October 12, 2007

Uma demonstração científica da vida futura

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Encontrei por acaso o A Scientific Demonstration of The Future Life, de Thomson Jay Hudson, publicado em 1896 (a edição do link é de 1895).

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September 28, 2007

Personal Friend

Agora inventaram o Personal Friend:

Seus amigos não te ouvem? Está se sentindo só? Não tem companhia para dar uma volta no shopping? Seus problemas acabaram! Depois do personal trainer e do personal stylist, um novo profissional batizado com o modismo do prefixo em inglês chega ao mercado para atender aos solitários de plantão: o amigo de aluguel.

O personal friend (ou amigo pessoal), criação do empresário carioca Silvério Veloso, de 42 anos, surgiu em novembro do ano passado. A um preço que restringe a clientela a membros das classes média e média alta - R$ 300 por sessão, com duração de 50 minutos - ele já conta com cerca de 20 "amigos" fiéis.

- É como se eles estivessem comprando mesmo um amigo. A gente conversa sobre tudo. A pessoa fala o que quiser, é um amigo de confiança que ela tem ali, mas é tudo profissional - explica Silvério, graduado em educação física, com mestrado em gestão de negócios e especialização em empreendedorismo comportamental.

Escritório itinerante: O personal friend faz questão de enfatizar que não entra no ramo da psicologia. Seu diferencial seria o fato de ir aonde o cliente está. Sem escritório fixo, Silvério realiza as sessões em shoppings, restaurantes ou numa caminhada no calçadão

Espera aí: psicólogo é amigo em consultório? Uma relação amistosa entre cliente e serviço, na qual o serviço é a própria amizade, é uma relação de amizade?

Sempre houveram vínculos de amizade entre clientes e prestadores. Mas que estatuto damos à amizade, agora que ela é o próprio conteúdo da prestação de serviços?

O que torna uma atividade interessante imaginar como será no futuro o "mercado" de amigos: currículos nas agências de emprego, entrevistas, consultorias, amigos coletivos para motivação nas empresas, organizações terceirizadas…

Como o que vai para a entrevista com o currículo de "personal friend". Senta-se na cadeira, e para dar tom de credibilidade, menciona: "Fui indicado pelo Sr. Fulano". O entrevistador dá-se conta, e pensa: espere aí, se Fulano me indicou um personal friend, não deve ser meu amigo. Quem indicaria um personal friend? emoticon

***

Uma descrição da função (no título, "Homem- hetero, personal friend"):

Ser Amigo Profissional, de forma Ética e Moral, acompanhando pessoas individuais, família, ou grupos de negócios, nas mais variadas situações, desde uma simples caminhada nos shoppings ou parques, a passeios por outras cidades ou eventos comerciais, de forma descontraída, ouvinte e motivadora, através de uma postura séria, para que a pessoa possa sentir-se segura e confortável com privacidade e sigilo preservados.

Outra descrição ("homem hetero - personal friend (mulheres)" ):

 Você anda sem companhia para se divertir? Precisa de alguém para conversar? Sente-se sozinha? Personal Friend. Atencioso, simpático e inteligente. Qualquer dia ou horário. Roteiros personalizados. Sigilo absoluto.

Ainda, um anúncio de jornal. A coisa começa a se alastrar. Interessante também é elucidar o que significa esse "empreendedorismo comportamental".  

September 22, 2007

Reflexão e experiência

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"Reflexão sem experiência e experiência sem reflexão são ambos sem poder algum".
(Wundt, W. Lectures on human and animal psychology(1894-1907, p. 8)

September 17, 2007

Controle suas emoções (1950)


O vídeo acima é uma espécie de programa de instrução sobre como controlar as emoções. Como vários vídeos e livros difundidos até o nascimento da literatura de auto-ajuda (lembremos que esse termo é bem recente), esse tipo de instrução sempre trouxe uma espécie de fascínio: eram os “cientistas”, “psicólogos”, “especialistas”, e afins, que entendiam de comportamento, e traziam o entendimento do comportamento correto para a prática cotidiana.

Nesse vídeo em questão, é curioso notar: o “especialista”, sério e equilibrado, explica o comportamento emocional com base em um esquema estímulo-resposta. Atualmente - e já era assim nos anos 50 - sabe-se que tal tipo de modelo explicativo não consegue dar conta de comportamentos complexos, e nisso constam também os comportamentos emocionais.

Mas o que se mostra mais interessante, nisso tudo, é que no fundo parece não haver necessidade de um princípio explicativo que dê conta da prescrição. Basta ela mesma. O especialista poderia adotar tanto esse esquema S-R, como qualquer outro, e a prescrição permaneceria em pé.

O que tudo isso diz? Que, em diversos momentos, certos tipos de relação são dadas como legítimas sem uma discussão prévia que as legitime. Em outras palavras, certas práticas sociais são dadas como evidentes e corretas simplesmente pelo pressuposto de partirem dos especialistas. Como na velha falácia do argumento de autoridade, com a diferença de que há algo mais do que o mero convencimento em jogo. Especialmente quando tal prescrição atinge o estatuto de comunicação de massa.

September 16, 2007

Gustav Fechner em dois livros

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Para quem não conhece, Gustav Fechner é considerado um dos "criadores" da psicologia moderna, ao elaborar a famosa Lei de Fechner.

Também tinha inclinações místicas. É o que mostram duas raridades, sobre a questão da vida após a morte. Um dos livros abaixo é do punho do próprio Fechner (com um prefácio de William James). Outro, um comentário, de Hugo Wernekke. Duas edições originais, e preciosíssimas:

O "Pequeno Livro da Vida após a Morte" adquire curiosas nuances, sabendo que em jogo, na Lei de Fechner, figura precisamente as relações entre o psiquismo e o corpo, ou entre a física e o mundo psíquico.

September 12, 2007

O cérebro dos políticos

O SCIAM publicou a informação de um estudo no mínimo controvertido: "Somos predispostos para crenças políticas?". Pesquisaram 43 indivíduos. Inicialmente cada um se auto-classificava em uma escala de "extremely liberal" a "very conservative". Após isso, realizou-se um teste para averiguar como cada indivíduo adaptava respostas treinadas a novos estímulos.

Para medir o grau do conflito diante dos novos estímulos, lá estava o bom e velho cérebro, mais especificamente o cíngulo anterior cortical (anterior cingulate cortex ou ACC). Indivíduos auto-denominados "liberais" desempenharam maior sensibilidade para mudança do que os colegas "conservadores":

"People who have more sensitive activity in that area [ACC]'’, he notes, "are more responsive to these cues that say they need to adapt their behavior," reacting more quickly and accurately to the unexpected stimulus. On average, people who described themselves as politically liberal had about 2.5 times the activity in their ACCs and were more sensitive to the "No-Go cue'’ than their conservative friends.

"They are more sensitive to the need for change and more sensitive to the need to change their behavior," Amodio says about the politically left-leaning subjects.

Isso abre uma série de questões: que área cortical ou escala numérica poderia representar as opções políticas correspondentes ao Hamas e ao Fatah? E quanto ao Likud, ao Kadima, e ao Partido Trabalhista israelenses? O que dizer do Partido Comunista Francês? E os sociais democratas, onde ficariam nisso tudo? Comunistas chineses teriam resultados semelhantes aos cubanos? E mais: como caracterizar partidários de regimes ditatoriais financiados por democracias?

Esperemos os resultados mais surpreendentes: como seria o resultado ao comparar um Khoisan africano com um coroné brasileiro? Ou pensemos ainda, em um futuro próximo, nos estudos aplicados ;)

September 10, 2007

O que pode um cérebro?

img107/6851/xbrainub2.gif(Essa vai para certos tipos de programas que vemos por aí. ;) ) O que pode um cérebro? Essa pergunta é feita hoje em dia pelos mais diversos meios de divulgação da ciência, especialmente pela mídia de massa. Diz-se muito sobre o ‘poder do cérebro’, dos ‘cuidados’ para com ele, do que pode fazer, e dos grandes ’segredos’ da verdade sobre esse órgão. Mas, enfim, o que pode um cérebro?

Em primeiro lugar, um cérebro pode, quando obviamente ‘ligado’ (estar ligado já é redundante) ao corpo vivo qual faz parte, emitir uma série de sinais elétricos. Junto a esses sinais, é um complexo órgão que envolve toda uma cadeia de células e substâncias que, com os impulsos elétricos - e o corpo vivo a ele ‘ligado’ - auxiliam a auto-regulação de um organismo. Enfim, um cérebro - como os outros órgãos - preserva um corpo vivo, e faz parte das relações sistemáticas e funcionais inerentes ao organismo.

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August 22, 2007

Câmeras, vigilância, e camuflagem

Alguns dias atrás vi em um jornal como câmeras são e tendem a ser cada vez mais colocadas estrategicamente em locais de trabalho. Iniciativa considerada "louvável" por quase todos os entrevistados.
 
As câmeras são um passo a mais diante de outra novidade: a ausência de paredes ou biombos nos ambientes de trabalho. Atualmente, todo mundo é sistematicamente observado, a qualquer hora.
 
Diferente dos ambientes abertos, as câmeras conferem uma vantagem: o observador não é observado. Com ela, o indivíduo observado não precisa de um observador constante, pois não sabe quando haverá alguém do outro lado da câmera. A própria câmera serve de garantia: registra tudo, sem precisar necessariamente de observadores.
 
Estranho, nisso tudo, a nova prática ser elogiada também pelos observados. Como já vimos, pessoas tendem a ser mais altruístas quando estão sob o olhar de outrem. Mas no caso do trabalho, o liame entre a ‘qualidade’ e a liberdade individual, nesses casos, é bem tênue.
 
Ainda, isso implica em uma certa faceta curiosa das novas relações trabalhistas. Contra a antiga burocracia e rigidez do trabalho, o discurso atual prega sobre pessoas maleáveis, criativas, desenvoltas com a tarefa. Valorizam-se ambientes produtivos, que incentivam as características individuais e subjetivas. Diferente do que ocorria alguns anos atrás, sustenta-se que hoje o trabalho está diretamente ligado às características de uma pessoa. Quem você é está diretamente implicado com o que você faz, e se faz bem.
 
Daí encontrarmos, nessas câmeras, um outro lado do trabalho, inconfesso. Sustenta-se o discurso de que o trabalhador é agora um colaborador: dinâmico, maleável, criativo, e no limite, livre. Mas ao mesmo tempo, desenvolvem-se cada vez mais mecanismos para que ele seja observado, fiscalizado, enfim, que nenhum ato fuja a certas regras explícitas e implícitas. Curiosa é a liberdade que se desenvolve sob vigilância. Seria isso necessário ao trabalho? Não é à toa que se inventam novas noções todos os dias, como a recente "resiliência". Noções - diga-se de passagem - que não implicam nenhum conceito científico: apenas justificação de práticas de viés econômico.
 
Por sob esse tipo de contexto, uma artista holandesa chamada Desiree Palmen desenvolveu um tipo de fotografia muito curioso. Intituladas "Camouflage", ou mesmo "Surveillance camera project", suas exposições tematizam pessoas dissolvidas em ambientes abertos e fechados. As implicações de sua arte são bem sugestivas:
 
 
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August 12, 2007

Sobre evolução, macacos, e blogueiros

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1) Encontraram na Indonésia um crânio semelhante, porém muito menor que o de um homem comum. Denominado Homo floresiensis, teria evoluído numa direção diferente do Homo sapiens. Mediam em torno de 1 metro de altura, e as dimensões pequenas seriam privilegiadas em função de predadores. Alguns ainda os chamam de "Hobbits".
 
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2)  Em um lugar chamado "Vale de Turkhana", no Quênia, encontraram dois fósseis de antepassados do homem que viveram na mesma época. Um, de Homo habilis; outro, de Homo erectus. Até agora, sempre se acreditou que o Homo habilis precedeu a outra espécie. O dado de que as duas espécies conviveriam em locais próximos, numa mesma época, contraria essa tese.
 
3) Não sabia ainda, mas saiu em português uma edição do livro A expressão das emoções no homem e nos animais, de Charles Darwin [pesquisa de preços]. Estou muito curioso para conhecer. Bem como A Perigosa Ideía de Darwin, de Daniel Dennett [pesquisa de preços].
 
4) Sobre macacos, o Inagaki escreveu sobre a nova campanha publicitária do Estadão, que associa os blogueiros a esses primatas. A moral da história é mais ou menos a seguinte: acesse conteúdo "confiável" (leia-se: do Estadão), pois você mal sabe de quem são as palavras que está lendo… Como se o atestado de qualidade de um escrito estivesse apenas no RG, hehehhe  Ou melhor ainda: coitado do Estadão, que parece fiar-se mais no descrédito dos outros, do que no crédito de si mesmo!
 

August 7, 2007

Cafeína ajuda a estudar?

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imagem daqui
 
Quem nunca precisou ficar uma noite inteira acordado para cumprir alguma difícil e demorada tarefa? Temos aquela velha receita: um bom café faz acordar, e ajuda no rendimento da tarefa, certo?
 
Tudo indica que café é bom, mas depende da tarefa: caso requeira memória de operação, ou de curta duração, ajuda. Mas se precisarmos recorrer a recordações mais remotas, a cafeína diminui a capacidade de evocar as lembranças. Em outras palavras, café é muito bom para despertar durante a manhã. Mas para estudar de madrugada…
 
Pelo menos é o que sugere um estudo recente. Recente? Putz, o estudo é de 2004. Acabei de constatar uma coisa: a cafeína interfere também na atenção!
 
(mas os links são bem interessantes)
 
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ATUALIZAÇÃO emoticon

café

Uma adolescente de 17 anos foi levada ao hospital na Grã-Bretanha depois de ter tido uma "overdose" de café.

Jasmine Willis passou mal depois de beber sete cafés expressos duplos durante o seu turno de trabalho na lanchonete da família.

Inicialmente, ela teve acessos de riso e choro enquanto servia os clientes na lanchonete.

Os sintomas pioraram quando o pai a mandou para casa. A adolescente começou a ter febre e a hiperventilar e foi levada a um hospital local, onde os médicos confirmaram que ela havia tido uma overdose de cafeína.

Jasmine, de Durham, no norte da Inglaterra, já se recuperou, mas a experiência traumática a levou a sair a público para fazer um alerta às pessoas sobre os perigos de beber café em excesso. [bbc]