O Kanchenjunga esta tarde. As nuvens desta manhã repartiram-se levemente; a montanha, o maciço dos picos anexos começaram uma grande, lenta e silenciosa dança do dorje em neve e névoa, luz e sombra, planos e forças, súbitas torres de nuvens elevando-se em espiral saídas de dentro de orifícios gelados, extensões azuis de rochas semi-elevadas, picos surgindo e sumindo, mas sempre permanecendo o topo do Kanchenjunga como destaque visível e constante de todo o vagaroso espetáculo. Durou horas. Imponente e lindo. Ao cair da tarde as nuvens afastaram-se mais; só ficou um longo avental de névoa e sombra abaixo dos picos principais. Houve discretas exibições de cor-de-rosa de prostíbulo, mas quase tudo era contorno e linha e sombra e forma. Ó Mãe Tântrica Montanha! Palácio de yin-yang, oposto da unidade! Palácio de anicca, impermanência e paciência, solidez e não-ser, existência e sabedoria. Grande acordo do ser e do não-ser; convenção que não ilude a quem não quer ser iludido. A total beleza da montanha só aparece quando se concorda com o "paradoxo impossível": ela é e não é. Quando nada mais é preciso dizer, a fumaça das idéias se desvanece e a montanha é VISTA.Testamento do Kanchenjunga. Testamento do velho Melquisedec anônimo. Testamento anterior aos sacrifícios e aos touros. Testamento sem Lei. Testamento NOVO. Círculo completo! O sol se põe a Leste! E as irmãs do Loreto, só perguntavam: "Já viu as neves?" Será que falavam a sério? [ O Diário da Ásia, p. 119 - pesquisa de preços ]
Em outro post, apresentando Thomas Merton, mostramos uma bela passagem em que ele se refere à manhã como point vierge, "ponto virgem": momento de "inexprimível inocência", em que "o paraíso nos envolve e não entendemos". Os pássaros são convidados a "ser", quando então começa todo o movimento da manhã. A vida contemplativa deve oferecer uma área, um espaço de liberdade, de silêncio onde se possam manifestar novas aptidões e novas seleções - escolhas superiores às de rotina. Deveria criar uma nova consciência de tempo - não no sentido de uma substitituição da imobilidade, mas como um "temps vierge". Não como um vazio a preencher ou um espaço intocado a conquistar e violar, mas um espaço onde se possa usufruir das próprias potencialidades e anseios e da presença de si-mesmo. O tempo da pessoa. Não porém ocupado pelo próprio ego com suas exigências, mas aberto aos outros - um tempo compassivo, tendo ao fundo a consciência da ilusão comum e a crítica desta. [Diário da Ásia, p. 89 - pesquisa de preços]
Tenho lido bastante Thomas Merton [pesquisa de livros], nos últimos dias. Especificamente, seu Diário da Ásia. Merton pertencia a uma das ordens monásticas mais rigorosas do catolicismo: a Trapa. Morreu em dezembro de 1968, no oriente, quando visitava várias tradições orientais. "O Vaticano deve divulgar nesta terça-feira um documento que define a Igreja Católica como a única igreja de Cristo.
O texto da Congregação para a Doutrina da Fé, responsável por promover e tutelar a doutrina da fé e a moral no mundo católico, deve esclarecer uma frase do documento Lumem Gentium ("A luz das nações", sobre a missão universal da igreja), do Concílio Vaticano 2º, dizendo que a única igreja de Cristo "subsiste" na Igreja Católica.
Durante o Concílio, uma reunião de bispos e cardeais realizada entre 1962 e 1965, a igreja adotou mudanças, como a realização de missas nos idiomas modernos, e afirmou o respeito aos não-católicos.
Andrea Tornielli, vaticanista do jornal "Il Giornale", afirma que o documento desta terça-feira também deve confirmar a declaração Dominus Iesus, aprovada pelo papa João Paulo 2º em 2000, segundo a qual apenas a Igreja Católica dispõe de todos os meios de salvação.
A declaração causou, na época, protestos das igrejas protestantes, classificadas como simples "comunidades eclesiásticas".
Segundo Tornielli, o emprego do verbo "subsiste" no texto do Concílio Vaticano 2º gerou diversas interpretações nos últimos anos, apesar de a Dominus Iesus ressaltar que o Concilio Vaticano 2º queria dizer "existe realmente".
"O objetivo da nova declaração é combater o que o papa Bento 16 considera como ‘relativismo eclesiológico’, segundo o qual todas as igrejas que dizem fazer parte do cristianismo têm o mesmo nível de verdade ou que cada uma delas não têm mais que uma parte desta verdade", diz o vaticanista. (…)" [linkado daqui, graças ao informe do Olho-Dínamo]
Como deve entender-se a afirmação de que a Igreja de Cristo subsiste na Igreja católica?Resposta: Cristo "constituiu sobre a terra" uma única Igreja e instituiu-a como "grupo visível e comunidade espiritual"[5], que desde a sua origem e no curso da história sempre existe e existirá, e na qual só permaneceram e permanecerão todos os elementos por Ele instituídos[6]. "Esta é a única Igreja de Cristo, que no Símbolo professamos como sendo una, santa, católica e apostólica […]. Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele"[7].
Na Constituição dogmática Lumen gentium 8, subsistência é esta perene continuidade histórica e a permanência de todos os elementos instituídos por Cristo na Igreja católica[8], na qual concretamente se encontra a Igreja de Cristo sobre esta terra.
Enquanto, segundo a doutrina católica, é correcto afirmar que, nas Igrejas e nas comunidades eclesiais ainda não em plena comunhão com a Igreja católica, a Igreja de Cristo é presente e operante através dos elementos de santificação e de verdade nelas existentes[9], já a palavra "subsiste" só pode ser atribuída exclusivamente à única Igreja católica, uma vez que precisamente se refere à nota da unidade professada nos símbolos da fé (Creio… na Igreja "una"), subsistindo esta Igreja "una" na Igreja católica[10].
Porque se usa a expressão "subsiste na", e não simplesmente a forma verbal "é"?
Resposta: O uso desta expressão, que indica a plena identidade da Igreja de Cristo com a Igreja católica, não altera a doutrina sobre Igreja; encontra, todavia, a sua razão de verdade no facto de exprimir mais claramente como, fora do seu corpo, se encontram "diversos elementos de santificação e de verdade", "que, sendo dons próprios da Igreja de Cristo, impelem para a unidade católica"[11].
"Por isso, as próprias Igrejas e Comunidades separadas, embora pensemos que têm faltas, não se pode dizer que não tenham peso ou sejam vazias de significado no mistério da salvação, já que o Espírito se não recusa a servir-se delas como de instrumentos de salvação, cujo valor deriva da mesma plenitude da graça e da verdade que foi confiada à Igreja católica"[12].
Em suma, a resposta pareceu conciliadora, tentando eufemizar a preponderância do catolicismo sobre os outros cristianismos.
A Igreja parece hoje estar na cruzada dos dois caminhos: uma via, aberta pelo Vaticano II, abre o diálogo ecumênico, e formaliza posturas como a de Thomas Merton; outra via, mais "defensiva", recoloca antigas posições (como as missas em latim), e reafirma o primado do catolicismo. A "defesa" serve para não legitimar certas práticas como a multiplicação das igrejas de esquina; mas leva junto o desconforto de uma certa interrupção do diálogo.
O que é ainda pior que o debate das escolas americanas sobre o ensinamento da desalmada doutrina da evolução, é a ausência de debate sobre um assunto que americanos racionais irracionalmente concederam ao "secular" entre nós: o assunto do Heliocentrismo, ou a idéia de que a Terra circunda o Sol.
Eu acredito na Bíblia, e não quero ver meus filhos aprendendo sobre Heliocentrismo na escola. Penso que essa doutrina encoraja o ateísmo, o Darwinismo e o anti-Americanismo. Não quero ver meus impostos financiando esse tipo de falsa ciência.
para ambas as razões, morais e teológicas, devemos sempre manter em mente que a Terra não se move. Caso se movesse, poderíamos sentir ela se movendo. Isso se chama empirismo, a experiência dos sentidos.
No decorrer do século XX uma série de pensadores dedicaram-se, de alguma forma, a responder essa pergunta. Maurice Blanchot, Georges Bataille, Pierre Klossowski, dentre outros, retomaram em dois outros pensadores - Nietzsche e Sade - o que poderia ser algo como um ‘pensamento ateu’. A partir de Sade, deixo abaixo uma citação muito interessante, do comentário de Otto Maria Carpeaux:
"Quem é ateu? Uma pessoa que nega a existência de Deus? Assim se acredita. Mas é um erro. Quem nega a existência de Deus, mas continua adorando e exaltando os principais atributos de Deus - o Amor, a Sabedoria, a Justiça - este não nega realmente a existência divina, mas apenas dá outro nomes ao Supremo Ser. Bem disse Ludwig Feuerbach: ‘Só é verddeiro ateu aquele para quem os predicados do Divino não significam nada; mas não é verdadeiro ateu aquele para o qual não significa nada só o sujeito daqueles predicados. Temos visto inúmeros ateus que, negando a existência de Deus, divinizam no entanto o Amor divino e a Justiça divina e continuam obedecendo aos mandamentos da moral e da ética judeu-cristã. Mas o verdadeiro ateu nega justamente a moral que Deus (inexistente para o ateu) impôs ao gênero humano. Um dos mandamentos essenciais dessa ética é a moral sexual, o refreamento do instinto sexual e de todas as suas manifestações. Mas o Marquês de Sade negou a moral sexual do Cristianismo e desobedeceu sistematicamente ao refreamento do instinto sexual em todas as suas manifestações. Já antes de Nietzsche, esse outro grande adversário da moral cristã, teve Sade o direito de dizer: ‘Para mim, Deus morreu’" (in SADE. Justine ou os Infortúnios da Virtude. RJ, Saga:1968. - pesquisa de preços)
. Entrei hoje em um sebo no interior de SP, e no primeiro livro que chama a atenção, lá está o mesmo nome do autor em letras garrafais. Abro o livro, e na primeira página aberta, a mesma foto de Merton com o Dalai Lama
.O que é essencial na vida monástica não é representado nem por construções de tipo especial, nem por vestuários deste ou daquele corte, nem mesmo está contido em uma Regra. Representa alguma coisa que supera a própria regra. Concentra-se na procura de uma transmutação interior profunda. Tudo mais deve ser colocado a serviço dessa finalidade… O monge pertence ao mundo mas o mundo pertence a ele na medida em que ele se dispôs a libertar-se dele, mas para o libertar (p. XII)
O Buda perguntou a Sariputra: ‘Acreditas em mim?’ Sariputra respondeu: ‘Não’. Mas o Buda o elogiou por isso. Foi o discípulo favorito porque não acreditava em Buda, apenas o respeitava como a outro homem qualquer, mas que tinha sido iluminado.Que é o ‘conhecimento da libertação?’ - eu perguntei. - ‘Quando você está em Bancoc, você sabe que está ali. Antes disso você só sabia a respeito de Bancoc. A pessoa tem que subir todos os degraus e, depois, quando não há mais degraus, terá que dar um salto. O conhecimento da libertação é o conhecimento, a experiência desse salto’. (Diário da Ásia, p. 10)

Thomas Merton com o Dalai Lama, em 1968 (daqui)
Thomas Merton é um monge trapista norte-americano, que escreveu vários livros [pesquisa deles em várias editoras], e dialogou com uma série de personalidades influentes do século XX. O interessante, nos textos de Merton, é a presença de toda uma atitude espiritual, um tanto mística, junto à crença católica. Livros sobre a "experiência humana do Divino", zen-budismo e Chuang Tsé (um taoísta), mostram bem esse diálogo e essa atitude.
Abaixo destaco uma bela passagem sobre o amanhecer, retirada do blog "Reflexões de Thomas Merton". Sobre a ‘manhã’, vale a pena ver também o belo poema de Kavafis
“Os primeiros chilreios dos pássaros ao acordar marcam o point-vierge [ponto virgem] da aurora sob um céu ainda desprovido de verdadeira luz. É um momento de temor reverente e de inexprimível inocência, quando o Pai, em perfeito silêncio, lhes abre os olhos. Eles começam a Lhe falar, não em um canto fluente, mas com uma pergunta de despertar que é o estado de aurora deles, seu estado no point-vierge. Sua condição pergunta se para eles é tempo de ‘ser’. Ele responde “sim”. Então, um por um, despertam e se tornam passarinhos. Manifestam-se como passarinhos e começam a cantar. Logo serão plenamente eles mesmos e até voarão.Aqui há um segredo inefável: o paraíso nos envolve e não entendemos. Está escancarado. A espada foi retirada, mas não sabemos. Partimos: ‘um para sua fazenda, outro para seus negócios.’ Luzes acesas. Tique-taque dos relógios. Barômetros em ação. Fogões cozinhando. Barbeadores elétricos enchendo os rádios de estática. ‘Sabedoria’ clama o diácono da aurora, mas não acorremos.”
Conjectures of a Guilty Bystander, de Thomas Merton
(Doubleday, New York), 1966. p. 131-132
No Brasil: Reflexões de um espectador culpado, (Editora Vozes, Petrópolis), 1970. p. 151-152
Reflexão da semana de 07-05-2007
Um pensamento para reflexão: “O momento mais maravilhoso do dia é quando, em sua inocência, a criação pede licença para ‘ser’ de novo, como na primeira manhã de todos os tempos.”
Reflexões de um espectador culpado, Thomas Merton
Eu antes de começar fazer esse curso [de psicologia] conversei seriamente com meu Pastor, e ele me orientou… Nas aulas de antropologia, da nojo, embrulha-se o estomago, ai vc ve mesmo como o homem é cego, e como a ciencia tem sido uma arma de satanas pra cegar o entendimento das pessoas. Com certeza vc vai estudar que nos somos seres q evoluimos, mas por todos os argumentos e provas que estes seres seculares digam ter, nao tem todas as evidencias, e nunca vao ter, pois a unica evidencia esta nos céus, e se chama Deus! Por isso temos nao deixar a biblia de lado, estudar ela pra termos argumentos qdo formos abordados sobre isso, temos q defende o q cremos, nao apenas acharmos alguma coisa, dizer q cremos q Deus criou o mundo e pronto, temos q ter mais argumentos, achar as falhas da ciencia, como no carbono 14 tem falhas, e é ele quem da a idade dos fosseis… temos que nos revestir de toda a armadura de Deus! Foi depois q comecei a estudar psico q aprendi a dar mais valor a biblia, perdemos nosso tempo tendo q aprender essa doutrina satanica do evolucionismo, enqto poderiamos empreender nosso tempo com as escrituras… qdo nós perdemos algo, é q damos valor… Os psicologos dizem q nao deve misturar religiao, mas eles vivem tentando colocar espiritismo no meio, e eu nas aulas deixo minha posição, nao se coloca cristianismo, nao se deve colocar espiritismo, é religiao nao é? Entao! A paz de Deus a vcs, irmaos de luta e de profissao!