August 8, 2007

Sueño con Serpientes - Silvio Rodriguez

Para quem não conhece, Silvio Rodriguez é um cantor cubano. Lutou na Revolução, foi trabalhador em barco pesqueiro, e hoje é deputado. Seus temas refletem a situação da América Latina desde a segunda metade do século XX.
 
A primeira vez que ouvi a canção“Sueño con Serpientes” foi pelo conjunto Viento Sur, de Curitiba. Pertence ao primeiro disco desse grupo, que me fez conhecer, dentre outras preciosidades, Daniel Viglietti. É daquelas músicas de "tremer a espinha". Essa versão foi gravada em um documentário, em VHS. A imagem não está tão boa, mas o clima da gravação é bem legal!
 

 
Como Oxalá
"Hay hombres que luchan un día y son buenos.Hay otros que luchan un año y son mejores.Hay quienes luchan muchos años y son muy buenos.Pero hay los que luchan toda la vida:ésos son los imprescindibles".

Bertolt Brecht.

Essa interpretação também é muito bonita. 

August 5, 2007

Livros em lombo de mula

Uma universidade no interior da Venezuela implementou um projeto inusitado para levar livros e incentivar a leitura em vilarejos remotos do interior: criou bibliotecas itinerantes em mulas, ou “bibliomulas”.

A iniciativa atende comunidades remotas na região do Vale do Momboy, no leste da Venezuela, onde fica a região andina do país.

Pelo menos duas mulas são usadas atualmente no projeto. Elas levam, amarradas ao corpo, porta-livros com títulos diversos, que agradam em cheio principalmente às crianças das cidades nas montanhas.

O projeto tem feito tanto sucesso que a instituição responsável pelo projeto, a Universidade do Vale do Momboy, já está transformando as mulas em “cybermulas”, incorporando elementos eletrônicos como laptops e projetores. [BBC]

Sou meio suspeito ao elogiar projetos desse tipo. Em primeiro grau, são empreendimentos individuais, localizados, fruto de boas vontades. Não refletem melhorias estruturais, que de fato melhorariam a vida dessas pessoas.

Mas há também um componente romântico nisso. Como certos poetas, que largam tudo em busca do sonho de escrever. Kavafis tem uma passagem bem interessante, nas Reflexões sobre Poesia e Ética, a esse respeito. Refere-se a um pobre poeta que em uma ocasião o visitou. Kavafis, burocrata e com boas condições de vida; o poeta, pobre, e poeta:

mas como me custavam caro os meus pequenos luxos. Para garanti-los, eu abandonara meu pendor natural e me tornara um funcionário público (quão ridículo!), que gastava em pura perda horas preciosas do seu dia, às quais as horas de desencorajamento e fadiga que selhes seguiam. Que malbarato? Que malbarato e traição! Já ele, o pobre, não perdia tempo algum; estava sempre a postos, fiel e cumpridor filho da Arte. 

Julgamos que esse tipo de poeta não mais existe. Será que não mais?  

Falando em poesia…

O Indigo-Daisy, um blog iraquiano, indicou uma "poetisa" dos dedos, chamada Ivana Yahav. Ela cria imagens sequenciais simplesmente manipulando areia numa tela;)

July 22, 2007

Cuanto Puedas (Konstantinus Kavafis)

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Y si no puedes hacer tu vida como la quieres,
en esto esfuérzate al menos
cuanto puedas: no la envilezcas
en el contacto excesivo con la gente,
en demasiados trajines y conversaciones.

No la envilezcas llevándola,
trayéndola a menudo y exponiéndola
a la torpeza cotidiana
de las compañías y las relaciones,
hasta que llegue a ser pesada como una extraña.

- Konstantinus Kavafis -

Retirado de "Cien Poemas", de Kavafis. Tradução castelhana de Miguel Castillo Didier [pesquisa de preços]
(Atenção a como a tradução conserva as rimas) 

June 27, 2007

Poemas de Guantanamo

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Seguindo informe do Parapeito de Papel, o site da editora da Universidade de Iowa comunica o lançamento do novo livro Poems from Guantánamo - The Detainees Speak (editado por Marc Falkoff, informe aqui).
 
Junto a filmes como Road to Guantanamo, e manifestações artísticas como as de Bansky, o livro de poemas é um esforço a mais para dar voz a quem - no país da liberdade - não possui voz alguma.
 

Death Poem 

Take my blood.
Take my death shroud and
The remnants of my body.
Take photographs of my corpse at the grave, lonely.

Send them to the world,
To the judges and
To the people of conscience,
Send them to the principled men and the fair-minded.

And let them bear the guilty burden before the world,
Of this innocent soul.
Let them bear the burden before their children and before history,
Of this wasted, sinless soul,
Of this soul which has suffered at the hands of the “protectors of peace.”

(Jumah al Dossari)
 
*** 
Sobre a prisão de Guantânamo, o site Guantanamobile acompanha de perto as opiniões conflitantes, os acontecimentos, e o contexto das discussões, com farto material.
 
- Pesquisa de preços de livros e filmes sobre Guantanamo
 
***

Brinquedos novos  

Adicionei abaixo de cada post o sinal ("add this"). Apertando ali, abre uma janelinha para adicionar cada notícia a uma série de sistemas de bookmarks, como Digg, Technorati, e Del icio us.

A respeito do Del.icio.us, muito tardiamente encontrei uma boa utilidade para esse blog: trata-se do linkroll, instrumento para mostrar em um site os últimos links adicionados. Utilizarei para mostrar o que tem ocupado minha cabeça, e boas referências para acesso. O resultado está ao lado, em "agora".

Uma coisa bem engraçada é que, pela primeira vez, esse blog parece melhor visualizado pelo IExplorer. Sempre tive problemas com esse navegador, mas agora até que fica simpático, heheh

O blogsome teve uma pane de 12 horas. Como disse o administrador no fórum, o problema foi nos servidores. E não deram explicação. Esse é o problema desse tipo de coisa: não se tem muito o que reclamar, já que é grátis mesmo, rsss 
 

June 23, 2007

Wu Men em gotas

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"Para alcançares a grande Estrada, não haverá portões. Haverá, sim, mais de mil diversos caminhos a escolher. Uma vez atravessada a barreira sem portões, conseguirás andar livremente pelos caminhos entre o Céu e a Terra". - (Wu-Men)

*** 

dez mil flores na primavera,
a lua no outono,
a fria brisa no verão,
neve no inverno.

caso a mente não se nuble
com coisas desnecessárias
esta é a melhor estação da vida

(Wu Men

*** 

 um monge perguntou a Chao-Chou Ts´ung Shen,
"tem a árvore do carvalho
a natureza de Buda?"
Chao-Chou respondeu, "sim, ela tem"
continua o monge: "quando o carvalho alcança o estado búdico?"
Chao-Chou respondeu, "espere até que o grande universo desmorone"
insiste o monge, "e quando o universo desmoronará?"
Chao-Chou responde: "quando o carvalho alcançar Buda"

(Wu Men

***

um instante é eternidade
eternidade é o aqui.
quando vês através deste único instante,
és o instante que se vê a si

(Wu Men

(livre tradução/traição ;) )
(mais sobre Wu Men)

April 26, 2007

William Blake - The Book of Job (O Livro de Jó)

William Blake: Ilustrações para o Livro de Jó (1805-06 e 1821-27)

Segundo post sobre o Livro de Jó. O escritor inglês William Blake [pesquisa de preços de seus livros] é conhecido por seus poemas acompanhados de ilustrações. As ilustrações ao Livro de Jó são carregadas de simbolismos, hermetismos e esoterismos também encontrados em diversos outros artistas dos séculos XVIII-XIX. Abaixo, vinculo as gravuras de Blake, todas vinculadas na origem. Tomei a liberdade de reproduzir também os enunciados, em inglês, tal como são encontrados na fonte. Já tinha pensado em traduzir tudo. Fica para outra oportunidade ;)
 
Quanto ao próprio Jó, não estou certo de ter postado por aqui sobre ele. O comentário do Leandro do último post deu a entender que sim - tanto quanto Jó às vezes está presente nos Meandros. Mas nem sempre a procura do wordpress (seria do blogsome, apenas?) funciona bem. 
 
(more…)

February 13, 2007

Coisas de Curitiba Vol. III

 
 
fazer um amigo
em Curitiba
é quase como entrar
numa seita secreta

não é que por trás
das feridas
existem portas abertas?

 
(pitu)
 
coisas de curitiba vol. I e II 

November 30, 2006

O amor romântico é como um traje

O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o príncipio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.

In Livro do Desassossego, Bernardo Soares (semi heterónimo de Fernando Pessoa) [pesquisa de livros] (ressonância com o Absorto)

September 16, 2006

De quem é esse poema original?

Bom, essa é ao mesmo tempo, uma charada, e um presente. Charada: de quem é esse poema? Presente: está aí, para ver… ;)

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ps: Como respondido, o poema é "O Guardador de Rebenhos", de Alberto Caeiro/Fernando Pessoa. O manuscrito é de próprio punho do autor (!!!), e pode ser encontrado por completo aqui.

July 24, 2006

Caminante, no hay camino…

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar.

Antonio Machado. Estive procurando por esse poema completo, e pelo nome do autor, por eras. Só fui encontrar em um post do franco-atirador.