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April 15, 2009

Pelas cantoras feias


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O Inagaki nos apresentou o surpreendente caso de uma cantora chamada Susan Boyle: desempregada, tímida, recatada, com 47 anos, e feia. 

Boyle participou de um desses "reality shows" onde se "descobrem" artistas. Esses shows, que possuem o objetivo principal de manter audiência e anunciantes, mesclam duas características principais: anônimos cantores, e anônimos toscos. Em meio aos anônimos toscos - a maioria, mero objeto de riso e talvez de quase toda a audiência -, os anônimos cantores despontam para o "sucesso", como se  não existissem gravadoras e mercado fonográfico, mas um manto em nossos olhos que se desvelasse diante de tanto talento. Como se o diamente bruto se descobrisse ao vivo, nas câmeras, em um programa de televisão, semelhante aos outros reality shows nos quais podemos presenciar o nascimento de um "amor verdadeiro", a produção de um filme pornô, ou a importante decisão na vida de uma madame sobre fazer uma cirurgia de aumento dos seios.

O uso do "diamante bruto" é nítido em Boyle: a mulher feia e desarrumada, sem gestos artísticos, objeto de riso da platéia; depois, o canto sublime, e a surpresa geral. Finalmente, o pasmo de todos, prolongado pelo golpe na nossa espectativa de mais um cantor feio e ruim.

Boyle é diametralmente oposta a todo o "glamour" empurrado diariamente goela abaixo. C´est la vie. Assim se cria audiência. Mas e nos outros casos, nas cantoras boas e boazudas, como a audiência se faz?

Sobre isso basta pensar nos principais shows - e cantoras - com relativo sucesso. O que presenciamos? Basta ver os programas de domingo: primeiramente, não importam o tipo de música cantada, a ênfase toda se situa na entonação e na aparência. A música pode ser "Como nossos pais", ou qualquer outra: alegre ou triste, a cantora permanece sorrindo, como se a música mais intimista ou a mais extrovertida merecessem sempre as mesmas firulas de entonação e a mesma expressão corporal. Em segundo lugar, recursos de palco para chamar a atenção, sendo o mais notável as danças coreografadas (com ou sem outras dançarinas). Tudo, menos a interpretação do cantor.

Um dos casos mais agudos e anedóticos dos últimos tempos é o da cantora Beyoncé, "flagrada" com enchimento na calcinha. Há quem corrija a informação: não é enchimento, trata-se de um mero "suporte" para "valorizar" o traseiro. Há ainda quem tenha coragem de polemizar isso, por incrível que pareça. Mas com ou sem suporte na bunda, vemos bem que o principal interesse da audiência não se situa necessariamente na música.

Talvez as músicas não sejam tão boas, e por isso os recursos extras para conservar nossa atenção. Mas como la vie en close c´est une autre chose, talvez possamos perceber que, não importa os fatores, uma boa música nunca deixa de ser boa música, e uma interpretação louvável nunca perde seu valor.

Existem certos critérios, mais ou menos visíveis, que nos permitem constatar um verdadeiro cantor. E precisamente esse é o ponto: uma bela cantora nem sempre é uma cantora bela, por mais que tentemos esconder a música no meio de uma bunda. Mas existe alguma bela cantora feia? Estranho é colocar o atributo “feiura”, quando se admite estar na frente de uma bela cantora. Estranho é colocar a bunda na balança: desde quando ela melhora a interpretação? Enquanto prevemos a resposta, abaixo algumas interpretações de uma certa voz de diamante:

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November 19, 2008

Chico Buarque - Roda Viva (1967)



O tempo vai repontando o meu destino pagão (…)

October 13, 2008

O Velho e o Mar, de Aleksandr Petrov (1999)


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A animação abaixo, da autoria de Aleksandr Petrov, é uma adaptação de O Velho e o Mar, de Hemingway. Com duração de 20 minutos, consiste em um conjunto de 29000 pinturas justapostas. Tudo feito artesanalmente (!).

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October 6, 2008

Entrevista com Saramago


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Não houve uma força superior que olhasse para mim e dissese: bom, vou te preparar uma vida muito bonita, não, não (…). Agora, é uma vida [de escritor] que não podia ter sucedido. Em termos de pura lógica: onde nasceste? Em tal parte [desprivilegiada]; o que é que fizeste? O que é que foi? Como foi tua infância? Tua adolescência?

(…) A globalização é um totalitarismo. Totalitarismo que não precisa nem de camisas verdes, nem castanhas… nem suásticas. São os ricos que governam e os pobres vivem como podem. Então, isto tem aspectos totalitários de fato, porque se tu controlas a economia mundial, os movimentos do dinheiro, a circulação dos bens, de uma certa maneira também controlas a circulação das pessoas, porque é o que está acontecer.

As duas passagens acima  pertencem a uma entrevista de Saramago, concedida ao Jornal da Globo. Nas temáticas, desde o precioso assunto da improbabilidade "lógica" de um "pobre" atingir notoriedade sem os mecanismos ingênuos do miserabilismo, até política.
 
De todo, a entrevista é muito interessante. Dentre outras coisas, é muito interessante uma emissora partidária dos gigantescos agronegócios e da "globalização" ouvir, do "único escritor de língua portuguesa a receber o Nobel de literatura", assuntos como o elogio da agricultura familiar, e o apreço ao "marxismo" ;) .

August 31, 2008

Milarepa (2006)


‘How senseless to disregard one’s life by fighting foes, who are but frail flowers.
How foolish to spend your lifetime without meaning, when a precious human body is so rare a gift’.

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March 26, 2008

O mundo segundo a Monsanto - livro e documentário


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Diz-se muito que as produções transgênicas são resistentes às pragas. Como se fossem plantas melhoradas, que conservam todas as características, exceto a atratividade a insetos e bactérias.
 
Mas é outra a função das mutações transgênicas: elas servem não para a planta resistir às pragas, mas ao veneno.
 
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March 7, 2008

La sangre de los caídos


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Qué lejos está mi tierra
Y, sin embargo, qué cerca
o es que existe un territorio
donde las sangres se mezclan.
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March 5, 2008

The Road to Palestine



Dentro do caloroso debate sobre a última matança israelense na Faixa de Gaza, lembrei de um pequeno documentário de Robert Fisk, intitulado "The Road to Palestine". Um pouco antigo, mas com temas bem atuais. Trata precisamente das relações sociais, econômicas e políticas entre israelenses e palestinos.

Fisk visita e entrevista figuras dos dois lados do embate, inclusive acampamentos do Hamás. Pergunta sobre suas motivações, e deixa no ar um grande impasse.

Acima, a parte 1 (Cf. também a 2, 3, 4, 5 e 6)

December 17, 2007

Animals, e Children of Men


Para quem não viu, Children of Men (2006) é um belo filme. Ilustra um futuro marcado por temas diretamente projetados por nosso presente: fascismo, guerras, doenças, e desilusão.
 
Várias cenas são de tirar o fôlego: algumas duram mais de 10 minutos, sem cortes. O youtube disponibiliza muitas (mas eu não recomendaria àqueles curiosos que gostam de fazer "clima" antes de ver um filme ;) ). Além disso, o filme é repleto de detalhes, que às vezes acompanham o roteiro, ou mesmo denotam outros sentidos.
 
Aqui consta uma boa resenha, sobre filmagem e implicações. De nossa parte, chamamos a atenção a uma das curiosas cenas:
 
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Não se parece com a capa de Animals, do Pink Floyd?
 
A imagem “http://farm1.static.flickr.com/33/63745762_dc1dc5f8a3.jpg” contém erros e não pode ser exibida.
 
***
E falando nesses futuros…
Depois de 25 anos da estréia de "Blade Runner" e após quatro versões, o diretor Ridley Scott está satisfeito com a última montagem do filme transformado em mito e que, ao contrário dos robôs humanóides que o protagonizam, parece ter vida eterna.

Assim garantiu o cineasta britânico, que completa 70 anos em novembro, na entrevista coletiva de apresentação do filme, exibido fora de competição no 64º Festival Internacional de Veneza.

Scott afirmou que, ao ver peças publicitárias e

vídeos musicais, se deu conta de que "’Blade Runner’ estava tendo uma influência muito forte nas novas gerações".

Além disso, "é uma obra artística" que "influiu muito no mundo da moda e também na obra de arquitetos de prestígio, que disseram que o filme tinha mudado seus conceitos", acrescentou.

Com o título de "Blade Runner: The Final Cut" (a montagem final), esta versão definitiva foi exibida pela primeira vez no sábado (1º) em Veneza. 

A paisagem do festival não podia ser mais diferente da obscura, caótica e tecnológica Los Angeles do ano 2019 no qual o filme é ambientado, uma mistura de cinema negro e ficção científica existencialista repleta de metáforas religiosas.

Para os que viram a versão anterior, "Blade Runner: The Director’s Cut" (a montagem do diretor), de 1992, a nova apresenta pequenas inovações que não alteram o espírito do filme, como ocorreu com o original, de 1982.

A versão de 2007 apresenta planos que contribuem para perfilar os personagens e suas relações, especialmente a do policial e a personagem interpretada pela atriz Sean Young, assim como alguns ajustes na inesquecível trilha sonora composta por Vangelis.

Outros planos que nunca convenceram Scott foram retocados graças à tecnologia digital.

Entre eles, estão a inclusão do rosto da atriz Joanna Cassidy na seqüência da perseguição de sua personagem, onde antes era possível perceber a presença de uma dublê na cena.

Também foi modificado o vôo da pomba que finaliza o famoso monólogo final do ator Rutger Hauer, presente na entrevista coletiva e cujas "naves em chamas além de Orión" ficaram marcadas na mente de várias gerações.

"Poucos trabalhos me deram tanta satisfação e prazer", ressaltou Hauer sobre a produção baseada no romance "Os andróides sonham com ovelhas elétricas?", de Philip K. Dick, sobre um grupo de replicantes - robôs de aspecto humano com vida limitada a quatro anos - que se rebelam e devem ser exterminados.

"É difícil explicar porque foi tão difícil a rodagem", mas o certo é que "quando o filme foi finalizado e foram realizadas as exibições prévias, o resultado foi ruim e alguns críticos me massacraram", lembrou Scott.

Os produtores concordaram com Scott em eliminar um plano no qual Ford sonhava com um unicórnio - chave para entender o personagem -, gravar uma locução que explicasse seus pensamentos durante todo o longa e procurar um final feliz.

Sobre isso, o diretor de "Alien" afirmou que fez "ajustes porque havia coisas que não funcionavam bem".

Em relação ao futuro da sétima arte, o diretor disse não ter idéia dos rumos do cinema e comentou que não é contra a onda de segundas partes de filmes de sucesso em Hollywood, porque "são divertidas, e isto é uma indústria".

Talvez o Catatau chegou atrasado para a festa, mas… a versão final é boa? 

November 16, 2007

Rendition (2007)


 
Trata-se de um filme sobre um engenheiro egípcio preso como terrorista a partir de um engano telefônico. Alguém conhece?
 
Vendo assim, o enredo parece com Road to Guantanamo. Trailer aqui.
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