March 20, 2008

John McCain, analista internacional

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Palavras do preocupado John McCain:

Bom, é de comum conhecimento e foi reportado pela imprensa que a Al Qaeda vai ao Irã, recebe treinamento, e retorna ao Iraque pelo Irã. Isso é bem conhecido, infelizmente.

Isso até outro delegado republicano cochichar no ouvido que o Irã é chiita, e não treinaria uma Al Qaeda sunita. Quando o candidato corrige:

Perdão, os iranianos treinam extremistas, não a Al Qaeda.

A julgar o quesito "política externa" do governo anterior, o candidato republicano está pronto ;)

March 19, 2008

Não havia ligação alguma entre Saddam e a Al Qaeda II

É o que carrega o pasmo de Robert Fisk em seu último artigo:

 Today, we are engaged in a fruitless debate. What went wrong? How did the people – the senatus populusque Romanus of our modern world – not rise up in rebellion when told the lies about weapons of mass destruction, about Saddam’s links with Osama bin Laden and 11 September? How did we let it happen? And how come we didn’t plan for the aftermath of war?

Estamos com tais acontecimentos no plano de questões centrais do século XX, como a do fascismo. A respeito do fascismo, Wilhelm Reich - e em sua rasteira, Deleuze e Guattari -, se perguntava sobre como é possível uma massa ser enganada, ludibriada, explorada, e não se revoltar. Destaco uma pequena frase, de O Anti-Édipo:

Nunca Reich mostrou ser um tão grande pensador como quando se recusa a invocar o desconhecimento ou a ilusão das massas ao explicar o fascismo, e exige uma explicação pelo desejo, em termos de desejo: não, as massas não foram enganadas, elas desejaram o fascismo num certo momento, em determinadas circunstâncias, e isto é necessário explicar, essa perversão do desejo gregário.

Talvez seja o que explique, por exemplo, o interesse atual concentrado no escândalo do(s) governador(es) de Nova Iorque, e a permanência na sombra dos documentos que provam que a invasão do Iraque foi uma mentira.

E alguns ainda acham que o debate sobre as liberdades individuais apenas incide nas críticas a Cuba e China. 

March 18, 2008

Notícia lá, requentado cá

Em um post sobre a presença de Condoleezza Rice no Brasil - sem escala na Argentina -, o Alencastro fez uma observação que acerta no alvo alguns problemas graves do jornalismo brasileiro:

Assim reiterada, a crise entre Washington e Buenos Aires assume proporções inéditas nas relações entre os dois países. Fato que dá outro destaque à situação diplomática do Brasil. Ao não dar por isso, o jornalismo brasileiro consolida o analfabetismo sobre assuntos internacionais existente na opinião pública nacional. Quase todas as matérias importantes sobre política internacional publicadas na imprensa brasileira são traduzidas dos jornais americanos e europeus. E podem ser lidas na véspera nos próprios sítios destes mesmos jornais pelos leitores brasileiros mais curiosos.

E não é que é? O que estava ontem na BBC, Le Monde, Reuters e outros canais, hoje figura como "destaque" dos jornais. Para não citar ainda os bóias-frias televisivos de domingo à noite. Muito do jornalismo se preocupa em requentar; na melhor das hipóteses, o jornalista sai à rua recolhendo opiniões ou estabelecendo "pesquisas informais". Mas cuidadosamente não mexe no conteúdo do que leu.

Algumas crises anteriores até mostraram correspondentes próximos aos acontecimentos… incrivelmente narrando pautas e temas bem próximos ao que o "leitor brasileiro mais curioso" acessou como eles, no dia anterior, na internet.  

March 15, 2008

Não havia ligação alguma entre Saddam e a Al Qaeda

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Cinq ans après le début de la guerre en Irak, cette étude, basée sur l’analyse de 600 000 documents officiels irakiens et sur des milliers d’heures d’interrogatoires d’anciens collaborateurs de Saddam Hussein, indique n’avoir "trouvé aucun lien direct entre l’Irak de Saddam et Al-Qaida". [Le Monde]

Sponsored by the Pentagon, the report found no "direct operational link" between Saddam’s government in Iraq and bin Laden’s Al Qaeda terror ring before the U.S. invasion, an official told McClatchy.

The Bush administration put forth the argument that there was a connection between Saddam and bin Laden when it made the case to go to war with Iraq after the Sept. 11, 2001, terrorist attacks on the United States. [Fox News]    

Le Monde ainda vinculou o extenso estudo do governo sobre a ausência de ligação (em inglês, formato PDF, 94 p.).

Agora voltamos ao realmente importante: quer dizer que Ashley Alexandra Dupré gosta de cantar, e uma prostituta brasileira chamada Andreia Schwartz esteve no meio da história? Será que ela canta também?

March 14, 2008

Ashley Alexandra Dupré e a curiosa economia dos escândalos políticos

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March 11, 2008

1 milhão de iraquianos mortos

More than one million Iraqis have died because of the war in Iraq since the US-led invasion of the country in 2003, according to a study published Wednesday.

A fifth of Iraqi households lost at least one family member between March 2003 and August 2007 due to the conflict, said data compiled by London-based Opinion Research Business (ORB) and its research partner in Iraq, the Independent Institute for Administration and Civil Society Studies (IIACSS)

(…) "We now estimate that the death toll between March 2003 and August 2007 is likely to have been in the order of 1,033,000," ORB said in a statement.

The margin of error for the survey was 1.7 percent, making the estimated range between 946,000 and 1.12 million fatalities.

O Khalid Jarrar - um iraquiano que posta notícias sobre o Iraque, com o viés de iraquianos que não são insurgentes - voltou a postar com frequência. Destaque também para o post What a Billion Muslims Really Think.
 
Mais blogs sobre a invasão, aqui

March 10, 2008

A Iurd e os jornais III

Nova reportagem da Folha Universal sobre os processos contra a Folha de São Paulo:

Além das ações que se multiplicam na Justiça contra o jornal “Folha de S. Paulo”, os membros da Igreja Universal do Reino de Deus e evangélicos de outras igrejas encontraram outra forma de protestar e expressar sua indignação contra as reportagens do jornal. Em um movimento que começou espontaneamente no último final de semana, integrantes da IURD têm cancelado suas assinaturas do provedor “UOL” (Universo On Line), braço da internet do grupo que compõe a “Folha de S. Paulo”. O “UOL” abriga em suas páginas virtuais o conteúdo da “Folha de S. Paulo”.

Não são poucos os evangélicos que têm telefonado para o “UOL” e interrompido o serviço. E todos têm esclarecido que deixam de utilizar o provedor em razão do que eles consideram “ataques da ‘Folha de S. Paulo’ à Igreja”, reproduzidos pelo portal. A “Folha de S. Paulo”, entre outras afirmações não comprovadas, publicou que o dinheiro do dízimo seria “esquentado em paraísos fiscais”. A “hipótese”, definição utilizada pelo próprio jornal, ofendeu membros da IURD que entraram com ações na Justiça. [Em protesto, Evangélicos cancelam UOL]


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March 5, 2008

The Road to Palestine


Dentro do caloroso debate sobre a última matança israelense na Faixa de Gaza, lembrei de um pequeno documentário de Robert Fisk, intitulado "The Road to Palestine". Um pouco antigo, mas com temas bem atuais. Trata precisamente das relações sociais, econômicas e políticas entre israelenses e palestinos.

Fisk visita e entrevista figuras dos dois lados do embate, inclusive acampamentos do Hamás. Pergunta sobre suas motivações, e deixa no ar um grande impasse.

Acima, a parte 1 (Cf. também a 2, 3, 4, 5 e 6)

March 3, 2008

A Iurd e os jornais II

Lembram dos processos da Igreja Universal contra a Folha, e o sarrinho do Economist sobre a instituição de Edir Macedo?

As ações orquestradas pelos fiéis - lembremos que os textos dos processos são incrivelmente parecidos, embora elaborados em municípios distantes - começam a ser negadas pelos juízes. A Folha de São Paulo comemora: das 68 ações até agora, já venceram 12.
 
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February 25, 2008

A transição segundo o “companheiro” Fidel, o passado de Cuba, e Eduardo Galeano

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Com a eleição de Raul Castro, alguns veículos "lamentam" a ausência de "renovação" do poder cubano. Sobre isso, o primeiro texto de Fidel Castro assinado sem o "comandante" (Via BBC) já comentava sobre a "mudança":

Concordo com isso, mudança!, mas nos Estados Unidos. Há tempo que Cuba mudou e continuará seu rumo dialético. Não regressar jamais ao passado!, exclama nosso povo.

Anexação, anexação, anexação!, responde o adversário; é isso que pensa bem no fundo quando fala em mudança.

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