December 14, 2009

Parabéns a Potel!

O César Schirmer acabou de vincular a notícia: a justiça argentina decidiu a favor de Horácio Potel, pela manutenção de seus sites sobre Derrida e Heidegger!

Detalhes sobre o processo no site de Potel e textos sobre o assunto no Catatau:

Parabéns a Potel!

October 30, 2009

A era “pós-teórica”

Na era da informação, muitos asseguram que as "teorias" se "dissolvem".

Ontem Fabiano Angelico, do Transparencia Brasil, vinculou um interessante texto sobre como nossa época se definiria pelo abandono das "teorias" em nome de um caráter imediato e imperativo da "prática" (como se isso não fosse uma baita teoria), dado vivermos na era da informação e a teoria ser um índice de ausência de informação:

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October 28, 2009

O Fim do Geocities (1994-2009)

O serviço de hospedagem gratuita de sites do Yahoo, chamado Geocities, foi apagado ontem, dia 26/10/2009.
 
O que parece uma notícia banal é, na verdade, um marco na história da internet. Criado em 1994, o GeoCities foi a primeira plataforma realmente "popular" de divusão de conteúdo, bem antes dos blogues.
 
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September 15, 2009

Camponeses e Impérios Alimentares

http://img32.imageshack.us/img32/3277/arton3856048f.jpg Divulgamos abaixo o informe de um livro interessante: Camponeses e Impérios Alimentares: lutas por autonomia e sustentabilidade na era da globalização, de Jan Douwe Van der Ploeg (pesquisa de preços e link na Cultura). Trata-se de um estudo feito em três países, industrializados e não industrializados, sobre as relações entre agronegócio e agricultores.

Na verdade, o estudo parece ter consequências maiores, dada sua duração (30 anos!), e o debate contemporâneo sobre transgênicos, agronegócio, combustíveis alternativos, movimentos sociais e soberania alimentar.

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August 9, 2009

Nagasaki e a guerra absoluta

 
Hoje completam 64 anos do lançamento de "Fat Boy" sobre a cidade de Nagasaki. A respeito das bombas, muitos comentaram sobre a ocasião inaugurar novas relações entre os homens, para além de novos modos de fazer guerra. Três citações de Antonio Negri e Michael Hardt sobre o assunto:
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May 7, 2009

Arquivos de Potel, recursos sobre Heidegger, Derrida, e outros

 

http://i292.photobucket.com/albums/mm7/catatando/heidegger002.jpg
 
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March 18, 2009

Música, sensação


Quando ouço uma música que me toca e que estava atrelada a você ou a um lugar, noto que não é a sua pessoa que me atinge com a música e não é o lugar que volta à tona com a canção. A música me faz ter é uma sensação…, uma sensação que passou por você ou que passou pelo lugar, mas que não é nem você, nem o lugar. Não é mais, portanto, uma questão de recordar o passado, mas sentir tudo no agora, neste instante. A música e a sensação têm vida própria. E essa sensação me acompanha em meio a essa canção que me invade. O que ficou, o que é presente, é a sensação que me embrulha os sentidos por meio dessa canção. Por isso a sensação não é você, nem é o lugar. O lugar não está mais lá. Você não mais existe. Não anseio mais repetir você ou o lugar. O que busco é o que encontrei na sensação que emergiu do encontro do lugar, de você e da canção.
Dos devires do Prof. Eduardo Simonini, nessa infinita highway.

February 27, 2009

Deleuze, Guattari, e o exército israelense

http://i292.photobucket.com/albums/mm7/catatando/p1784_weizman.jpg

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September 3, 2008

Henri Laborit

Quando não se pode mais lutar contra o vento e o mar para prosseguir seu caminho, há dois passos que pode ainda tomar um veleiro: a ousadia (a proa seguindo contra e o mastro abaixado) o submete à derivação do vento e do mar, e a fuga diante da tempestade aproveitando as ondas sobre a popa, utilizando um mínimo de vela. A fuga permanece, longe das costas, como a única maneira de salvar a embarcação e a tripulação. Permite também descobrir margens desconhecidas que emergirão ao horizonte das calmas reencontradas. Margens desconhecidas que ignorarão sempre os que tem a possibilidade aparente de poder seguir a rota dos cargueiros e dos petroleiros, o caminho sem imprevistos imposto pelas companias de transporte marítimo.
Henri Laborit (Éloge de la Fuite)

August 3, 2008

Maurizio Lazzarato, para socorrer trabalhadores temporários

Recebi do Desobediente a resenha abaixo, de um novo livro de Maurizio Lazzarato intitulado Intermittents et precaires (sedutora a tradução Intermitentes e Precários).
 
Pelo que parece, o mote do Lazzarato [livrarias] é semelhante ao de Castells [livrarias], quando este mostra que o tipo de acessibilidade do grande contingente populacional ao trabalho e consumo é sempre sazonal: diante de um número mínimo de consumidores (e trabalhadores) permanentes, haveria uma massa de consumidores (e trabalhadores) sazonais. E esse caráter "sazonal" serviria para reforçar a mesma dinâmica de trabalho e consumo: quem está fora quer entrar, e quem está dentro não quer sair. Porém, com o pequeno detalhe: não há lugar para todos.
 
O livro aborda trabalhadores temporários de "arte" e afins. Com base na resenha, à primeira vista esse tipo de dinâmica não se restringe apenas aos "artistas". Um grande número de projetos chamados "sociais" poderiam se enquadrar no mesmo contexto, em um discurso e ato criativo que não são mais discurso por excelência, nem ato criativo por excelência. Apenas afloram enquanto tais por certos jogos de conveniências, exteriores à criação e ao discurso.
 

[fonte] Acaba de ser publicado na França, o livro Intermittents et precaires (temporários e precários), de Antonella Corsani e Maurizio Lazzarato. Ed. Amsterdam, 232 páginas. Segue uma resenha de Clarisse Fabre publicada no jornal francês Le Monde, 11-07-2008. A tradução é do Cepat.

Não se lerá neste livro nem chavões, nem fórmulas para calcular o seguro-desemprego dos artistas e dos técnicos do espetáculo. Também não se trata de uma "retomada" da luta empreendida depois da reforma de junho de 2003, entre manifestações e cancelamento de festivais. Intermittents et precaires (Temporários e precários) apresenta os resultados de uma pesquisa realizada sobre as condições de trabalho de todos esses profissionais do espetáculo que alternam períodos de emprego e de desemprego, ao longo dos projetos de que participam por conta de seus (múltiplos) empregadores.

Os autores fazem uma reflexão prospectiva sobre a noção de trabalho: como vanguarda, o movimento dos intermitentes põe em questão o binário emprego-desemprego e nos convida a reconstruir as bases da proteção social, nos dizem Antonella Corsani, pesquisadora da equipe Matisse do Centro de Economia da Sorbonne e co-fundadora da revista Multitudes, et Maurizio Lazzarato, filósofo.

Do outono de 2004 à primavera de 2005, foi realizada uma pesquisa pela equipe de pesquisadores Isys (integrante do Matisse de Paris-I e do CNRS) a pedido da Coordenação dos temporários e precários e com o apoio da Prefeitura de Île-de-France. À época, a imprensa criticou o método em razão de que os próprios temporários participavam deste estudo ao lado de economistas, sociólogos, estatísticos. Os autores defendem sua "expertise cidadã" que faz cooperar especialistas e outros. Uma metodologia que interroga as relações entre "saber, poder e ação", explicam, como o fizeram Michel Foucault ou ainda Pierre Bourdieu em sua pesquisa sobre A Miséria do Mundo [Vozes, 1997].

Feitas essas precisões, os autores traçam um quadro inquietante da intermitência. Mostram como a produção dos espetáculos, de documentários, etc., obedece cada vez mais a uma lógica de rentabilidade, num universo em que só há "casos particulares": assim, o tempo de trabalho ou é escrupulosamente contabilizado nos setores fortemente sindicalizados ou, ao contrário, é declarado ‘liberado’, deixado a cargo do "autor do projeto" de negociar o melhor cachê. Sem falar da variabilidade dos salários diários nem da estagnação das rendas, e até mesmo de sua diminuição nos últimos dez anos.

Alguns – diretores, mas também companhias de teatro que trabalham em coletividades locais – reconhecem trabalhar "sob encomenda". Como se eles respondessem à demanda de um cliente, o que obriga a revisar a noção de criação. A redução dos orçamentos e dos tempos de produção impõe às companhias a reorganização do trabalho em torno dos postos julgados indispensáveis. O artístico perde terreno diante da comunicação, em que a difusão dos espetáculos se torna crucial, num contexto muito competitivo…

Longe dos autores a idéia de que a intermitência seja coisa que se deva que combater. Pelo contrário. Digam o que disserem os sindicatos, dizem eles, o emprego estável para toda a vida não é "desejado e desejável para todos". "A intermitência, sob certas condições, é esta possibilidade para todos e cada um de preservar o domínio sobre o tempo, sobre suas intensidades (…). Uma liberdade para desenvolver projetos fora das normas da indústria cultural e do espetáculo e, enfim, last but not least, uma arma fundamental para a negociação dos salários e das condições de trabalho", destacam Antonella Corsani e Maurizio Lazzarato no último capítulo. Observando que outros profissionais intelectuais compartilham com os intermitentes práticas comuns, eles convidam a refletir sobre "um novo estatuto do trabalho e sobre novos direitos sociais". Estimulante e revigorante.