Não encontrei os links de alguns textos publicados recentemente, sobre muitos blogs se tornarem veículos de ódio. Às vezes o "negócio" esquenta nos blogs políticos, e via de regra pelo mesmo mecanismo: cada "lado" da discussão jogando acusações, ofensas, e farpas para o outro. O resultado é previsível. Algo como comportamento de trânsito, e torcida organizada. O que dá a péssima impressão de que o brasileiro só se manifesta publicamente com seus grunhidos privados. No país do jeitinho, dá-se um jeitinho para ser ouvido, nem que seja no grito.
Não encontrei também uma outra declaração recente, mas essa sim seria importante. Trata-se de um alto funcionário dos EUA que dizia, para os "intelectuais", e a propósito das guerras dos últimos anos, algo como "enquanto vocês pensam, nós agimos".
Passando para nosso contexto, essa frase diz tudo: enquanto certos comentadores e blogueiros se organizam como a Mancha Verde e os Gaviões, ao lado do quebra-quebra tudo se passa muito bem. Ao lado das brigas e grunhidos os acontecimentos passam, e mostram o óbvio: tal posicionamento resumido ao belicismo destitui os próprios debatentes de qualquer voz efetiva.
Precisamente essa é a brincadeira que faz Paulo Leminski no seu "Catatau": Descartes vem ao Brasil, e tenta "pensar" por aqui. Mas que nada, os desvarios pululam e formigam, os fumos corroem o cérebro, e tudo se passa muito bem sem o Pensamento. Este se torna apenas um adorno, empregado quando convém, para propósitos que não o requerem necessariamente. Pensar por aqui é uma grande piada!
A grande novidade dos blogs - ou melhor, a novidade das páginas pessoais, algo que se ignora e que já ocorria antes dos blogs - consiste em conferir voz ativa a indivíduos invisíveis, irrisíveis. No voto, uma voz se dissolve em milhões de outras. Mas uma página pessoal br.geocities.com/seunome ou fulano.blogspot.com é apenas um pouco mais difícil de lembrar do que qualquer domínio .com . Basta digitar, e lá está. O acesso, e o ‘risco’ da voz tornar-se efetiva, é muito maior (e ainda teríamos que pensar no fato de que é "maior" apenas para poucos).
Mas que nada, talvez seja melhor multiplicar os cunhadismos, os jeitinhos, e nos comportarmos como no estádio de futebol. Uma grande voz ampliada, às vezes muito bonita, que serve ao espetáculo, ou a quebra-quebras eventuais. E só.
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Sobre esse assunto, imperdível o post “
eu tenho a minha opinião, você tem a sua”, do NossaVia. Toca em um tema cada vez mais frequente: o de que discussões e verdadeiros debates são desfeitos, quando o interlocutor, não aceitando debater os argumentos, solta a pérola. Algo muito comum para evitar discussões em alguns ambientes universitários brasileiros, por exemplo