<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<!-- generator="wordpress/1.5.1-alpha" -->
<rss version="2.0" 
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
>

<channel>
	<title>catatau</title>
	<link>http://catatau.blogsome.com</link>
	<description></description>
	<pubDate>Fri, 09 May 2008 16:03:03 +0000</pubDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=1.5.1-alpha</generator>
	<language>en</language>

		<item>
		<title>Frédéric Gros, sobre novas noções de Guerra</title>
		<link>http://catatau.blogsome.com/2008/05/08/entrevista-com-frederic-gros-sobre-novas-nocoes-de-guerra/</link>
		<comments>http://catatau.blogsome.com/2008/05/08/entrevista-com-frederic-gros-sobre-novas-nocoes-de-guerra/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 08 May 2008 01:14:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Catatau</dc:creator>
		
	<category>filosofia</category>
		<guid>http://catatau.blogsome.com/2008/05/08/entrevista-com-frederic-gros-sobre-novas-nocoes-de-guerra/</guid>
		<description><![CDATA[	  
	A Caros Amigos pulicou uma entrevista com Frédéric Gros, concedida a Gabriela Laurentiis. Reproduzimos, abaixo:
	         
 
Primeiramente, o senhor poderia explicar o conceito de guerra nas culturas ocidentais? Por que esse conceito mudou depois da queda do Muro de Berlim? Qual é a nova concep&ccedil;&atilde;o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="center"><a onclick="return fitsInWindow();"><img border="0" src="http://img182.imageshack.us/img182/9476/arton2415300x225xg1.jpg" title="Click to visit ImageShack for Image Hosting!" alt="img182/9476/arton2415300x225xg1.jpg" /></a>  </p>
	<p align="justify">A Caros Amigos pulicou uma <a target="_blank" href="http://carosamigos.terra.com.br/nova/ed130/entrevista_gros.asp">entrevista com Frédéric Gros</a>, concedida a Gabriela Laurentiis. Reproduzimos, abaixo:</p>
	<div align="justify">         </div>
 <a id="more-1020"></a><br />
<p align="justify" class="style9"><span class="ft1"><strong>Primeiramente, o senhor poderia explicar o conceito de guerra nas culturas ocidentais? Por que esse conceito mudou depois da queda do Muro de Berlim? Qual é a nova concep&ccedil;&atilde;o sobre a guerra?</strong> <br /> </span></p>
	<div align="justify"><span class="ft1"> Ainda mais precisamente do que o conceito de guerra na cultura ocidental, o qual me parece abranger coisas demais, eu poderia aqui simplesmente evocar o conceito de guerra para a &quot;filosofia&quot; ocidental moderna. Creio que ela contém uma das primeiras defini&ccedil;&otilde;es que existiram sobre a guerra. É definida, num livro de Alberico Gentilis datado do fim do século 16, como &quot;conflito armado, público e justo&quot;. Retenho tr&ecirc;s dimens&otilde;es dessa defini&ccedil;&atilde;o clássica. Por &quot;conflito armado&quot; é preciso entender um conflito violento, ou melhor, mortal. Mas essa dimens&atilde;o, creio, é marcada durante toda a época moderna por uma estrutura de reciprocidade. Quer dizer que a guerra é construída como um conflito que op&otilde;e dois exércitos, fazendo os soldados se enfrentarem num campo de batalha, dos quais cada um amea&ccedil;a a vida de cada outro na medida em que exp&otilde;e a risco a própria vida. É esse elemento duplo de exposi&ccedil;&atilde;o &agrave; morte (portanto, de supera&ccedil;&atilde;o do medo de morrer) e de reciprocidade (portanto, de troca), que fascinou a filosofia moral. Um grande número de grandes valores éticos, como a coragem, o senso do sacrifício, a vontade de se superar, ou ainda a obedi&ecirc;ncia, foram particularmente desenvolvidas no Ocidente a partir da experi&ecirc;ncia da guerra. Mas o progresso técnico transformou essas constru&ccedil;&otilde;es, quando a guerra se tornou uma matan&ccedil;a moderna. A segunda dimens&atilde;o n&atilde;o é ética, mas política: compreende a guerra como uma rela&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncias regrada com o objetivo de refor&ccedil;ar, consolidar, afirmar um Estado. É a idéia da guerra como &quot;conflito público&quot;. Por exemplo, Rousseau escreverá no seu <em>Contrato Social </em>que &quot;a guerra é uma rela&ccedil;&atilde;o de Estado a Estado&quot;. Esse segundo sentido da guerra como ato de afirma&ccedil;&atilde;o dum Estado soberano se constituiu no Ocidente quando o espa&ccedil;o político europeu se construía como a coexist&ecirc;ncia de uma pluralidade de Estados, cada um devendo afirmar sua consist&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o a cada outro. Donde vem o que se chama o sistema clássico de seguran&ccedil;a, em que o Estado se caracteriza, se legitima e se define a partir do monopólio da viol&ecirc;ncia, do qual ele disporia, por um dever ilimitado de paz no interior (a ordem pública devendo ser assegurada a qualquer pre&ccedil;o) e um direito ilimitado de guerra no exterior (para preservar sua integridade, ele pode a qualquer momento atacar outra unidade política). Enfim, quando Alberico Gentilis fala de &quot;conflito justo&quot; para definir a guerra, ele quer dizer com isso que a guerra é um conflito que porta uma reivindica&ccedil;&atilde;o de direito. Essa idéia de guerra justa abrange, ademais, várias realidades&nbsp;: se pode pensar numa guerra justa no sentido em que a vitória definiria o campo do justo, como se a batalha fosse um processo. Mas se pode pensar também no modelo formado pelos teólogos de uma guerra justa como guerra de &quot;justa causa: é a idéia de que a guerra n&atilde;o pode ser conduzida a n&atilde;o ser que se trate de reparar uma injusti&ccedil;a, punir um culpado. Enfim, se pode pensar na guerra justa como conflito em que os beligerantes (os Estados) desencadeiam viol&ecirc;ncias armadas entre eles, ao mesmo tempo respeitando certas regras (a declara&ccedil;&atilde;o de guerra, o respeito &agrave;s tréguas e aos mensageiros, o bom tratamento dos prisioneiros etc.) Ora, esse conceito mudou, mas n&atilde;o for&ccedil;osamente após a queda do Muro de Berlim. Creio que é uma série de rupturas que transformou profundamente a guerra. Pode-se pensar no progresso das técnicas de destrui&ccedil;&atilde;o, das metralhadoras &agrave; arma nuclear. Esse progresso foi de tal envergadura que o conflito entre grandes pot&ecirc;ncias, que tinha escandido toda a história da Europa com notável regularidade, acabou significando seu suicídio recíproco. Mas se deve também, a longo prazo, considerar a import&acirc;ncia política crescente das grandes democracias liberais, isto é, unidades políticas que privilegiam a discuss&atilde;o como meio de regula&ccedil;&atilde;o dos desacordos e s&atilde;o receptivas a uma opini&atilde;o pública, cada vez mais em rela&ccedil;&atilde;o a toda forma de sofrimento. O que a queda do Muro certamente provocou foi, por um breve momento, a esperan&ccedil;a, a ilus&atilde;o de que poderíamos viver num mundo sem guerra, pois o próprio símbolo da Guerra Fria, com tudo que envolvia de pesadelos amea&ccedil;adores, havia desabado.</span>          </div>
	<div align="justify">         </div>
	<p align="justify" class="style1"><strong>Por que o senhor pensa que estamos no início da era  dos &quot;estados de viol&ecirc;ncia&quot;?<br /> </strong><br />  Com o conceito de &quot;estados de viol&ecirc;ncia, tento refletir sobre a forma dos conflitos pós-modernos. Me parece, com efeito, que novas lógicas se imp&otilde;em, se formam linhas de for&ccedil;a novas que s&atilde;o profundamente diferentes. As resumo sob tr&ecirc;s grandes princípios: um princípio, de início, de unilateralidade. Me parece que, ao contrário das guerras clássicas, os conflitos pós-modernos op&otilde;em mais freq&uuml;entemente alvos desarmados a meios de destrui&ccedil;&atilde;o. Seja que se trate de atos terroristas ou de interven&ccedil;&otilde;es ultratecnológicas, se assiste a viol&ecirc;ncias largamente unilaterais. O segundo princípio é um princípio de asseguramento dos fluxos, apoiado por interven&ccedil;&otilde;es. O antigo sistema de guerra pressupunha uma série de distin&ccedil;&otilde;es: entre o exterior e o interior, entre o inimigo e o criminoso etc. Os conflitos pós-modernos v&atilde;o pressupor atores novos: mercenários, organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais, exércitos internacionais, máfias. É uma nova lógica que se forma. Enfim, falo de um princípio de midiatiza&ccedil;&atilde;o para referir a import&acirc;ncia da imagem nos conflitos contempor&acirc;neos: é por ela que se decide o sentido das novas viol&ecirc;ncias. O que chamo de &quot;estados de viol&ecirc;ncia&quot; é, portando, o que é preciso descrever na atualidade contempor&acirc;nea.</p>
	<div align="justify">         </div>
	<p align="justify" class="style1"><strong>O senhor poderia explicar o que é o conceito de seguran&ccedil;a? Por que esse conceito redefine o agente político na sua dimens&atilde;o de ser vivo?<br /> </strong><br />  O conceito de &nbsp;seguran&ccedil;a&nbsp; é muito antigo, tem suas raízes muito distantes na espiritualidade dos antigos. Significava ent&atilde;o o estado mental do sábio que n&atilde;o se deixa abalar por nada, mas se mantém sereno em todas as ocasi&otilde;es. Como eu já disse, no sentido moderno ela se torna apanágio do Estado segundo um duplo sistema: a polícia no interior e o exército nas fronteiras. A seguran&ccedil;a se refere ent&atilde;o &agrave; integridade territorial do Estado. Hoje, esse conceito é problematizado de uma maneira muito nova num certo número de círculos internacionais que querem promover a idéia da &nbsp;seguran&ccedil;a humana. Essa &quot;seguran&ccedil;a humana&quot; se define como a prote&ccedil;&atilde;o do individuo nas suas capacidades vitais de desenvolvimento, de afirma&ccedil;&atilde;o. Leva em conta tudo que possa afetar, alterar, fragilizar o homem no próprio aspecto concreto de sua vida: as doen&ccedil;as, os atos terroristas, a pobreza, as mudan&ccedil;as climáticas. Essa considera&ccedil;&atilde;o global me leva a falar de um conceito &quot;biopolítico&quot; da seguran&ccedil;a.</p>
	<div align="justify">         </div>
	<p align="justify"><strong>O senhor poderia comentar a frase de Michel Foucault, &nbsp;&quot;na história do conhecimento, a no&ccedil;&atilde;o de natureza humana me pareceria ter desempenhado essencialmente o papel de um indicador epistemológico para designar certos tipos de discurso em rela&ccedil;&atilde;o ou em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; teologia, &agrave; biologia ou &agrave; história&quot;. O senhor pensa que existe uma natureza humana? Por qu&ecirc;?<br /> </strong><br />  Essa frase, creio, faz uma refer&ecirc;ncia a uma problemática muito precisa que era a de Foucault no momento em que escrevia <em>As Palavras e as Coisas</em>. Remetida &agrave; idéia da &quot;morte do homem&quot;, n&atilde;o como extin&ccedil;&atilde;o da espécie, mas como dispositivo epistemológico. Ele explicava ent&atilde;o que a &quot;natureza humana&quot; n&atilde;o era uma realidade imemorial, mas um princípio da organiza&ccedil;&atilde;o dos discursos do saber a partir do século 19. Interrogar a verdade, isso envolvia colocar a quest&atilde;o: &quot;Que é o homem&quot;. Ora, parecia a ele que essa quest&atilde;o estava já superada, e que a verdade da verdade era agora pesquisada do lado da linguagem. Tudo seria linguagem, comunica&ccedil;&atilde;o, transmiss&atilde;o de códigos: a troca de bens, o casamento, a reprodu&ccedil;&atilde;o sexuada etc. Ent&atilde;o, o homem, como núcleo central do saber, desaparece. O que significa para Foucault que a &quot;natureza humana&quot; remete a uma quest&atilde;o cultural precisa, mas n&atilde;o ter pertin&ecirc;ncia nem universal, nem trans-histórica.</p>
	<p align="center">***&nbsp;</p>
	<p align="justify">E bem a propósito, saiu a <a target="_blank" href="http://www.oestrangeiro.net/index.php?option=com_content&#038;task=view&#038;id=131&#038;Itemid=59">edi&ccedil;&atilde;o em ingl&ecirc;s de <em>Seguran&ccedil;a, Território, Popula&ccedil;&atilde;o</em>.</a></p>
	<p align="justify">Continuando o tema, Gros concedeu outra entrevista, muito semelhante e complementar, intitulada &quot;<a target="_blank" href="http://www.lemague.net/dyn/spip.php?article2415">Penser la guerre</a>&quot;.&nbsp;</p>
	<p align="justify">Dentre outros, Gros escreveu <a target="_blank" href="http://compare.buscape.com.br/procura?id=3482&#038;raiz=3482&#038;ens=0&#038;kw=foucault%20coragem%20verdade&#038;site_origem=521287"><em>Foucault e a Coragem da Verdade</em></a>, e <a target="_blank" href="http://compare.buscape.com.br/procura?id=3482&#038;raiz=3482&#038;ens=0&#038;kw=foucault%20folie&#038;site_origem=521287"><em>Foucault et la Folie</em></a>. </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catatau.blogsome.com/2008/05/08/entrevista-com-frederic-gros-sobre-novas-nocoes-de-guerra/feed/</wfw:commentRss>
	</item>
		<item>
		<title>Categorias raciais e sociais, no informe sobre ações afirmativas.</title>
		<link>http://catatau.blogsome.com/2008/05/05/categorias-raciais-e-sociais-no-informe-sobre-acoes-afirmativas/</link>
		<comments>http://catatau.blogsome.com/2008/05/05/categorias-raciais-e-sociais-no-informe-sobre-acoes-afirmativas/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 05 May 2008 13:07:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Catatau</dc:creator>
		
	<category>educação</category>
		<guid>http://catatau.blogsome.com/2008/05/05/categorias-raciais-e-sociais-no-informe-sobre-acoes-afirmativas/</guid>
		<description><![CDATA[	O Marcos chamou a aten&ccedil;&atilde;o a um recente estudo, divulgado pela revista da FAPESP. Demonstra-se lá a eficácia de políticas afirmativas na inser&ccedil;&atilde;o de estudantes desprivilegiados, nas universidades. 
	Consoante um antigo texto (&quot;Ra&ccedil;a - entre o argumento biológico e sócio-histórico&quot;), gostaria de chamar a aten&ccedil;&atilde;o a alguns elementos:
	O artigo fala sobre os benefícios fornecidos a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="justify">O <a href="http://ensaius.wordpress.com/2008/05/04/limites-desafiados/" target="_blank">Marcos</a> chamou a aten&ccedil;&atilde;o a um <a href="http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=3502&#038;bd=1&#038;pg=1&#038;lg=" target="_blank">recente estudo, divulgado pela revista da FAPESP</a>. Demonstra-se lá a eficácia de políticas afirmativas na inser&ccedil;&atilde;o de estudantes desprivilegiados, nas universidades. </p>
	<p align="justify">Consoante um antigo texto (&quot;<a href="http://catatau.blogsome.com/2007/06/15/raca-entre-o-argumento-biologico-e-o-socio-historico/" target="_blank">Ra&ccedil;a - entre o argumento biológico e sócio-histórico</a>&quot;), gostaria de chamar a aten&ccedil;&atilde;o a alguns elementos:</p>
	<p align="justify">O artigo fala sobre os benefícios fornecidos a &quot;egressos de escolas públicas e grupos étnicos socialmente desfavo&shy;recidos&quot;. Isso inclui, portanto, duas quest&otilde;es: a <em>social</em>, e a quest&atilde;o <em>étnica </em>imersa na quest&atilde;o social. É o solo comum das discuss&otilde;es: no Brasil, o desprivilégio racial é, em primeiro lugar, social. Racismos, por aqui, n&atilde;o ocorrem como em outros países, onde a discrimina&ccedil;&atilde;o é sobretudo étnica, e os prejuízos sociais s&atilde;o decorr&ecirc;ncia disso. No Brasil, n&atilde;o se separa discrimina&ccedil;&atilde;o racial e social. </p>
	<p align="justify">Portanto, no fundo as duas quest&otilde;es se diluem (ou deveriam se diluir) em uma: a social. &quot;Grupos étnicos socialmente desfavorecidos&quot;, no Brasil, inserem-se no grupo mais geral dos &quot;socialmente desfavorecidos&quot;. </p>
	<p align="justify">Logo após, o artigo apresenta outra no&ccedil;&atilde;o, a de &quot;resili&ecirc;ncia educacional&quot;. Indivíduos provindos de classes desfavorecidas apresentariam uma maior capacidade de se adaptar &agrave;s adversidades. Superariam desafios duplos, com a vida difícil, e os estudos. A resili&ecirc;ncia dos alunos os levaria inclusive a padr&otilde;es de desempenho melhores que seus colegas, de classe média e alta.</p>
	<p align="justify">O que se torna complicado, como observamos no outro texto, é essa justaposi&ccedil;&atilde;o de categorias &quot;raciais&quot; e &quot;sociais&quot;, para justificar <strong>apenas, ou sobretudo, </strong>as práticas raciais. Nesse texto, a no&ccedil;&atilde;o social de &quot;resili&ecirc;ncia educacional&quot; se justap&otilde;e &agrave;s práticas afirmativas, que prioritariamente se focam na <em>ra&ccedil;a</em>, e n&atilde;o na <em>condi&ccedil;&atilde;o social</em>. Ou melhor, focam-se na quest&atilde;o social prioritariamente com &quot;lentes&quot; raciais.</p>
	<p align="justify">Se o argumento se dirige do desprivilégio social ao racial, n&atilde;o se tornaria um constrangimento aludir que os setores contemplados com a&ccedil;&otilde;es afirmativas detém características psicológicas privilegiadas (&quot;resili&ecirc;ncia&quot;), diante dos outros setores?&nbsp;</p>
	<p align="justify">É claro que n&atilde;o. Todos sabem que &quot;resili&ecirc;ncia educacional&quot; pode ser uma no&ccedil;&atilde;o social, mas nunca racial. Mas é precisamente isso que mostra todo o desequilíbrio.</p>
	<p align="justify">Tudo obedece ao fato de que as políticas sociais, no Brasil, fiam-se prioritariamente na ra&ccedil;a, e n&atilde;o no <em>socius</em>. Dado que o racismo e o desprivilégio, no Brasil, s&atilde;o sociais, e n&atilde;o uma categoria apenas biológico-étnica, cria-se aqui uma <a target="_blank" href="http://catatau.blogsome.com/2007/06/15/raca-entre-o-argumento-biologico-e-o-socio-historico/">generaliza&ccedil;&atilde;o equivocada</a>. Justifica-se um argumento <em>geral </em>para legitimar uma prática <em>parcial</em>, como se a parcialidade por si só resolvesse tudo. Mas seguindo o mesmo raciocínio, se as políticas de incentivo fossem prioritariamente <strong>sociais</strong>, <strong>n&atilde;o atingiriam os mesmos resultados raciais, abarcando inclusive indivíduos que no momento atual ficam &agrave; margem das a&ccedil;&otilde;es afirmativas?</strong></p>
	<p align="justify">A &quot;generaliza&ccedil;&atilde;o equivocada&quot; n&atilde;o se resume a um problema lógico. É social.&nbsp;</p>
	<p align="center">***&nbsp;</p>
	<p align="justify">O artigo da FAPESP se previne, apresentando vantagens de políticas relativas a egressos de escolas públicas, ao invés de apenas cotas. Inclusive apresenta a discuss&atilde;o entre cotistas e outros sistemas, como o de b&ocirc;nus e mérito, em universidades como a USP e a UNICAMP. Mas n&atilde;o se pode deixar de notar o peso ainda conferido &agrave; quest&atilde;o da ra&ccedil;a, na maior parte das políticas relativas a desprivilegiados. </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catatau.blogsome.com/2008/05/05/categorias-raciais-e-sociais-no-informe-sobre-acoes-afirmativas/feed/</wfw:commentRss>
	</item>
		<item>
		<title>Unembbed - Sítio e Livro</title>
		<link>http://catatau.blogsome.com/2008/05/05/unembbed-sitio-e-livro/</link>
		<comments>http://catatau.blogsome.com/2008/05/05/unembbed-sitio-e-livro/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 05 May 2008 00:21:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Catatau</dc:creator>
		
	<category>midia e politica</category>
	<category>arte visual</category>
		<guid>http://catatau.blogsome.com/2008/05/05/unembbed-sitio-e-livro/</guid>
		<description><![CDATA[	 
	Em outro post, publicamos um pequeno informe sobre o site Unembbed. Ele reúne jornalistas iraquianos que exploram regi&otilde;es onde o tr&acirc;nsito de outros colegas ocidentais seria impossível, sem riscos. Em uma reportagem para o Guardian, Ghaith Abdul-Ahad comenta que, se outro jornalista estivesse cobrindo o mesmo local, seria provavelmente morto ou sequestrado.
	O risco traz [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="center"><a onclick="return fitsInWindow();"><img border="0" alt="img519/7622/unembbed3cq1.jpg" title="Click to visit ImageShack for Image Hosting!" src="http://img519.imageshack.us/img519/7622/unembbed3cq1.jpg" /></a> </p>
	<p align="justify">Em <a href="http://catatau.blogsome.com/2008/03/31/fotos-e-informacoes-do-iraque-por-iraquianos-e-no-iraque/" target="_blank">outro post</a>, publicamos um pequeno informe sobre o site <a href="http://www.unembedded.net/main.php" target="_blank"><em>Unembbed</em></a>. Ele reúne jornalistas iraquianos que exploram regi&otilde;es onde o tr&acirc;nsito de outros colegas ocidentais seria impossível, sem riscos. Em uma <a href="http://www.guardian.co.uk/world/video/2008/mar/17/baghdad.city.of.walls" target="_blank">reportagem para o Guardian</a>, Ghaith Abdul-Ahad comenta que, se outro jornalista estivesse cobrindo o mesmo local, seria provavelmente morto ou sequestrado.</p>
	<p align="justify">O risco traz seus resultados: os quatro jornalistas trabalham próximos &agrave; popula&ccedil;&atilde;o local, diretamente afetada pelo conflito, e também junto aos insurgentes. </p>
	<p align="justify">Vinculado ao site, os jornalistas publicaram um <a href="http://www.chelseagreen.com/2005/items/unembeddedcloth" target="_blank">livro com o mesmo título</a>. No link, informa&ccedil;&otilde;es sobre cada um deles. Abrindo o livro, um nome de peso: o <a href="http://www.chelseagreen.com/2005/items/unembeddedcloth/Foreword" target="_blank">Prefácio</a> é de <a href="http://image-word.blogspot.com/2008/03/philip-jones-griffiths-photojournalist.html" target="_blank">Phillip Jones Griffiths</a> (um dos maiores fotojornalistas de guerra do século XX).</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catatau.blogsome.com/2008/05/05/unembbed-sitio-e-livro/feed/</wfw:commentRss>
	</item>
		<item>
		<title>O que é o Behaviorismo? (com vídeos de B. F. Skinner)</title>
		<link>http://catatau.blogsome.com/2008/04/30/o-que-e-behaviorismo-com-videos-de-b-f-skinner/</link>
		<comments>http://catatau.blogsome.com/2008/04/30/o-que-e-behaviorismo-com-videos-de-b-f-skinner/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 30 Apr 2008 16:15:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Catatau</dc:creator>
		
	<category>psicologia</category>
		<guid>http://catatau.blogsome.com/2008/04/30/o-que-e-behaviorismo-com-videos-de-b-f-skinner/</guid>
		<description><![CDATA[	A refer&ecirc;ncia, com mais 6 vídeos originais do próprio Skinner (!), consta lá no Avan&ccedil;os em História da Psicologia. Segue a defini&ccedil;&atilde;o  :
	

Behaviorismo (Comportamentalismo): Um movimento psicológico, agora extinto, construído sob a premissa de que voc&ecirc; é o que voc&ecirc; faz, e voc&ecirc; faz porque voc&ecirc; fez. Substituído pelas psicologia humanista (voc&ecirc; é o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>A refer&ecirc;ncia, com mais 6 vídeos originais do próprio Skinner (!), consta lá no <a href="http://ahp.yorku.ca/?p=426" target="_blank">Avan&ccedil;os em História da Psicologia</a>. Segue a defini&ccedil;&atilde;o <img src='http://catatau.blogsome.com/wp-images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> :</p>
	<div align="justify">
<blockquote>
<p>Behaviorismo (Comportamentalismo): Um movimento psicológico, agora extinto, construído sob a premissa de que voc&ecirc; é o que voc&ecirc; faz, e voc&ecirc; faz porque voc&ecirc; fez. Substituído pelas psicologia humanista (voc&ecirc; é o que voc&ecirc; sente), ci&ecirc;ncia cognitiva (voc&ecirc; é o que voc&ecirc; pensa), Dr. Atkins (voc&ecirc; é o que come), e a publicidade moderna (voc&ecirc; é o que dissermos).</p></blockquote>
	<p>Abaixo, duas fotos de B. F. Skinner, </p>
	<p align="center"><a onclick="return fitsInWindow();"><img width="199" height="197" border="0" alt="img222/1295/skinnerky2.jpg" title="Click to visit ImageShack for Image Hosting!" src="http://img222.imageshack.us/img222/1295/skinnerky2.jpg" />&nbsp; </a><a onclick="return fitsInWindow();"><img width="264" height="198" border="0" alt="img222/4020/dracula3vk1.jpg" title="Click to visit ImageShack for Image Hosting!" src="http://img222.imageshack.us/img222/4020/dracula3vk1.jpg" /></a></p>
	<p align="center">durante as pesquisas, e em uma curta passagem pelo cinema.</p>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catatau.blogsome.com/2008/04/30/o-que-e-behaviorismo-com-videos-de-b-f-skinner/feed/</wfw:commentRss>
	</item>
		<item>
		<title>Malthus de novo</title>
		<link>http://catatau.blogsome.com/2008/04/29/malthus-de-novo/</link>
		<comments>http://catatau.blogsome.com/2008/04/29/malthus-de-novo/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 29 Apr 2008 16:14:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Catatau</dc:creator>
		
	<category>sem categoria</category>
		<guid>http://catatau.blogsome.com/2008/04/29/malthus-de-novo/</guid>
		<description><![CDATA[	Reproduzo abaixo o pequeno &quot;O Retorno de Malthus&quot;, de Luiz Marques, no História Viva. 
	&nbsp;De todos os filósofos e pensadores da economia política que vicejaram desde o século XVIII, nenhum foi objeto de críticas t&atilde;o un&acirc;nimes quanto Thomas R. Malthus, autor em 1798 de um livro famoso: Um ensaio sobre o príncípio da popula&ccedil;&atilde;o e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p>Reproduzo abaixo o pequeno &quot;<a target="_blank" href="http://www2.uol.com.br/historiaviva/artigos/o_retorno_de_malthus.html">O Retorno de Malthus</a>&quot;, de Luiz Marques, no História Viva. </p>
	<blockquote><p align="justify">&nbsp;<span class="interna-txt">De todos os filósofos e pensadores da economia política que vicejaram desde o século XVIII, nenhum foi objeto de críticas t&atilde;o un&acirc;nimes quanto Thomas R. Malthus, autor em 1798 de um livro famoso: <em>Um ensaio sobre o príncípio da popula&ccedil;&atilde;o e sobre o modo como afeta o aperfei&ccedil;oamento futuro da sociedade</em>. O pessimismo de sua tese, segundo a qual &ldquo;há uma constante tend&ecirc;ncia em todas as formas de vida animada a crescer além dos estoques de alimenta&ccedil;&atilde;o disponíveis para ela&rdquo;, jamais granjeou consenso. Pois a tal pessimismo, opunham-se dois tipos de otimismo. Os &ldquo;integrados&rdquo;, ou seja, os otimistas liberais, sempre acusaram Malthus de miopia apocalíptica, argumentando que a simbiose entre a livre-iniciativa e a tecnologia seria capaz de prover indefinidamente a demanda global de alimentos. A &ldquo;revolu&ccedil;&atilde;o verde&rdquo; deu-lhes raz&atilde;o. De seu lado, os &ldquo;apocalípticos&rdquo;, vale dizer, os otimistas quanto &agrave; capacidade humana de superar o capitalismo, sempre o consideraram um &ldquo;integrado&rdquo;, um reacionário empedernido, contrário até mesmo &agrave; mais tímida legisla&ccedil;&atilde;o paliativa da pobreza. O progresso da legisla&ccedil;&atilde;o social desde a Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa também deu-lhe raz&atilde;o. <br /></span></p>
	<div align="justify"><span class="interna-txt">Mas as coisas mudaram. Transcorridos 210 anos do ensaio de Malthus, esses dois tipos de otimismo debatem-se em crises terminais, enquanto o pessimismo malthusiano retorna. Dados da ONU: em 2008, a popula&ccedil;&atilde;o urbana do planeta está se equiparando &agrave; popula&ccedil;&atilde;o rural; beiramos hoje 6,8 bilh&otilde;es; em 70 anos, de 1950 a 2020, mais que triplicaremos; nos próximos 40 anos atingiremos a marca de 9,2 bilh&otilde;es de indivíduos: 50% a mais que a popula&ccedil;&atilde;o de 2000; em 2050, 6,4 bilh&otilde;es de pessoas &ndash; o equivalente &agrave; popula&ccedil;&atilde;o atual do planeta! &ndash; apinhar-se-&atilde;o em cidades. Portanto, em 40 anos (2010-2050), a popula&ccedil;&atilde;o urbana, sempre sequiosa de alimentos, duplicará.</span></div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify"><span class="interna-txt">Haverá 50% a mais de alimentos no planeta em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; produ&ccedil;&atilde;o já insuficiente de 2000? A resposta é n&atilde;o. A revolu&ccedil;&atilde;o verde atingiu seus limites. Ela foi possível por causa do petróleo abundante e barato e a conseq&uuml;ente petroquímica dos fertilizantes e defensivos agrícolas. Enxertamos no solo quantidades imensas de energia fóssil. Segundo Richard Manning (<em>The oil we eat</em>, O petróleo que comemos) &ldquo;as planta&ccedil;&otilde;es de Iowa [EUA] requerem a energia de 4 mil bombas de Nagasaki por ano&rdquo;. E esse é o padr&atilde;o atual da agricultura de escala. Ora, é consenso que a tecnologia será incapaz de descobrir novas jazidas de petróleo em ritmo compatível com o do crescimento da demanda. O esgotamento das reservas petrolíferas é um fato. Ela já acarreta o aumento implacável dos pre&ccedil;os do petróleo e o dos alimentos agrícolas, analisado por Paul Krugman em artigo do <em>Washington Post </em>de 7 de abril (&ldquo;Grains gone wild&rdquo;, Os gr&atilde;os enlouqueceram). Isto para n&atilde;o falar no pior: o declínio dos cardumes e a demanda crescente por gado de corte, voraz consumidor de florestas e gr&atilde;os, com custos ambientais terrificantes. Mas é melhor parar por aqui: neste assunto os carnívoros humanos nem querem ouvir falar.</span></div></blockquote>
	<p align="justify">Muito interessante o modo como Marques colocou Malthus entre os liberais e os marxistas: entre a &quot;liberdade&quot; do mercado, constatável <em>a posteriori</em>, e a condu&ccedil;&atilde;o das estruturas sociais por uma massa consciente, figuraria o pensador ingl&ecirc;s, ou mais precisamente o significado que se poderia extrair de sua obra. </p>
	<p align="justify">Contra o liberalismo, a presen&ccedil;a de um Malthus &quot;atual&quot; mostraria que n&atilde;o ocorre nem um equilíbrio espont&acirc;neo e igualitário da economia, e nem um consumo &quot;livre&quot; adequado a recursos infinitos. Contra os socialismos reais, afirmaria que a própria <em>realidade</em> mostrou a impossibilidade de superar os instrumentalismos em dire&ccedil;&atilde;o a uma raz&atilde;o substantiva.</p>
	<p align="justify"><span class="interna-txt">&quot;Mas é melhor parar por aqui: neste assunto os carnívoros humanos nem querem ouvir falar.&quot; [2]</span> <img src='http://catatau.blogsome.com/wp-images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catatau.blogsome.com/2008/04/29/malthus-de-novo/feed/</wfw:commentRss>
	</item>
		<item>
		<title>Obras Completas de Charles Darwin on-line</title>
		<link>http://catatau.blogsome.com/2008/04/28/obras-completas-de-charles-darwin-on-line/</link>
		<comments>http://catatau.blogsome.com/2008/04/28/obras-completas-de-charles-darwin-on-line/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 28 Apr 2008 15:40:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Catatau</dc:creator>
		
	<category>filosofia</category>
	<category>ebooks</category>
		<guid>http://catatau.blogsome.com/2008/04/28/obras-completas-de-charles-darwin-on-line/</guid>
		<description><![CDATA[	link:&nbsp; /darwin-online.org.uk/
	&nbsp;
	&nbsp;
	&nbsp;
	&ldquo;&#8230;it is always advisable to perceive clearly our ignorance.&rdquo; 
	&nbsp;
	***&nbsp;
	Para ter uma idéia do tamanho do acervo, e da preciosidade, 
	Segundo a organiza&ccedil;&atilde;o da Biblioteca Universitária de Cambridge, esta é a maior cole&ccedil;&atilde;o de documentos e manuscritos de Darwin. S&atilde;o cerca de 20 mil itens e 90 mil imagens que por décadas foram acessados [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<div align="justify">link:&nbsp; <a target="_blank" href="http://darwin-online.org.uk/">/darwin-online.org.uk/</a></div>
	<div align="center">&nbsp;</div>
	<div align="center">&nbsp;<a onclick="return fitsInWindow();"><img border="0" src="http://img126.imageshack.us/img126/8750/darwinapeuo5.jpg" title="Click to visit ImageShack for Image Hosting!" alt="img126/8750/darwinapeuo5.jpg" /></a></div>
	<div align="center">&nbsp;</div>
	<div align="center">&ldquo;&#8230;it is always advisable to perceive clearly our ignorance.&rdquo; </div>
	<div align="center">&nbsp;</div>
	<div align="center">***&nbsp;</div>
	<div align="justify">Para ter uma idéia do tamanho do acervo, e da preciosidade, </div>
	<blockquote><div align="justify"><span><a href="http://viajeaqui.abril.com.br/ng/noticias/82293_noticias.shtml?CI" target="_blank">Segundo</a> a organiza&ccedil;&atilde;o da Biblioteca Universitária de Cambridge, esta é a maior cole&ccedil;&atilde;o de documentos e manuscritos de Darwin. S&atilde;o cerca de 20 mil itens e 90 mil imagens que por décadas foram acessados apenas por acad&ecirc;micos. Os documentos foram doados pela família de Darwin em 1942, mas a institui&ccedil;&atilde;o os recebeu apenas após a Segunda Guerra Mundial.</span> </div></blockquote>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catatau.blogsome.com/2008/04/28/obras-completas-de-charles-darwin-on-line/feed/</wfw:commentRss>
	</item>
		<item>
		<title>Illan Pappé e o debate brasileiro</title>
		<link>http://catatau.blogsome.com/2008/04/28/illan-pappe-e-o-debate-brasileiro/</link>
		<comments>http://catatau.blogsome.com/2008/04/28/illan-pappe-e-o-debate-brasileiro/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 28 Apr 2008 01:52:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Catatau</dc:creator>
		
	<category>midia e politica</category>
		<guid>http://catatau.blogsome.com/2008/04/28/illan-pappe-e-o-debate-brasileiro/</guid>
		<description><![CDATA[	Vale muito ler a resenha de Daniel Lopes ao livro de Ilan Pappé, The Ethnic Cleasing of Palestine [pesquisa de pre&ccedil;os]. 
	

&nbsp;Lendo a mídia main stream do Ocidente fica-se com a impress&atilde;o de que o que ocorreu na década de 40 do século passado foi a cria&ccedil;&atilde;o de um país para os judeus numa terra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="justify">Vale muito ler a <a href="http://carosamigos.terra.com.br/nova/ed133/geral_palestina.asp" target="_blank">resenha de Daniel Lopes ao livro de Ilan Pappé</a>, <em>The Ethnic Cleasing of Palestine</em> [<a target="_blank" href="http://compare.buscape.com.br/procura?id=3482&#038;raiz=3482&#038;ens=0&#038;kw=Ethnic%20Cleansing&#038;site_origem=521287">pesquisa</a> de pre&ccedil;os]. </p>
	<div align="justify">
<blockquote>
<p>&nbsp;Lendo a mídia main stream do Ocidente fica-se com a impress&atilde;o de que o que ocorreu na década de 40 do século passado foi a cria&ccedil;&atilde;o de um país para os judeus numa terra quase ou completamente desabitada, pronto para conviver em paz e harmonia com o povo palestino, se apenas este assim desejasse. Com o passar dos anos, ainda segundo a lenda, por estarem as na&ccedil;&otilde;es árabes cheias de &ldquo;anti-semitas&rdquo; prontos a perpetrarem um &ldquo;segundo Holocausto&rdquo;, o inocente país judaico teve que se armar e, imediatamente após, come&ccedil;ar a praticar atos bélicos &ndash; unicamente em legítima defesa. Esse engodo de &ldquo;uma terra sem povo para um povo sem terra&rdquo;, claro, n&atilde;o floresceu &agrave; toa no imaginário do Ocidente crist&atilde;o.</p></blockquote>
	<p>Talvez a resenha do <a href="http://danielslopes.blogspot.com/2008/04/relembrar-viver.html" target="_blank">Daniel</a> seja uma das primeiras em terras tupiniquins, dentro de recente proposta do &quot;<a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2008/03/clube_de_leituras_the_ethnic_cleansing_of_palestine_de_ilan_pappe.php" target="_blank">clube de leituras</a>&quot; do Biscoito. &nbsp;</p>
	<p>Sobre esse livro, em outra oportunidade vinculamos <a href="http://catatau.blogsome.com/2007/04/17/a-limpeza-etnica-da-palestina/" target="_blank">resenhas, refer&ecirc;ncias e entrevistas com o autor</a>.</p>
	<p>Vale a pena acompanhar a resenha junto com o pequeno documentário <a href="http://catatau.blogsome.com/2008/03/05/the-road-to-palestine/" target="_blank"><em>The Road to Palestine</em></a>, de Robert Fisk. Resson&acirc;ncia com vários movimentos do texto do Daniel.</p>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catatau.blogsome.com/2008/04/28/illan-pappe-e-o-debate-brasileiro/feed/</wfw:commentRss>
	</item>
		<item>
		<title>De Virgílio, a Dante (de A Divina Comédia)</title>
		<link>http://catatau.blogsome.com/2008/04/24/de-virgilio-a-dante-de-a-divina-comedia/</link>
		<comments>http://catatau.blogsome.com/2008/04/24/de-virgilio-a-dante-de-a-divina-comedia/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 24 Apr 2008 22:56:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Catatau</dc:creator>
		
	<category>arte visual</category>
	<category>poesia</category>
	<category>literatura</category>
		<guid>http://catatau.blogsome.com/2008/04/24/de-virgilio-a-dante-de-a-divina-comedia/</guid>
		<description><![CDATA[	
	Ilustra&ccedil;&atilde;o do Canto XXIII da Divina Comédia, por Gustav Doré
	&nbsp;
	&nbsp;
	 &ldquo;Eia! toda a fraqueza em ti se mude! Em ócio&rdquo; &mdash; disse o Mestre &mdash; &ldquo;ou sobre a pluma Pr&ecirc;mios ninguém conquista da virtude.
	 &ldquo;Aquele que a exist&ecirc;ncia assim consuma, Tal vestígio de si deixa na terra, Como o fumo no ar e na água [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<div align="center"><a onclick="return fitsInWindow();"><img border="0" alt="img507/5121/inferno23oc6.jpg" title="Click to visit ImageShack for Image Hosting!" src="http://img507.imageshack.us/img507/5121/inferno23oc6.jpg" /></a></div>
	<div align="center">Ilustra&ccedil;&atilde;o do Canto XXIII da <em>Divina Comédia</em>, por Gustav Doré</div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="center">&nbsp;</div>
	<div align="center"> &ldquo;Eia! toda a fraqueza em ti se mude!<br /> Em ócio&rdquo; &mdash; disse o Mestre &mdash; &ldquo;ou sobre a pluma<br /> Pr&ecirc;mios ninguém conquista da virtude.</p>
	<p> &ldquo;Aquele que a exist&ecirc;ncia assim consuma,<br /> Tal vestígio de si deixa na terra,<br /> Como o fumo no ar e na água a espuma.</p>
	<p> &ldquo;Ergue-te, pois! Torpor de ti desterra!<br /> Recobra o esfor&ccedil;o que os perigos vence!<br /> Impere alma no corpo em que se encerra!</p>
	<p> &ldquo;Que vais subir muito alto a mente pense;<br /> Desse abismo n&atilde;o basta haver saído.<br /> Será teu prol, se a minha voz convence&rdquo;.<br />&nbsp; </div>
	<div align="center">(<em>Divina Comédia</em>, Inferno, passagem do <a href="http://pt.wikisource.org/wiki/A_Divina_Com%C3%A9dia/Inferno/XXIV" target="_blank">Canto XXIV</a>. Tradu&ccedil;&atilde;o de José Pedro Xavier Pinheiro)&nbsp;</div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">Sobre Dante, <a href="http://www.stelle.com.br/index.html" target="_blank">esse site</a> traz a <em>Divina Comédia</em> completa, com refer&ecirc;ncias de estudos e tradu&ccedil;&otilde;es (inclusive com o poema original).&nbsp; A tradu&ccedil;&atilde;o completa de José Xavier Pinheiro consta <a href="http://pt.wikisource.org/wiki/A_Divina_Com%C3%A9dia" target="_blank">aqui</a>. É notável o trabalho de conserva&ccedil;&atilde;o das rimas.</div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">Finalmente, Gustav Doré tem vários sites dedicados &agrave;s suas gravuras, que v&atilde;o da Bíblia até Dom Quixote, passando também por Dante. Especialmente o <a href="http://www.doreillustrations.com" target="_blank">Doré Ilustrations</a> traz as imagens em alta resolu&ccedil;&atilde;o. Vale muito a pena conferir.</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catatau.blogsome.com/2008/04/24/de-virgilio-a-dante-de-a-divina-comedia/feed/</wfw:commentRss>
	</item>
		<item>
		<title>Indios</title>
		<link>http://catatau.blogsome.com/2008/04/22/indios/</link>
		<comments>http://catatau.blogsome.com/2008/04/22/indios/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 22 Apr 2008 01:17:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Catatau</dc:creator>
		
	<category>brasil</category>
		<guid>http://catatau.blogsome.com/2008/04/22/indios/</guid>
		<description><![CDATA[	
	&quot;Família de um Chefe Camac&atilde; preparando-se para uma festa&quot;, de Debret 
	&nbsp;

Conversava alguns dias atrás na pra&ccedil;a com um transeunte, sobre o estatuto dos índios no Brasil. A respeito de uma reserva situada no sul do país, meu interlocutor exclamou que a única coisa que se v&ecirc; s&atilde;o índios na beira da estrada, vendendo animais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<div align="center"><a onclick="return fitsInWindow();"><img border="0" src="http://img253.imageshack.us/img253/7953/familiadeumchefecamacapfj9.jpg" title="Click to visit ImageShack for Image Hosting!" alt="img253/7953/familiadeumchefecamacapfj9.jpg" /></a></div>
	<div align="center"><span class="caminho">&quot;Família de um Chefe Camac&atilde; preparando-se para uma festa</span>&quot;, de Debret </div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
<a id="more-1009"></a><br />
<div align="justify">Conversava alguns dias atrás na pra&ccedil;a com um transeunte, sobre o estatuto dos índios no Brasil. A respeito de uma reserva situada no sul do país, meu interlocutor exclamou que a única coisa que se v&ecirc; s&atilde;o índios na beira da estrada, vendendo animais ilegais e artesanatos mal feitos, perambulando e bebendo. Enfim - completou -, tudo devido a uma política &quot;assistencialista&quot; do governo. Índios seriam <em>bon vivants</em>, assistenciados e irresponsáveis. Resumindo, &quot;vagabundos&quot;.&nbsp;</div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">Talvez o espanto diante de tais declara&ccedil;&otilde;es n&atilde;o torne inútil um pouco de beabá.&nbsp;</div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">Que os governos brasileiros sempre tiveram políticas duvidosas em rela&ccedil;&atilde;o aos índios, n&atilde;o há o que contestar. Inclusive, acontecimentos recentes mostram isso. O general Augusto Heleno <a target="_blank" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u393029.shtml">toca na discuss&atilde;o</a>, quando diz que a política indigenista brasileira é desordenada e &quot;caótica&quot;. </div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">No discurso de Heleno, misturam-se alguns elementos: um certo descaso dos governos, misturado com políticas territoriais, coloniza&ccedil;&atilde;o e grilagem desordenada, até a a&ccedil;&atilde;o de ONG&acute;s internacionais em locais onde o próprio Estado precariamente chega. Somada a isso, a atua&ccedil;&atilde;o do <a target="_blank" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/CIGS">exército</a>, ao mesmo tempo limitada, porém efetiva, e um dos únicos elementos que mostram alguma presen&ccedil;a governamental.</div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">Quanto ao meu interlocutor, o primeiro elemento a se notar é que ele dirigiu a responsabilidade pelos índios <em>aos próprios índios</em>. Mas as coisas n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o simples assim. Sobre isso, a própria reserva mencionada por ele até hoje sofre <a target="_blank" href="http://www.agenciadenoticias.pr.gov.br/modules/news/article.php?storyid=17621">disputas territoriais com colonos</a>. O que salta aos olhos é a individualiza&ccedil;&atilde;o da responsabilidade. Se índios s&atilde;o &#8216;vagabundos e irresponsáveis assistenciados pelo governo&#8217;, e ainda contrários &agrave;s políticas de agronegócio que circundam suas próprias terras, a primeira pergunta que sugeriria ao interlocutor é: e ent&atilde;o, supondo que isso fosse verdadeiro, o que se prop&otilde;e? Dado o horizonte de compara&ccedil;&atilde;o, quando se colocam os índios na posi&ccedil;&atilde;o de irresponsáveis, o fim proposto seria o dos &quot;responsáveis&quot;, ou em termos mais claros, os modelos hoje predominantes de agronegócio. Índios seriam vagabundos porque n&atilde;o &quot;empreendem&quot;, e &quot;empreendimento&quot; refere-se &agrave;quela frase retirada dos meios empresariais.&nbsp;</div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">V&ecirc;-se portanto que a &quot;responsabilidade individual&quot; n&atilde;o ocorre sozinha. Junto a ela aparece um conjunto de perspectivas sobre como a terra deve ser &quot;gerida&quot;.&nbsp;</div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">E nessa reserva em quest&atilde;o existe outro fator: a quest&atilde;o de leis ambientais que preservam a mata, ao mesmo tempo em que exigem a conserva&ccedil;&atilde;o da reserva indígena. Ainda, atribuem-se aos índios <a target="_blank" href="http://www.agenciadenoticias.pr.gov.br/modules/news/article.php?storyid=21641">boa parcela de preserva&ccedil;&atilde;o efetiva de mata remanescente</a>. Essa reserva contém a <a href="http://www.ferias.tur.br/informacoes/5958/chopinzinho-pr.html" target="_blank">maior floresta de araucárias do mundo</a>. Derrubar uma araucária, na regi&atilde;o inteira, é crime. Nesse contexto, aplicar diretrizes de agronegócio significaria retirar o resto da mata, que n&atilde;o por acaso se conserva por estar dentro de uma reserva. Isso é um problema <a href="http://www.prpr.mpf.gov.br/arquivos/externas/000318.php" target="_blank">recorrente, mas v&ecirc;-se uma atitude clara da tribo </a>a favor da floresta.  </div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">Esses dois elementos conduzem &agrave; quest&atilde;o histórica. Se há uma reserva com um certo estatuto de &quot;abandono&quot;, aos olhos do meu interlocutor gerando índios &quot;vagabundos&quot;; e se essa reserva é rodeada por grandes empreendimentos de agronegócio, uma das conclus&otilde;es óbvias é que, devido &agrave; coloniza&ccedil;&atilde;o dos últimos 100 anos, os índios que n&atilde;o se misturaram acabaram recuando diante dos colonizadores, até o recuo chegar ao ponto drástico de exigir uma reserva. Essa reserva foi fundada dentro de políticas indigenistas até hoje consideradas questionáveis, implicando toda uma série de elementos confusos. No fim da &quot;cadeia&quot; dos fatos, meu interlocutor apenas enxerga vagabundos.</div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">Os elementos acima talvez permitam dizer algumas coisas: que meu interlocutor fictício n&atilde;o é apenas um (embora, felizmente, <a href="http://www.socioambiental.org/pib/portugues/indenos/quepens/analis.shtm" target="_blank">poucos</a>&nbsp; parecem pensar assim); que problemas como esses n&atilde;o ocorrem em apenas uma reserva; que existem preconceitos estereotipados graves sobre os primeiros habitantes do Brasil; e que, finalmente, mesmo problematizando, tudo n&atilde;o se passa de modo t&atilde;o simples.   </div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="center">***</div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">Esse post faz parte da blogagem coletiva sobre o &quot;dia da Terra&quot;, do Fa&ccedil;a sua Parte (verbeat.org/blogs/facaasuaparte). Refere-se, portanto, ao 22 de abril. Mas também, como se pode ver,&nbsp; ao 19 de abril. <img src='http://catatau.blogsome.com/wp-images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' />  </div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catatau.blogsome.com/2008/04/22/indios/feed/</wfw:commentRss>
	</item>
		<item>
		<title>Estereótipos e sucesso</title>
		<link>http://catatau.blogsome.com/2008/04/18/estereotipos-e-sucesso/</link>
		<comments>http://catatau.blogsome.com/2008/04/18/estereotipos-e-sucesso/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 18 Apr 2008 15:18:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Catatau</dc:creator>
		
	<category>psicologia</category>
		<guid>http://catatau.blogsome.com/2008/04/18/estereotipos-e-sucesso/</guid>
		<description><![CDATA[	 
 
imagem de Indigenous Races of the Earth, de 1857 (daqui, por aqui)  
	&nbsp;

O jornalista Venicio de Lima sempre chama a aten&ccedil;&atilde;o sobre como certos aspectos da cobertura midiática acabam ficando estereotipados, e servindo apenas para uma ou outra perspectiva, dentro de um universo de perspectivas possíveis. Assim, quando estávamos na imin&ecirc;ncia de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<div align="center"><img border="0" alt="Photobucket - Video and Image Hosting" src="http://i292.photobucket.com/albums/mm7/catatando/skrulls.jpg" /> </div>
<br /> <br />
<div align="center">imagem de <em>Indigenous Races of the Earth</em>, de 1857 (<a target="_blank" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Scientific_racism">daqui</a>, por <a target="_blank" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Stereotype">aqui</a>)  </div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
<a id="more-1006"></a><br />
<div align="justify">O jornalista <a target="_blank" href="http://www.piratininga.org.br/entrevistas/venicio-cfj.html">Venicio</a> <a target="_blank" href="http://www.midiaepolitica.unb.br/visualizar.php?id=329&#038;autor=Paulo%20Henrique%20Amorin">de</a> <a target="_blank" href="http://www2.fpa.org.br/portal/modules/news/article.php?storyid=2903">Lima</a> sempre chama a aten&ccedil;&atilde;o sobre como certos aspectos da cobertura midiática acabam ficando estereotipados, e servindo apenas para uma ou outra perspectiva, dentro de um universo de perspectivas possíveis. Assim, quando estávamos na imin&ecirc;ncia de considerar o &quot;mensal&atilde;o&quot; como prática comum em todo o Brasil, ele foi canalizado <em>apenas </em>para o PT e o governo Lula; quando descobrimos transporte ilegal de dinheiro por figuras influentes do congresso, acabamos &quot;seletivamente&quot; esquecendo os 10 milh&otilde;es nas malas do deputado do PFL, para considerar apenas o assessor do petista. E assim por diante, ficam os chav&otilde;es: dólares na cueca, mensal&atilde;o&#8230;  </div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">
<div align="center"><a onclick="return fitsInWindow();"><img width="168" vspace="6" hspace="6" height="174" border="0" align="right" src="http://img59.imageshack.us/img59/7158/tintinincongo1of8.jpg" title="img59/7158/tintinincongo1of8.jpg" alt="img59/7158/tintinincongo1of8.jpg" /></a></div>
O SCIAM Mind publicou um artigo intitulado <a href="http://www.sciam.com/article.cfm?id=how-stereotyping-yourself-contributes-to-success&#038;sc=rss" target="_blank">How Stereotipying Yourself Contributes to your Sucess (or Failure)</a>. Lá se examina, em termos individuais, como o pertencimento a certos grupos pode resultar em uma vis&atilde;o estereotipada de seus integrantes em rela&ccedil;&atilde;o a si mesmos e a outros grupos. Em suma, a pesquisa sugere que, dentro de um grande leque de elementos &quot;identitários&quot;, os indivíduos selecionam tra&ccedil;os preponderantes para se relacionar com os outros. Portanto, tra&ccedil;os de si, e tra&ccedil;os dos outros.   </div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">O interesse do informe reduz-se a quest&otilde;es menores e individualizantes, como quando alguém vai a uma entrevista de emprego ou realiza um trabalho. Foca-se, portanto, em algo como o &quot;sucesso&quot;, e &quot;individual&quot;, relativo a estereotipias. </div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">N&atilde;o é preciso dizer que &quot;sucesso&quot; é uma no&ccedil;&atilde;o um tanto quanto duvidosa. Mas seria interessante ver como a &quot;novidade&quot; alardeada nesse tipo de pesquisa se relacionaria com outras pesquisas consideradas já adiantadas, como as de pesquisa em psicologia social da América Latina. Estas psicologias tem como uma de suas no&ccedil;&otilde;es principais a de &quot;identidade&quot;. Isso, para n&atilde;o mencionar <a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&#038;pid=S0104-44782006000200017&#038;nrm=iso&#038;lng=pt&#038;tlng=pt" target="_blank">textos </a>sociológicos. </div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">Sobre &quot;sucesso&quot; e &quot;estereotipia&quot;, o texto come&ccedil;a:</div>
	<blockquote><div align="justify">Part of the story here involves &shy;recognizing not only that stereotypes can promote failure but that they can also lift a person&rsquo;s or group&rsquo;s performance and be tools that promote social progress. Understanding these &shy;dynamics&mdash;and the processes that &shy;underpin them&mdash;enables us to think more productively about the conditions that allow ability to be expressed rather than repressed and that foster success rather than failure.</div></blockquote>
	<div align="justify">O tom é de uma espécie de <em>psicotécnica</em> das estereotipias. Dado que elas geralmente causam danos aos indivíduos (como em discrimina&ccedil;&atilde;o racial ou sexual), poderiam também conduzir a &quot;progressos sociais&quot;. No pano de fundo do texto, o horizonte possível de mudan&ccedil;a ou de &quot;publiciza&ccedil;&atilde;o&quot; da economia dos estereótipos.  </div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">Segue <a target="_blank" href="http://www.sciam.com/article.cfm?id=how-stereotyping-yourself-contributes-to-success&#038;sc=rss">lá o texto</a>. O caráter psicotécnico poderia muito bem esclarecer o que significa &quot;sucesso&quot;, especialmente &quot;sucesso individual&quot;. A individualiza&ccedil;&atilde;o acaba evocando velhos debates do século XIX, já considerados ultrapassados: o de uma espécie de naturaliza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es sociais; o do caráter irrefletidamente positivo de uma pesquisa com indivíduos (como se houvesse uma positividade imediata, que por si só já legitimasse a universalidade da pesquisa); a hipostasia de transformar dados probabilísticos em resultados determinantes; e a hipostasia de universalizar dados locais, como se o padr&atilde;o encontrado em uma amostragem pudesse (irrefletidamente) dizer respeito &agrave; natureza humana. </div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">O que parece interessante é que no plano da psicologia social talvez se reproduza um debate bem atual, situado em outro plano: o de um provável <a target="_blank" href="http://www.filosofiadamente.org/content/view/12/11/">recuo das neuroci&ecirc;ncias a antigos problemas do século XIX</a>.</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://catatau.blogsome.com/2008/04/18/estereotipos-e-sucesso/feed/</wfw:commentRss>
	</item>
	</channel>
</rss>
