July 30, 2007

O Museu da Criação, e os criacionistas

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Inauguraram nos EUA o chamado "Museu da Criação". Conta a história do mundo segundo a Bíblia, e isso, conforme a visão de certo tipo de "criacionismo". 
 
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July 13, 2007

Thomas Merton no Kanchenjunga, e o misticismo católico

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Muitos montanhistas gostam desse esporte por um certo sentimento "místico". Não é raro encontrar atitudes "místicas" por quem gosta de esportes "alpinos", e mesmo alguns outros esportes de aventura.
 
Interessante ler o relato de Thomas Merton - um místico trapista - sobre a 3ª montanha mais alta, o Kanchenjunga. Visitando Darjeeling, Merton ficou doente, maldizendo a montanha por seu mal-estar. Logo depois, "fez as pazes":
O Kanchenjunga esta tarde. As nuvens desta manhã repartiram-se levemente; a montanha, o maciço dos picos anexos começaram uma grande, lenta e silenciosa dança do dorje em neve e névoa, luz e sombra, planos e forças, súbitas torres de nuvens elevando-se em espiral saídas de dentro de orifícios gelados, extensões azuis de rochas semi-elevadas, picos surgindo e sumindo, mas sempre permanecendo o topo do Kanchenjunga como destaque visível e constante de todo o vagaroso espetáculo. Durou horas. Imponente e lindo. Ao cair da tarde as nuvens afastaram-se mais; só ficou um longo avental de névoa e sombra abaixo dos picos principais. Houve discretas exibições de cor-de-rosa de prostíbulo, mas quase tudo era contorno e linha e sombra e forma. Ó Mãe Tântrica Montanha! Palácio de yin-yang, oposto da unidade! Palácio de anicca, impermanência e paciência, solidez e não-ser, existência e sabedoria. Grande acordo do ser e do não-ser; convenção que não ilude a quem não quer ser iludido. A total beleza da montanha só aparece quando se concorda com o "paradoxo impossível": ela é e não é. Quando nada mais é preciso dizer, a fumaça das idéias se desvanece e a montanha é VISTA.
 
Testamento do Kanchenjunga. Testamento do velho Melquisedec anônimo. Testamento anterior aos sacrifícios e aos touros. Testamento sem Lei. Testamento NOVO. Círculo completo! O sol se põe a Leste! E as irmãs do Loreto, só perguntavam: "Já viu as neves?" Será que falavam a sério? [ O Diário da Ásia, p. 119 - pesquisa de preços ]
Como o leitor pode perceber, e como já se vê nos outros textos, não é raro ver uma certa atitude paradoxal (para alguns), desse monge católico. E relatos como esse não são, nesse sentido, os mais impressionantes.
 
Mas talvez o paradoxo se desfaça, quando se percebe que o cristianismo católico não é um todo coerente e uniforme (para além de certos princípios que abarcam todas as diferenças). Relatos como esse, de Merton, dão uma impressão de sincretismo. Mas ela se desfaz quando se admite que no cristianismo também existem certas posturas místicas. Na história do catolicismo, há uma clara polêmica com o misticismo da gnose. Para isso, sempre se reforçou as regulae ou códices morais, ao invés das atitudes espirituais.
 
Mesmo com esses privilégios, entretanto, a atitude mística foi conservada. E a viagem de Merton à Ásia parece fazer parte de uma espécie de interrogação a respeito do misticismo em geral, vinda de um monge católico, que se admite primeiramente um místico, para depois abrir o diálogo de sua crença com outras.
 
Curiosas são as consequências que essa postura pode trazer. . .
 
 
 
;)

July 12, 2007

Thomas Merton e o “ponto virgem”

Em outro post, apresentando Thomas Merton, mostramos uma bela passagem em que ele se refere à manhã como point vierge, "ponto virgem": momento de "inexprimível inocência", em que "o paraíso nos envolve e não entendemos". Os pássaros são convidados a "ser", quando então começa todo o movimento da manhã.
 
Com semelhante postura, Merton também aplica a noção de "temps vierge" à atitude contemplativa. Como se sugerisse o homem como possível correspondente desse "paraíso":
A vida contemplativa deve oferecer uma área, um espaço de liberdade, de silêncio onde se possam manifestar novas aptidões e novas seleções - escolhas superiores às de rotina. Deveria criar uma nova consciência de tempo - não no sentido de uma substitituição da imobilidade, mas como um "temps vierge". Não como um vazio a preencher ou um espaço intocado a conquistar e violar, mas um espaço onde se possa usufruir das próprias potencialidades e anseios e da presença de si-mesmo. O tempo da pessoa. Não porém ocupado pelo próprio ego com suas exigências, mas aberto aos outros - um tempo compassivo, tendo ao fundo a consciência da ilusão comum e a crítica desta. [Diário da Ásia, p. 89 - pesquisa de preços]
Inesperada - e admirável - fórmula, essa que conjuga o movimento da manhã com a atitude mística, ou a contemplação com uma perspectiva sobre o mundo. E - incrivelmente, dirão alguns - vinda de um monge cristão (não se dizia que o monge se retira do mundo?).

July 11, 2007

Catolicismo e verdades cristãs

Tenho lido bastante Thomas Merton [pesquisa de livros], nos últimos dias. Especificamente, seu Diário da Ásia. Merton pertencia a uma das ordens monásticas mais rigorosas do catolicismo: a Trapa. Morreu em dezembro de 1968, no oriente, quando visitava várias tradições orientais.
 
Merton era, ao mesmo tempo, um monge católico rigoroso, e um homem deslumbrado com pensamentos não-cristãos. Paradoxalmente, aos olhos de alguns, um católico "radical", que visitava com reverência pensamentos não cristãos.
 
A figura de Merton é interessante por esses dias, precisamente por esse caráter "paradoxal". Pois o Vaticano, realizando medidas contrárias às tendências dos últimos papados, tem elaborado posições que, para muitos, atrapalha o diálogo com outras tradições, especialmente cristãs:
"O Vaticano deve divulgar nesta terça-feira um documento que define a Igreja Católica como a única igreja de Cristo.
O texto da Congregação para a Doutrina da Fé, responsável por promover e tutelar a doutrina da fé e a moral no mundo católico, deve esclarecer uma frase do documento Lumem Gentium ("A luz das nações", sobre a missão universal da igreja), do Concílio Vaticano 2º, dizendo que a única igreja de Cristo "subsiste" na Igreja Católica.
Durante o Concílio, uma reunião de bispos e cardeais realizada entre 1962 e 1965, a igreja adotou mudanças, como a realização de missas nos idiomas modernos, e afirmou o respeito aos não-católicos.
Andrea Tornielli, vaticanista do jornal "Il Giornale", afirma que o documento desta terça-feira também deve confirmar a declaração Dominus Iesus, aprovada pelo papa João Paulo 2º em 2000, segundo a qual apenas a Igreja Católica dispõe de todos os meios de salvação.
A declaração causou, na época, protestos das igrejas protestantes, classificadas como simples "comunidades eclesiásticas".
Segundo Tornielli, o emprego do verbo "subsiste" no texto do Concílio Vaticano 2º gerou diversas interpretações nos últimos anos, apesar de a Dominus Iesus ressaltar que o Concilio Vaticano 2º queria dizer "existe realmente".
"O objetivo da nova declaração é combater o que o papa Bento 16 considera como ‘relativismo eclesiológico’, segundo o qual todas as igrejas que dizem fazer parte do cristianismo têm o mesmo nível de verdade ou que cada uma delas não têm mais que uma parte desta verdade", diz o vaticanista. (…)" [linkado daqui, graças ao informe do Olho-Dínamo]
No dia 29 de junho, o Vaticano já havia publicado uma explicação para a expressão "subsiste":
Como deve entender-se a afirmação de que a Igreja de Cristo subsiste na Igreja católica?

Resposta: Cristo "constituiu sobre a terra" uma única Igreja e instituiu-a como "grupo visível e comunidade espiritual"[5], que desde a sua origem e no curso da história sempre existe e existirá, e na qual só permaneceram e permanecerão todos os elementos por Ele instituídos[6]. "Esta é a única Igreja de Cristo, que no Símbolo professamos como sendo una, santa, católica e apostólica […]. Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele"[7].

Na Constituição dogmática Lumen gentium 8, subsistência é esta perene continuidade histórica e a permanência de todos os elementos instituídos por Cristo na Igreja católica[8], na qual concretamente se encontra a Igreja de Cristo sobre esta terra.

Enquanto, segundo a doutrina católica, é correcto afirmar que, nas Igrejas e nas comunidades eclesiais ainda não em plena comunhão com a Igreja católica, a Igreja de Cristo é presente e operante através dos elementos de santificação e de verdade nelas existentes[9], já a palavra "subsiste" só pode ser atribuída exclusivamente à única Igreja católica, uma vez que precisamente se refere à nota da unidade professada nos símbolos da fé (Creio… na Igreja "una"), subsistindo esta Igreja "una" na Igreja católica[10].

Porque se usa a expressão "subsiste na", e não simplesmente a forma verbal "é"?

Resposta: O uso desta expressão, que indica a plena identidade da Igreja de Cristo com a Igreja católica, não altera a doutrina sobre Igreja; encontra, todavia, a sua razão de verdade no facto de exprimir mais claramente como, fora do seu corpo, se encontram "diversos elementos de santificação e de verdade", "que, sendo dons próprios da Igreja de Cristo, impelem para a unidade católica"[11].

"Por isso, as próprias Igrejas e Comunidades separadas, embora pensemos que têm faltas, não se pode dizer que não tenham peso ou sejam vazias de significado no mistério da salvação, já que o Espírito se não recusa a servir-se delas como de instrumentos de salvação, cujo valor deriva da mesma plenitude da graça e da verdade que foi confiada à Igreja católica"[12].

Em suma, a resposta pareceu conciliadora, tentando eufemizar a preponderância do catolicismo sobre os outros cristianismos.

A Igreja parece hoje estar na cruzada dos dois caminhos: uma via, aberta pelo Vaticano II, abre o diálogo ecumênico, e formaliza posturas como a de Thomas Merton; outra via, mais "defensiva", recoloca antigas posições (como as missas em latim), e reafirma o primado do catolicismo. A "defesa" serve para não legitimar certas práticas como a multiplicação das igrejas de esquina; mas leva junto o desconforto de uma certa interrupção do diálogo.

May 30, 2007

A loucura do Heliocentrismo

 
Complementando o excelente - e hilário - post do Hermenauta (sobre um museu/parque temático mostrando Adão e Eva, e toda a Criação junto a dinossauros), um blog do SCIAM publicou outra referência: Heliocentrismo é uma doutrina atéia. Sabemos já que para alguns estudantes de psicologia muito informados a "ciência é uma arma de satanás". Mas agora, restou para o próprio sol:
O que é ainda pior que o debate das escolas americanas sobre o ensinamento da desalmada doutrina da evolução, é a ausência de debate sobre um assunto que americanos racionais irracionalmente concederam ao "secular" entre nós: o assunto do Heliocentrismo, ou a idéia de que a Terra circunda o Sol.
Porquê o inocente Sol no centro do universo é tão mal?
Eu acredito na Bíblia, e não quero ver meus filhos aprendendo sobre Heliocentrismo na escola. Penso que essa doutrina encoraja o ateísmo, o Darwinismo e o anti-Americanismo. Não quero ver meus impostos financiando esse tipo de falsa ciência.
Ora, pensar em Heliocentrismo é um absurdo, pois
para ambas as razões, morais e teológicas, devemos sempre manter em mente que a Terra não se move. Caso se movesse, poderíamos sentir ela se movendo. Isso se chama empirismo, a experiência dos sentidos.

May 15, 2007

O que é ser ‘ateu’?

O que é ser ateu? É não ter religião? É não acreditar na existência Divina?

No decorrer do século XX uma série de pensadores dedicaram-se, de alguma forma, a responder essa pergunta. Maurice Blanchot, Georges Bataille, Pierre Klossowski, dentre outros, retomaram em dois outros pensadores - Nietzsche e Sade - o que poderia ser algo como um ‘pensamento ateu’. A partir de Sade, deixo abaixo uma citação muito interessante, do comentário de Otto Maria Carpeaux:

"Quem é ateu? Uma pessoa que nega a existência de Deus? Assim se acredita. Mas é um erro. Quem nega a existência de Deus, mas continua adorando e exaltando os principais atributos de Deus - o Amor, a Sabedoria, a Justiça - este não nega realmente a existência divina, mas apenas dá outro nomes ao Supremo Ser. Bem disse Ludwig Feuerbach: ‘Só é verddeiro ateu aquele para quem os predicados do Divino não significam nada; mas não é verdadeiro ateu aquele para o qual não significa nada só o sujeito daqueles predicados. Temos visto inúmeros ateus que, negando a existência de Deus, divinizam no entanto o Amor divino e a Justiça divina e continuam obedecendo aos mandamentos da moral e da ética judeu-cristã. Mas o verdadeiro ateu nega justamente a moral que Deus (inexistente para o ateu) impôs ao gênero humano. Um dos mandamentos essenciais dessa ética é a moral sexual, o refreamento do instinto sexual e de todas as suas manifestações. Mas o Marquês de Sade negou a moral sexual do Cristianismo e desobedeceu  sistematicamente ao refreamento do instinto sexual em todas as suas manifestações. Já antes de Nietzsche, esse outro grande adversário da moral cristã, teve Sade o direito de dizer: ‘Para mim, Deus morreu’" (in SADE. Justine ou os Infortúnios da Virtude. RJ, Saga:1968. - pesquisa de preços)
Pesquisa de diversas edições de livros desses autores em geral, e também de Sade e Otto Maria Carpeaux

May 12, 2007

Mais Thomas Merton

O último post sobre Thomas Merton surtiu efeitos curiosos, além da descoberta da origem do nome de um dos leitores do blog emoticon. Entrei hoje em um sebo no interior de SP, e no primeiro livro que chama a atenção, lá está o mesmo nome do autor em letras garrafais. Abro o livro, e na primeira página aberta, a mesma foto de Merton com o Dalai Lama emoticon.
 
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Thomas Merton com o Dalai Lama, em 1968 (daqui)
 
No fim das contas, comprei o livro, intitulado O Diário da Ásia [pesquisa de preços]. São ali reunidos os últimos textos de Merton, inclusive a conferência "Marxismo e Perspectivas Monásticas", pronunciada no dia do falecimento, em dezembro de 1968.
 
A respeito de seu "misticismo", salta aos olhos a questão de compreender como uma atitude espiritual, que facilmente se relaciona com vertentes místicas, se imiscui com outra esfera  da religiosidade que é a própria Regra, ou a obediência a um código pré-estabelecido de condutas. Especialmente quando se trata de um monge, a questão da Regra é preponderante. E, bem no início do livro, encontramos a passagem:
O que é essencial na vida monástica não é representado nem por construções de tipo especial, nem por vestuários deste ou daquele corte, nem mesmo está contido em uma Regra. Representa alguma coisa que supera a própria regra. Concentra-se na procura de uma transmutação interior profunda. Tudo mais deve ser colocado a serviço dessa finalidade… O monge pertence ao mundo mas o mundo pertence a ele na medida em que ele se dispôs a libertar-se dele, mas para o libertar (p. XII) 
A Regra, portanto, em Merton seria secundária em relação a, digamos, uma Forma de vida espiritual. Isso tudo tem grandes consequências na Tradição, precisamente porque a Regra, que do latim vem de Regula, régua ou medida, sempre serviu como um código pré-estipulado a partir do qual os acontecimentos apenas teriam a se amoldar. Já quanto as questões de uma "forma" de vida, e ainda mais mística, o próprio cristianismo nascente via, de todos os lados, outras práticas das quais deveria divergir para caracterizar sua própria identidade. De todo modo, a submissão da Regra à "forma" de uma vida espiritual carregada de misticismo explica a possibilidade de Merton aproximar-se de crenças exógenas.
 
Sobre esses diálogos de Merton com outras crenças, esse site (em construção) oferece algumas largas passagens dos livros de Merton sobre o Zen. A respeito da vida e obra de Merton, além do site oficial, com vários apontamentos, Thomas Merton: Man of Many Journeys resume seu percurso. 
 
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- Carl Jung and Thomas Merton - Paper de David Henderson.
O Buda perguntou a Sariputra: ‘Acreditas em mim?’ Sariputra respondeu: ‘Não’. Mas o Buda o elogiou por isso. Foi o discípulo favorito porque não acreditava em Buda, apenas o respeitava como a outro homem qualquer, mas que tinha sido iluminado. 
Que é o ‘conhecimento da libertação?’ - eu perguntei. - ‘Quando você está em Bancoc, você sabe que está ali. Antes disso você só sabia a respeito de Bancoc. A pessoa tem que subir todos os degraus e, depois, quando não há mais degraus, terá que dar um salto. O conhecimento da libertação é o conhecimento, a experiência desse salto’. (Diário da Ásia, p. 10) 

May 9, 2007

De manhã, o Paraíso ao redor

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Thomas Merton com o Dalai Lama, em 1968 (daqui

Thomas Merton é um monge trapista norte-americano, que escreveu vários livros [pesquisa deles em várias editoras], e dialogou com uma série de personalidades influentes do século XX. O interessante, nos textos de Merton, é a presença de toda uma atitude espiritual, um tanto mística, junto à crença católica. Livros sobre a "experiência humana do Divino", zen-budismo  e Chuang Tsé (um taoísta), mostram bem esse diálogo e essa atitude.

Abaixo destaco uma bela passagem sobre o amanhecer, retirada do blog "Reflexões de Thomas Merton". Sobre a ‘manhã’, vale a pena ver também o belo poema de Kavafis

“Os primeiros chilreios dos pássaros ao acordar marcam o point-vierge [ponto virgem] da aurora sob um céu ainda desprovido de verdadeira luz. É um momento de temor reverente e de inexprimível inocência, quando o Pai, em perfeito silêncio, lhes abre os olhos. Eles começam a Lhe falar, não em um canto fluente, mas com uma pergunta de despertar que é o estado de aurora deles, seu estado no point-vierge. Sua condição pergunta se para eles é tempo de ‘ser’. Ele responde “sim”. Então, um por um, despertam e se tornam passarinhos. Manifestam-se como passarinhos e começam a cantar. Logo serão plenamente eles mesmos e até voarão.
Aqui há um segredo inefável: o paraíso nos envolve e não entendemos. Está escancarado. A espada foi retirada, mas não sabemos. Partimos: ‘um para sua fazenda, outro para seus negócios.’ Luzes acesas. Tique-taque dos relógios. Barômetros em ação. Fogões cozinhando. Barbeadores elétricos enchendo os rádios de estática. ‘Sabedoria’ clama o diácono da aurora, mas não acorremos.”

Conjectures of a Guilty Bystander, de Thomas Merton
(Doubleday, New York), 1966. p. 131-132
No Brasil: Reflexões de um espectador culpado, (Editora Vozes, Petrópolis), 1970. p. 151-152
Reflexão da semana de 07-05-2007

Um pensamento para reflexão: “O momento mais maravilhoso do dia é quando, em sua inocência, a criação pede licença para ‘ser’ de novo, como na primeira manhã de todos os tempos.”
Reflexões de um espectador culpado, Thomas Merton

May 1, 2007

A ciência é uma “arma de satanás”

Essa não poderia passar em branco. É da comunidade do Orkut chamada "Psicologia Cristã":
Eu antes de começar fazer esse curso [de psicologia] conversei seriamente com meu Pastor, e ele me orientou… Nas aulas de antropologia, da nojo, embrulha-se o estomago, ai vc ve mesmo como o homem é cego, e como a ciencia tem sido uma arma de satanas pra cegar o entendimento das pessoas. Com certeza vc vai estudar que nos somos seres q evoluimos, mas por todos os argumentos e provas que estes seres seculares digam ter, nao tem todas as evidencias, e nunca vao ter, pois a unica evidencia esta nos céus, e se chama Deus! Por isso temos nao deixar a biblia de lado, estudar ela pra termos argumentos qdo formos abordados sobre isso, temos q defende o q cremos, nao apenas acharmos alguma coisa, dizer q cremos q Deus criou o mundo e pronto, temos q ter mais argumentos, achar as falhas da ciencia, como no carbono 14 tem falhas, e é ele quem da a idade dos fosseis… temos que nos revestir de toda a armadura de Deus! Foi depois q comecei a estudar psico q aprendi a dar mais valor a biblia, perdemos nosso tempo tendo q aprender essa doutrina satanica do evolucionismo, enqto poderiamos empreender nosso tempo com as escrituras… qdo nós perdemos algo, é q damos valor… Os psicologos dizem q nao deve misturar religiao, mas eles vivem tentando colocar espiritismo no meio, e eu nas aulas deixo minha posição, nao se coloca cristianismo, nao se deve colocar espiritismo, é religiao nao é? Entao! A paz de Deus a vcs, irmaos de luta e de profissao!
Há quem diga (por lá) que chega a ser "assustador" como os psicólogos são capazes de defender de modo tão veemente que psicologia não pode se misturar com religião. Tanto quanto não poderiam reconhecer que Jesus é o maior "psicólogo" que já existiu ;)

April 30, 2007

O Símbolo e o Esoterismo

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Nos posts sobre o Livro de Jó desenhado por William Blake, mencionei que seus desenhos carregavam toda uma carga esotérica. Como na imagem acima: o sol, a lua, a árvore e os instrumentos, os animais, as cores, os indivíduos representados, teriam apenas o papel de mostrar uma história? Ou haveria algo mais? Continuando o assunto, lembro-me diretamente de um texto de Richard Khaitzine já mencionado por aqui ("Língua das aves e linguagem do brasão"). 
 
Esse texto é muito interessante porque se coloca no meio de uma série de debates. Um deles é o do papel do símbolo na arte. Para Khaitzine, toda uma série de artistas envolvidos com aspectos esotéricos - dentre eles, vários pensadores, literatos e artistas dos séculos XVIII e XIX - desenvolveriam uma linguagem cifrada, cujo segredo de decifração caberia essencialmente aos ditos "Iniciados". Seria um longo costume do ocidente - até mesmo o caracterizaria, frente a outras sociedades - esse fato de uma verdade por detrás do símbolo, ou por símbolos que carregam muito mais do que aquilo que apresentam. Aí está. Haveria uma série de sentidos adicionais além da simples aparência dos elementos desenhados por autores como Blake. E o mais interessante, tais sentidos adicionais não seriam acessados por todos, mas apenas a partir de certos princípios iniciáticos. 
 
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