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November 17, 2011

Toxic: Amazônia


 

"Eu tenho medo. Mas no mesmo instante em que eu tenho medo, o impulso que tenho quando vejo uma injustiça me tira o medo" (José Cláudio Ribeiro)

 Recomendamos enfaticamente o documentário Toxic: Amazônia, recém saído do forno. Vale acompanhar os vídeos relacionados e a movimentação dos autores (vide link).  Mostram muita coisa de 2011 que os diversos difusores sistematicamente varreram para a história do esquecimento.

 Sobre outro assunto próximo, Belo Monte

October 31, 2011

Assis, Julia Kristeva, a violência e as palavras


"Convidada pelo Papa a tomar a palavra em Assis, Julia Kristeva pede por um humanismo, aproximando espírito do Iluminismo e cristianismo".

É o que diz o próprio site de Julia Kristeva, que participou durante a semana passada em Assis do encontro de diálogo inter-religioso promovido, desde há 25 anos, pelo então Papa João Paulo II.

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October 26, 2011

paraíso natural


O blog é mais um desses sobre uma cidade, não por acaso mais um paraíso natural. A beleza do lugar é indiscutível, de encher os olhos. Mas curiosamente as estórias ali mostradas são de corrupção, má aplicação de verbas, governos ilegítimos continuados por conchavos jurídicos, dengue e esgotos transbordando, enchentes, caminhões pipa, falta de eletricidade, custo de vida caro, escalada da violência e o povo tornado refém de tudo. Ontem mesmo mataram um. Dias atrás, outro. A lista é grande.
 
Na barra lateral, um pequeno gadget mostra fotografias. Surpreendentemente elas não são do paraíso. Mostram outro lugar mais feio, muito distante, porém sem tantos problemas.
 
 

October 20, 2011

Kadhafi e a revolução


 

Quando as revoltas começaram na Líbia, vinculamos e tentamos discutir a seguinte passagem, escrita por Peter Lamborn Wilson (o famoso Hakim Bey):

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October 16, 2011

Somos os 99%



15-o pelo mundo

October 13, 2011

Brasil, Occam


 
 
A enfermeira deixa o vidro de formol na estante de medicamentos. Os vidros são semelhantes. De repente chega um paciente com necessidade de injeção. É medicado, mas tem reações adversas e morre. O que ocorreu? Por sorte, dessa vez houve investigação e dessa vez ela descobre o motivo: foi o formol, ele não deveria estar ali.
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October 11, 2011

Sobre ação individual


 

 

 E sobre o mesmo assunto, vale ler isso, isso e - contrapondo - isso.

 

September 29, 2011

Ali, ó!


 

 

David Monjou

 

 

Photobucket Pictures, Images and Photos

 

September 26, 2011

O Cordel e seus encantamentos


Nos últimos dias a Globo tentou dar alguns lances de cordel nordestino.

O desfecho de "Cordel do Fogo Encantado", última novela da Globo, foi muito interessante. Não propriamente a respeito de algum mérito narrativo ou artístico, mas sim nesse aspecto cotidiano e um pouco monótono da tradição das novelas brasileiras e seus encantamentos enviados ao povo.

A novela é sobre um cordel e encerrou com diversos cordelistas consagrados do nordeste, declamando algo parecido com o enredo dos últimos meses (o que é um belo gesto e quase lembrou da época em que havia algum esforço por adaptação, digamos, mais fiel a obras do que a audiências, como em O tempo e o vento). Mas antes disso, a última cena foi digna de atenção. Os mocinhos da novela - um grupo de amigos e parentes - certamente passou os mesmos últimos meses brigando com um coronel, que desapareceu ou foi morto (provavelmente nos capítulos finais).

O coronel devia ser realmente ruim. Tão ruim que, mesmo depois de morto, conseguiu não deixar os mocinhos em paz. No último lance eles seguem à fazenda desocupada do coronel, quando encontram um mancebo mal encarado. Ele apresenta documentos comprovando a posse da terra e manda todos embora. Então, junto com o personagem de Mateus Nachtergaele, os mocinhos comentam (parafraseio): "vamos embora, não temos o que fazer aqui. O mal sempre retorna, não importa o que se faça. Mas o importante é que somos um grupo e temos um ao outro".

Vale repetir: as injustiças vêm e vão, mas… somos felizes e nossa ação importa na medida e na proporção mesma em que "temos um ao outro".

Não muito longe do assunto, ontem o "Fantástico" apresentou outro tema de cordel: um velho Sr. possui mais de 50 filhos, isso sem considerar os "não contabilizados" espalhados pelo mundão. Como conseguiu? Revezando esposa e cunhada (quando não a sogra). Alguns comentadores então disseram: é a "sociedade coronelista", "machista" etc.. Ele mesmo tinha a resposta na ponta da língua: não fiz com ninguém que não quis.

 

Vale mencionar outro caso, também reduzido ao puro conteúdo individual, passional (candidato a um cordel?): uma amante manda matar a esposa e oferece mil reais. Recordando que era amigo de infância da mulher, o assassino decide simular sua morte, afinal não é sempre que se ganha 1000 reais, certo? Ele tira uma foto da mulher cheia de Ketchup com uma faca junto ao braço. Foto feita, valeu o prêmio. Dias depois a "morta" reaparece ao lado do marido, criando o maior escândalo. O caso renderia prisões ou maiores consequências? Conforme o delegado, não passou de um lance de humor pastelão. Afinal, valeu a sorte: a possível vítima era amiga de infância do assassino - este, o verdadeiro dono do destino da estória. Ufa!

Entre os amigos que enfim "têm um ao outro", as famílias criadas ao bel querer de certos caprichos e o destino individual controlado por assassinos de mil reais, não seria inútil lembrar de Lampião. Mesmo vivendo no mesmo universo acima, outra é a narrativa sobre ele. Cada cordel tem seu "encantamento", mas outro é o poder de simpatia de Virgulino. Os cordéis não contam suas presepadas, mas suas peripécias. O estatuto de seus atos e o próprio raio de ação são diferentes e contam outras virtualidades. Diante de sua peixeira teme o coroné, o policial, o patriarca, o assassino… e até o diabo:

 Lampião disse: vá logo
quem conversa perde hora
vá depressa e volte já
eu quero pouca demora
se não me derem ingresso
eu viro tudo as avesso
toco fogo e vou embora.

O vigia foi e disse
a Satanás no salão:
saiba vossa senhoria
que aí chegou Lampião
dizendo que quer entrar
e eu vim lhe perguntar
se dou-lhe ingresso ou não.

- Não senhor, Satanás disse
vá dizer que vá embora
só me chega gente ruim
eu ando muito caipora!
eu já estou com vontade
de botar mais da metade
dos que tem aqui pra fora.

- Lampião é um bandido
ladrão da honestidade
só vem desmoralizar
a nossa propriedade
e eu não vou procurar
sarna pra me coçar
sem haver necessidade.

September 21, 2011

Sobre a invenção do povo judeu


Muito interessante a resenha de André Egg do livro A Invenção do Povo Judeu, de Shlomo Sand.

O ponto forte, a considerar a resenha do André, parece ser a análise das justificações atuais de Israel para se firmar como Estado independente. Tais justificações, baseadas no mito de uma etnia escolhida e privilegiada por Deus, acabam criando nocivas relações entre Estado e religião (com o judaísmo determinando práticas institucionais que deveriam ser laicas), sem contar que criam categorias diferentes de cidadão e restringem direitos de algumas delas.

Considerando a resenha, Sand parece também querer avaliar o grau de "veracidade" de tais justificações, por exemplo analisando se os judeus antigos eram verdadeiramente um "povo" ou uma comunidade religiosa. O que não parece ser tão reforçador do argumento mais forte acima - o do próprio uso das justificações -, pois enfim cada religião tem seus mitos e justificações, mas o que é grave ou não é a maneira de cada uma empregá-los.

Um documentário muito interessante na linha do "ponto forte" acima é Road to Palestine, de Robert Fisk. Ele mostra em viva imagem, no cotidiano das ruas, as justificações do texto de Sand apresentadas por André, sobre Israel se fundar como Estado a partir de algum tipo de promessa divina a um povo escolhido.

Outros livros que seguem ou parecem seguir a mesma linha são A Grande Guerra pela Civilização (de Robert Fisk, bastante citado por aqui), The Ethnic Cleasing of Palestine (de Ilan Pappé, informe, comentários por Idelber Avelar e Daniel Lopes - e uma entrevista aqui) e Israel’s Occupation (de Neve Gordon, informe aqui).

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