April 3, 2008

Encontrada caverna mítica de Rômulo e Remo

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April 2, 2008

Primeira Guerra em tempo real

 
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O Editor do blog WW1 reproduz, em tempo real, cartas de seu avô, enviadas 90 anos atrás diretamente do front. Créditos pelo achado, e mais informações, no texto de Graziela Beting
 
Sobre a Primeira Guerra, o Catatau publicou esse informe, com dados sobre a participação de Tolkien. Numa das fontes, diz-se que Un long dimanche de fiançailles é a melhor produção cinematográfica sobre a Guerra. É do mesmo diretor de Amelie Poulain, e tem traços bem parecidos com este filme, mais conhecido.

March 27, 2008

Revisionistas recontam a história de Stalin

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O História Viva publicou um texto interessante intitulado Stalin: uma lenda fabricada sob medida, de François Kersaudy. 
 
Vale visitar também um site inteiramente dedicado à sua biografia, com diversas fotos. 
 
A respeito da Revolução Russa, vale rever os links do informe sobre os 90 anos, pós 1917. Farto material documental.
 

March 17, 2008

Os arquivos da Inquisição, e o julgamento de Galileu Galilei

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Muito se diz sobre a Idade Média ser uma "idade das trevas", repleta de preconceitos, opressões e práticas bárbaras. Em via contrária, cada vez mais se propaga que a Igreja era a única instituição ainda existente com uma dose mínima de coerência, durante a época: nela ela confluiu o que se poderia chamar de "conhecimento" e "moral", para além de todos os recortes fragmentários.
 
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March 13, 2008

A mais antiga organização terrorista

Complete as linhas abaixo, buscando também deduzir a quem se referem as passagens em colchetes:

A mais antiga organização conhecida, que exibia aspectos de uma organização terrorista, eram os __________. Conhecidos pelo [poder central] como ______ ou ________, empreenderam uma campanha subterrânea de assassinatos das forças de ocupação, bem como de muitos conterrâneos considerados como colaboradores do [poder central]. Sua motivação era a inflexível crença de que não poderiam permanecer fiéis aos ditames [de seu credo] enquanto vivessem perante a sujeição [imposta pelo poder central].    

Substituí os termos para a brincadeira não ficar evidente. Mas dada a maneira como os elementos acima se dispõem, a resposta e o tipo de debate relacionado podem ser interessantes.

February 19, 2008

Mensaje del Comandante en Jefe - Mensagem de “renúncia” de Fidel Castro

Fidel Castro renuncio - Fidel Castro renunciou

Como não citar?

Les prometí el pasado viernes 15 de febrero que en la próxima reflexión abordaría un tema de interés para muchos compatriotas. La misma adquiere esta vez forma de mensaje.

Ha llegado el momento de postular y elegir al Consejo de Estado, su Presidente, Vicepresidentes y Secretario.

Desempeñé el honroso cargo de Presidente a lo largo de muchos años. El 15 de febrero de 1976 se aprobó la Constitución Socialista por voto libre, directo y secreto de más del 95% de los ciudadanos con derecho a votar. La primera Asamblea Nacional se constituyó el 2 de diciembre de ese año y eligió el Consejo de Estado y su Presidencia. Antes había ejercido el cargo de Primer Ministro durante casi 18 años. Siempre dispuse de las prerrogativas necesarias para llevar adelante la obra revolucionaria con el apoyo de la inmensa mayoría del pueblo.

Conociendo mi estado crítico de salud, muchos en el exterior pensaban que la renuncia provisional al cargo de Presidente del Consejo de Estado el 31 de julio de 2006, que dejé en manos del Primer Vicepresidente, Raúl Castro Ruz, era definitiva. El propio Raúl, quien adicionalmente ocupa el cargo de Ministro de las F.A.R. por méritos personales, y los demás compañeros de la dirección del Partido y el Estado, fueron renuentes a considerarme apartado de mis cargos a pesar de mi estado precario de salud.

Era incómoda mi posición frente a un adversario que hizo todo lo imaginable por deshacerse de mí y en nada me agradaba complacerlo.

Más adelante pude alcanzar de nuevo el dominio total de mi mente, la posibilidad de leer y meditar mucho, obligado por el reposo. Me acompañaban las fuerzas físicas suficientes para escribir largas horas, las que compartía con la rehabilitación y los programas pertinentes de recuperación. Un elemental sentido común me indicaba que esa actividad estaba a mi alcance. Por otro lado me preocupó siempre, al hablar de mi salud, evitar ilusiones que en el caso de un desenlace adverso, traerían noticias traumáticas a nuestro pueblo en medio de la batalla. Prepararlo para mi ausencia, sicológica y políticamente, era mi primera obligación después de tantos años de lucha. Nunca dejé de señalar que se trataba de una recuperación "no exenta de riesgos".

Mi deseo fue siempre cumplir el deber hasta el último aliento. Es lo que puedo ofrecer.

A mis entrañables compatriotas, que me hicieron el inmenso honor de elegirme en días recientes como miembro del Parlamento, en cuyo seno se deben adoptar acuerdos importantes para el destino de nuestra Revolución, les comunico que no aspiraré ni aceptaré- repito- no aspiraré ni aceptaré, el cargo de Presidente del Consejo de Estado y Comandante en Jefe.

En breves cartas dirigidas a Randy Alonso, Director del programa Mesa Redonda de la Televisión Nacional, que a solicitud mía fueron divulgadas, se incluían discretamente elementos de este mensaje que hoy escribo, y ni siquiera el destinatario de las misivas conocía mi propósito. Tenía confianza en Randy porque lo conocí bien cuando era estudiante universitario de Periodismo, y me reunía casi todas las semanas con los representantes principales de los estudiantes universitarios, de lo que ya era conocido como el interior del país, en la biblioteca de la amplia casa de Kohly, donde se albergaban. Hoy todo el país es una inmensa Universidad.

Fidel Castro Ruz

18 de febrero de 2008

***

E o História Viva publicou uma grande entrevista de Fidel, concedida a Ignacio Ramonet:

Se você, por qualquer circunstância, desaparecesse, Raúl seria seu substituto indiscutível?
Se amanhã me acontece alguma coisa, com toda a certeza a Assembléia Nacional se reúne e o elege, não resta a menor dúvida. O Escritório Político se reúne e o elege. Mas ele já tem quase a minha idade, está me alcançando, é um problema de geração. Temos sorte de os que fizeram a Revolução já terem formado três gerações. Também não se pode esquecer dos que nos precederam, os antigos militantes e dirigentes do Partido Socialista Popular, que era o partido marxista-leninista, e conosco veio uma nova geração. E depois, a que vem atrás de nós, e imediatamente depois, as da campanha de alfabetização, da luta contra bandidos, contra o bloqueio, contra o terrorismo, da luta em Girón, dos que viveram a Crise de Outubro, as missões internacionalistas… Muita gente com muitos méritos. E muita gente na ciência, na técnica, heróis de trabalho, intelectuais, professores. Essa é outra geração. Somem-se os que agora são da Juventude e universitários e assistentes sociais, com quem temos as relações mais estreitas. Sempre houve relações estreitas com os jovens e os estudantes. [continua…]

Ramonet lançou Fidel Castro: uma biografia a duas vozes, publicada no Brasil pela Boitempo. Outra biografia, supervisionada pelo próprio Castro, foi escrita por Cláudia Furiati (os dois links com resenhas, e link para pesquisa de preços).

*** 

Com o layout novo, e a ausência dos links adicionais do del.icio.us na barra lateral, falta ainda editar o blogroll. As letras estão pequenas, mas normalizar tudo é apenas questão de tempo. Enquanto isso, continuamos compartilhando links e mais links adicionais no feed rss. Constam lá ainda as mesmas notícias, e referências sobre recursos, músicas, filmes e blogs.

February 14, 2008

Os arborígenes e o perdão

aborigine, arborigines

imagem daqui 

Palavras do primeiro-ministro australiano Kevin Rudd, sobre a obrigatória inserção cultural dos arborígenes nos padrões brancos, durante o século XX:

Às mães e aos pais, aos irmãos e às irmãs, pela ruptura de famílias e comunidades, pedimos perdão. Pela indignidade e pela degradação assim infligida a um povo orgulhoso e a uma cultura orgulhosa, pedimos perdão

A BBC publicou relatos de Arborígenes destituídos de suas identidades culturais. Como o de Ruby Hunter:    
 They told my grandmother that they were going to be taking us to the circus. (…)

We never ended up in a circus - we ended up in a police station. I remember the bars.

From there, another car picked us up and drove us. We never got back to our grandmother.

When I first met my foster people, the lady took me to their house and said, ‘This will be your house, and the people in this house you can call mum, dad, auntie or uncle’.

E dada a aculturação, alguns encontram modos curiosos de "contar suas próprias histórias".
 

January 23, 2008

Flashback

“O governo que instalamos é de tipo britânico e sua língua é o inglês. Lá temos 450 agentes de execução para fazê-lo funcionar, sem nenhum responsável iraquiano. (…) Os 80 mil soldados que temos ali estão ocupados com tarefas policiais, não com a proteção das fronteiras. Eles mantêm o povo sob o nosso jugo. (…) Os iraquianos esclarecidos se sentem muito irritados por serem privados do privilégio de compartilhar a defesa e a administração de seu país. (…) Eles esperaram pela notícia de nosso mandato e a acolheram bem. (…) Agora, começam a duvidar de nossas boas intenções.”
O trecho acima foi escrito em 1920, a respeito de outra invasão do Iraque. Rémi Kauffer explora antigos acontecimentos, e suas ressonâncias com outros, bem atuais. 

December 5, 2007

Marxismo e Bolivarismo

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Em 1858, Marx escreveu um texto chamado ‘Bolivar y Ponte‘. Segundo Marx, Bolivar havia recebido de Francisco de Miranda, em 1811, a incumbência de guardar o forte de Puerto Cabello - local estratégico - contra os espanhois. Após um pequeno motim de prisioneiros, Bolivar fugiu, favorecendo a retomada do forte pelos dominadores, e obrigando posteriormente Miranda a assinar em 1812 o Tratado de La Victoria. Após a assinatura do Tratado, Miranda foi acusado de traidor, aspecto que fez Bolivar, com outros, entregá-lo ao governo espanhol. Miranda foi preso até falecer no cárcere, alguns anos depois.  

Em 1813, Bolívar se encontrou em Cartajena com José Felix Ribas, formando com ele um exército que rumou à "primeira" independência da Venezuela. Após uma nova fuga de Bolivar - para a Jamaica -, Ribas foi fuzilado pelos espanhois. Outro acontecimento parecido foi a morte de Manuel Carlos Piar, líder da emancipação da Guiana. Ele foi morto - também segundo Marx - após um complô, resultante de sua inimizade com Luis Brion, e de declarações sobre Bolívar ser um "Napoleão das Retiradas".  

Os relatos de Marx sobre as retiradas, a pomposidade, e a pouca prudência de Bolivar permanecem até o fim do texto ("Se Bolívar houvesse avançado com resolução, só suas tropas européias teriam bastado para aniquilar os espanhóis. Porém preferiu prolongar a guerra cinco anos mais"; "A posição do inimigo [em número absolutamente inferior] pareceu tão imponente a Bolívar, que propôs a seu conselho de guerra a realização de uma nova trégua, idéia que, no entanto, seus subalternos repeliram"; "Um rápido avanço do exército vitorioso teria produzido, inevitavelmente, a rendição de Puerto Cabello, porém Bolívar perdeu seu tempo fazendo-se homenagear em Valenda e Caracas"). Tanto como menções a pretensões unificadoras e ditatoriais, que renderam os projetos de um código boliviano para o que hoje são a Colômbia, Venezuela, Bolívia e Peru, mas que foram mal sucedidos. Ainda, Marx credita grande parte do sucesso de Bolivar ao apoio dos ingleses, interessados na independência daquelas colônias espanholas. Como mencionaria em uma carta a Engels, no mesmo ano, é o "canalla más cobarde, brutal y miserable. Bolívar es el verdadero Soulouque".

Sobre a unificação mencionada por Marx, a idéia de uma "Colômbia" unida, pátria una dos povos latino-americanos, provavelmente veio de Francisco de Miranda. Menciona-se que a "Colômbia", como grande país, serviria para rechaçar definitivamente os espanhois, sem oferecer possibilidades de recompor novas forças dominadoras. Ainda, alguns sugerem que a análise de Marx conteria erros históricos (uma boa questão a ser elucidada).

Dada a referência de Marx, e o tom conferido por ele à figura do homem Bolívar, é interessante buscar saber como as inspirações "bolivarianas" se uniram a certo marxismo, no século XX. Um "marxismo bolivariano", em termos gerais, provavelmente significa uma espécie de emancipação da América Latina, em direção a elementos socialistas. Essa emancipação parece carregar outros temas gerais: o de uma nação colombiana, nos termos acima, e o de um socialismo singular, para cada localidade.

Para dar um exemplo, em 1969 Jorge Abelardo Ramos escreveu um texto chamado Bolivarismo y marxismo . Lá ele aponta que, ao contrário do que ocorreu com Stalin, a Revolução diria respeito a cada local particular, não a moldes prévios:

La nación latinoamericana, que hacia 1910 sólo vivía como un eco intelectual de las viejas batallas, comienza a ser una realidad en la Cuba socialista de medio siglo más tarde. En esta penosa y heroica marcha, el plan bolivariano sólo podrá desenvolverse bajo las banderas del socialismo. Ese socialismo posee ya una inflexión propia, una especificidad latinoamericana.

(…) Luego, con el triunfo del stalinismo, fue exportado un artículo híbrido llamado marxismo leninismo, parido por los obtusos burócratas. El descrédito intelectual de semejante ersatz ya no requiere demostración.

(…) Bastará recordar que en cada oportunidad en que el staíinismo divisaba una revolución nacional en el horizonte, se incorporaba rápidamente al bloque de las fuerzas oligárquicas que la enfrentaban. Esto ocurrió en Brasil, en Argentina, en Cuba, en toda América latina. Sólo advertían que una revolución vivía cuando ésta había triunfado; si no habían logrado impedir su victoria, se plegaban a ella para estrangularía desde el poder. Tal es la crónica del stalinismo en Cuba, con su oscura legión de Escalantes y escaladores. Cuando la revolución estaba bajo la dirección nacionalista, como en el caso de Perón, el stalinismo se unía estrechamente, antes, durante y después de su gobierno, con las fuerzas más negras de la reacción.

La propia expresión del marxismo leninismo reflejaba en la esfera semántica el sello de una política ajena. Pues toda la grandeza de Lenin como político habla residido justamente en su admirable aptitud para interpretar a su país tal como era; por el contrario, la "rusificación" de la Internacional comunista después de su muerte invirtió el método leninista. Una caricatura trágica de ese método transformó fórmulas que habían resultado óptimas para la lucha política en el imperio zarista en la clave de todas las derrotas del último medio siglo.

Vê-se o tom: enquanto a revolução de 1917 levaria em conta o regime czarista, e as características locais da Rússia, o advento do stalinismo engessaria o processo revolucionário, criando um molde "marxista-leninista", ou apenas estendendo os braços da URSS para outros países. Em contraposição à exportação desses modelos híbridos, o marxismo-bolivarista diria respeito às singularidades latino-americanas. Menos do que o "homem" Bolívar, ver-se-ia nessa "idéia bolivariana" uma correspondência com as inspirações originais da revolução socialista.

Atentar-se à idéia da "singularidade" venezuelana parece ser a idéia central do regime de Hugo Chavez (embora tenhamos o cuidado prévio de não associar imediatamente Abelardo Ramos com o presidente venezuelano, mesmo que o tema indique certa proximidade). Nesse sentido, ele une dois termos: "revolução bolivariana", e "socialismo do século XXI".

Curioso notar que, conforme seus defensores, o primeiro termo indica algo mais, diante do quadro exposto acima (um "marxismo", que é "bolivarista"). A Revolução Bolivariana

puede ser definida como un proceso de transformación caracterizado por cuatro macrodinámicas: 1. la revolución antiimperialista; 2. la revolución democrática-burguesa; 3. la contrarrevolución neoliberal; 4. la pretensión de llegar a una sociedad socialista del siglo XXI.

Cada una de esas dinámicas es un frente de guerra en el cual la Revolución puede triunfar o ser derrotado. La dinámica antiimperialista es antagónica a la Doctrina Monroe y los intereses imperialistas de la Unión Europea. La dinámica democrática-burguesa es antagónica a la dinámica neoliberal, porque significa: a) la construcción de un Estado de Derecho y, b) el desarrollo de las Fuerzas Productivas. Ambas necesidades chocan con fuertes y arraigados intereses. (…)

De la misma manera, el desarrollo diversificador de las fuerzas productivas afecta poderosos intereses monopólicos nacionales y transnacionales. Pese a las mistificaciones, el llamado “desarrollo endógeno” del bolivarianismo no es nada nuevo ni representa ningún misterio teórico. Fue inventado por los ingleses hace 200 años y copiado, por su éxito, por los alemanes, japoneses, tigres asiáticos y ahora China. Resaltando diferentes facetas, se le ha llamado desarrollismo, cepalismo, sustitución de importaciones, economía social de mercado, socialismo espiritual (Arévalo) o keynesianismo. Se trata de una economía de mercado, orientada y dinamizada por el Estado corporativo en el pasado, y actualmente por un Estado más democrático.

En el Tercer Mundo contemporáneo, esta es la única vía de desarrollo económico posible para un proyecto popular. Es el mal menor frente al neoliberalismo. Con el desarrollismo democrático regional hay posibilidad de escapar al subdesarrollo. Con el neoliberalismo, el destino es África. Una tercera vía no existe. Para el socialismo no hay condiciones objetivas en este momento. Hay que desarrollarlas en consonancia con el desarrollismo democrática. Esto es lo que trata de hacer Hugo Chávez y está en lo correcto.

Aqui o quadro começa a complicar. O "socialismo" prescrito por Chavez se inicia por uma economia desenvolvimentista, chamada pelos venezuelanos de "desenvolvimento endógeno". Caso consideremos o peso dessa noção, veremos como se orientam várias práticas venezuelanas, que seguem desde um estatismo com facetas radicais e rigorosas, até a questão da proximidade com economias ditas marginais (Irã, por exemplo).

Caso transportemos essas noções para o debate econômico do século XX, veremos que Chavez é uma espécie de "dinossauro" do desenvolvimentismo: diante da "inevitabilidade" do neoliberalismo - um tema bem comum nos anos 80 e 90 -, permanecem alguns adeptos de antigos projetos, relacionados à condição de subdesenvolvimento conferida à América Latina. Dado o subdesenvolvimento, caberia ao Estado regular a economia, para criar padrões mínimos de cidadania à população. O fim desse desenvolvimento era visto, de acordo com cada corrente, como o advento de condições mínimas para um liberalismo efetivo, ou para um regime socialista.

Um outro socialista argentino chamado Claudio Katz repõe os termos, considerando socialismo, bolivarismo, e a figura de Hugo Chavez:

 Em vários sectores das classes dominantes tem vindo a despontar um movimento de opinião neo-desenvolvimentista em desfavor da ortodoxia neoliberal, depois de um período traumático de concorrência extra-regional, desnacionalização do aparelho produtivo e perda de competitividade internacional.

A viragem em curso é "neo" e não plenamente desenvolvimentista porque preserva a restrição monetária, o ajuste fiscal, a prioridade às exportações e a concentração do rendimento. Apenas defende o incremento dos subsídios estatais à indústria para reverter as consequências do livre-câmbio extremo. A vulnerabilidade financeira da região e a ligação a um padrão de crescimento muito dependente dos preços das matérias-primas induzem ao ensaio desta mudança. Contudo este movimento de opinião tem vindo a afectar todos os dogmas económicos que dominaram na década passada e abre espaços para contrapor alternativas socialistas ao modelo neo-desenvolvimentista.

(…) Um outro rumo define uma sequência de passos diferente. Vaticina que a construção do socialismo será precedida por um longo período prévio capitalista. Propõe-se desenvolver esta fase com políticas proteccionistas, de modo a melhorar a capacidade competitiva da zona. Por isso olha com simpatia o actual movimento neo-desenvolvimentista, impulsiona o MERCOSUL e dá o seu aval à expansão de uma classe empresarial regional. Apela à constituição de uma frente entre os movimentos sociais e os governos de centro-esquerda (Bloco Regional de Poder Popular) e imagina o socialismo como um estádio posterior à nova fase do capitalismo regulado.

(…) O ponto de partida desta transição socialista opõe-se por completo à gestação de um modelo neo-desenvolvimentista. As duas perspectivas são radicalmente contrárias e não podem conciliar-se, nem desenvolver-se de forma simultânea. A concorrência pelo lucro impede a paulatina formação de ilhéus colectivistas no interior do capitalismo, dado que a concorrência distorce a médio prazo todas as modalidades cooperativas de tais empreendimentos.

Como se vê, Katz é contrário ao "socialismo" de Hugo Chavez. Não parece ser o único socialista descontente. Mas descrevendo esses argumentos, ele menciona o nome de Heinz Dieterich, criador do termo "Socialismo do Século XXI", e apoiador do presidente venezuelano. De que maneira esse "neo-desenvolvimentismo" surgiria, e cederia lugar a um novo socialismo?

P. ¿La economía del socialismo del siglo XXI es, entonces, un trueque?
Dieterich: No, esto es tan erróneo como la afirmación de que nadie sabe como construir el socialismo del siglo XXI. El problema de la injusticia económica no reside en el dinero. No tiene que ver con que una economía sea monetarizada o si funciona con el intercambio en especie (por permuta). En la relación explotativa entre el esclavo y el amo, una vez amortizado el pago inicial, no interviene el dinero, y es una de las más brutales que conoce la historia.

Injusticia existe, cuando se intercambia un producto “A” por un producto “B”, y sus valores —el tiempo laboral necesario para producir cada uno de ellos— no son iguales; es decir, cuando no se cambian equivalentes. Si se monetariza ese intercambio de valores desiguales (esfuerzos laborales desiguales), es decir, si se expresa en forma monetaria o natural, es secundario.

P. ¿Cuál sería, entonces, el paso decisivo del Presidente?
Dieterich: No es la estatización generalizada de la propiedad privada, porque no resuelve el problema cibernético del mercado. No lo hizo en el pasado y no lo haría hoy. El socialismo hoy día es esencialmente un problema de complejidad informática. De ahí, que el paso trascendental consiste en establecer una contabilidad socialista (valor) al lado de la contabilidad capitalista (precio), en el Estado, en PdVSA-CVG, y en las cooperativas, a fin de construir un circuito económico productivo y de circulación paralelo al de la economía de mercado capitalista. La economía de las entidades estales y sociales puede desplazarse paso a paso hacia la economía de valor y ganándole terreno al circuito de reproducción capitalista, hasta desplazarlo en el futuro. Dado que las escalas de valorización por precios, valores y también volúmenes, son comensurables, no hay rupturas en los intercambios económicos que podrían causarle un problema político al gobierno. En todo esto juegan un papel importante el Estado y las mayorías, pero ambas están hoy día mayoritariamente con el proyecto del Presidente.

Generar este circuito paralelo de la economía de valor sería relativamente fácil, porque los valores existen en forma subyacente en la actual contabilidad capitalista. De tal manera, que con el desarrollo de un software respectivo sería muy fácil establecer este circuito económico socialista al lado del capitalista. Sin este paso a la economía de equivalencia, no hay posibilidad de tener una economía socialista.

Começa-se a delinear o caráter "desenvolvimentista", que cederá lugar ao "socialista". Em primeiro lugar, como demonstra uma "anomalia" chavista de defender a propriedade privada, seu "socialismo" não parece se definir pela necessidade da propriedade coletiva "estatal" dos meios de produção. Em outras palavras, a propriedade coletiva não parece uma operação inevitável ou etapa necessária, mas uma espécie de meio instrumental para que se avance ao segundo passo: transformar relações de "preço" em relações de "valor", por meio de cooperativas e outros mecanismos populares e paralelos.

A função é interessante, no mesmo movimento em que parece impossível: pretende desvirtualizar a economia, ressubstancializá-la aniquilando a virtualidade do preço, em nome do trabalho efetivo, do suor, do "valor". Para isso, Dieterich tem o argumento (embora a boa questão implica responder: é duradouro?), que é a articulação Estado x Petróleo x Cooperativas: regulação estatal, economia popular, e o como base sustentadora, o ouro negro ("De ahí, que el paso trascendental consiste en establecer una contabilidad socialista (valor) al lado de la contabilidad capitalista (precio), en el Estado, en PdVSA-CVG, y en las cooperativas, a fin de construir un circuito económico productivo y de circulación paralelo al de la economía de mercado capitalista"). Os três elementos serviriam como uma espécie de circuito ("software"), inserido dentro das relações capitalistas, mas que as deslocariam do "preço" ao "valor". O que sugere, em tese, que o consumo de grandes volumes por poucos cederia lugar ao consumo de muitos. Em suma, o próprio "peso" do novo circuito planificaria as relações.

Conforme a citação acima, resta ainda mencionar a relação trabalho x produção. Deslocar o "preço" ao "valor" implica em des-relativizar a produção ("Injusticia existe, cuando se intercambia un producto “A” por un producto “B”, y sus valores - el tiempo laboral necesario para producir cada uno de ellos - no son iguales"). O elemento que parece apoiar esse argumento é o governo das "maiorias": uma grande federação de cooperativas, articulada com um circuito "socializador", serviria como peso para nivelar a produção ("preço") em relação ao trabalho ("valor"). A esse respeito, con su permiso, outra longa citação:

Entender el carácter socialista o capitalista de las formas de propiedad económica es un elemento clave para la sobrevivencia de la Revolución. Lamentablemente, el debate no ha logrado clarificar esa compleja temática, hecho por el cual muchos revolucionarios piensan que las cooperativas, la cogestión obrera y las empresas de producción social significan que Venezuela ya ha entrado en una fase del socialismo del siglo XXI. Esta opinión es equivocada.

Las tres formas principales de propiedad de la economía de mercado son: a) la sociedad anónima de capital variable, característica de las grandes corporaciones, b) la empresa de propiedad familiar y, c) las cooperativas. Las primeras dos son, en términos de la sociología de la organización, unidades militares, es decir, verticales. La única forma democrática es la cooperativa. Por lo mismo, es la más afín a la democracia económica del futuro, pero, al mismo tiempo, la más difícil de organizar. Sin embargo, su problema mayor reside en el hecho, de que tiene que operar bajo la lógica del macrosistema mercantil, cuyos parámetros de calidad, precio, tiempos de entrega, etcétera, son obligatorios para su desempeño, salvo que los subsidios del Estado le den grados de libertad que las empresas mercantiles no tienen.

Los tres tipos de empresa son como barcos en el mar, cada uno con diferente forma. Pero, independientemente de su forma, tienen que someterse a los movimientos del medio en que se mueve, para no hundirse. Si la cooperativa quiere liberarse de la tiranía del mar —la lógica de la economía de mercado— tiene que cambiarse hacia otro sistema de la realidad, es decir, la economía de equivalencias. Mientras siga navegando en la economía de mercado no es, ni puede ser socialista. (…)

Una economía es socialista, cuando opera sobre el valor, realiza intercambios de equivalencias y planea democráticamente los principales parámetros de la economía, tanto en la macroeconomía, por ejemplo, la tasa de inversión y el presupuesto nacional, como en la microeconomía, particularmente en cuanto a la tasa de plusvalía (plusvalor/capital variable), es decir, la intensidad de la explotación del trabajo.

Para poder construir una economía socialista tienen que haberse cumplido tres requisitos objetivos: 1. la disponibilidad de una matemática de matrices, por ejemplo, las tablas de input-output de Leontieff; 2. la digitalización completa de la economía y, 3. una avanzada red informática entre las principales entidades económicas.

Estas condiciones existen en su conjunto solo desde hace un lustro, hecho que explica, porque ni la URSS, ni la RDA lograron nunca construir una economía socialista, en el sentido de la economía política. La URSS, por ejemplo, tenía en los años ochenta apenas la capacidad para procesar alrededor de 2000 productos en valores (time inputs), cuando tenía más de 10 millones. No había condiciones objetivas para una economía socialista. Trágicamente, la humanidad se encontraba todavía en una especie de protosocialismo o socialismo utópico. (…)

Lenin definió en 1922 las tareas de la Revolución rusa como “poder soviético y electrificación”, es decir, la construcción del Estado socialista y el desarrollo de las fuerzas productivas. En Venezuela, en 2005, las tareas son seis:

1. Construcción de un Estado de derecho eficiente; 2. Desarrollo de las Fuerzas Productivas; 3. Construcción del Poder popular; 4. Avanzar la teoría de la transformación desarrollista y socialista; 5. Construcción del Bloque Regional de Poder y, 6. Desarrollo de la vanguardia y de los cuadros medios.

Después del fallido ataque al Cuartel Moncada, Fidel Castro recibió en la cárcel una carta con información sobre los empeños políticos que los revolucionarios libres estaban realizando en la isla. Fidel reorientó el esfuerzo, sugiriendo que todos los recursos y cuadros se dedicasen a la reproducción y distribución de su ensayo, “La historia me absolverá”. La razón de esa instrucción era evidente: convertir el Proyecto Histórico de los revolucionarios en fuerza material de transformación, por vía de las masas.

Esta es la situación actual en Venezuela. Solo el estudio y la discusión sistemática nacional y científica sobre el Socialismo del Siglo XXI y su fase de transición pueden generar la vanguardia y los cuadros medios, sin los cuales el Bolivarianismo no podrá triunfar en las cuatro dinámicas que le dan su fisonomía particular: su fisonomía particular que es, al mismo tiempo, sinónimo de sus campos de batalla.

Definitivamente, Dieterich conhece muito mais sobre a idéia que formulou, do que esse post catatauesco (e apenas curioso). Para isso, o próprio autor dispõe seu El Socialismo del Siglo XXI on line. Outros textos, indicados em seu Wiki.

O que parece interessante, nisso tudo, são as voltas: de um Marx avesso a Bolívar, a um marxismo bolivarista, que seria fiel ao próprio marxismo original. Ainda, outra boa questão é a viabilidade desse desvio do "preço" ao "valor". Sem contar sobre como toda essa carga doutrinária deve ou não se relacionar, hoje, com as práticas concretas da Venezuela.

 ***

- A própria Bolívia credita seu nome ao "Libertador". Vários arquivos digitais mostram referências primárias e secundárias sobre ele.

- Historia de la revolución Bolivariana. Pequeña crónica 1940 - 2004

December 2, 2007

O “generalíssimo” Francisco de Miranda

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Miranda recepcionado por Simon Bolivar (Pintura de Rugendas )
 
Francisco de Miranda (1750-1816) é considerado um precursor de Simon Bolivar e de vários movimentos emancipatórios latino-americanos. Lutou na Revolução Francesa, pela independência dos EUA, e em outras guerras hispano-americanas. Pregava uma nação que reuniria todas as colônias hispânicas, e que se chamaria "Colômbia". Adepto de idéias iluministas, é chamado por muitos como "generalíssimo" ou "universalista".
 
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As imagens acima foram retiradas de notas de viagem, e reflexões. A Biblioteca Nacional da Venezuela digitalizou arquivos digitais de Miranda, relativos às viagens e à participação na Revolução. Outras informações (como livros, referências e iconografia) também podem ser encontradas na Miguel de Cervantes. Por aqui, livros de e sobre ele constam também em sebos.    
 
Atualmente, as idéias de Miranda figuram por trás de vários discursos, como alguns de Hugo Chavez. Este inaugurou um monumento a Miranda em Cuba, e pouco tempo atrás o governo venezuelano financiou um filme sobre essa figura (com Danny Glover no elenco). Uma "Força Francisco de Miranda" também atua como grupo de apoio ao governo.
 
Seria interessante ler um estudo sobre como Miranda e outras figuras - Simon Bolivar, entre elas - fundaram certas idéias de independência da América Latina; como essas idéias perduraram até o século XX; como então se atrelaram a várias inspirações marxistas; e como todo esse corpo ideológico se relaciona com aspectos sociais, políticos e econômicos, especialmente em países como a Venezuela, ou outros países próximos.
 
***
Na Venezuela, segue o  Referendum Aprobatorio para a Reforma Constitucional. Atenção à boa análise de Pedro Doria