March 26, 2008

O mundo segundo a Monsanto - livro e documentário

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Diz-se muito que as produções transgênicas são resistentes às pragas. Como se fossem plantas melhoradas, que conservam todas as características, exceto a atratividade a insetos e bactérias.
 
Mas é outra a função das mutações transgênicas: elas servem não para a planta resistir às pragas, mas ao veneno.
 
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February 28, 2008

Esse bando de “oreia seca”

 Hoje eu andava pela rua, em marcha acelerada, quando percebi que logo atrás outra pessoa rapidamente se aproximava. Notei que era outro transeunte qualquer. Mas ele apertou o passo, chegou perto, e logo começou a falar:
 
- Fui fazer uma seleção na Frigolícia (empresa frigorífica) e já mostrei para eles quem eu sou. A gente precisa, né?
 
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January 18, 2008

Habilidades individuais e diferenças salariais

Pesquisa nova sobre trabalho e diferenças individuais:  

Habilidades individuais como iniciativa, talento e motivação, mais que escolaridade, idade ou gênero, são um importante fator que influi na diferença entre salários dentro de uma mesma região, setor econômico ou ocupação. Essa é uma das conclusões da tese de doutorado defendida pelo economista Ricardo Freguglia na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP. O estudo também apontou as vantagens e desvantagens salariais da migração dentro do Brasil ao se contar com o fator das habilidades. 

A pesquisa apontou que, mesmo que cada região possa oferecer diferenças na oferta de trabalho e salário, as habilidades individuais continuam preponderantes.

O que parece curioso é simplesmente a pesquisa conservar um tema bastante comum e difundido: o de que o problema do desemprego se relaciona principalmente ao papel individual. Bons profissionais recebem melhores empregos e salários.

Ora, todo mundo conhece esse tema do bom profissional. A pesquisa apenas o corrobora. Mas o que não se vê muito em outras pesquisas é como o quesito "habilidade individual" se relaciona com um outro, muito visível e frequente: o "QI" ("quem indica"), o "peixe", o "pistolão", as indicações, e outros tipos de práticas acabam relativizando o papel da habilidade.

Em suma, o jeitinho impõe um filtro: bons profissionais nem sempre conseguem salários melhores. O papel pessoal permanece, nas indicações e naquilo que julgam erroneamente chamar em terras tupiniquins de networking (e networking deveria ser diferenciado de "indicação"). Mas nem sempre é a habilidade quem responde pelo ganho de um emprego, ou de melhores salários.

December 4, 2007

A arte da felicidade no trabalho

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Pego o ônibus, e vejo uma senhora lendo um livro chamado A Arte da Felicidade no Trabalho. O capítulo que ela lia se chamava algo parecido com "Como transformar a insatisfação em felicidade".

Primeira coisa a imaginar: será que estão seguindo aquela moda das empresas, e já pegaram algum filósofo antigo para desfigurá-lo em receitas organizacionais? A Arte de Viver, de Epiteto, é vendida nas seções de "auto-estima". Se fosse algo assim, eu já pensava como o autor, ou o apresentador da obra, zombariam da inteligência do leitor, confundindo noções como otium, labor e tripalium (algo hoje um tanto quanto esquecido).

Mas enfim, a obra é do Dalai Lama, junto com um psiquiatra chamado Howard Cutler. Em um dos informes do livro, consta:

Se alguém no Mundo parece ter descoberto o segredo de levar uma vida feliz, é o Dalai Lama. Ele enfrentou desafios e dificuldades difíceis para a maioria de nós imaginar, sendo forçado, com milhares de outros tibetanos, a fugir de sua terra natal depois da brutal invasão das forças chinesas, e a viver a maior parte dos últimos quarenta anos em exílio.

Mesmo sob essa trágica situação, ele não apenas atuou como o líder espiritual de seu povo e um incansável advogado dos direitos humanos, como manteve uma serenidade, uma alegria, e mesmo um senso de humor que, dadas as circunstâncias pessoais, parece não menos que um milagre.

Como psiquiatra, Cutler se interessou pelos modos do Dalai Lama, e compôs o livro. O que nos faz retornar à função de livros como esse, e da situação da senhora que lia no ônibus.

Obviamente, o livro serve como um exemplo, um horizonte de atuação e de relação para consigo em condições adversas. Mas entre o Dalai Lama, e a senhora que lia no ônibus, existe uma diferença crucial: a de que toda relação entre o projeto de vida do líder tibetano, e suas dificuldades, é essencialmente exterior. Quero ver minha próxima, essa senhora sentada e abatida, viver a vida inteira com um baixo salário e condições de trabalho irrealizadoras, e ainda manter um modo de vida perpetuamente feliz por essas próprias condições. As próprias condições impedem que seu modo de vida seja separado das circunstâncias que a afastam de si mesma. Fazem-na irrealizar a própria vida, a ponto de comprar um livro do Dalai Lama.

O Dalai Lama não deixa de ser ele mesmo, quando sai do Tibet. Na Índia, vive uma vida de monge, em um templo budista, sob uma rotina monástica, com rituais monásticos diários, que implicam diretamente as maneiras desse monge levar sua vida. Comparar o Dalai Lama com a leitora ao meu lado seria o mesmo que fazer com que o líder tibetano deixe de ser monge, comece a viver a contra-gosto uma rotina totalmente alheia ao monastério, e possa ser monge apenas em pensamento. Isso, sabendo que a própria rotina impediria o monge de pensar a todo momento que é um monge. Em suma, um modo de vida irreal, sob condições bem reais que afastam a possibilidade desse próprio modo de vida.

Existe o argumento de que uma vida mental pode ser dissociada da vida do corpo, material. Um apertador de parafusos pode atingir o nirvana. Mas imaginemos também que tipo de resultados efetivos uma vida assim conduz (ou também o uso que tais idéias poderia ter para um cortador de cana estafado)… já que o objetivo de uma arte da felicidade, em tese, é cultivar modos de vida felizes, não apenas pensamentos de felicidade. 

September 29, 2007

Terra, escravidão e blogs

Escravidão existe no Brasil? Em um país como esse, em que a informalidade reina em maior ou menor nível até sobre as instituições, aí está um lugar onde a escravidão continua possível, e provável. 

O blogueiro Leonardo Sakamoto foi ameaçado de ser processado pela senadora Katia Abreu (PFL DEM-TO) a respeito de algumas insinuações de que ela apoiaria grandes proprietários de terra, e de quebra, indiretamente algumas práticas de escravidão.

Em uma entrevista com a senadora Abreu, destaco a passagem:

Nunca vi trabalho escravo no Brasil. Tem de diferenciar o que é irregularidade trabalhista e trabalho degradante, coisas erradas, da escravidão.”

Ora, o que isso quer dizer? Para além da opinião da senadora, há a evidência discursiva:  existe sim uma grande confusão entre irregularidade trabalhista e trabalho degradante. Isso para não falar da escravidão. Se a confusão já provém do nível formal "irregularidade trabalhista", o que não dizer dos trabalhos informais?

Deixando a questão acima provisoriamente em suspenso, a discussão atual é: a bancada ruralista do senado afirma ter encontrado "irregularidades" na fiscalização do trabalho escravo. A Comissão Pastoral da Terra, em contrapartida, acusa que tal procedimento do senado busca obstruir a atuação da fiscalização móvel, precisamente pelas ligações de senadores a grandes "empreendimentos" de agronegócio. O affair Sakamoto encontra seu sentido nesse contexto atual, como se vê em sua resposta.

Retornando à questão, as definições devem ser feitas: trabalhar de modo que cada vez mais o "funcionário" seja mais dependente do trabalho, recebendo menos do que gasta, e devendo cada vez mais aos "empregadores", isso é irregularidade trabalhista e trabalho degradante. Mas não deixa de ser trabalho escravo

Para quem quer tirar a dúvida, a CPT publica todo ano um relatório sobre escravidão e violência no campo, no Brasil. Obstruir a fiscalização móvel pelo argumento de que estaria cometendo excessos precisamente por denunciar, isso soa bem estranho.

August 22, 2007

Câmeras, vigilância, e camuflagem

Alguns dias atrás vi em um jornal como câmeras são e tendem a ser cada vez mais colocadas estrategicamente em locais de trabalho. Iniciativa considerada "louvável" por quase todos os entrevistados.
 
As câmeras são um passo a mais diante de outra novidade: a ausência de paredes ou biombos nos ambientes de trabalho. Atualmente, todo mundo é sistematicamente observado, a qualquer hora.
 
Diferente dos ambientes abertos, as câmeras conferem uma vantagem: o observador não é observado. Com ela, o indivíduo observado não precisa de um observador constante, pois não sabe quando haverá alguém do outro lado da câmera. A própria câmera serve de garantia: registra tudo, sem precisar necessariamente de observadores.
 
Estranho, nisso tudo, a nova prática ser elogiada também pelos observados. Como já vimos, pessoas tendem a ser mais altruístas quando estão sob o olhar de outrem. Mas no caso do trabalho, o liame entre a ‘qualidade’ e a liberdade individual, nesses casos, é bem tênue.
 
Ainda, isso implica em uma certa faceta curiosa das novas relações trabalhistas. Contra a antiga burocracia e rigidez do trabalho, o discurso atual prega sobre pessoas maleáveis, criativas, desenvoltas com a tarefa. Valorizam-se ambientes produtivos, que incentivam as características individuais e subjetivas. Diferente do que ocorria alguns anos atrás, sustenta-se que hoje o trabalho está diretamente ligado às características de uma pessoa. Quem você é está diretamente implicado com o que você faz, e se faz bem.
 
Daí encontrarmos, nessas câmeras, um outro lado do trabalho, inconfesso. Sustenta-se o discurso de que o trabalhador é agora um colaborador: dinâmico, maleável, criativo, e no limite, livre. Mas ao mesmo tempo, desenvolvem-se cada vez mais mecanismos para que ele seja observado, fiscalizado, enfim, que nenhum ato fuja a certas regras explícitas e implícitas. Curiosa é a liberdade que se desenvolve sob vigilância. Seria isso necessário ao trabalho? Não é à toa que se inventam novas noções todos os dias, como a recente "resiliência". Noções - diga-se de passagem - que não implicam nenhum conceito científico: apenas justificação de práticas de viés econômico.
 
Por sob esse tipo de contexto, uma artista holandesa chamada Desiree Palmen desenvolveu um tipo de fotografia muito curioso. Intituladas "Camouflage", ou mesmo "Surveillance camera project", suas exposições tematizam pessoas dissolvidas em ambientes abertos e fechados. As implicações de sua arte são bem sugestivas:
 
 
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August 6, 2007

Depressão e pressão no trabalho

Um estudo envolvendo 1.000 participantes com 32 anos de idade revelou que 45% dos casos novos de depressão ou ansiedade apresentados no grupo estavam associados à alta pressão no trabalho.

Os pesquisadores definiram um trabalho estressante como aquele onde o profissional não tem controle sobre sua rotina, trabalha longas horas, com prazos não negociáveis e grande volume de trabalho.

O estudo, publicado na revista Psychological Medicine, sugere que o empregador precisa fazer mais para proteger a saúde mental dos trabalhadores.

A equipe do King’s College, em Londres, trabalhando com pesquisadores da Dunedin Medical School da University of Otago, na Nova Zelândia, entrevistou homens e mulheres com 32 anos de idade que estão participando de um estudo de longo prazo, o Dunedin Study. [BBC]

O estudo intitula-se Feeling the pressure: work stress and mental health. E a reportagem continua com prescrições dos autores sobre melhores condições de trabalho:

Richie sugere que é importante aliviar o estresse neste grupo, e aponta caminhos:

"Estudos interventivos mostram que há pelo menos duas abordagens produtivas para se reduzir o estresse no trabalho", ele diz.

"É possível ensinar as pessoas a lidar com situações estressantes por meio de aconselhamento psicológico ou você pode mudar o trabalho de forma a diminuir as pressões."

(…) Comentando o estudo, o especialista em psicologia e saúde Cary Cooper, da University of Lancaster, na Inglaterra, disse que empregos estão se tornando cada vez mais estressantes.

"Temos de fazer as pessoas trabalharem com mais flexibilidade, tirando vantagem da tecnologia ao invés de deixá-las no escritório por longas horas".

"Também temos de fazer o gerente se comportar de um jeito diferente - gerenciar pelo elogio e recompensa ao invés da punição e entender que as pessoas precisam sentir que têm controle sobre seu trabalho".

Antes que seja divulgado por essas bandas, é importante notar como esse tipo de estudo é curioso. Ele se situa na cruzada dos dois caminhos.

De um lado, como vemos nas prescrições dos autores, são propostas intervenções no ambiente de trabalho, para redução do stress. O pensamento é o seguinte: trabalhadores sob pressão tendem a deprimir; pessoas deprimidas rendem menos no trabalho; logo, as relações de trabalho devem ser mais produtivas, e com menos pressão, para que os próprios funcionários rendam melhor, e não tenham (de seu lado) prejuízos subjetivos maiores.

Esse tipo de visão pertence a um contexto bem específico: locais onde o ser humano é (minimamente) respeitado, a justiça funciona, as relações trabalhistas legais são visivelmente aplicadas, e o contexto do desemprego não chega a níveis alarmantes.

Por outro lado, é interessante notar que, mudando o contexto, esse tipo de intervenção se desloca. Intervenções focadas no ambiente de trabalho tendem a perder seu valor quando há um excedente grande de desemprego, quando relações trabalhistas legais não são fiscalizadas, os salários são baixos pela competição no mercado, o próprio mercado não obedece propriamente à livre-iniciativa, e por fim, quando - por todos esses fatores - o emprego tende a ser instável.

Para isso, basta ver um grande número de profissões em que a alta pressão é diretamente relacionada à alta rotatividade, e ao grande número de profissionais ociosos no mercado: os salários diminuem, a rotatividade é alta, há sempre outros profissionais disponíveis… E podemos ver muito bem as consequências psicológicas disso.

Sem contar como o alto índice de desemprego e informalidade contribuem para bons estudos sobre depressão e pressão.

Resta esperar, e ver como tal tipo de estudo será divulgado por aqui. 

 

***

Em contexto semelhante, um dos últimos textos do Le Monde Diplomatique:

Em uma manhã de outubro de 2006, dentro do próprio edifício central, chamado de ‘‘Colméia’’, do Tecnocentro onde 12 mil empregados criam os novos modelos da Renault, um engenheiro atirou-se do quinto andar. Determinada, sua família obteve o reconhecimento do suicídio como acidente do trabalho e vai processar o empregador por ‘‘erro imperdoável’’. Dois outros suicídios, em dezembro de 2006 e em fevereiro de 2007, levam os sindicalistas a se expressar publicamente sobre as condições de trabalho às quais os empregados da empresa são submetidos. A transformação da obrigação normal do trabalho em uma obrigação de resultados (o ‘‘Contrato 2009’’) criou uma contradição impossível de resolver. O presidente-diretor-geral da Renault, Carlos Ghosn, comprometeu-se a aumentar o dividendo por ação em 250%.

Como converter tal aposta financeira em objetivos de produção? É simples! Basta dar nome aos bois: um crescimento de vendas de 800 mil veículos entre 2005 e 2009 e o lançamento de 26 novos modelos em três anos. Cada empregado fica pessoalmente comprometido. Quem se recusar a assinar o documento da entrevista na qual fixou, com seu superior hierárquico, seus objetivos pessoais, recebe uma carta com aviso de recebimento que notifica e adverte: deve prestar contas rapidamente. A avaliação contínua e individualizada exerce uma pressão constante sem possibilidade de discutir as contradições técnicas e temporais, individuais e coletivas desse desafio.

July 24, 2007

Brasileiro, e não desiste nunca

Tenho um amigo, qualificadíssimo, que concorreu a uma vaga de emprego, alguns dias atrás. Correspondia perfeitamente à função, tem qualificações e referências admiráveis (até superiores às dos concorrentes), e se submeteu à seleção. Ficou em… último lugar.

De pronto vem aquela pergunta: o que deu errado? Os outros candidatos eram melhores? Ou faltou alguma competência - subjetiva ou mesmo "objetiva" - ao azarado colega?

Espera aí: "azarado" não é palavra que se utilize em ranking de seleção. Se existe uma seleção, não existe ninguém azarado. Apenas candidatos melhores e piores. É para isso que a seleção serve, certo? 

Mas se uma seleção não pressupõe sortudos e azarados, deve haver um critério que permita delimitar os "bem" e "mal" sucedidos. Inclusive, explicar como alguém mais competente obtém resultados piores que todos os outros. Uma seleção deve ter critérios objetivos, que permitam aos próprios candidatos visualizarem os motivos de eventualmente não serem aprovados.  

Não foi o que ocorreu com o meu colega. O "último lugar" não foi explicado, de forma alguma. Apenas apareceu o resultado, como se os avaliadores não tivessem mais nada a declarar.

Curioso notar que a função "avaliada" era a mesma que exercem os próprios avaliadores. Estavam selecionando candidatos para serem novos colegas de trabalho, sem mediação alguma. E, nesse meio, meu amigo é até melhor gabaritado que alguns dos avaliadores.

Ficou em último. E, por incrível que pareça, ficou em último segundo critérios obscuros, não revelados, não públicos. Critérios que envolveram elementos alheios ao conjunto de competências que realmente interessavam. Outras coisas estavam em jogo, não apenas a competência - e isso explica a última colocação. Mas espera aí, se é uma avaliação de emprego, não é de competências?

O Brasil, definitivamente, tem dessas coisas. Seleções de competências que… não selecionam apenas competências. Mas, como brasileiro, meu colega aprendeu a lição. É, enfim, "brasileiro", e "não desiste nunca" - ou, em outras palavras, descobriu que por aqui são necessárias coisas adicionais para se conseguir qualquer coisa.

July 16, 2007

Quando o negócio (ou a entrevista?) vai mal.

Chegaram ao Catatau com: "o que perguntar a um candidato a uma vaga de estagio".

Espere aí, Sr. Entrevistador. Então você entrevistará candidatos, e não sabe o que perguntar a eles?  

Sorte que, como resposta, você chegou a esse texto;)

Ou a entrevista será assim?


June 5, 2007

Giannotti, Fordismo e Holocausto

 O Giannotti é contra a greve da USP, como manifestou, em via contrária a vários outros ilustres professores (Emir Sader e Paulo Arantes, dentre outros), na Folha. Desconsiderando no momento as questões da greve (muito bem abordadas nesse texto do Idelber), reproduzo abaixo um artigo (de 3/6/07, fechado na Folha) de Giannotti sobre Eichmann em Jerusalém, de Hannah Arendt.
 
Esse texto é importante sob vários vieses, a começar o de como os modelos de produção fordistas do início do século XX encontraram sua aplicação mais perfeita em aspectos bélicos (ou no extermínio de milhões), sobretudo na Alemanha nazista. Dentre os vários apontamentos interessantes, Giannotti sugere muito bem o fato desse "fordismo" responsável pelo Holocausto ceder lugar atualmente a outro modelo: o digital (estendendo a questão: não encontraria esse modelo também sua expressão mais radical nas guerras modernas? Outros ainda, como alguns teóricos da Autonomia Italiana, chamam nosso conjunto de modos de produção atuais de "pós-fordistas"). Também, quando não deixa de aplicar a expressão "crime contra a Humanidade" às bombas jogadas no Japão.
 
Enfim, um livro como esse nunca perde a atualidade; e não se pode falar em leitura descompromissada ;) .
 
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