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Hoje faleceu o último veterano da I Guerra Mundial. Claude Choules serviu na marinha inglesa até os anos 50. Sobre a guerra e o perpétuo tema de aderir a ela sob o "ensinamento" de que o inimigo é sempre um monstro a matar, ele comentou que no fim das contas
Todo mundo era a mesma coisa, eles eram apenas jovens
E dias atrás um jornalista do Boston Globe comentava sobre o contexto da premiada (e chocante) foto de Chris Hondros (morto em Misrata dias atrás):
Os soldados - crianças, a maior parte - permaneciam lá, acenando para o carro parar. Eles estavam sem sono, nervosos, absolutamente terrificados, esperando se era outra bomba suicida. O carro não reduziu a velocidade e os soldados pararam de gritar e começaram a atirar.
Isso foi por apenas alguns segundos.Balas do tamanho de bolas de golfe penetraram o carro como dardos fundidos rodando até parar.
Quando os soldados correram ao carro, viram seu erro e suas pernas tremeram. "Civis!", gritaram.
A reação demorou quase um dia, mas Robert Fisk começou a publicar vários textos sobre a morte de Bin Laden. Fisk entrevistou Bin Laden três vezes, e inclusive manteve uma espécie de diálogo indireto com o saudita em vários artigos (às vezes respondidos por Bin Laden por meio de terceiros). Vale acompanhar suas análises.
Trecho do artigo recém saído, sobre o que os EUA ensinam ao "mundo árabe" logo após a Tunísia e o Egito ensinarem ao mundo inteiro que é possível lutar pela liberdade:
(…) Suas [de Bin Laden] promessas de derrubar os ditadores árabes pro-americanos ou não islâmicos foram cumpridas pelo povo do Egito e Tunísia - e talvez em breve por Líbios e Sírios -, não pela Al Qaeda e sua violência.
O problema real, entretanto, é que o Ocidente, que constantemente pregou no mundo Árabe sobre legalidade e não violência serem o caminho a percorrer no Oriente Médio, ensinou uma lição diferente ao povo da região: que executar seus oponentes é perfeitamente aceitável (…)
No contexto, Obama declarou algo como isso. Outros textos traduzidos apareceram no Outras Palavras e na Carta Maior.

Fidel Castro começou a publicar no CubaDebate textos com sua perspectiva sobre a vitória cubana contra a invasão da Baía dos Porcos, 50 anos atrás.
Na ocasião, no dia seguinte ao discurso proferido por Castro sobre o caráter "socialista" da revolução (no dia 16 de abril de 1961), mais de 1200 cubanos exilados e apoiadores de Fulgêncio Batista, sustentados pela CIA, desembarcaram na Praia Girón.
Contra o difundido tema do não envolvimento aberto e institucional dos EUA no ocorrido, Castro comenta algumas vezes sobre bombardeios sofridos.
Conforme o cubano, tais acontecimentos envolveram posteriormente diversos fatores decisivos, como a consolidação da aliança cubana com a URSS (que já se desenhava desde a revolução, com o embargo parcial de Eisenhower em 1960 e o subsídio soviético sobre ítens que os EUA restringiram a importação) e a crise dos mísseis em 1962.

Curiosamente, naqueles dias o mundo inteiro estava de olho em outro acontecimento: Yuri Gagarin recém voltou do espaço. No dia 21 de abril, ele é a capa da Life (a mesma edição dedica um artigo a Adolf Eichman).
Cuba aparece apenas uma vez mencionada na revista, em um artigo de opinião sobre Gagarin, testemunha de nosso mundo sob uma "nova e única perspectiva".
Castro ganhará uma capa da Life apenas no mês de junho (ao lado de outros textos como o de uma certa segregação racial sofrida no transporte público), depois de um curioso editorial ("Precisamos vencer a Guerra Fria") e numa nova série: "Crise na América Latina".
A revista mesma sugere três formas de derrubar Castro: intervenção diplomática, intervenção direta ou sabotagem/intervenção paramilitar.
CC: Numa sociedade desigual como a brasileira, a troca da autoridade pela celebridade gera agravantes?JFC: Acho. Uma sociedade como a nossa tem a característica de ter uma distância muito grande entre a prática das pessoas, o modo concreto de vida, e o mundo feérico da realidade espetacular. A percepção dessa distância gera, psicologicamente, um mecanismo de defesa muito importante, que é a tendência de a pessoa se contentar com a atividade de evasão, de alienação em relação a si próprio, e de encontrar, justamente no registro da fantasia, aquilo que se sabe ser impossível na realidade. Quanto mais longe a realidade social das pessoas está do mundo do entretenimento, maior será a tendência a se alienar. Quanto mais dificuldade ela vê para sair da vida dela para uma coisa melhor falo de progresso na realidade concreta dela, uma vida mais digna materialmente, socialmente, mais ela tem a tendência a se apegar à fantasia da realidade para encontrar sentido para a vida. Muita miséria, ao contrário do que a gente pensa, gera anomia, banditismo ou impotência e não revolta política organizada. (… vale ler tudo)
Quem acessa o conteúdo do blog paranaense de Esmael Morais, sabe que o blog se posiciona contra as políticas do governador Beto Richa (PSDB), do Paraná.
Semelhante a vários outros veículos (inclusive este), o blog do Esmael não concorda com diversos posicionamentos de Richa. Mas não se trata apenas de discordar. Morais se posiciona, tenta argumentar, mistura jornalismo e "blogagem" vinculando tanto liames quanto argumentos a respeito de suas discordâncias.
Advogados de Beto Richa já censuraram judicialmente o blog de Esmael. A última vez foi durante as eleições. Mas agora, além de intervir judicialmente no Brasil, eles também acionaram o próprio host (site de hospedagem) de Morais, o Just Host (situado nos EUA). O argumento no Just Host foi o de que Morais faz uma "campanha de ódio" contra Richa.
O caso evoca outro mais antigo, de José Sarney contra Alcinea Cavalcante. Alcinea lançou em seu blog (do Amapá) uma campanha intitulada "Xô Sarney!". Recebeu diversos processos. Retiraram o blog do ar. Contrariamente às expectativas de Sarney, o atentado à liberdade de expressão repercutiu muito, inclusive internacionalmente (e com prêmios de jornalismo pela coragem de Alcinea).
Embora sob outros conteúdos e temas, parece ocorrer no blog do Esmael algo não muito distante: políticos regionais censuram blogs com pauta local e contrária a seus interesses.
Basta imaginar Lula censurando Diogo Naimardi por seu livro "Lula é minha anta" supor alguma "campanha de ódio". Ou o "apedeuta" censurando o blog de Reivaldo Azemedo pelos anos de tratamento "cordial". Quais seriam os efeitos?
Com a diferença de que Morais não utiliza nem grunhidos, nem palavras de baixo calão. E outra: se as críticas recebem resposta dessa forma, é curiosa a própria forma de resposta. Como governador do Paraná, Richa poderia responder Morais em outro plano, por exemplo no debate de idéias e no esclarecimento público.
O vídeo acima foi divulgado pelo WikiLeaks há exatamente um ano (cobertura completa aqui). Trata-se do assassinato "colateral" de jornalistas (dentre outros imputados então como "insurgentes", crianças por exemplo) em 2007, por soldados em um helicóptero Apache.
Bradley Manning, soldado responsabilizado pela divulgação, foi preso e recebe tratamento desumano.
Dentre as vítimas está Namir Noor Eldeen, fotojornalista.
Esse foi um dos primeiros grandes vazamentos divulgados pelo WikiLeaks.