December 2, 2007

O “generalíssimo” Francisco de Miranda

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Miranda recepcionado por Simon Bolivar (Pintura de Rugendas )
 
Francisco de Miranda (1750-1816) é considerado um precursor de Simon Bolivar e de vários movimentos emancipatórios latino-americanos. Lutou na Revolução Francesa, pela independência dos EUA, e em outras guerras hispano-americanas. Pregava uma nação que reuniria todas as colônias hispânicas, e que se chamaria "Colômbia". Adepto de idéias iluministas, é chamado por muitos como "generalíssimo" ou "universalista".
 
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As imagens acima foram retiradas de notas de viagem, e reflexões. A Biblioteca Nacional da Venezuela digitalizou arquivos digitais de Miranda, relativos às viagens e à participação na Revolução. Outras informações (como livros, referências e iconografia) também podem ser encontradas na Miguel de Cervantes. Por aqui, livros de e sobre ele constam também em sebos.    
 
Atualmente, as idéias de Miranda figuram por trás de vários discursos, como alguns de Hugo Chavez. Este inaugurou um monumento a Miranda em Cuba, e pouco tempo atrás o governo venezuelano financiou um filme sobre essa figura (com Danny Glover no elenco). Uma "Força Francisco de Miranda" também atua como grupo de apoio ao governo.
 
Seria interessante ler um estudo sobre como Miranda e outras figuras - Simon Bolivar, entre elas - fundaram certas idéias de independência da América Latina; como essas idéias perduraram até o século XX; como então se atrelaram a várias inspirações marxistas; e como todo esse corpo ideológico se relaciona com aspectos sociais, políticos e econômicos, especialmente em países como a Venezuela, ou outros países próximos.
 
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Na Venezuela, segue o  Referendum Aprobatorio para a Reforma Constitucional. Atenção à boa análise de Pedro Doria

November 28, 2007

A Felicidade, e O Brasil nas Copas de 50 a 70

 Uma bela exposição, do Arquivo Nacional
 
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 Com Ademir como artilheiro, a seleção chega à final e perde para o Uruguai. O impacto dramático do resultado obscurece o segundo lugar e o brilho do time de Nilton Santos, Jair Rosa Pinto, Zizinho, entre outros. A Copa de 1954, na Suíça, passa rápido para nós e com três jogos voltamos para casa.

Tudo muda em 1958: o Brasil bossa nova, o Brasil de JK, vence a sua primeira Copa do Mundo, na Suécia, com Pelé, craque aos 17 anos e Garrincha esbanjando genialidade. Finalmente a ‘taça do mundo’ vinha para as nossas mãos. (…)

 Outra exposição belíssima: "Instantâneos da Felicidade", transitando pelo país.  Contém 50 fotos de vários artistas, desde Henri Cartier-Bresson até Sebastião Salgado. Sem contar o belíssimo gol de bicicleta de Pelé em 1965:    
 
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Meias Vermelhas 

 
 
Outra dica interessante é o lançamento do livro Meias Vermelhas e Histórias Inteiras, do hedonista, blogueiro e psicólogo Marcos Donizetti. Será dia 3 de dezembro, em São Paulo. Mais informações sobre o livro e o evento.
 
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Respondendo ao comentário do Robson ;) :
 

November 27, 2007

O “Segredo securíssimo para não mais morrer”

O último post do BibliOdyssey traz gravuras do fim do século XVII, e uma fonte de dados tão valiosa que, segundo o Mr. PK, equivale à Livraria do Congresso norte-americano. Vale muito a pena conferir ;)
 
No informe, ele destaca algumas gravuras retiradas desse recurso. Dentre as várias, duas são muito interessantes (tomo a liberdade de reproduzir e trair, quer dizer, traduzir):   
 
 Secreto sicurissimo per non mai morire
No título: "Segredo securíssimo para não mais morrer". Abaixo, a receita: "Quando a morte vier buscá-lo, você deve repentinamente soprar em sua face; mas deve fazer sem parar, pois se parar, você morre"
 
Na outra gravura,
Machina del Mondo, ogn'un cerca di star sopra il compagno A "Máquina do Mundo" apresenta uma pirâmide social, dos maltrapilhos ao rei. Por sobre todos, a Morte declara: "E eu, tudo equilibro".  
 
O tema dessa gravura parece ser bem afim a um antigo post (também referido ao BibliOdyssey), sobre ritos do Renascimento intitulados "Dança da Morte". Lá, por meio de expressões estéticas e rituais festivos, as hierarquias e valores mundanos eram desfeitos e tornados irrisórios, em nome de implicações exteriores aos caprichos do homem. Tratava-se de uma verdadeira invasão da alteridade no seio do convencional, do familiar.
 
O livro de Sebastian Brant, Stultifera Navis, parece corresponder a esse tipo de relação. Os loucos embarcados para um lugar mítico representavam cada tipo mundano, e uma espécie de ironia que zombava de seu caráter irrisório. O que parece interessante, nisso tudo, diz respeito a como essas duas gravuras são bem mais recentes que o Totentanz, ou a Nave de Brant.
 
As duas são de  Giuseppe Maria Mitelli, pintor italiano. O próprio PK fez o trabalho de referenciar outros posts a respeito desse pintor, direcionados ao agora extinto Giornale Nuovo.

November 26, 2007

Pensar ainda enlouquece?

As ciências
"das coisas cujas relações são difíceis de apreender porque pouco sensíveis a nossos sentidos, ou porque suas relações demasiado multiplicadas, obrigam-nos a um grande esforço em sua pesquisa, constituem para a alma um exercício que cansa demais o sentido interior através da excessiva tensão contínua desse órgão"
A citação é do Nouveau Traité des Vapeurs (1770), de Jean-Baptiste Pressavin.
"nos letrados, o cérebro endurece, frequentemente tornam-se incapazes de ligar idéias" (Avis aux gens de lettres sur leur santé, de Simon-André Tissot [1767]).
Não consegui encontrar a edição virtual dessas obras. Mas poderia-se complementar que o gosto pelas especulações abstratas, e o excessivo exercício do cérebro sem o cuidado com o corpo, endurece esse órgão da mesma forma que os músculos de um trabalhador manual, segundo esses fisiologistas do século XVIII. O conhecimento, abstrato e distante do sensível, provoca uma tensão excessiva no cérebro, agita os vapores, e pode resultar em loucura.
 
Concluindo: pensar pode levar à loucura (!).  O que talvez seja mais verdadeiro quanto mais nos aproximamos do fim do ano (olha o perigo, Inagaki!) ;)

November 15, 2007

A Viagem Filosófica de Alexandre Rodrigues Ferreira

Uma bela e bem organizada exposição da Biblioteca Nacional (link via PK).

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Comandada pelo naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira, a Viagem Filosófica foi a mais importante expedição científica portuguesa do século XVIII. Ela percorreu o interior da América portuguesa durante nove anos e produziu um rico acervo, composto de diários, mapas populacionais e agrícolas, cerca de 900 pranchas e memórias (zoológicas, botânicas e antropológicas).

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 Seu excelente desempenho na Faculdade de Filosofia permitiu-lhe, porém, exercer o primeiro cargo de naturalista na burocracia estatal. Teria ele a tarefa de percorrer as possessões “com a laboriosa comissão de ele ser o primeiro vassalo Português, que exercitasse o nunca visto em Portugal, nem antes do feliz reinado de Sua Majestade, exercitado emprego de Naturalista”.

A exposição traz muitas fotos. Acima, destacam-se duas de Guaikurus. Até o início do século XX a Viagem rendeu algumas polêmicas: as descrições de Ferreira são de cunho meramente utilitarista, mercantil, ou se trata de um verdadeiro naturalista? Ainda, vale destacar as condições precárias do incentivo à viagem, e o fim do autor. Ambiguidades que de algum modo lembram aquela passagem de Pero de Magalhães Gândavo, sobre essas terras: o que enfim é isso? lugar sacro (algum lugar que tem um fim em si mesmo), ou fonte de utilitários (mero meio para objetivos situados fora daqui)? 

November 11, 2007

90 anos da Revolução Russa

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imagem dessa galeria 

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October 31, 2007

Halloween e os monstros, de longe e de perto

Comemoramos o halloween brasileiro. Está quase virando tradição. ;)

Nesse ano especial, falemos não dos heróis ou datas brasileiras esquecidas e desmerecidas em prol dessas modas tão… distantes. Falemos daquilo que nos é muito próximo, mas que por tudo isso se torna muito distante. Mais ainda do que certas bruxas e abóboras.

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October 22, 2007

Abou Fatma e o acontecimento

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 The Four Feathers (do romance de Woodley Mason, intitulado Honra e Coragem por aqui) conta a história de um soldado imperial inglês que, ao recusar a convocação para a guerra, é taxado de covarde. Perde tudo: o apreço dos familiares, os amigos, a vida social, e por fim a noiva. Com tudo perdido, parte para recuperar a honra.
 
O enredo do filme de 2002 não difere nada dos famosos longas em que o herói anglo-saxão enfrenta os malvados orientais (no caso, sudaneses). No meio da história, o amor de uma mulher, um ou outro elemento antagonista…

 Até aí, os clichês. E ainda aparece repentinamente Abou Fatma, um selvagem. Ele surge da mesma maneira que vai embora: sem motivo, sem data, sem terra natal ou história. É um nômade, como vários dos povos "colonizados" pelos ingleses na Áfica. Nada além da imagem de Sexta-Feira, e o clichê continua.

 
Mas algo em Abou Fatma faz repentinamente o filme fugir dos clichês. A abertura é breve, ocorre em algumas cenas. Ao invés de representar apenas o bom acompanhante, Fatma desmancha a bagagem cultural de Harry, o mocinho. Do sorriso aos velhos hábitos, tudo se transforma em irrisão e falsas pretensões. O próximo cede lugar ao distante, o familiar à diferença. Harry se depara com um outro que não é o selvagem domesticado.
 
A abertura é breve. Fecha-se logo depois para um final previsível, que reaproxima tudo aquilo que era distante. Entretanto, ela permanece:

- Por que me está protegendo?
- Deus te pôs em meu caminho. Não tinha nenhuma opção.

- Deus? Deve ter feito algo terrível para ofendê-lo.
- Ri-te como um Inglês.

- E como ri um Inglês?
(após a imitação, gargalhadas)

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Parabéns aos finalistas do concurso BOB´s 2007. Especialmente ao Inagaki, Ao Mirante, Donizetti e Carlos Serra. Palpite: pelo padrão diferente dos outros blogs selecionados, o prêmio do júri vai para o Carlos Serra, no seco e no molhado. california fires san diego

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E o Giornale Nuovo avisou que vai encerrar seus posts. Que pena! Deve ter seus motivos. Mas tomara que ele faça como o Romário: avise, faça o maior alarde, e depois retorne ;)

October 12, 2007

Uma demonstração científica da vida futura

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Encontrei por acaso o A Scientific Demonstration of The Future Life, de Thomson Jay Hudson, publicado em 1896 (a edição do link é de 1895).

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October 9, 2007

Comandante Che Guevara

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Che Guevara morreu há 40 anos. Na conturbada metade do século XX, El Che era um personagem exemplar. Sua existência é a confluência de uma série de questões:
 
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