirmou hoje que houve uma "fraude generalizada" nas eleições presidenciais de 20 de agosto, embora não tenha determinado seu alcance.
Em entrevista coletiva em Cabul, o chefe da missão da ONU no Afeganistão (Unama) admitiu que o processo eleitoral foi "difícil, com muitos problemas".
"O alcance desta fraude está sendo analisado agora. Não há forma de saber neste momento que nível de fraude houve. Só posso dizer que foi uma fraude generalizada", declarou.
O diplomata norueguês afirmou que "qualquer dado concreto" que apresentasse agora sobre o impacto da fraude no resultado eleitoral seria "pura especulação", já que, nos últimos dias, a Comissão Eleitoral começou a fazer uma recontagem parcial dos votos por causa das denúncias de irregularidades.
Os resultados provisórios, anunciados em setembro, deram ao atual presidente, Hamid Karzai, uma vitória folgada. Mas a nova apuração deve resolver as irregularidades em mais de 10% dos colégios eleitorais.
A missão de observadores da UE enviada para acompanhar a eleição afegã anunciou no mês passado a identificação de 1,5 milhão de votos "suspeitos", dos quais 1,1 milhão favoreceriam Karzai. EFE
"It´s all about Oil", dizia Robert Fisk em A Grande Guerra pela Civilização (preços). Ou também ele se referia ao curioso voto "étnico" dos afegãos, que não parte das mesmas premissas de uma sociedade democrática de maiorias. Ou talvez parta, mais no sentido das "maiorias" do que da "democracia".
Em agosto já se desconfiava das articulações de Karzai com outras forças políticas (e militares) afegãs, para compor um esquema maciço de fraude. Pelo visto, concretizado.
Karzai foi reeleito. Mas estranhos mesmo são os diferentes pesos e medidas conferidos às fraudes, reeleições e governos, de fato e de direito. Durante 2009, certamente vimos diferentes valores atribuídos às discussões sobre a reeleição na Colômbia e em Honduras, de um lado, e no Irã e Afeganistão, de outro.
Tem-se por aí o hábito irrefletido de tomar imediatamente partido, segundo crenças estereotipadas e relativizadas. Como se pensar fosse um problema. Especialmente quando se fala em legalidade, é indispensável pensar, e se perguntar onde pesos e medidas foram diferentes.
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Nesse contexto, está imperdível o blog de Steve McCurry.
…São Paulo comemora com 70 Km de congestionamentos.
Em Curitiba, o prefeito Beto Richa (PSDB) foi de ônibus para o trabalho. Na ocasião especial, há quem declare sobre a URBS conceder mais ônibus às linhas utilizadas por Richa, para não passar a impressão - diária - de superlotação.
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Divulgamos abaixo o informe de um livro interessante: Camponeses e Impérios Alimentares: lutas por autonomia e sustentabilidade na era da globalização, de Jan Douwe Van der Ploeg (pesquisa de preços e link na Cultura). Trata-se de um estudo feito em três países, industrializados e não industrializados, sobre as relações entre agronegócio e agricultores.
Na verdade, o estudo parece ter consequências maiores, dada sua duração (30 anos!), e o debate contemporâneo sobre transgênicos, agronegócio, combustíveis alternativos, movimentos sociais e soberania alimentar.
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