December 11, 2009

Evangélicos, São Paulo, o irracionalismo e a oração da propina

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Caravaggio, A conversão de São Paulo a caminho de Damasco (1600-1601)

Alguns dias atrás Antonio Cicero publicou um texto muito interessante, sobre ressonâncias contemporâneas de São Paulo focadas ou em seu "universalismo", ou no "irracionalismo". Por vezes, conforme Cícero, adota-se o universalismo esquecendo que também Paulo tem sua dose (ou pelo menos legado) de obscurantismo irracionalista:

Um famoso hino alemão oriental dizia: “Die Partei hat immer Recht”, isto é, "o Partido sempre está certo". Tal secularização do pensamento religioso constitui o ápice do irracionalismo e acabou por produzir incalculável sofrimento. As terríveis experiências do século 20 apenas confirmam empiricamente algo que, por direito, já se sabe desde a Ilustração: nem a Igreja, nem a Bíblia, nem o Partido, nem o líder genial, nem as massas, ninguém é capaz de sempre estar certo. Nada está acima de ser criticado. Por isso, a sociedade aberta, os direitos humanos, a livre expressão do pensamento, a maximização da liberdade individual compatível com a existência da sociedade, a autonomia da arte e da ciência etc. são exigências inegociáveis da crítica, isto é, da razão.

O texto de Cicero é mais interessante ainda no contexto de alguns informes deste blog, por exemplo sobre a auto declarada "psicóloga evangélica": ela foi censurada pelo Conselho Federal de Psicologia por misturar psicologia e religião e prometer "curar" homossexuais. Não é que os advogados de tal mistura essencialmente obscurantista utilizam precisamente as passagens irracionalistas de Paulo? E ainda, as mesmas citadas por Cícero:

 Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e rejeitarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde está o homem culto? Onde está o argumentador deste século? (…) 1Cor 1,19-20

e

Ninguém se iluda: se alguém dentre vós julga ser sábio aos olhos deste mundo, torne-se louco para ser sábio; pois a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus. E ainda: O Senhor conhece os raciocínios dos sábios; sabe que são vãos

Cícero cita ainda Ro 1:21-22, "Pois, tendo conhecido a Deus, não o honraram como Deus nem lhe renderam graças (…) se perderam em vãos arrazoados (…)".

Dentro do contexto discutido (ou, para alguns, monologado) naquele informe do Catatau, essas passagens são plenas de significado. Pois o curioso é o recurso a elas representar algo correlato à Lei de Godwin: "você veio com argumentos racionais, não é? Mas não é esse o meu nível; meu nível é o de uma sublime irracionalidade, e Paulo, que trouxe essa verdade irracional identificada à Verdade, o diz".

Claro que os usuários desse desargumento paulino também não se privam de empregar a Lei de Godwin. Paulo com Hitler? Incrível é a possibilidade de utilizar o "argumento" em qualquer contexto no qual se pretende calar uma discussão e - isso é o mais irônico - ficar com "a razão". Não é a razão, mas é ao mesmo tempo a razão porque é "divina". Olha ele operando aqui, por exemplo (exatamente com a passagem citada por Cícero!).

Felizmente, o argumento não é um argumento. No máximo, não passa de uma desqualificação barata. Barata, mas de grandes implicações: aquele que diz isso não o faz como na Lei de Godwin, uma desqualificação pura e simples. A Lei de Godwin é uma desqualificação do outro; o uso de Paulo, aqui, é uma desqualificação tomando a si mesmo como parâmetro de "veracidade"; não apenas um recurso para "vencer" o debate, mas de quebra uma tentativa de identificar a própria palavra (ou a ausência dela) com a universalidade. Ou mais especificamente, trata-se de uma desqualificação do outro tomando a própria visão como parâmetro universal, identificada com uma interpretação ingênua das palavras de Paulo (ou quem sabe outros, conforme as conveniências). O emprego de Paulo é no fundo apenas um subterfúgio, assumido por desinformação ou má fé.

Senão, vejamos uma regrinha básica de leitura da Bíblia, a pergunta sobre para quem Paulo escrevia, ou em que contexto. Na Carta aos Corintios, coloca-se o problema da coesão da comunidade frente às práticas gentias de um lado e o pensamento estrangeiro (notadamente as filosofias gregas) de outro. A Carta coloca o problema da unidade da comunidade, que como se sabe é uma das primeiras comunidades cristãs, imersa no múltiplo mundo pagão.

Como manter-se cristão no mundo pagão? A Carta põe vários exemplos. Em primeiro lugar, não se pode ser "de Paulo" ou de qualquer outro. Todos são "de Cristo", a comunidade cristã se unifica por não haver um arauto maior do que outro (isso dividiria a comunidade), mas por uma espécie de igualdade imediata (ou pelo menos a pretenção dela) na qual todos se reconhecem como cristãos, e portanto não-pagãos.

Disso se seguem na Carta pelo menos duas vias de "argumentação" (pelo menos aqui interessantes): em primeiro lugar, uma demarcação das práticas cristãs, contrárias às pagãs; e em segundo, a unificação dessas práticas em torno do que Paulo chama de Igreja (assembléia ou ἐκκλησία), reunião de fiéis.

Talvez as citações "irracionalistas" acima se coloquem precisamente no contexto da demarcação da "comunidade cristã", em detrimento dos pagãos. Paulo reitera as diferenças a todo momento, das práticas sociais até mesmo às mais íntimas e sexuais. Diversos fiéis se envolvem com práticas doravante "moralmente negativas" ao cristão. Diante deles, Paulo tipifica cada prática, aponta o caráter negativo e o contrapõe à conduta conforme à "comunidade".

Uma dessas práticas pagãs, como se sabe, é a "filosofia", ou pelo menos certas escolas ou receitas práticas de gnose ou sabedoria difundidas na época (os judeus tinham a tipificação das condutas na halaká). A multiplicidade dessas escolas e seu lugar relativamente cotidiano coloca pelo menos dois problemas aos cristãos: em primeiro lugar, as comunidades cristãs são apenas uma "opção" dentro de um universo de outras "comunidades" da época; em segundo, como a própria história dos textos sagrados mostra (penso em Caos, Cosmos e o Mundo que Virá, de Norman Cohn), em tal mundo múltiplo o risco de "contaminação" das crenças é enorme. O risco de relativizar a crença cristã ou misturá-la com outros julgamentos é tão grande quanto existem outras escolas de "pensamento" e outros modos de vida na época.

Provavelmente o irracionalismo paulino provém desse tipo de contexto. A "sabedoria humana" é "loucura" para Deus, e a sabedoria divina é "loucura" para o homem. De um lado figuraria o caráter finito do conhecimento humano e a impossibilidade dele se sustentar em si mesmo; de outro, a sabedoria infinitamente superior de Deus limitaria qualquer tentativa finita de delimitá-la. Duplo sentido: a sabedoria humana (especificamente pagã) é vã, porque humana; e por outro lado, os cristãos, advogados dessa sabedoria "infinita" porém inacessível, cairiam para alguns em descrédito (esse é um dos temas da Carta), pois quem advoga aquilo que não sabe?

Como alguém advoga aquilo que não sabe? O decorrer da Carta nos mostra a segunda opção acima: não há "Igreja", "assembléia" ou "comunidade cristã" sem pelo menos uma dupla identificação dos fiéis: identificação de estados de espírito, e também uma espécie de compartilhamento das inteligências. Em 1Cor 14, ao falar do rito da "oração em línguas estranhas", Paulo emprega duas noções importantes, os gregos nous (νους) e pneuma (πνευμα):

O mesmo acontece convosco a respeito das línguas: se não pronunciais palavras inteligíveis, como se entenderá o que dizeis? Estaríeis falando ao vento.
Existem no mundo não sei quantas espécies de linguagem, e nada carece de linguagem/sentido
Ora, se não entendo o significado de uma língua, sou como um bárbaro para aquele que fala e aquele que fala é como um bárbaro para mim.
Assim também vós: já que aspirais aos dons do Espírito, procurai tê-los em abundância, para a edificação da Igreja.
É por isto que aquele que fala em línguas deve orar para poder interpretá-las.
Se oro em línguas, o meu espírito está em oração, mas a minha inteligência nenhum fruto colhe (1Cor 14, 9-14) 

Paulo coloca a "oração em línguas" ao lado das línguas dos bárbaros. Nada carece de linguagem ou sentido, para cada falante há um sentido. Mas isso cria para o fiel uma armadilha, expressa no último versículo: um estado de espírito puro e simples do fiel não traz "fruto" algum, pois colhe-se o "fruto" quando a "espiritualidade" se une à "inteligência". E inteligência, como se percebe, não diz respeito ao puro julgamento privado, mas ao apelo às outras inteligências. O fiel que apenas "ora em línguas", ou melhor traduzindo, o fiel que busca impor práticas e interpretações privadas não traz frutos à comunidade dos fiéis, pois se assemelha ao bárbaro.

Pior ainda: quando o fiel não se atém ao julgamento alheio ele faz exatamente o contrário do que prega Paulo na Carta: em uma comunidade ameaçada pela fragmentação, tal fiel escolhe ser um Partido entre outros, ameaçando o próprio pressuposto do caráter unitário da comunidade:

"Se deres graças com teu espírito, como responderá amém à tua ação de graças aquele que ocupa um lugar particular, se não sabe o que dizes?" (1Cor 14, 16).

O "particular" acima é traduzido de diversos modos: "privado", "próprio", e até "indouto". Mas provém de uma palavra grega muito importante em várias tradições: ιδιωτου, idiotou. E aí a importância do papel eclesial ou comunitário da "assembléia" ou "igreja", relacionado à comunicação entre as inteligências, contrapõe-se em Paulo à ausência de "frutos" ou comunicação vinda dos bárbaros, quando se busca universalizar um estado de espírito idiotou, particular. A "inteligência" (νους) está para a Igreja (ἐκκλησία) assim como o estado de espírito puro e simples está para o bárbaro e o lugar despótico do ιδιωτου. E Paulo reforça:

"Mas numa assembléia (ἐκκλησία), para instruir os outros, prefiro dizer cinco palavras inteligíveis do que pronunciar dez mil misteriosas" (14,19).

Podemos retornar agora ao texto de Cícero. Ele mencionou uma série de tentativas de atualizar Paulo e esse caráter comunitário, entrevistas não mais nos cristãos frente aos pagãos, mas na inteira universalidade humana. Em tal universalidade o uso da razão e da crítica confeririam um caráter comunitário por excelência, enquanto os juízos privados alçados à universalidade resultam na "secularização do pensamento religioso" e no "ápice do irracionalismo". Provindo de pretensos fiéis ou não, este é o princípio do fascismo e do fundamentalismo, a identificação de certas inspirações privadas com verdades universais (e não importa aqui o número de adeptos, mas simplesmente seu fechamento no idiotismo), trocando a discussão comum pela simples imposição (não necessariamente coerciva).

Em um texto exemplar sobre esse tipo de discussão, Diego Viana parte do problema da comunidade no protestantismo luterano (vale ler o texto inteiro, pois Diego parte do "debate" acima e extrai, para além dele, todos os elementos desse tipo de discussão):

 O fato é que Lutero pregava a salvação pela graça e a orientação pelo recolhimento diário para leitura e exegese dos textos sagrados cristãos, no âmbito individual e, por extensão, comunitário. Salientar o comunitário como extensão do individual é de fundamental importância para não cair no erro de determinados argumentadores, sobretudo evangélicos, como o [pastor em questão]. Dentro de uma comunidade bem delimitada, a aceitação (leia-se fé) de algumas interpretações básicas das escrituras funciona como conjunto de postulados para promover a vida religiosa comunitária, calcada sobre um desenvolvimento conjunto, no interior daquela coletividade específica e delimitada, de uma compreensão global dos textos sagrados. Não é à toa que grande parte da teologia e do pensamento político alemães partem da noção de comunidade.

O que tenta fazer o intérprete leviano do sola scriptura e do sola fides é incinerar o conceito de comunidade. Mas, como algum tipo de formulação coletiva é necessária num universo não-autista como o nosso, o que acaba acontecendo é algo profundamente perigoso: a comunidade é engolida pelo conceito de indivíduo. Isso permite a qualquer fiel isolar um versículo, aplicá-lo a algo em que tem convicção, e alardear suas próprias conjecturas como sendo a palavra de Deus.

A armadilha não poderia ser mais clara. O raciocínio por trás dessa atitude considera como verdadeira a seguinte conseqüencia: se os textos sagrados manifestam a palavra de Deus, então tudo que pode ser tirado de um texto sagrado manifesta a palavra de Deus. É um evidente caso de premissa omitida. Mesmo admitindo que toda escritura manifesta a palavra de Deus, quem “tira” interpretações desses textos não é Deus. São homens, mesmo que eles se creiam inspirados pelo Espírito Santo.

O que, a princípio, poderia vir salvar essa leitura solipsista das escrituras é o sola fides. Ora, lembremos que o sola fides é um rumo para a salvação, quase um atestado de “adesão” ao sola gratia, considerado em geral o princípio fundamental do luteranismo e retomado pela maior parte das denominações protestantes. Portanto, ele não pode ser usado como princípio que valide argumentos de cunho social, isto é, coletivo. O motivo é muito simples: não há mecanismo individual nenhum para assegurar o fiel de que sua fé está bem encaminhada; a própria Bíblia possui mais de um trecho destinado a alertar o fiel para a projeção em Deus de suas próprias convicções.

Vale reler a citação acima (e as questões extraídas pelo Diego Viana no texto inteiro): Lutero ataca certo tipo de fé desvinculado da comunidade, tentando restabelecer a necessidade desse apelo comunitário. "Não há mecanismo individual nenhum para assegurar o fiel de que sua fé está bem encaminhada", retirar passagens soltas da Bíblia como se lê Torres Pastorino não atesta palavra divina alguma, apenas um artifício arbitrário do fiel. Não se recorre à "Palavra" (como se diz por aí), mas apenas a si mesmo.
 
Pior: se nesse contexto a leitura solta parte de um aglomerado de idiotias (digamos assim), tais arbitrariedades se julgam imediatamente capazes de garantir a salvação do outro e a própria, eliminando qualquer possibilidade de pergunta sobre o que se faz consigo ou com o outro.
 
Diego aponta a conclusão inevitável: isso "incinera" a fé e o princípio de comunidade. De certo modo Paulo, e depois Lutero e essas  tentativas de atualizar a "universalidade" paulina, estabelecem uma tensão: de um lado a abertura da pergunta (o "Deus invisível", a "loucura" da Cruz, etc.); de outro o apelo à comunidade ou à consciência/inteligência alheia. O rompimento dessa tensão culminaria de um lado no fanatismo e de outro no fascismo. Como se a chamada "universalidade cristã"  (ou pelo menos o legado dela) se ligasse de um lado à abertura da fé, e de outro à circunscrição dessa fé dentro de um mundo mediado pelos outros e pela razão alheia. Como se o circuito se tornasse virtuoso, vinculando a pergunta à figura do outro, ao contrário do círculo vicioso do fanático e do fascista, que vinculam as próprias respostas à incondicional adesão alheia.
 
Talvez nesse contexto preciso possamos ler a agora famosa "oração da propina", ainda fresca na memória do brasileiro:
Pai, quero te agradecer por estarmos aqui, sabemos que nós somos falhos, somos imperfeitos, mas é o teu sangue que nos purifica. Pai, nós somos gratos pela vida do Durval ter sido instrumento de bênção para nossas vidas, para essa cidade. Tantas são as investidas, Senhor, de homens malignos contra a vida dele, contra nossas vidas. Nós precisamos da Tua cobertura e dessa Tua graça, da Tua sabedoria, de pessoas que tenham, Senhor, armas para nos ajudar essa guerra. Acima de tudo, Senhor, todas as armas que podem ser falhas, todos os planejamentos podem falhar, todas as nossas atividades, mas o Senhor nunca falha. ..O Senhor tem pessoas para condicionar e levar o coração para onde o Senhor quer. A sentença é o Senhor que determina. O parecer, o despacho é o Senhor que faz acontecer. Nós precisamos do livramento da vida do Durval, dos seus filhos, dos seus familiares. O Senhor é a nossa Justiça.
 

November 25, 2009

A Guerra em imagem congelada

A imagem acima (AP Photo/Maya Alleruzzo) foi publicada no Big Picture, com outros retratos de novembro no Afeganistão. Soldados distribuem doces para as crianças, que se acotovelam (ou até mordem) para obter algum.

De algum modo o conjunto da foto, detalhe a detalhe, simboliza tão bem a situação quanto essa outra imagem (da Reuters) representa a guerra no Iraque.

November 22, 2009

O mundo de 2012

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2012 apresenta um mundo apocalíptico e o fim da humanidade. Mas será que apresenta só isso?

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November 20, 2009

Obsessão Polar

 

Um fotógrafo chamado Paul Nicklen trabalhava no ártico quando foi surpreendido por um grande leopardo marinho. "Surpreendido" não apenas pelo tamanho, mas pelo modo como o animal agiu. O relato é incrível. Tanto quanto suas fotos.

October 30, 2009

A era “pós-teórica”

Na era da informação, muitos asseguram que as "teorias" se "dissolvem".

Ontem Fabiano Angelico, do Transparencia Brasil, vinculou um interessante texto sobre como nossa época se definiria pelo abandono das "teorias" em nome de um caráter imediato e imperativo da "prática" (como se isso não fosse uma baita teoria), dado vivermos na era da informação e a teoria ser um índice de ausência de informação:

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October 15, 2009

A Culpa é da Filosofia

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September 25, 2009

Viagem

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Tunner : We’re probably the first tourists they’ve had since the war.
Kit Moresby: Tunner, we’re not tourists. We’re travelers.
Tunner : Oh. What’s the difference?
Port Moresby: A tourist is someone who thinks about going home the moment they arrive, Tunner.
Kit Moresby : Whereas a traveler might not come back at all.
Tunner: You mean I’m a tourist.
Kit Moresby : Yes, Tunner. And I’m half and half.

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September 11, 2009

Nanawatai

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Existem poucos filmes sobre as participações "ocidentais" no Afeganistão, e as histórias nunca deixaram as controvérsias de lado. Quem não lembra do antigo "blockbuster" Rambo III, "dedicado ao galante povo afegão" (sic) contra os temíveis russos? Em 2007, um filme russo, chamado Nono Pelotão, tentava relativamente redimir os soldados russos em meio a uma guerra perdida e sem sentido. Mostrando o treinamento de uma equipe (mais ou menos como em Nascido para Matar), o filme se encerra nas primeiras operações efetivas, onde o treinamento cede lugar à guerra real e exige a participação dos companheiros.
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September 1, 2009

Psicólogos, médicos e torturadores

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Em 2006 Michael Winterbottom lançou um documentário muito bom, chamado Road to Guantanamo. Conta a história de três jovens paquistaneses, confundidos com "terroristas" durante todos os humores aflorados depois do 11 de setembro.
 
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August 21, 2009

As “primeiras impressões” de Vladimir Arseniev

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