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November 29, 2011

Facebook: alegria x economia?


Difícil saber qual é o ganho de artigos como esse, de Evgeny Morozov. Como vários outros autores (muitos mesmo!), e até mesmo dentro de uma tendência geral de "análise" das "novas tecnologias" das "redes sociais", ele insiste em colocar algo que seria a "subjetividade" humana de um lado e a "tecnologia" fria e calculista da economia de outro:

a ideologia do "compartilhamento sem fricção" quer promover um envolvimento muito diferente com a Internet, nos termos do qual os usuários não são imaginados como críticos prontos a discriminar entre tipos diferentes de conteúdo, mas sim como robôs sem alma cuja função única é consumir conteúdo e produzir gráficos, tendências e bancos de dados para que ainda mais conteúdo lhes possa ser vendido. Já não compartilharemos aquilo que gostamos de modo consciente; em lugar disso, o Facebook compartilhará tudo -bom, ruim, interessante ou chato- em nosso nome

Tese: sites e redes, como o Facebook, começam a "perder" certa espontaneidade desorganizada dos comportamentos humanos, para traduzir tudo em tendências e gráficos, inclusive a própria espontaneidade, abreviada por operações do computador (não preciso nem "curtir" para o produto ser vinculado, etc.). Nisso, deveriam haver movimentos para "conter" essa espontaneidade apreendida.

Tudo se passa como se o Facebook não fosse, antes de rede social, uma empresa, e portanto com interesses sobre tudo o que diz respeito a seu produto. E qual é seu produto? Os próprios fluxos "subjetivos" a mover todo tipo de interação da rede social.  Não há espontaneidade "fora" do facebook (e a recíproca é verdadeira); uma vez dentro da rede, ela já não é mais "espontaneidade", no sentido requerido pelo autor. Qualquer pessoa que se subscreve ao Facebook já aceita, de antemão, ser um número, não importando mais o que faça ali (movendo um país como o Egito ou recebendo constrangimentos institucionais como o Wikileaks) ou a existência de links "curtir".

Basta ler as políticas de privacidade…

O autor também teme que a empresa rastreie dados quando o usuário não está logado. Novamente, tudo se passa como se esse tipo de prática não ocorresse há tempos, como já ocorre por exemplo em várias publicidades contextuais. Ou o usuário nunca estranhou em ver um anúncio de interesse muito próximo ao dos e-mails trocados nos últimos dias ou da comunidade preferida do Orkut? (ou qualquer coisa do gênero).

Um pouco como o filme sobre Buckerzerg mostra, contrapondo com outros sites: o diferencial é que o próprio usuário busca o Facebook, de algum modo ele mesmo desejou ser um número.

October 26, 2011

Para ajudar o Wikileaks


 

 

a wikileaks está colocando suas atividades em hiato por falta de verba. se você acredita no trabalho da wikileaks, faça uma doação. no brasil, você pode enviar um cheque por correio para a casa da cultura digital (rua vitorino carmilo 459, sp/sp). [reproduzido daqui, valendo ler a incrível e paradoxal omissão dos jornalistas brasileiros diante desse caso]

 

 

October 16, 2011

Somos os 99%



15-o pelo mundo

October 12, 2011

Naomi Klein sobre “Ocupa Wall Street”


(…) Se há uma coisa que sei, é que o 1% adora uma crise. Quando as pessoas estão desesperadas e em pânico, e ninguém parece saber o que fazer: eis aí o momento ideal para nos empurrar goela abaixo a lista de políticas pró-corporações: privatizar a educação e a seguridade social, cortar os serviços públicos, livrar-se dos últimos controles sobre o poder corporativo. Com a crise econômica, isso está acontecendo no mundo todo.

Só existe uma coisa que pode bloquear essa tática e, felizmente, é algo bastante grande: os 99%. Esses 99% estão tomando as ruas, de Madison a Madri, para dizer: “Não. Nós não vamos pagar pela sua crise”. (…)

 Na Carta Maior. Tem um pouco daquele velho tema de que, a despeito da importância óbvia, nos EUA tudo é o mais importante do mundo (alguns Bouazizis contestariam: por que melhor?)

Mas a citação e o texto acima mostram como a idéia da "Doutrina do Choque" também se aplica, com notável desfaçatez, nesse caso.

August 23, 2011

São as revoltas revolucionárias?


  "I suspect that when revolution comes, the ones who have been too long waiting for it will be the very ones who miss it"

Post do AdBusters sobre as recentes revoltas em Londres, comentando não apenas sobre Londres mas sobre a revolta (via @desobediente).

August 22, 2011

Hakim Bey, Kadhafi, autonomia…


 
 Meses atrás perguntávamos o que se passava na terra do ideólogo do Livro Verde. Como entrada, citamos um breve comentário mais antigo de Hakim Bey, bastante entusiasta de Kadhafi por sinal:
(more…)

Devires, Brasil e Mundo


Giuseppe Cocco dá uma bela entrevista ao IHU, explicando um livro que se conserva, segundo ele, bastante atual: MundoBraz: O devir-mundo do Brasil e o devir-Brasil do mundo (livrarias)

A brasilianização do mundo foi um tema muito importante na década de 90, em toda uma literatura crítica da globalização neoliberal e suas consequências nos países centrais, que tinham um forte sistema de proteção social, e que a globalização neoliberal vinha destruindo. Seja na teoria social, econômica ou na filosofia política, vários autores usaram a brasilianização como uma metáfora negativa. O Brasil ia se tornando um pesadelo para aquelas sociedades que tinham um pacto social avançado, com altos salários, sindicatos fortes, proteção social abrangente, que passavam por um processo de fragmentação social e por uma crise civil com o aumento da violência e da exclusão social. Tudo isso era chamado de brasilianização. Para o Brasil, a “brasilianização” se tornou um pesadelo ainda maior. A perspectiva de desenvolvimento, o fato de o Brasil ser, segundo o discurso nacional-desenvolvimentista, o país do futuro, que iria se industrializar, passar da periferia para o centro, através do processo de industrialização com a "brasilianização" ia por agua abaixo. A própria modernização trazida pela globalização, ao invés de diminuir a exclusão, distribuir riquezas e sistemas de proteção, vai aumentar a exclusão (fragmentar o emprego, precarizar o trabalho), privatizar os serviços e criar ainda mais problemas em termos de dinâmica e justiça social..

A proposta em termos de devir-Brasil do mundo é dizer que há uma brasilianização (essa metáfora pode ser, sim, utilizada), mas que há outro lado muito potente do Brasil, o devir-Sul do mundo. Deste devir, o Brasil é o protagonista, não como Estado-nação desenvolvimentista, mas como Brasil dos pobres, desinventado: desinventado porque o devir-Brasil do mundo é necessariamente e ao mesmo tempo um devir-mundo do Brasil. Quando falamos dos pobres, falamos de sujeitos atravessados por questões sociais de classe e também por questões culturais, de raça, de luta contra o racismo e a desigualdade, de reservas indígenas e tudo mais.

 Esse outro lado da "brasilianização" é o devir-Brasil do mundo, em que o país está, efetivamente, na frente, pois está em outro lugar em termos de políticas dos pobres, políticas sociais, de mestiçagem, de um governo que teve, nos últimos oito anos, uma experiência inovadora, extremamente interessante, de radicalização democrática, como nas políticas culturais, nas políticas de ação afirmativa (no Prouni), na distirbuição de renda e na demarcação das reservas indigenas (como no caso da Raposa Serra do Sol). Esse outro lado implica no fato, como propõe Viveiros de Castro, de desinventar o Brasil: o Brasil nacionalista, da homologação da cidadania sob a figura unívoca da modernidade ocidental e do emprego industrial, que não respeita os direitos dos índios, dos quilombolas e que não reconhece a urgência da luta ao racismo.

Entrevista completa

August 19, 2011

Darcus Howe, indignado britânico


Bela entrevista com Darcus Howe, famoso no mundo inteiro depois de uma entrevista sobre as revoltas londrinas.

"em certo momento as pessoas mudam quando se desenvolvem, mudam aquela energia para o verdadeiro inimigo e é isso que você está vendo em todo lugar" 

June 1, 2011

A revolta sem limites


 

Esse sou eu. Nesse momento eu estava realmente furioso, cheio de raiva. Eu fiquei muito impressionado com a maneira que eu saí daquela situação. Isso realmente me impressionou mais. Realmente eu pensava que tinha que falar sobre os meus valores, sobre os quais eu sempre tive a capacidade de não perder. Eu não falava em ‘esperança’ porque realmente não sei o que isso significa, mas sim de nunca perder a inteligência de tentar entender tudo apesar de todas as contradições. Veja a maneira como me trataram. Foi realmente… Em face de tudo isso, acusaram-me de deslealdade e traição. Eu saí daquilo por mim mesmo, com dignidade.  

As palavras acima (adaptadas) iniciam o documentário "A Eterna Revolta", sobre o militante italiano Antonio Negri.

Surpreende como essas palavras coincidem com um outro comentário de Negri a respeito de seu livro sobre Jó, escrito enquanto estava na prisão: em Jó, ele "buscava na análise do sofrimento uma chave para resistir". Diante de injustiças irrefreáveis, o uso da inteligência, a  constituição de um regime de persistência contra as adversidades. O interesse por Jó não era à toa…

Algum tempo atrás, Hugo Albuquerque postou o documentário, acrescentando alguns comentários. E Murilo Correia agora postou o documentário completo para download, com legenda em português (compilada por um de seus alunos). Bela contribuição sobre um belo trabalho.

May 10, 2011

Neve Gordon no Al Jazeera


Neve Gordon, autor de Israel’s Ocupation, tem uma coluna na Al Jazeera sobre política no oriente médio.

Comentamos sobre o livro nesse outro informe. Vale consultar também seus textos na página pessoal.

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