March 28, 2008

Bento XVI afirma que Ressurreição é ‘’verdade histórica'’

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March 20, 2008

A Páscoa e a “radicalidade” do Cristão

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Alvaro Pires de Evora - Cristo Ressuscitado (1430) 
 
Via de regra, considera-se o Natal a principal data do cristianismo. Mas para a Igreja Católica, a principal data é a Páscoa. Isso por um motivo trivial: não fosse pela Páscoa, não haveria cristianismo.
 
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March 17, 2008

Os arquivos da Inquisição, e o julgamento de Galileu Galilei

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Muito se diz sobre a Idade Média ser uma "idade das trevas", repleta de preconceitos, opressões e práticas bárbaras. Em via contrária, cada vez mais se propaga que a Igreja era a única instituição ainda existente com uma dose mínima de coerência, durante a época: nela ela confluiu o que se poderia chamar de "conhecimento" e "moral", para além de todos os recortes fragmentários.
 
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March 3, 2008

A Iurd e os jornais II

Lembram dos processos da Igreja Universal contra a Folha, e o sarrinho do Economist sobre a instituição de Edir Macedo?

As ações orquestradas pelos fiéis - lembremos que os textos dos processos são incrivelmente parecidos, embora elaborados em municípios distantes - começam a ser negadas pelos juízes. A Folha de São Paulo comemora: das 68 ações até agora, já venceram 12.
 
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December 19, 2007

Norman Cohn (1915-2007)

 Só agora este blog soube do falecimento do historiador inglês Norman Cohn, em 31 de julho de 2007. Por aqui, houveram pequenos apontamentos sobre o autor, e seu Caos, Cosmos e o mundo que virá. Informes sobre o escritor, e obituários:
Diz-se, a propósito de seu The Pursuit of the Milenium, que haveria uma certa continuidade entre temas cristãos medievais da salvação vindoura, e crenças contemporâneas como o nazismo e o comunismo. Talvez a analogia seja um pouco precipitada (tanto quanto reúne temas bem distantes no tempo), e aí está uma boa questão a ser resolvida com a leitura do livro. Mas, sobre Caos, Cosmos…, o mote da análise é muito interessante. Respeita diferenças históricas dos textos bíblicos, e sugere hipóteses sobre a evolução do monoteísmo judaico, junto ao nascimento de novas crenças no exílio babilônico.

November 2, 2007

Cristo com o Globo Terrestre

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Encontrei a imagem acima em uma exposição da BBC sobre Portugal. Chama-se "Cristo com Globo Terrestre, de Caspar Vopel (1537). (Estranho não ter encontrado ainda nas referências de Vopel tal imagem)
 
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October 17, 2007

Os “Evangelhos Perdidos”

 Terminei de ler Os Evangelhos Perdidos, de Darrell Bock, presenteado pelo Batista. Pequena brecha no tempo cheio…

O panorama geral são os novos resultados das pesquisas sobre os textos encontrados em Nag Hammadi. Descobriram-se lá vários evangelhos Gnósticos ou com traços gnósticos. Segundo a moda recente de livros como o Código Da Vinci, esses livros revisariam tudo o que conhecemos sobre o cristianismo. Por exemplo, contra idéias "machistas" dos evangelhos tradicionais, os novos mostrariam também a importância das mulheres.

Junto a esses modismos, uma série de acadêmicos sustentariam as novas teses. Bock pretende refutá-las. Para isso, empreende dois critérios centrais na argumentação. O histórico julga os textos conferindo uma autoridade "relativa" com base na própria antiguidade. Textos mais antigos teriam maior valor por se aproximarem dos ensinamentos mais antigos. O segundo critério seria o da coerência dos textos entre si, não apenas na forma, mas no conteúdo. Textos mais coerentes e antigos tenderiam a se aproximar mais das idéias e práticas dos "fundadores" do movimento.

Quanto à forma, textos tradicionais e ‘apócrifos’ coincidiriam em vários pontos e temas, tais como a ressurreição e a divindade de Jesus. Quanto ao conteúdo, haveriam diferenças marcantes, e mais: separadas em momentos históricos distintos. Bock situa os evangelhos tradicionais no século I, enquanto os textos de Nag Hammadi datariam do fim do século I (partes do Evangelho de Tomé) ao IV. Ainda, enquanto os textos apócrifos não teriam grandes princípios de coerência no conteúdo, encontra-se certa coerência em todos os textos tradicionais.

Conclusão: os textos considerados "tradicionais" são para Bock mais antigos, e mais coerentes entre si, do que os outros textos. Isso permitiria concluir que estariam mais próximos dos ensinamentos dos primeiros cristãos. Ainda, se a ortodoxia cristã foi criada apenas no século III, haviam elementos prévios que a tornaram possível; não foi apenas um gesto arbitrário de padres que "ganharam" poder.

Pontos negativos (como já comentamos): o livro tem uma série de declarações em tom de "instrução", subestimando a inteligência do leitor. Apela também às vezes a analogias bem indigestas com dinâmicas das empresas. Como chamariz editorial, comete logo na capa um pecado: Trata da "verdade por trás dos textos que não entraram na Bíblia".

Pontos positivos: o autor apresenta preliminarmente o debate acadêmico no qual vive. Cita muitos autores, percorre várias hipóteses dos estudiosos, menciona versões e traduções. Enfim, não apenas apresenta, mas também problematiza (mesmo que en passant) o que apresenta.

October 16, 2007

A corrente da página 161

http://img152.imageshack.us/img152/8686/150pxlionfaceddeitywd0.jpgRecebemos dos Perrusi o "meme" da página 161. Ele é mais ou menos assim:

1ª) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2ª) Abra-o na página 161;
3ª) Procurar a 5ª frase completa;
4ª) Postar essa frase em seu blog;
5ª) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6ª) Repassar para outros 5 blogs.”

O livro que estava mais próximo no momento de receber o meme é "Os Evangelhos Perdidos", de Darrell Bock; aquele que recebemos do Batista. Trata-se de um estudo introdutório dos evangelhos apócrifos. Sobre o assunto, Jacir de Freitas tem um belo site. Bock se apoiou na "moda" do Código Da Vinci, tipo de contexto que tende a não dar muita credibilidade a escritos relacionados. Mas também não quer dizer necessariamente que deva ser por isso um mal livro. No fim das contas, é sempre a leitura ‘quem’ resolve.

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July 30, 2007

O Museu da Criação, e os criacionistas

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Inauguraram nos EUA o chamado "Museu da Criação". Conta a história do mundo segundo a Bíblia, e isso, conforme a visão de certo tipo de "criacionismo". 
 
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July 13, 2007

Thomas Merton no Kanchenjunga, e o misticismo católico

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Muitos montanhistas gostam desse esporte por um certo sentimento "místico". Não é raro encontrar atitudes "místicas" por quem gosta de esportes "alpinos", e mesmo alguns outros esportes de aventura.
 
Interessante ler o relato de Thomas Merton - um místico trapista - sobre a 3ª montanha mais alta, o Kanchenjunga. Visitando Darjeeling, Merton ficou doente, maldizendo a montanha por seu mal-estar. Logo depois, "fez as pazes":
O Kanchenjunga esta tarde. As nuvens desta manhã repartiram-se levemente; a montanha, o maciço dos picos anexos começaram uma grande, lenta e silenciosa dança do dorje em neve e névoa, luz e sombra, planos e forças, súbitas torres de nuvens elevando-se em espiral saídas de dentro de orifícios gelados, extensões azuis de rochas semi-elevadas, picos surgindo e sumindo, mas sempre permanecendo o topo do Kanchenjunga como destaque visível e constante de todo o vagaroso espetáculo. Durou horas. Imponente e lindo. Ao cair da tarde as nuvens afastaram-se mais; só ficou um longo avental de névoa e sombra abaixo dos picos principais. Houve discretas exibições de cor-de-rosa de prostíbulo, mas quase tudo era contorno e linha e sombra e forma. Ó Mãe Tântrica Montanha! Palácio de yin-yang, oposto da unidade! Palácio de anicca, impermanência e paciência, solidez e não-ser, existência e sabedoria. Grande acordo do ser e do não-ser; convenção que não ilude a quem não quer ser iludido. A total beleza da montanha só aparece quando se concorda com o "paradoxo impossível": ela é e não é. Quando nada mais é preciso dizer, a fumaça das idéias se desvanece e a montanha é VISTA.
 
Testamento do Kanchenjunga. Testamento do velho Melquisedec anônimo. Testamento anterior aos sacrifícios e aos touros. Testamento sem Lei. Testamento NOVO. Círculo completo! O sol se põe a Leste! E as irmãs do Loreto, só perguntavam: "Já viu as neves?" Será que falavam a sério? [ O Diário da Ásia, p. 119 - pesquisa de preços ]
Como o leitor pode perceber, e como já se vê nos outros textos, não é raro ver uma certa atitude paradoxal (para alguns), desse monge católico. E relatos como esse não são, nesse sentido, os mais impressionantes.
 
Mas talvez o paradoxo se desfaça, quando se percebe que o cristianismo católico não é um todo coerente e uniforme (para além de certos princípios que abarcam todas as diferenças). Relatos como esse, de Merton, dão uma impressão de sincretismo. Mas ela se desfaz quando se admite que no cristianismo também existem certas posturas místicas. Na história do catolicismo, há uma clara polêmica com o misticismo da gnose. Para isso, sempre se reforçou as regulae ou códices morais, ao invés das atitudes espirituais.
 
Mesmo com esses privilégios, entretanto, a atitude mística foi conservada. E a viagem de Merton à Ásia parece fazer parte de uma espécie de interrogação a respeito do misticismo em geral, vinda de um monge católico, que se admite primeiramente um místico, para depois abrir o diálogo de sua crença com outras.
 
Curiosas são as consequências que essa postura pode trazer. . .
 
 
 
;)