October 25, 2009

Teoria e Prática em responsabilidade social

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do Malvados (clique para ampliar)

Um self made man, familiar ao ambiente corporativo, prestava entrevista para elucidar o "conceito" (não seria noção?) de "responsabilidade social". Ostentando a figura retórica do "homem prático" (não esses teóricos infames, perdidos em conjecturas e abstrações, sem resultados práticos na realidade), ele inicia comparando "responsabilidade social" das empresas com "filantropia".

Filantropia - segundo nosso self made man - se resume a uma benfeitoria localizada: a empresa pode sustentar uma posição de socialmente responsável quando, no fim das contas, faz pequenos benefícios, como uma doação, uma melhoria externa ou algo do gênero.

Já "responsabilidade social" seria algo mais amplo, englobando toda a empresa. Ou melhor, não apenas a empresa, mas o ambiente circundante, de uma forma não apenas episódica (isso é filantropia), mas arraigada na própria missão da organização. Uma empresa com responsabilidade social, diz nosso entrevistado, não faz apenas atos responsáveis, mas carrega a "responsabilidade" no seio de suas práticas cotidianas, do atendimento do cliente ao serviço, passando pelos produtos e projetos extra-corporativos. (Talvez o entrevistado não saiba que, antes do nascimento dos discursos corporativos e das "ciências" da administração, existiam muitas "gestões" (é como se chama hoje) de práticas filantrópicas, muitas vezes confundidas com o que ele mesmo chama de "responsabilidade social"; talvez ele também desconheça que tal universalismo da "responsabilidade social" talvez nasceu de outro, filantrópico, muito bem localizado. Mas isso é outro assunto! ;))

O entrevistado admite - no costumeiro tom en passant quando se trata disso - que o fim de qualquer empresa é o lucro puro e simples, e não a filantropia ou a sociedade. Mas rapidamente complementa: tanto melhor se, junto ao fim da empresa, que é o lucro, somarmos em seus meios isso que chamamos de responsabilidade social. O resultado é bem prático e visível: fins lucrativos unidos a meios sociais beneficia todo mundo, não é mesmo?

Mas, no fim das contas, como saber se uma empresa é socialmente responsável? Como garantir a efetividade de tal responsabilidade, pergunta a repórter? 

Ora, diz nosso herói, a responsabilidade de uma empresa se mede por seus resultados. Sob que critérios? O próprio consumidor. Em tempos como esses, uma empresa sem responsabilidade social efetiva não sobrevive ao consumidor consciente. Ciente do que faz a empresa fabricante do produto que consome, o consumidor rapidamente trocará de empresa, quando souber de qualquer irregularidade, qualquer "irresponsabilidade".

Dado isso, a repórter não perguntou, por exemplo, a que se deve o sucesso dos produtos chineses, se o consumidor é consciente e sua consciência regulará naturalmente o mercado conforme as "responsabilidades". Mas isso não vem ao caso. O curioso, realmente curioso, é em primeiro lugar essa crença imediata de que os fins do lucro empresarial e seus meios "responsáveis" se casam como duas almas gêmeas, e em segundo lugar como o critério da "responsabilidade social" passa rapidamente da missão da empresa para  fora dela, na regulação do consumidor. Como se rapidamente o tema da empresa responsável do século XXI resvalasse naquele outro, do fim do século XVIII, do indivíduo livre cujas decisões aglomeradas criariam uma grande mão invisível, chamada agora de "consumo consciente".

Mas quê? Faço perguntas demais e abstraio muito; diante de tanta abstração, certamente deveria mudar de paradigma.

July 5, 2009

Amizades renovadas a cada 7 anos

Outra da Mente e Cérebro:

A cada sete anos uma pessoa perde e substitui cerca de metade de seus amigos, de modo que o tamanho de sua rede social permanece estável. A conclusão é de uma dissertação de mestrado defendida recentemente pelo sociólogo Gerald Mollenhorst na Universidade de Utrecht, Holanda. Em 2000, Mollenhorts coletou dados sobre o relacionamento social (não-familiar) de 1007 pessoas entre 18 e 65 anos. Sete anos depois, 604 indivíduos do grupo foram entrevistados novamente. Os resultados mostraram que o tamanho da rede de amigos não se alterou significativamente ao longo do período, mas apenas 48% de seus membros eram os mesmos. Além disso, cerca de 30% dos amigos considerados mais próximos no início do estudo ainda mantinham esse status sete anos mais tarde.

Confirmando evidências obtidas em outros estudos, os dados revelam ainda que as redes sociais não são formadas apenas com base em decisões pessoais. A “escolha” dos amigos é limitada pelas oportunidades de encontrá-los, e as pessoas geralmente fazem novas amizades em contextos nos quais outras surgiram anteriormente. Em compensação, contrariando pesquisas que sugerem que os indivíduos separam o ambiente de trabalho de outros círculos de interação social (como critério para a formação de novas relações), o autor observou que essas categorias estão quase sempre sobrepostas e que a esfera profissional é uma importante “fonte” de novas amizades, inclusive das mais longevas e com alto grau de intimidade.

É claro que essa mudança diz muito mais respeito a dados sociológicos - e diferenças culturais - do que biologia, e ainda poderíamos acrescentar dados históricos. Mas não deixa de ser interessante esse caráter "sazonal" do que os sujeitos da pesquisa chamam de "amizade", nos dias de hoje.
 
Somos capazes de contratar profissionais de relações pessoais mais diversas, e até personal friends. É a linguagem corporativa se adaptando aos "novos tempos",  convidando a todos também uma adaptação. Tempos de ligações fortuitas, incertas, chamadas por alguns de "líquidas", quase como se as relações se regulassem no mesmo passo que as flutuações da moda.  "As coisas são assim". E o que não se "adapta" corre os riscos também previamente esquadrinhados: a solidão, a depressão, o desamparo, o transtorno.
 

January 28, 2009

Gestão do Stress

O mais novo método infalível de eliminar o stress nas empresas:

 Prezados Senhores.
O stress é sem dúvida um dos grandes desafios das empresas de hoje. E da forma como vai o cenário mundial ele só tende a aumentar. Em vista disso notifico-lhes que o mercado oferece uma nova ferramenta. Um ritual terapêutico inserido em uma palestra que literalmente suprime o stress ou evita que este, silenciosamente, faça outras vítimas, isto é, que outro percam a motivação, que fiquem desprovidos de desempenho, irascíveis, cínicos, rígidos de pensamentos, deficitários de assertividade e aniquilados no que diz respeito à eficiência pessoal. O mesmo ritual, ainda, se incumbe de motivá-los a um comprometimento acentuadamente mais entusiasta em relação aos interesses da empresa.
Entretanto, considerando que o produto na área de recursos humanos ainda é desconhecido, convido-os a selecionar uma dezena de colaboradores e agendar uma data para, sem ônus algum, submetê-los ao ritual. Ao fim dele, ouvindo-os, ficarão pasmos.
Diante do grupo, por meio de vibrações que extraio de uma taça de som tibetana e de um sino, enquanto o ambiente é sonorizado por mantras, levo os participes a um estado de entorpecimento que me consente remover de seus inconscientes as tensões que se originam de seus conflitos íntimos. Os impasses psíquicos que procedem daquelas oposições de interesses e sentimentos que dificilmente são bem resolvidos. Em outras palavras, o stress, a seqüela provocada pelas angústias, ansiedades, animosidades, medos diversos, dos vários estados de desassossego advindos da falta de perdão e maus pensamentos. Ao mesmo tempo lhe suprimo também as dores de cabeça, pescoço, ombros e coluna, além da rigidez, palpitações, suores e demais mal-estares sempre que sejam pertinentes a este estado depressivo.
Ao serem despertos, todos sorriem em razão de sua paz interior, por se sentirem leves (a percepção é que lhe foram retirados “dezenas de quilos”), por terem voltado a confiar em si mesmos e por se perceberem psiquicamente ajustados e fisicamente saudáveis

 Moral da história: "Goooood Niiiight ding ding ding ding ding ding ding ding ding ding ding!"

August 20, 2008

Quando o negócio (ou a entrevista) vai mal II

Esse blogue não é do Rafael Galvão, então não dedicamos análises pormenorizadas de como certos viventes conseguem chegar aqui.

Para se ter um exemplo, hoje um organismo biológico acessou o Catatau pelas palavras "como made seu celebro vivo". Made in China? Recomendo o livro do Meandros.

Mas algumas perguntas no orácoogle são realmente sérias. Como essa: o que perguntar na entrevista trabalhista. Já dissemos isso antes: Espere aí, Sr. Entrevistador. Então você entrevistará candidatos, e não sabe o que perguntar a eles? Ainda bem que você chegou aqui.

E como certas coisas são eternas, o setor de serviço social do Catatau não cansa de divulgar o paradigmático vídeo desse tipo de situação:


Atualização: Outra pesquisa incrível: “como se comportar?“. Será que está tão difícil hoje, manter o cérebro vivo, e se comportar?

August 11, 2008

Processo de dano moral, para quem prometer e não contratar

A situação abaixo é familiar a muitos. Mudam-se apenas os elementos do contexto. Alguém não conhece caso semelhante?

Um vendedor (poderia ser um desempregado, ou qualquer outra pessoa) percebe a abertura de seleção em outra empresa. Como o salário é atrativo, ele faz a seleção, e a empresa o acolhe. Faz os testes admissionais, o exame médico, e abre uma conta bancária para receber o salário. Assina a carteira, recebe o crachá, e negocia a data de admissão.

Às vésperas do primeiro dia de trabalho, a surpresa: recebe da empresa o comunicado de que seu registro será invalidado, cancelado.

A partir disso, os exemplos variam: Se o contratado era empregado, deixou o emprego anterior para a obtenção do novo, que oferecia melhores condições. Se era desempregado, passou todo o tempo entre a contratação e a demissão sem procurar outros empregos. E esse tempo pode ser realmente longo.

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August 10, 2008

Jeitinho Brasileiro, controle social e competição

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Essas três palavras justapostas são muito interessantes. Quando não havia ainda Brasil, ou quando Pero de Magalhães Gândavo ainda reclamava dessas terras carregarem o nome do pau de tinta, e não o da Cruz que poderia se construir com ele, um certo João Ramalho perambulava por comunidades indígenas angariando mais e mais esposas. O "cunhadismo" permitia a exploração de diversas práticas indígenas, para favorecer interesses pessoais e dos portugueses.
 
De algum modo, todo esse movimento do século XVI, que mostrava desde então o Brasil não ser um fim para os doravantes "brasileiros", mas apenas meio para interesses exploratórios, culminou no que hoje se chama de "jeitinho brasileiro".
 
O "jeitinho" atravessa a sociedade. Empregado para driblar mecanismos institucionais, ou até mesmo fazê-los valer, para alguns é o remanescente de antigas dinâmicas. Mostra a beleza do malandro e a união dos conviventes - mas ao mesmo tempo, a inanição das práticas institucionais. O brasileiro encontra no "jeitinho" o que o Brasil tem de melhor, e também o que tem de pior.
 
O Jeitinho Brasileiro, controle social e competição tenta trazer esse tipo de discussão para o contexto do trabalho. Por aqui, já discutimos como a noção importada de networking não pode ser empregada no Brasil como em outros países. Existe um filtro catatauesco, chamado "jeitinho".
 
 
- Pesquisa de livros sobre cunhadismo e "jeitinho". Pesquisa também sobre a coletânea "Intérpretes do Brasil", com os principais clássicos de estudos brasileiros.

August 3, 2008

Maurizio Lazzarato, para socorrer trabalhadores temporários

Recebi do Desobediente a resenha abaixo, de um novo livro de Maurizio Lazzarato intitulado Intermittents et precaires (sedutora a tradução Intermitentes e Precários).
 
Pelo que parece, o mote do Lazzarato [livrarias] é semelhante ao de Castells [livrarias], quando este mostra que o tipo de acessibilidade do grande contingente populacional ao trabalho e consumo é sempre sazonal: diante de um número mínimo de consumidores (e trabalhadores) permanentes, haveria uma massa de consumidores (e trabalhadores) sazonais. E esse caráter "sazonal" serviria para reforçar a mesma dinâmica de trabalho e consumo: quem está fora quer entrar, e quem está dentro não quer sair. Porém, com o pequeno detalhe: não há lugar para todos.
 
O livro aborda trabalhadores temporários de "arte" e afins. Com base na resenha, à primeira vista esse tipo de dinâmica não se restringe apenas aos "artistas". Um grande número de projetos chamados "sociais" poderiam se enquadrar no mesmo contexto, em um discurso e ato criativo que não são mais discurso por excelência, nem ato criativo por excelência. Apenas afloram enquanto tais por certos jogos de conveniências, exteriores à criação e ao discurso.
 

[fonte] Acaba de ser publicado na França, o livro Intermittents et precaires (temporários e precários), de Antonella Corsani e Maurizio Lazzarato. Ed. Amsterdam, 232 páginas. Segue uma resenha de Clarisse Fabre publicada no jornal francês Le Monde, 11-07-2008. A tradução é do Cepat.

Não se lerá neste livro nem chavões, nem fórmulas para calcular o seguro-desemprego dos artistas e dos técnicos do espetáculo. Também não se trata de uma "retomada" da luta empreendida depois da reforma de junho de 2003, entre manifestações e cancelamento de festivais. Intermittents et precaires (Temporários e precários) apresenta os resultados de uma pesquisa realizada sobre as condições de trabalho de todos esses profissionais do espetáculo que alternam períodos de emprego e de desemprego, ao longo dos projetos de que participam por conta de seus (múltiplos) empregadores.

Os autores fazem uma reflexão prospectiva sobre a noção de trabalho: como vanguarda, o movimento dos intermitentes põe em questão o binário emprego-desemprego e nos convida a reconstruir as bases da proteção social, nos dizem Antonella Corsani, pesquisadora da equipe Matisse do Centro de Economia da Sorbonne e co-fundadora da revista Multitudes, et Maurizio Lazzarato, filósofo.

Do outono de 2004 à primavera de 2005, foi realizada uma pesquisa pela equipe de pesquisadores Isys (integrante do Matisse de Paris-I e do CNRS) a pedido da Coordenação dos temporários e precários e com o apoio da Prefeitura de Île-de-France. À época, a imprensa criticou o método em razão de que os próprios temporários participavam deste estudo ao lado de economistas, sociólogos, estatísticos. Os autores defendem sua "expertise cidadã" que faz cooperar especialistas e outros. Uma metodologia que interroga as relações entre "saber, poder e ação", explicam, como o fizeram Michel Foucault ou ainda Pierre Bourdieu em sua pesquisa sobre A Miséria do Mundo [Vozes, 1997].

Feitas essas precisões, os autores traçam um quadro inquietante da intermitência. Mostram como a produção dos espetáculos, de documentários, etc., obedece cada vez mais a uma lógica de rentabilidade, num universo em que só há "casos particulares": assim, o tempo de trabalho ou é escrupulosamente contabilizado nos setores fortemente sindicalizados ou, ao contrário, é declarado ‘liberado’, deixado a cargo do "autor do projeto" de negociar o melhor cachê. Sem falar da variabilidade dos salários diários nem da estagnação das rendas, e até mesmo de sua diminuição nos últimos dez anos.

Alguns – diretores, mas também companhias de teatro que trabalham em coletividades locais – reconhecem trabalhar "sob encomenda". Como se eles respondessem à demanda de um cliente, o que obriga a revisar a noção de criação. A redução dos orçamentos e dos tempos de produção impõe às companhias a reorganização do trabalho em torno dos postos julgados indispensáveis. O artístico perde terreno diante da comunicação, em que a difusão dos espetáculos se torna crucial, num contexto muito competitivo…

Longe dos autores a idéia de que a intermitência seja coisa que se deva que combater. Pelo contrário. Digam o que disserem os sindicatos, dizem eles, o emprego estável para toda a vida não é "desejado e desejável para todos". "A intermitência, sob certas condições, é esta possibilidade para todos e cada um de preservar o domínio sobre o tempo, sobre suas intensidades (…). Uma liberdade para desenvolver projetos fora das normas da indústria cultural e do espetáculo e, enfim, last but not least, uma arma fundamental para a negociação dos salários e das condições de trabalho", destacam Antonella Corsani e Maurizio Lazzarato no último capítulo. Observando que outros profissionais intelectuais compartilham com os intermitentes práticas comuns, eles convidam a refletir sobre "um novo estatuto do trabalho e sobre novos direitos sociais". Estimulante e revigorante.

July 4, 2008

Piso de 950 reais por professor

Da ABN:

O piso de R$ 950 é uma antiga revindicação da categoria. O valor deverá ser pago para professores com carga horária de 40 horas semanais.  Pela proposta, o piso salarial nacional será implantado em todo o país, de forma gradual, até 2010.

De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), existem mais de 5 mil pisos salariais diferentes para a categoria, variando entre R$ 315 e R$ 1.400. Está prevista no projeto a complementação da União para os entes federados que não atingirem o valor de piso nacional. 

Caso tomemos em conta as estatísticas da Catho, tem-se (dispondo o dado mais próximo do salário líquido):

Vendedor:

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Recepcionista:

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Segurança ("vigilante patrimonial"):

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March 26, 2008

O mundo segundo a Monsanto - livro e documentário

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Diz-se muito que as produções transgênicas são resistentes às pragas. Como se fossem plantas melhoradas, que conservam todas as características, exceto a atratividade a insetos e bactérias.
 
Mas é outra a função das mutações transgênicas: elas servem não para a planta resistir às pragas, mas ao veneno.
 
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February 28, 2008

Esse bando de “oreia seca”

 Hoje eu andava pela rua, em marcha acelerada, quando percebi que logo atrás outra pessoa rapidamente se aproximava. Notei que era outro transeunte qualquer. Mas ele apertou o passo, chegou perto, e logo começou a falar:
 
- Fui fazer uma seleção na Frigolícia (empresa frigorífica) e já mostrei para eles quem eu sou. A gente precisa, né?
 
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