Alguns dias atrás conheci o Twitter. Aliás, conheci o twitter após ler um interessante informe sobre como esse instrumento pode auxiliar na educação.
Como o twitter é apenas uma plataforma, isso é interessante, o instrumento pode realmente auxiliar na educação, como qualquer outro instrumento também o pode. Mas… como um instrumento que permite digitar apenas 140 caracteres pode fornecer tal "auxílio"?
Talvez o twitter sirva de hipertexto - quadro geral, gratuito e acessível para agenciar contatos e possibilidades entre indivíduos. Mas o chamariz da plataforma é algo mais (ou menos) do que isso: "exchange of quick, frequent answers to one simple question: What are you doing?"
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O Inagaki nos apresentou o surpreendente caso de uma cantora chamada Susan Boyle: desempregada, tímida, recatada, com 47 anos, e feia.
Boyle participou de um desses "reality shows" onde se "descobrem" artistas. Esses shows, que possuem o objetivo principal de manter audiência e anunciantes, mesclam duas características principais: anônimos cantores, e anônimos toscos. Em meio aos anônimos toscos - a maioria, mero objeto de riso e talvez de quase toda a audiência -, os anônimos cantores despontam para o "sucesso", como se não existissem gravadoras e mercado fonográfico, mas um manto em nossos olhos que se desvelasse diante de tanto talento. Como se o diamente bruto se descobrisse ao vivo, nas câmeras, em um programa de televisão, semelhante aos outros reality shows nos quais podemos presenciar o nascimento de um "amor verdadeiro", a produção de um filme pornô, ou a importante decisão na vida de uma madame sobre fazer uma cirurgia de aumento dos seios.
O uso do "diamante bruto" é nítido em Boyle: a mulher feia e desarrumada, sem gestos artísticos, objeto de riso da platéia; depois, o canto sublime, e a surpresa geral. Finalmente, o pasmo de todos, prolongado pelo golpe na nossa espectativa de mais um cantor feio e ruim.
Boyle é diametralmente oposta a todo o "glamour" empurrado diariamente goela abaixo. C´est la vie. Assim se cria audiência. Mas e nos outros casos, nas cantoras boas e boazudas, como a audiência se faz?
Sobre isso basta pensar nos principais shows - e cantoras - com relativo sucesso. O que presenciamos? Basta ver os programas de domingo: primeiramente, não importam o tipo de música cantada, a ênfase toda se situa na entonação e na aparência. A música pode ser "Como nossos pais", ou qualquer outra: alegre ou triste, a cantora permanece sorrindo, como se a música mais intimista ou a mais extrovertida merecessem sempre as mesmas firulas de entonação e a mesma expressão corporal. Em segundo lugar, recursos de palco para chamar a atenção, sendo o mais notável as danças coreografadas (com ou sem outras dançarinas). Tudo, menos a interpretação do cantor.
Um dos casos mais agudos e anedóticos dos últimos tempos é o da cantora Beyoncé, "flagrada" com enchimento na calcinha. Há quem corrija a informação: não é enchimento, trata-se de um mero "suporte" para "valorizar" o traseiro. Há ainda quem tenha coragem de polemizar isso, por incrível que pareça. Mas com ou sem suporte na bunda, vemos bem que o principal interesse da audiência não se situa necessariamente na música.
Talvez as músicas não sejam tão boas, e por isso os recursos extras para conservar nossa atenção. Mas como la vie en close c´est une autre chose, talvez possamos perceber que, não importa os fatores, uma boa música nunca deixa de ser boa música, e uma interpretação louvável nunca perde seu valor.
Existem certos critérios, mais ou menos visíveis, que nos permitem constatar um verdadeiro cantor. E precisamente esse é o ponto: uma bela cantora nem sempre é uma cantora bela, por mais que tentemos esconder a música no meio de uma bunda. Mas existe alguma bela cantora feia? Estranho é colocar o atributo “feiura”, quando se admite estar na frente de uma bela cantora. Estranho é colocar a bunda na balança: desde quando ela melhora a interpretação? Enquanto prevemos a resposta, abaixo algumas interpretações de uma certa voz de diamante:
(more…)Na contramão de certos retrógrados (e até a França anda caprichando ultimamente, incrível!), o belo projeto Europeana:
(more…)Lançado como resposta ao programa de digitalização de livros do Google, o Europeana é um portal que reúne importantes acervos da Europa, com opção para pesquisa em português. São mais de 2 milhões de obras de naturezas muito diferentes, do retrato de Mona Lisa a um vídeo sobre a queda do Muro de Berlim, da Nona Sinfonia de Beethoven à Divina Comédia de Dante.
O Europeana estreou em novembro e saiu do ar, em seguida, porque recebeu cerca de 10 milhões de acessos por hora e não estava preparada. Com estrutura reforçada, começa agora a liberar, aos poucos, seu conteúdo aos internautas. O endereço é http://www.europeana.eu
O acervo pertence a mais de mil instituições. O portal oferece opções de leitura nas 23 línguas oficiais da União Européia, mais o catalão. [fonte]
Surpreende-me que vários jornalistas me tenham perguntado pela minha condição de blogueiro quando tínhamos atrás o anúncio de uma exposição estupenda, a que é organizada pela Fundação César Manrique no Instituto Tomie Ohtake, com os máximos representantes e patrocinadores, e com a apresentação de um novo livro à vista. Mas a muitos jornalistas interessava-lhes a minha decisão de escrever na “página infinita da Internet”. Será que, aqui, melhor dito, nos assemelhamos todos? É isto o mais parecido com o poder dos cidadãos? Somos mais companheiros quando escrevemos na Internet? Não tenho respostas, apenas constato as perguntas. E gosto de estar escrevendo aqui agora. Não sei se é mais democrático, sei que me sinto igual ao jovem de cabelo alvoroçado e óculos de aro, que com os seus vinte e poucos anos, me questionava. Seguramente para um blog.
Heavy Metal in Baghdad é um documentário sobre uma banda chamada Acrassicauda (nome latino de um escorpião encontrado no Iraque). As filmagens seguem a história da banda desde a queda de Saddam, até hoje. Segundo os diretores, uma banda de Heavy Metal em um país islâmico diria muito a respeito do perfil e desafios da juventude iraquiana.
Uma boa pergunta é se a juventude é protagonista nesses perfis e desafios. Para compor esse panorama, passaríamos por blogues iraquianos como o Interps Life e o Star from Mosul.
Se a banda é boa? Alguns vídeos para tirar conclusões. Mais informações no Wiki e no MySpace (com músicas).
Mudando radicalmente de assunto, o Museu de Israel traz material precioso sobre as tribos antigas que viviam na região. Inclusive a reprodução de antigos pergaminhos, como esse de 2000 anos, do Livro de Isaías.