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	<title>catatau</title>
	<link>http://catatau.blogsome.com</link>
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	<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 21:32:46 +0000</pubDate>
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	<language>en</language>

		<item>
		<title>Entre o meritocrata e o tecnocrata, o mundo é dos espertos</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Nov 2009 13:49:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Catatau</dc:creator>
		
	<category>educação</category>
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		<description><![CDATA[	Na edi&ccedil;&atilde;o de Veja da semana, a revista entrevistou Paulo Renato de Souza, ex-ministro da educa&ccedil;&atilde;o do governo FHC e secretário da educa&ccedil;&atilde;o do governo Serra. 
	O título da entrevista na edi&ccedil;&atilde;o on-line dá o tom: &quot;Contra o corporativismo: O secretário da Educa&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Paulo diz que sem meritocracia n&atilde;o haverá avan&ccedil;os na sala [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="justify">Na edi&ccedil;&atilde;o de Veja da semana, a revista <a href="http://veja.abril.com.br/281009/contra-corporativismo-p-019.shtml" target="_blank">entrevistou Paulo Renato de Souza</a>, ex-ministro da educa&ccedil;&atilde;o do governo FHC e secretário da educa&ccedil;&atilde;o do governo Serra. </p>
	<p align="justify">O título da entrevista na edi&ccedil;&atilde;o on-line dá o tom: &quot;Contra o corporativismo: O secretário da Educa&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Paulo diz que sem meritocracia n&atilde;o haverá avan&ccedil;os na sala de aula - e que os sindicatos s&atilde;o um entrave para o bom ensino&quot;. </p>
	<p align="justify">O que parece interessante é a idéia que Paulo Renato pretende fazer passar por debaixo do tapete: a &quot;meritocracia&quot;, contra o &quot;corporativismo&quot; dos professores brasileiros. </p>
<a id="more-1392"></a><br />
<p align="justify">Convenhamos que a idéia da &quot;meritocracia&quot; é algo um tanto quanto &quot;atraente&quot; dentro de certa linguagem administrativa, organizacional, corporativa enfim. Interessante para muitos, portanto.&nbsp; Contra o &quot;corporativismo&quot; do ensino, a linguagem corporativa do &quot;gestor&quot; educacional. Afeita a esse tipo de <em>slogan</em>, a reportagem de Veja continua: &quot;É preciso premiar o esfor&ccedil;o e o talento para tornar a carreira de professor atraente. O bom ensino depende disso&quot;. </p>
	<p align="justify">Contra o corporativismo, é preciso premiar esfor&ccedil;o e talento individuais. &quot;Os sindicalistas s&atilde;o um freio de m&atilde;o para o bom ensino&quot;, e &quot;É         	      preciso discutir a educa&ccedil;&atilde;o com mais objetividade e menos ideologia&quot;. Mas será só isso?</p>
	<p align="justify">&quot;Mais objetividade e menos ideologia&quot;: o ponto de partida é interessante porque Paulo Renato identifica, de saída, uma espécie de discurso &quot;marxista&quot; nos sindicatos dos professores e em suas categorias organizadas. Se n&atilde;o há &quot;marxismo&quot;, há algo semelhante a um marxismo, de inspira&ccedil;&otilde;es mais ou menos (diga-se) socializantes. E esse &quot;marxismo&quot; se alastraria n&atilde;o apenas entre professores e sindicatos, mas também na própria forma&ccedil;&atilde;o universitária. Afastados da &quot;prática&quot;, os centros universitários apenas reproduziriam certo discurso &quot;ideológico&quot;.</p>
	<p align="justify">N&atilde;o entraremos em quest&atilde;o sobre a defini&ccedil;&atilde;o de &quot;ideologia&quot; (nem sobre como qualquer marxista n&atilde;o julga ter um discurso &quot;ideológico&quot;, mas pelo contrário, pretende acusar todos eles). Paulo Renato desqualifica essa suposta aus&ecirc;ncia de prática, nas universidades, acusando certa &quot;ideologia&quot;. Portanto, &quot;ideologia&quot; implicaria mal ensino e dist&acirc;ncia da prática: </p>
	<blockquote><p align="justify">&Agrave;s universidades que pretendem formar professores, mas passam          	    ao largo da prática da sala de aula. No lugar de ensinarem didática,          	    as faculdades de pedagogia optam por se dedicar a quest&otilde;es mais teóricas.          	    Acabam se perdendo em debates sobre o sistema capitalista cujo ideário          	    predominante n&atilde;o passa de um marxismo de segunda ou terceira categoria.          	    O que se discute hoje nessas faculdades está muito distante de qualquer          	    ideia que seja cientificamente aceita, mesmo dentro da própria ideologia          	    marxista. É uma situa&ccedil;&atilde;o difícil de mudar.          	    A resist&ecirc;ncia vem de universidades como USP e Unicamp, as maiores do país.&nbsp;  </p></blockquote>
	<p align="justify">E a primeira curiosidade de sua entrevista aparece aqui: no mesmo movimento em que Paulo Renato acusa o discurso universitário de ser um marxismo de terceira, identifica esse mesmo discurso &agrave; posi&ccedil;&atilde;o &quot;ideológica&quot; dos professores e inclusive de seus modos de organiza&ccedil;&atilde;o. Tudo &quot;ideologia&quot;, e &quot;de terceira&quot;. Contra as generaliza&ccedil;&otilde;es teorizantes da &quot;academia&quot; enxergada por PR, sua generaliza&ccedil;&atilde;o (&quot;ora, s&atilde;o todos &#8216;marxistas de terceira&#8217;&quot;). E contra a &quot;ideologia&quot;, nada melhor do que o &quot;objetivismo&quot;. </p>
	<p align="justify">O que é mais &quot;objetivo&quot; do que a ideologia? Dissolver &quot;objetivamente&quot; o &quot;corporativismo&quot; é defender uma educa&ccedil;&atilde;o que privilegie as diferen&ccedil;as e compet&ecirc;ncias individuais,</p>
	<blockquote><p align="justify">&nbsp;O maior problema no Brasil n&atilde;o é a falta de dinheiro, mas          	    como esses recursos s&atilde;o empregados - em geral, de maneira bastante ineficaz.          	    Daria para obter resultados infinitamente superiores apenas fazendo melhor uso          	    das verbas já existentes. Prova disso é que, com or&ccedil;amento          	    id&ecirc;ntico, algumas escolas públicas oferecem ensino de ótima          	    qualidade e outras, de péssimo nível.         	  </p>
	<p align="left" class="corpo"><strong>O que explica isso? <br />                </strong></p>
	<div align="justify"> As boas s&atilde;o comandadas por diretores com uma vis&atilde;o moderna          	    de gest&atilde;o, coisa raríssima no país. N&atilde;o existe no          	    Brasil nada como um bom curso voltado para treinar esses profissionais a liderar          	    equipes ou cobrar resultados, o básico para qualquer um que se pretenda          	    gestor. Quem se sai bem na fun&ccedil;&atilde;o de diretor, em geral, é         	      porque tem algo como um dom inato para a chefia. A coisa funciona no improviso.</div></blockquote>
	<p align="justify">, do mesmo modo que se tem uma no&ccedil;&atilde;o ing&ecirc;nua de &quot;prática&quot; (contra a &quot;ideologia&quot;, as &quot;teorias&quot; e afins): </p>
	<blockquote><p align="justify"><strong>As avalia&ccedil;&otilde;es sempre chamam aten&ccedil;&atilde;o          	    para o despreparo dos professores brasileiros. A que o senhor atribui isso?<em> <br />                  </em></strong>&Agrave;s universidades que pretendem formar professores, mas passam          	    ao largo da prática da sala de aula. No lugar de ensinarem didática,          	    as faculdades de pedagogia optam por se dedicar a quest&otilde;es mais teóricas.          	    Acabam se perdendo em debates sobre o sistema capitalista cujo ideário          	    predominante n&atilde;o passa de um marxismo de segunda ou terceira categoria.          	    O que se discute hoje nessas faculdades está muito distante de qualquer          	    ideia que seja cientificamente aceita, mesmo dentro da própria ideologia          	    marxista. É uma situa&ccedil;&atilde;o difícil de mudar.          	    A resist&ecirc;ncia vem de universidades como USP e Unicamp, as maiores do país.&nbsp; </p>
	<p align="justify"><strong>Como isso se reflete nas escolas?<em> <br />                </em></strong>Muitos professores propagam em sala de aula uma vis&atilde;o pouco objetiva          	    e ideológica do mundo. Alguns n&atilde;o dominam sequer o básico          	    das matérias e outros, ainda que saibam o necessário, ignoram          	    as técnicas para passar o conhecimento adiante. V&ecirc;-se nas escolas,          	    inclusive, certa apologia da aus&ecirc;ncia de métodos de ensino. Uma          	    ideia bastante difundida no Brasil é que o professor deve ter liberdade          	    total para construir o conhecimento junto com seus alunos. É improdutivo e irracional. Qualquer          	    ci&ecirc;ncia pressup&otilde;e um método. No ensino superior, há         	      também inúmeras mostras de como a ideologia pode sobrepor-se &agrave;         	      raz&atilde;o.  </p></blockquote>
	<p align="justify">E aí come&ccedil;amos a catar as pe&ccedil;as do que significa tal educa&ccedil;&atilde;o &quot;objetiva&quot;, contra as &quot;ideologias&quot;. Em primeiro lugar ela preza n&atilde;o uma categoria educacional, mas diferen&ccedil;as individuais. Essa é a fonte da tal &quot;meritocracia&quot;. Mas que tipo de critério evidencia as diferen&ccedil;as individuais? Paulo Renato sinaliza (em uma pérola, convenhamos): o &quot;dom inato&quot; para a &quot;chefia&quot; e o &quot;improviso&quot;. Linguagem corporativa sobreposta &agrave; pedagógica, fique bem claro. E o &quot;dom inato&quot; se une a outros fatores um tanto quanto curiosos, a defesa de uma certa &quot;raz&atilde;o&quot; (sic) baseada em métodos universalizantes identificados por ele com a &quot;ci&ecirc;ncia&quot;, e enfim tudo ligado &agrave; &quot;prática&quot;. </p>
	<p align="justify">Lembremos que tudo isso é &quot;objetivo&quot;, portanto, &quot;n&atilde;o ideológico&quot;. É certo que existe má forma&ccedil;&atilde;o universitária e uma gigantesca parcela dos professores formados confundem <em>achismo </em>com a aplica&ccedil;&atilde;o de <em>métodos sócio-interacionistas</em>, por exemplo. A queixa de Paulo Renato certamente se dirige a uma confus&atilde;o entre esses métodos e a má forma&ccedil;&atilde;o (embora cheire certo gosto por perspectivas educativas tecnocráticas). </p>
	<p align="justify">Mas aí, nas entrelinhas, Paulo Renato acaba dizendo o que n&atilde;o gostaria: se há tantos professores ruins, se há tanta falta de &quot;metodologia&quot; (como ele quer fazer parecer), será esse um problema a ser resolvido por meritocracia? N&atilde;o se torna gritante, antes da avalia&ccedil;&atilde;o meritocrática ou qualquer outra, a necessidade de algo semelhante a uma auto-gest&atilde;o ou auto-regula&ccedil;&atilde;o do ensino? Para&nbsp; cogitar a possibilidade de um <em>sistema meritocrático</em>, n&atilde;o seria necessário cogitar antes a possibilidade de um <em>sistema educacional</em>, por excel&ecirc;ncia? Ora, qualquer teoria gerencial &quot;razoável&quot; (talvez o próprio Paulo Renato diria assim) pressup&otilde;e que para uma correta avalia&ccedil;&atilde;o dos efeitos (as recompensas individuais, os méritos) deveria haver uma correta coloca&ccedil;&atilde;o das causas (por exemplo um conjunto de condi&ccedil;&otilde;es prévias que favore&ccedil;a verdadeiras rela&ccedil;&otilde;es de ensino, do material didático ao salário dos professores e &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es dos alunos), um plano prévio com fatores muito bem definidos, impedindo que a meritocracia n&atilde;o seja meramente uma tapa&ccedil;&atilde;o de buracos e uma discrimina&ccedil;&atilde;o generalizada travestida de gest&atilde;o.  </p>
	<p align="justify">Talvez Paulo Renato resvale na idéia de que a exist&ecirc;ncia de qualquer meritocracia (ou qualquer outro modelo) só tem sentido dentro de um certo plano prévio, de algo que possa ser chamado previamente de um <em>sistema</em>, que no caso em quest&atilde;o é de <em>ensino</em>. Sistema que ele mesmo reconhece n&atilde;o existir de fato e de direito quanto afirma que uma escola boa se diferencia de uma ruim por méritos individuais (do diretor, do professor, etc.). Se é assim, se s&atilde;o as características <em>individuais </em>que permitem dizer que aqui há educa&ccedil;&atilde;o ou aplica&ccedil;&atilde;o de investimentos e ali n&atilde;o há, que esse professor é um educador verdadeiro e aquele n&atilde;o, qual é o <em>plano</em> das escolas, o &quot;sistema&quot; que as rege, dado que Paulo Renato mesmo, ao propor o modelo meritocrático, reconhece que de saída pode ou n&atilde;o haver educa&ccedil;&atilde;o no sistema &quot;educacional&quot;? </p>
	<p align="justify">Qual é o <em>plano prévio</em> da educa&ccedil;&atilde;o brasileira, dado que aqui há educa&ccedil;&atilde;o e ali n&atilde;o há? Paulo Renato n&atilde;o enfrenta a quest&atilde;o, aliás fundamental para qualquer um em sua posi&ccedil;&atilde;o. Para ele, antes da educa&ccedil;&atilde;o &quot;objetiva&quot; e meritocrática partir de um <em>solo</em> brasileiro, deve se reger por um <em>horizonte </em>anglo-sax&atilde;o:</p>
	<blockquote><p align="justify">Em culturas mais individualistas e competitivas, como a anglo-sax&atilde;,          	    as aferi&ccedil;&otilde;es do nível dos professores e do próprio          	    ensino n&atilde;o s&atilde;o apenas bem-aceitas como t&ecirc;m ajudado a melhorar          	    as escolas, na medida em que fornecem um diagnóstico dos problemas. Os          	    professores brasileiros que agora resistem a passar pela avalia&ccedil;&atilde;o          	    certamente n&atilde;o est&atilde;o atentos a isso. Sua maior preocupa&ccedil;&atilde;o         	      é lutar por direitos iguais para todos - velha bandeira que ignora qualquer          	    no&ccedil;&atilde;o de meritocracia. Por isso, eles se posicionaram contra uma          	    regra do projeto que limita o número de promo&ccedil;&otilde;es por ano:          	    n&atilde;o mais do que 20% dos profissionais poder&atilde;o subir de nível.         	      É um teto razoável: evita um rombo no or&ccedil;amento e, ao          	    mesmo tempo, promove uma bem-vinda competi&ccedil;&atilde;o. Demandará         	      mais empenho e estudo dos professores - o que n&atilde;o lhes fará mal.&nbsp;  </p></blockquote>
	<p align="justify">Culturas &quot;individualistas e competitivas&quot; talvez sejam assim por certas garantias prévias concedidas aos indivíduos e competidores. Garantias prévias oferecendo de fato uma regula&ccedil;&atilde;o meritocrática, e muito provavelmente uma margem maior do que 20%. Falávamos de meritocracia ou de restri&ccedil;&otilde;es or&ccedil;amentárias? Daí a queixa de PR contra o &quot;corporativismo&quot;. O ex-ministro é contra a isonomia:</p>
	<blockquote><p align="justify"><strong>No campo salarial, premiar o mérito significa romper com o conceito da isonomia de ganhos para todos os funcionários. Esse n&atilde;o é um valor que deveria ser preservado?<br />                </strong> N&atilde;o. Já é consenso entre especialistas do mundo todo que aumentos concedidos a uma categoria inteira, desprezando as diferen&ccedil;as de desempenho entre os profissionais, n&atilde;o t&ecirc;m impacto relevante no ensino. O que faz diferen&ccedil;a, isso sim, é conseguir premiar os que se saem melhor em sala de aula. A isonomia é uma bandeira velha.  </p></blockquote>
	<p align="justify">Um exemplo dessa coes&atilde;o de categoria é o das faltas justificadas: elas s&atilde;o uma prática institucional (n&atilde;o necessariamente formal) t&atilde;o generalizada que n&atilde;o se reduz ao estado de S&atilde;o Paulo. Outro exemplo é a recusa dos sindicatos quanto &agrave;s provas aplicadas a professores, dada a aus&ecirc;ncia de tempo para um professor se preparar. Paulo Renato chama os sindicatos de &quot;retrógrados&quot; - supostamente eles n&atilde;o defendem a educa&ccedil;&atilde;o, apenas a categoria. Certamente, existem sindicalistas de todo tipo, como também certos tecnocratas n&atilde;o conseguem vestir totalmente a pele de cordeiro. Mas poderíamos ainda for&ccedil;ar os olhos e perceber o que significam tais medidas da &quot;categoria&quot;, tanta &quot;resist&ecirc;ncia&quot;, tanto esfor&ccedil;o por &quot;isonomia&quot;: nos&nbsp; exemplos anglo-sax&otilde;es, t&atilde;o apreciados por PR, a meritocracia se rege por mérito propriamente dito, n&atilde;o <em>absolutamente </em>por restri&ccedil;&otilde;es or&ccedil;amentárias. Em termos de oportunidade, se a meta é ser como os gringos, a impress&atilde;o a se deixar nos professores n&atilde;o deveria ser a de um teste para o <a target="_blank" href="http://blog.controversia.com.br/2009/10/07/a-prova-mais-difcil-do-mundo/">Instituto Indiano de Tecnologia</a>. Falávamos de mérito, de uma fiscaliza&ccedil;&atilde;o dos efeitos dadas certas condi&ccedil;&otilde;es prévias - n&atilde;o de oportunidades rarefeitas.</p>
	<p align="justify">Será que a &quot;categoria&quot;, t&atilde;o mal vista por Paulo Renato, defende <em>absolutamente</em> direitos retrógrados? N&atilde;o seria o contrário, a defesa da exist&ecirc;ncia de direitos prévios? Mesmo que existam sindicalistas mordedores de osso (algo contrário &agrave; generaliza&ccedil;&atilde;o), n&atilde;o é difícil ver o quanto a esmagadora maioria dos professores concorda com certas linhas dos sindicatos, especialmente as que propoem esses direitos prévios. Ora, há algo de errado quando se admite que dentro das escolas pode haver ou n&atilde;o educa&ccedil;&atilde;o - portanto n&atilde;o existe ponto inicial algum, regula&ccedil;&atilde;o alguma, e a meritocracia seria apenas uma medida paliativa e de fácil manejo, dando apar&ecirc;ncia de efici&ecirc;ncia em um sistema em colapso.</p>
	<p align="justify">Aliás, um &quot;sistema&quot; de regula&ccedil;&atilde;o das condutas individuais já existe, no Brasil. Chama-se &quot;jeitinho&quot;. Em Tropa de Elite, os policiais inclusivem chamam esse conjunto de subterfúgios de &quot;sistema&quot;. Na falta de rela&ccedil;&otilde;es formais, na falta de um sistema educacional, existem aqueles professores que ensinam, e alguns outros que vivem do subterfúgio. Na falta de um sistema educacional, pode haver ou n&atilde;o educa&ccedil;&atilde;o. Convenhamos que esse abandono dos professores e das escolas &agrave; <em>escolha individual </em>por haver ou n&atilde;o educa&ccedil;&atilde;o apenas se agravou em governos de ideologia próxima &agrave; de PR, por exemplo nas mudan&ccedil;as no regime das reprova&ccedil;&otilde;es condicionados n&atilde;o a fatores pedagógicos, mas sobretudo a financiamentos de grandes institui&ccedil;&otilde;es estrangeiras. E o próprio PR defende que seu critério absoluto n&atilde;o é pedagógico, mas financeiro.  </p>
	<p align="justify">Daí o ex-ministro querer também fazer passar por baixo do tapete certa associa&ccedil;&atilde;o entre a <em>avalia&ccedil;&atilde;o </em>continuada de um sistema e a <em>necessidade </em>desse sistema ser meritocrático. Ora, nem todo sistema auto-regulado e eficiente é meritocrático. E vice-versa, nem todo sistema meritocrático é eficiente, ou mesmo corresponde de fato o que prescreve de direito. A meritocracia é sempre uma regula&ccedil;&atilde;o, digamos, <em>a fortiori</em>, por decorr&ecirc;ncia. É uma regula&ccedil;&atilde;o &quot;segunda&quot;, como dito acima. Para haver mérito deve haver antes um sistema nivelador dos méritos prévios. Sen&atilde;o como avaliar qualquer produtividade? Qualquer empresário interessado na produtividade de seus funcionários estabeleceria critérios &quot;objetivos&quot; (como quer PR) para que sua avalia&ccedil;&atilde;o seja algo mais do que um achismo, e seu procedimento seja algo mais do que uma discrimina&ccedil;&atilde;o deliberada. Só é curioso n&atilde;o vermos o mesmo interesse em um ex-ministro e pretenso candidato, t&atilde;o afeito aos jarg&otilde;es corporativos. </p>
	<p align="justify">Querendo fazer a educa&ccedil;&atilde;o brasileira parecer com a gringa, Paulo Renato só esquece de avisar ao leitor que os <em>resultados </em>gringos provém de <em>condi&ccedil;&otilde;es </em>gringas. </p>
	<p align="justify">Há diversos outros pontos problemáticos em sua entrevista (por exemplo, a denúncia do mal uso das verbas públicas na educa&ccedil;&atilde;o, e depois a defesa da educa&ccedil;&atilde;o paga para suprir as próprias verbas). Mas o notável é essa apar&ecirc;ncia de linguagem eficiente e gerencial no meio do contexto brasileiro. Linguagem atraente para alguns, mas cujos efeitos n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o atraentes assim a ninguém. </p>
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	</item>
		<item>
		<title>A era &#8220;pós-teórica&#8221;</title>
		<link>http://catatau.blogsome.com/2009/10/30/a-era-pos-teorica/</link>
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		<pubDate>Fri, 30 Oct 2009 11:40:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Catatau</dc:creator>
		
	<category>nomadologias</category>
	<category>near and far</category>
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		<description><![CDATA[	Na era da informa&ccedil;&atilde;o, muitos asseguram que as &quot;teorias&quot; se &quot;dissolvem&quot;.
Ontem Fabiano Angelico, do Transparencia Brasil, vinculou um interessante texto sobre como nossa época se definiria pelo abandono das &quot;teorias&quot; em nome de um caráter imediato e imperativo da &quot;prática&quot; (como se isso n&atilde;o fosse uma baita teoria), dado vivermos na era da informa&ccedil;&atilde;o e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p><em>Na era da informa&ccedil;&atilde;o, muitos asseguram que as &quot;teorias&quot; se &quot;dissolvem&quot;.</em><br />
<p align="justify">Ontem <a target="_blank" href="http://algumasnotassoltas.wordpress.com/">Fabiano Angelico</a>, do Transparencia Brasil, vinculou um interessante texto sobre como nossa época se definiria pelo abandono das &quot;teorias&quot; em nome de um caráter <em>imediato </em>e <em>imperativo </em>da &quot;prática&quot; (como se isso n&atilde;o fosse uma baita teoria), dado vivermos na era da informa&ccedil;&atilde;o e a teoria ser um índice de aus&ecirc;ncia de informa&ccedil;&atilde;o:</p>
	<div align="justify">
<blockquote>
<p>In the absence of data, you theorise. In an abundance, you just need to do the maths. And, because of all those super-efficient search engines, we share more and more data. Data dissolves ideology.</p>
	<p>Two further books exemplify this: David MacKay&rsquo;s Sustainable Energy&mdash;Without the Hot Air and Stewart Brand&rsquo;s Whole Earth Discipline are rigorous responses to the challenge of climate change. Both work from data rather than theory, and offer systems of management rather than ideologies. Both are number-rich and theory-light, and urge action&mdash;now. In MacKay&rsquo;s words: &ldquo;We have to stop saying &lsquo;No&rsquo; and start saying &lsquo;Yes&rsquo;.&rdquo; In Brand&rsquo;s: &ldquo;We are as gods and have to get good at it.&rdquo; [<a href="http://www.prospectmagazine.co.uk/2009/10/the-post-theoretical-age/" target="_blank">Brian Eno, The Post-Theoretical Age</a>]</p>
</blockquote>
</div>
	<p align="justify">Esque&ccedil;amos a denúncia das ideologias, as tentativas de diagnóstico, as abstra&ccedil;&otilde;es. A informa&ccedil;&atilde;o está toda ela aí, n&atilde;o há oculta&ccedil;&atilde;o ou privilégio, e sim excesso. Por isso ela &quot;dissolve a ideologia&quot;. A tarefa, portanto,&nbsp; n&atilde;o é mais &quot;teórica&quot; ou &quot;ideológica&quot;, n&atilde;o é mais uma tentativa de olhar através dos acontecimentos para tentar decifrar sua trama, mas sim organizá-los segundo suas regularidades. N&atilde;o há mais &quot;opacidade&quot; e um olhar tentando transpassá-la, n&atilde;o há mais necessidade disso; agora, tudo seria &quot;transparente&quot;. N&atilde;o perguntemos mais como a vida deve ser ou n&atilde;o vivida, basta geri-la.</p>
	<p align="justify">Isso é interessantíssimo. Pois, dentro de tantas modas de inserir a pequena palavrinha &quot;pós&quot; antes de quase tudo, talvez Eno encontrou uma palavra finalmente apropriada: era &quot;pós-teórica&quot;.&nbsp;</p>
	<p align="justify">Da linguagem corporativa ao <em>marketing </em>e &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es cotidianas, enfim até no ensino, tudo repete o imperativo: <em>Just do it</em>. <em>Just Go</em>. Nem os movimentos &quot;teóricos&quot; do século XX, denunciando uma crescente tecniza&ccedil;&atilde;o do homem, foram suficientes para conter o tal imperativo (que o leitor desculpe nosso pequeno deslize teorizante nesta frase, prometemos que foi somente essa!).</p>
	<p align="justify">Imperativo tornado t&atilde;o evidente, t&atilde;o óbvio, que olha ele expresso por um grande <em>player</em> em pleno governo George W Bush, diagnosticando - ops, quer dizer, prescrevendo - toda a nossa época, em um <a target="_blank" href="http://www.nytimes.com/2004/10/17/magazine/17BUSH.html?_r=1&#038;ex=1255665600&#038;en=890a96189e162076&#038;ei=5090&#038;partner=rssuserland">clássico artigo publicado no NYT em 2004</a>:</p>
	<blockquote><p align="justify">The aide said that guys like me were &quot;in what we call the reality-based community,&quot; which he defined as people who &quot;believe that solutions emerge from your judicious study of discernible reality.&quot; &#8230; &quot;That&#8217;s not the way the world really works anymore,&quot; he continued. &quot;We&#8217;re an empire now, and when we act, we create our own reality. And while you&#8217;re studying that reality&mdash;judiciously, as you will&mdash;we&#8217;ll act again, creating other new realities, which you can study too, and that&#8217;s how things will sort out. We&#8217;re history&#8217;s actors&hellip;and you, all of you, will be left to just study what we do.&quot; </p></blockquote>
	<p align="justify">&quot;O mundo n&atilde;o funciona mais assim. Somos um império agora, e quando agimos, criamos nossa própria realidade. E enquanto voc&ecirc;s estudam essa realidade - judiciosamente, como queiram -, agimos novamente, criando outras novas realidades, que voc&ecirc;s podem estudar também, e aí está como as coisas ser&atilde;o. Somos os atores da história&#8230; e voc&ecirc;s, todos voc&ecirc;s, apenas ficar&atilde;o estudando o que nós fazemos&quot;.</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>O Fim do Geocities (1994-2009)</title>
		<link>http://catatau.blogsome.com/2009/10/28/o-fim-do-geocities-1994-2009/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 00:57:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Catatau</dc:creator>
		
	<category>midia e politica</category>
	<category>midia</category>
	<category>nomadologias</category>
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		<description><![CDATA[	O servi&ccedil;o de hospedagem gratuita de sites do Yahoo, chamado Geocities, foi apagado ontem, dia 26/10/2009. 
	&nbsp;
	O que parece uma notícia banal é, na verdade, um marco na história da internet. Criado em 1994, o GeoCities foi a primeira plataforma realmente &quot;popular&quot; de divus&atilde;o de conteúdo, bem antes dos blogues. 
	&nbsp;
	Antes do nascimento de ferramentas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<div align="justify">O servi&ccedil;o de hospedagem gratuita de sites do Yahoo, chamado <a target="_blank" href="http://geocities.yahoo.com/gcp/">Geocities</a>, foi apagado ontem, dia 26/10/2009. </div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">O que parece uma notícia banal é, na verdade, um marco na história da internet. Criado em 1994, o GeoCities foi a primeira plataforma realmente &quot;popular&quot; de divus&atilde;o de conteúdo, bem antes dos blogues. </div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">Antes do nascimento de ferramentas como o Google, o Geocities organizava seus conteúdos em &quot;cidades&quot;, com longos endere&ccedil;os temáticos, divididos em sub-temas e aí no número de cada site (ex.: http://www.geocities.com/TheTropics/Cabana/8434/superind.html - antigo endere&ccedil;o do fabuloso quadrinho &quot;Supermanietzsche&quot;)</div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">Primeiramente aut&ocirc;nomo, o endere&ccedil;o foi incorporado ao Yahoo!. Mas a incorpora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o trouxe amplia&ccedil;&otilde;es ao servi&ccedil;o, praticamente inalterado enquanto evoluia o resto da Rede. O Geocities permaneceu com os mesmos recursos dos anos 90 enquanto surgiam os blogues, as plataformas din&acirc;micas, as comunidades virtuais e os endere&ccedil;os curtos. </div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">Perdeu usuários. E mesmo as pequenas altera&ccedil;&otilde;es (primeiramente o endere&ccedil;o encurtado para o nome de usuário; depois um frame de publicidade no lado direito da tela, e uma plataforma limitada de blogs) n&atilde;o acompanharam a Rede.</div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">O Geocities é importante porque nessa plataforma vimos pela primeira vez um fen&ocirc;meno relativamente corriqueiro hoje em dia: pessoas comuns despontando como difusoras de informa&ccedil;&atilde;o e do que a informa&ccedil;&atilde;o pode ocasionar. Indivíduos comuns com privilégios relativos e temporários diante da &quot;grande mídia&quot;.</div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">Com uma diferen&ccedil;a: a novidade dessa mídia, nos anos 90, conferia a essas pessoas um estatuto estranho, n&atilde;o evidente, dificilmente enquadrável. N&atilde;o foram poucos os textos de jornal ou revista se reportando a esses tipos de site com certo ar de desconfian&ccedil;a, reprova&ccedil;&atilde;o ou reserva, ao mesmo tempo em que se admitia haver ali um fato novo e informa&ccedil;&otilde;es efetivas e pertinentes.</div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">Tal &quot;estranheza&quot;, na época, era de muitos modos festejada. Criou-se literatura em <a href="http://www.quattro.com.br/tristessa/" target="_blank">novos formatos</a>, e muito se explorou sobre as <a href="http://catatau.blogsome.com/2008/07/14/coronelismo-eletronico-e-cristalizacao-do-hipertexto/" target="_blank">possibilidades</a> do <a href="http://catatau.blogsome.com/2007/09/03/hipertexto-complexidade-e-blogs/" target="_blank">hipertexto</a> e suas rela&ccedil;&otilde;es com a &quot;realidade&quot;. Essa passagem do hipertexto &agrave; realidade - e n&atilde;o da realidade ao hipertexto, preocupa&ccedil;&atilde;o de todo movimento posterior até hoje - trazia importantes quest&otilde;es, sobre possíveis contribui&ccedil;&otilde;es da Rede para a emancipa&ccedil;&atilde;o das pessoas.</div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">Como dizia a autora do informarte.net, abria-se a possibilidade de verdadeiros bailes de máscaras, com tudo o que um &quot;baile de máscaras&quot; significa: um grande encontro aberto, onde os indivíduos deixam media&ccedil;&otilde;es autoritárias ou personalizantes de lado para construir algo <em>em comum</em>. </div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">No auge do Geocities, despontava esse tipo de quest&atilde;o. </div>
]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Teoria e Prática em responsabilidade social</title>
		<link>http://catatau.blogsome.com/2009/10/25/teoria-e-pratica-em-responsabilidade-social/</link>
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		<pubDate>Sun, 25 Oct 2009 23:40:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Catatau</dc:creator>
		
	<category>trabalho</category>
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		<description><![CDATA[	
	do Malvados (clique para ampliar) 
	Um self made man, familiar ao ambiente corporativo, prestava entrevista para elucidar o &quot;conceito&quot; (n&atilde;o seria no&ccedil;&atilde;o?) de &quot;responsabilidade social&quot;. Ostentando a figura retórica do &quot;homem prático&quot; (n&atilde;o esses teóricos infames, perdidos em conjecturas e abstra&ccedil;&otilde;es, sem resultados práticos na realidade), ele inicia comparando &quot;responsabilidade social&quot; das empresas com &quot;filantropia&quot;. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="center"><a href="http://s292.photobucket.com/albums/mm7/catatando/?action=view&#038;current=donodomundo4.gif" target="_blank"><img width="459" height="146" border="0" src="http://i292.photobucket.com/albums/mm7/catatando/donodomundo4.gif" alt="Photobucket" /></a></p>
	<p align="center">do <a href="http://www.malvados.com.br/donosdomundo/donosdomundo7.html" target="_blank">Malvados</a> (clique para ampliar) </p>
	<p align="justify">Um <em>self made man</em>, familiar ao ambiente corporativo, prestava entrevista para elucidar o &quot;conceito&quot; (n&atilde;o seria no&ccedil;&atilde;o?) de &quot;responsabilidade social&quot;. Ostentando a figura retórica do &quot;homem prático&quot; (n&atilde;o esses teóricos infames, <a target="_blank" href="http://catatau.blogsome.com/2009/10/15/a-culpa-e-da-filosofia/">perdidos</a> em conjecturas e abstra&ccedil;&otilde;es, sem resultados práticos na realidade), ele inicia comparando &quot;responsabilidade social&quot; das empresas com &quot;filantropia&quot;. </p>
	<p align="justify">Filantropia - segundo nosso <em>self made man</em> - se resume a uma benfeitoria localizada: a empresa pode sustentar uma posi&ccedil;&atilde;o de socialmente responsável quando, no fim das contas, faz pequenos benefícios, como uma doa&ccedil;&atilde;o, uma melhoria externa ou algo do g&ecirc;nero.</p>
	<p align="justify">Já &quot;responsabilidade social&quot; seria algo mais amplo, englobando toda a empresa. Ou melhor, n&atilde;o apenas a empresa, mas o ambiente circundante, de uma forma n&atilde;o apenas episódica (isso é filantropia), mas arraigada na própria <em><a target="_blank" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Planejamento_estrat%C3%A9gico">miss&atilde;o</a> </em>da organiza&ccedil;&atilde;o. Uma empresa com responsabilidade social, diz nosso entrevistado, n&atilde;o faz apenas atos responsáveis, mas carrega a &quot;responsabilidade&quot; no seio de suas práticas cotidianas, do atendimento do cliente ao servi&ccedil;o, passando pelos produtos e projetos extra-corporativos. <font color="#c0c0c0">(Talvez o entrevistado n&atilde;o saiba que, antes do nascimento dos discursos corporativos e das &quot;ci&ecirc;ncias&quot; da administra&ccedil;&atilde;o, existiam muitas &quot;gest&otilde;es&quot; (é como se chama hoje) de práticas filantrópicas, muitas vezes confundidas com o que ele mesmo chama de &quot;responsabilidade social&quot;; talvez ele também desconhe&ccedil;a que tal universalismo da &quot;responsabilidade social&quot; talvez nasceu de <a href="http://www.cairn.info/revue-critique-internationale-2007-2-p-173.htm" target="_blank">outro</a>, filantrópico, muito bem localizado. Mas isso é outro assunto! </font>;)<font color="#c0c0c0">)</font></p>
	<p align="justify">O entrevistado admite - no costumeiro tom <em>en passant</em> quando se trata disso - que o fim de qualquer empresa é o <em>lucro</em> puro e simples, e n&atilde;o a filantropia ou a sociedade. Mas rapidamente complementa: tanto melhor se, junto ao <em>fim </em>da empresa, que é o <em>lucro</em>, somarmos em seus <em>meios </em>isso que chamamos de responsabilidade social. O resultado é<em> bem prático e visível</em>: fins lucrativos unidos a meios sociais beneficia todo mundo, n&atilde;o é mesmo? </p>
	<p align="justify">Mas, no fim das contas, como saber se uma empresa é socialmente responsável? Como garantir a efetividade de tal responsabilidade, pergunta a repórter?&nbsp; </p>
	<p align="justify">Ora, diz nosso herói, a responsabilidade de uma empresa se mede por seus resultados. Sob que critérios? O próprio consumidor. Em tempos como esses, uma empresa sem responsabilidade social efetiva n&atilde;o sobrevive ao consumidor consciente. Ciente do que faz a empresa fabricante do produto que consome, o consumidor rapidamente trocará de empresa, quando souber de qualquer irregularidade, qualquer &quot;irresponsabilidade&quot;.</p>
	<p align="justify">Dado isso, a repórter n&atilde;o perguntou, por exemplo, a que se deve o sucesso dos produtos chineses, se o consumidor é consciente e sua consci&ecirc;ncia regulará naturalmente o mercado conforme as &quot;responsabilidades&quot;. Mas isso n&atilde;o vem ao caso. O curioso, realmente curioso, é em <em>primeiro lugar</em> essa cren&ccedil;a imediata de que os fins do lucro empresarial e seus meios &quot;responsáveis&quot; se casam como duas almas g&ecirc;meas, e em <em>segundo lugar</em> como o critério da &quot;responsabilidade social&quot; passa rapidamente da miss&atilde;o da empresa para&nbsp; fora dela, na regula&ccedil;&atilde;o do consumidor. Como se rapidamente o tema da empresa responsável do século XXI resvalasse naquele outro, do fim do século XVIII, do indivíduo livre cujas decis&otilde;es aglomeradas criariam uma grande m&atilde;o invisível, chamada agora de &quot;consumo consciente&quot;.</p>
	<p align="justify">Mas qu&ecirc;? Fa&ccedil;o perguntas demais e abstraio muito; diante de tanta abstra&ccedil;&atilde;o, certamente deveria mudar de paradigma. </p>
<em> </em>
</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>O Google e o monopólio do conhecimento</title>
		<link>http://catatau.blogsome.com/2009/10/20/o-google-e-o-monopolio-do-conhecimento/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 14:59:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Catatau</dc:creator>
		
	<category>midia e politica</category>
	<category>midia</category>
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		<description><![CDATA[Temos idéia da dimensão de uma única empresa digitalizar e controlar o acesso de boa parte do acervo mundial?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="justify"><em>Temos idéia da dimens&atilde;o de uma única empresa digitalizar e controlar o acesso de boa parte do acervo mundial?</em> </p>
	<p align="justify">Alguns dias atrás <a href="http://catatau.blogsome.com/2009/08/24/a-biblioteca-universal-universal-e-privada/" target="_blank">comentamos a notícia</a> de que a Biblioteca Nacional da Fran&ccedil;a disponibilizará parte de seu acervo no Google Books. Lá, colocamos a seguinte pergunta: será a Biblioteca Universal uma biblioteca universal e <em>privada</em>? </p>
	<p align="justify">Quem acessa o google books sabe que n&atilde;o se digitalizam livros apenas por idealismo ou filantropia. Se assim fosse, todos seriam naturalmente completos e gratuitos - e sem links para as livrarias.</p>
	<p align="justify">Nisso podemos ter idéia da dimens&atilde;o de uma única empresa digitalizar e controlar o acesso de boa parte do acervo mundial. </p>
	<p align="justify">Com a populariza&ccedil;&atilde;o de leitores eletr&ocirc;nicos de ebooks, cada dia a perspectiva de explorar tal acesso é maior. <a href="http://twitter.com/plevy" target="_blank">Pierre Levy</a> divulgou material, dias atrás, sobre a possibilidade do Google <a href="http://mashable.com/2009/10/15/google-book-store/" target="_blank">concorrer</a> com a Amazon, criando uma mega livraria. </p>
	<p align="justify">Hoje, Levy divulgou <a href="http://abcnews.go.com/Business/CSM/Story?id=5357748&#038;page=1" target="_blank">outro link</a>, com considera&ccedil;&otilde;es sobre um possível monopólio do conhecimento. O mecanismo parece ser o mesmo do caso da BNF: com suporte financeiro, o Google desponta como refer&ecirc;ncia de peso, obrigando os concorrentes a rever as próprias din&acirc;micas.</p>
	<p align="center">*** </p>
	<p align="justify">Nesse contexto, <a href="http://www.readwriteweb.com/archives/bookserver_a_plan_to_build_an_open_web_of_books.php" target="_blank">essa notícia</a> parece interessante. </p>
	<p align="center">***</p>
	<p align="justify">E mais dois links: &quot;<a target="_blank" href="http://www.googlizationofeverything.com/">The Googlisation of Everything</a>&quot; (<a href="http://www.googlizationofeverything.com/2009/09/virtualpolitik_the_googlizatio.php" target="_blank">esse texto</a> é interessante dentro do comentário do Marcus) e <a target="_blank" href="http://www.futureofthebook.org/">Institute for the Future of the Book </a></p>
]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Novas relações entre política e mídia?</title>
		<link>http://catatau.blogsome.com/2009/10/17/novas-relacoes-entre-politica-e-midia/</link>
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		<pubDate>Sat, 17 Oct 2009 18:34:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Catatau</dc:creator>
		
	<category>midia e politica</category>
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		<description><![CDATA[	Diversas vezes chamamos a aten&ccedil;&atilde;o aos estudos de Venicio de Lima, sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre mídia e política no Brasil e no mundo. Lima estuda tanto a cobertura quanto a rela&ccedil;&atilde;o da cobertura com os mandatários das empresas de comunica&ccedil;&atilde;o, notadamente as privadas.
	Por vezes seus estudos lembram alguns de &quot;semiótica&quot;, por exemplo focados nas histórias [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="justify">Diversas vezes <a target="_blank" href="http://www.google.com.br/search?q=site%3Acatatau.blogsome.com+venicio+de+lima">chamamos a aten&ccedil;&atilde;o</a> aos estudos de Venicio de Lima, sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre mídia e política no Brasil e no mundo. Lima estuda tanto a cobertura quanto a rela&ccedil;&atilde;o da cobertura com os mandatários das empresas de comunica&ccedil;&atilde;o, notadamente as privadas.</p>
	<p align="justify">Por vezes seus estudos lembram alguns de &quot;semiótica&quot;, por exemplo focados nas histórias em quadrinhos ou nas rela&ccedil;&otilde;es entre cor e som no cinema. Lima, por sua vez, analisa a &quot;montagem&quot; tática das informa&ccedil;&otilde;es na edi&ccedil;&atilde;o de um jornal, por exemplo (pelo menos é&nbsp; parte do procedimento de <em>Mídia: Crise política e poder no Brasil</em>, [<a href="http://compare.buscape.com.br/procura?id=3482&#038;raiz=3482&#038;ens=0&#038;kw=midia crise politica poder brasil&#038;site_origem=521287" target="_blank">pre&ccedil;os</a>, <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5486&#038;tipo=2&#038;isbn=8576430282" target="_blank">Cultura</a>]).</p>
	<p align="justify">Nesse contexto é interessante o pequeno texto &quot;<a target="_blank" href="http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&#038;task=view&#038;id=5638">A mídia como partido político</a>&quot;, de onde cito um trecho sobre a briga Obama x Fox News:</p>
	<blockquote><div align="justify"><span class="padrao">Os grandes grupos privados de mídia &ndash; como a News Corporation, de Murdoch &ndash; seus sócios e aliados em todo o planeta, por óbvio, v&atilde;o continuar reiterando cotidianamente suas acusa&ccedil;&otilde;es de n&atilde;o democráticos, autoritários e/ou totalitários a esses governos.</span></div>
	<p align="justify"><span class="padrao">Já n&atilde;o seria, todavia, a hora de se questionar &ndash; séria e responsavelmente &ndash; o discurso de que a grande mídia privada seria a mediadora neutra, desinteressada, imparcial e objetiva do interesse público nas sociedades democráticas? Como sustentar esse discurso diante de todas as evidencias em contrário, inclusive de partidariza&ccedil;&atilde;o, aqui e alhures?</span> </p></blockquote>
	<p align="justify">O que está em jogo? Um fator novo, nas rela&ccedil;&otilde;es entre mídia e política: o governo Obama, reconhecendo a tend&ecirc;ncia editorial da Fox News, passa a <a href="http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/casa-branca-ataca-a-fox-news/" target="_blank">encarar</a> a emissora como uma fonte de oposi&ccedil;&atilde;o deliberada. &quot;Encara&quot; n&atilde;o sob o formato dos governos ditatoriais (que simplesmente eliminam os opositores), mas dentro do debate, for&ccedil;ando a emissora a assumir suas tend&ecirc;ncias.</p>
	<blockquote><p align="justify">&quot;Qundo o presidente fala &agrave; Fox, já sabe que n&atilde;o falará &agrave; imprensa, propriamente dita&quot; &ndash; ela [Anita Dunn, Diretora de Comunica&ccedil;&otilde;es de Obama] explicou. &ndash; &quot;O presidente já sabe que estará como num debate com o partido da oposi&ccedil;&atilde;o&quot; </p></blockquote>
	<p align="justify">Como se o mito da neutralidade da mídia se colocasse em quest&atilde;o n&atilde;o por seus estudiosos, mas no próprio debate midiático. Ou em outras palavras, como se agora uma mídia devesse assumir suas tend&ecirc;ncias (sempre encaradas de modo geral como &quot;neutras&quot;, ou com certa inten&ccedil;&atilde;o de neutralidade), para manter sua credibilidade.</p>
]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>A Culpa é da Filosofia</title>
		<link>http://catatau.blogsome.com/2009/10/15/a-culpa-e-da-filosofia/</link>
		<comments>http://catatau.blogsome.com/2009/10/15/a-culpa-e-da-filosofia/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 14:06:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Catatau</dc:creator>
		
	<category>near and far</category>
		<guid>http://catatau.blogsome.com/2009/10/15/a-culpa-e-da-filosofia/</guid>
		<description><![CDATA[	 
	Uma grande catedrática, de certa ci&ecirc;ncia humana bem exata, come&ccedil;a seu artigo: 
	&quot;A Disciplina X se iniciou quando diversos xizólogos, em uma década do século XX, come&ccedil;aram a se articular em torno do problema X.&nbsp; O primeiro a enunciá-lo foi Charles Xeese, em seu famoso texto fundador. Como já enunciava Xeese (19X0), o problema [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p align="center"><a target="_blank" href="http://s292.photobucket.com/albums/mm7/catatando/?action=view&#038;current=lost-the-dharma-initiative-20090331.jpg"><img border="0" alt="Photobucket" src="http://i292.photobucket.com/albums/mm7/catatando/lost-the-dharma-initiative-20090331.jpg" /></a> </p>
	<p align="justify">Uma grande catedrática, de certa ci&ecirc;ncia humana bem exata, come&ccedil;a seu artigo: </p>
	<p align="justify">&quot;A Disciplina X se iniciou quando diversos xizólogos, em uma década do século XX, come&ccedil;aram a se articular em torno do problema X.&nbsp; O primeiro a enunciá-lo foi Charles Xeese, em seu famoso texto fundador. Como já enunciava Xeese (19X0), o problema X n&atilde;o é um problema, e sim o problema de que tudo se resume ao problema, e n&atilde;o &agrave; preven&ccedil;&atilde;o. Assim, em torno da <em>preven&ccedil;&atilde;o</em>, que é o problema, o Instituto Nacional dos Xizólogos organizou uma comiss&atilde;o informal, depois tornada bra&ccedil;o formal do Instituto, para elaborar novos caminhos de estudo e interven&ccedil;&atilde;o.</p>
	<p align="justify">&quot;Segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Xaúde, X significa o problema da preven&ccedil;&atilde;o xizonal relativo &agrave; xizologia.  </p>
	<p align="justify">&quot;Entretanto, a área de atua&ccedil;&atilde;o da Disciplina X está ainda em seus momentos de pioneirismo. Disciplina inter, ou até transdisciplinar que é (ela reune todas as ci&ecirc;ncias, físicas, químicas, biológicas, psicológicas, sociológicas e doxológicas), a Disciplina X busca agora integrar as diversas áreas de conhecimento para a forma&ccedil;&atilde;o de uma prática coesa.   </p>
	<p align="justify">&quot;Há ainda muito a fazer. Essa aus&ecirc;ncia de defini&ccedil;&atilde;o do que vem a ser a Disciplina X é mais um efeito histórico, encontrado nos diferentes <em>zeith geist </em>(sic) da Xizologia.&nbsp; Os espíritos das diferentes épocas rechearam, muitas vezes, a Xizologia de preconceitos. Veja-se, por exemplo, o nascimento de nossa Xizologia datar do século XIX. Apesar de grandes evolu&ccedil;&otilde;es do conhecimento ocorridas ent&atilde;o, e ainda atuais, o século XIX era machista, considerava a mulher como um ser inferior. </p>
	<p align="justify">&quot;Por isso a Disciplina X, apesar de ser uma das áreas mais modernas da Xizologia, enfrenta ainda conflitos teóricos das mais diversas ordens. Esse excesso de teoria (n&atilde;o seriam resquícios de filosofia?) ainda atrapalha a correta enuncia&ccedil;&atilde;o do problema X, quando livre de teorias e preconceitos será aquilo que já é, n&atilde;o sendo: uma ci&ecirc;ncia experimental, transparente aos fatos.&quot;</p>
	<p align="justify">Peraí, minha filha: quer dizer que um dia um grupo de pessoas enxerga um problema, decide construir uma disciplina, postula de saída que essa disciplina é uma ci&ecirc;ncia, cata uma no&ccedil;&atilde;o jurídica para unificar seu caráter científico, e depois diz que sua falta de defini&ccedil;&atilde;o e cientificidade é um problema de preconceitos históricos e &quot;teóricos&quot;? <img border="0" src="http://catatau.blogsome.com/wp-content/plugins/Wysi-Wordpress/plugins/emotions/images/ponder.gif" alt="emoticon" title="emoticon" /></p>
	<p align="center">***</p>
	<p align="justify">Aliás, como <a target="_blank" href="http://catatau.blogsome.com/2007/05/23/quando-a-teoria-funciona/">discutíamos lá nos jurássicos idos de 2007</a>, é muito curioso notar quando a teoria na prática &quot;é outra&quot;, e quando &quot;n&atilde;o é&quot;. Em um antigo texto, <a target="_blank" href="http://www.diplomaciabossanova.net/diplomacia_bossa_nova/diplomacia_bossa_nova.html">Marcio Pimenta</a> se queixava a respeito de como seus colegas economistas eram &quot;teóricos&quot; demais, n&atilde;o conheciam a &quot;realidade&quot;.</p>
	<p align="justify">Mas &quot;teoria&quot; e &quot;realidade&quot;, para os economistas, tem uma conota&ccedil;&atilde;o totalmente diferente do texto acima, da catedrática. A queixa do Pimenta era bem precisa: economista <em>teórico </em>é o economista formado conforme as exig&ecirc;ncias do <em>mercado</em>. E o que o economista aprende sobre o &quot;mercado&quot; e a &quot;teoria&quot; n&atilde;o corresponde &agrave; realidade prática, pois esta contém problemas concretos n&atilde;o previstos pelas exig&ecirc;ncias mercadológicas. Pobreza e problemas sociais, por exemplo. </p>
	<p align="justify">Situa&ccedil;&atilde;o totalmente oposta &agrave; da catedrática acima: mais do que glorificar a teoria (como o <em>mainstream </em>econ&ocirc;mico denunciado por Pimenta), ela a denuncia, define-a como &quot;preconceituosa&quot;, fruto das conting&ecirc;ncias históricas. Logo, a teoria deve se descartar em nome de uma prática t&atilde;o transparente a ponto de afastar todos os pre-conceitos (mesmo que nunca se coloque em quest&atilde;o se a própria prática é preconceituosa).&nbsp;</p>
	<p align="justify">No caso do problema evocado por Pimenta, a teoria é perfeitamente valorizada e aplicável quando conforme ao mercado, n&atilde;o importando suas consequ&ecirc;ncias efetivas. Já no caso da catedrática, a teoria n&atilde;o pode ser aplicável, pois se é aplicável n&atilde;o é teoria. Para os economistas, a teoria é positiva, conforme &agrave;s exig&ecirc;ncias do mercado; para os xizólogos, negativa. Mesmo se o pressuposto &quot;<em>se é aplicável n&atilde;o é teoria</em>&quot; for uma baita teoria.</p>
	<p align="justify">Em outras palavras: algo parece dizer que, nos dois contextos, n&atilde;o é a <em>aplicabilidade </em>de uma teoria o fator responsável por medir seu <em>valor</em>. </p>
]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>&#8220;Tática de guerra política&#8221;</title>
		<link>http://catatau.blogsome.com/2009/10/14/tatica-de-guerra-politica/</link>
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		<pubDate>Wed, 14 Oct 2009 14:18:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Catatau</dc:creator>
		
	<category>midia e politica</category>
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		<description><![CDATA[	&nbsp;
	imagem daqui 
	&nbsp;
	Na mesma semana em que o governo de Obama acusa a Fox News de ser um bra&ccedil;o do partido republicano (se n&atilde;o é um bra&ccedil;o, n&atilde;o se pode negar sua aprova&ccedil;&atilde;o incondicional &agrave;s políticas do governo Bush, especialmente as belicistas), o Brasil discute sobre uma provável CPI do MST. 
	&nbsp;
	Anteriormente descartada por falta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<div align="center"><img width="460" height="259" border="0" src="http://i292.photobucket.com/albums/mm7/catatando/1337453-3869-cp2.jpg" />&nbsp;</div>
	<div align="center">imagem <a href="http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4028540-EI6578,00-CPI+contra+MST+e+coronelismo+do+DEM+e+PSDB+diz+petista.html" target="_blank">daqui </a></div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">Na mesma semana em que o governo de Obama <a target="_blank" href="http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/casa-branca-ataca-a-fox-news/">acusa</a> a Fox News de ser um bra&ccedil;o do partido republicano (se n&atilde;o é um bra&ccedil;o, n&atilde;o se pode negar sua aprova&ccedil;&atilde;o incondicional &agrave;s políticas do governo Bush, especialmente as belicistas), o Brasil discute sobre uma provável CPI do MST. </div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">Anteriormente descartada por falta de assinaturas, há quem almeja agora, depois do caso da Cutrale, <a target="_blank" href="http://news.google.com.br/news/url?sa=t&#038;ct2=pt-BR_br%2F0_0_s_3_0_t&#038;usg=AFQjCNEt6_ezUeERA_1SCpZ-92Fm3Ql7Qg&#038;cid=1322513771&#038;ei=JdPVSoi4JJurmQflmbuMAw&#038;rt=SEARCH&#038;vm=STANDARD&#038;url=http%3A%2F%2Fg1.globo.com%2FNoticias%2FPolitica%2F0%2C%2CMUL1335655-5601%2C00-OPOSICAO%2BDIZ%2BJA%2BTER%2BASSINATURAS%2BPARA%2BREALIZAR%2BCPI%2BDO%2BMST.html">reativar a idéia</a>.</div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">Em outras ocasi&otilde;es, este blog já fez uma crítica muito precisa ao Movimento: suas a&ccedil;&otilde;es, muitas vezes, n&atilde;o consideram os efeitos, as consequ&ecirc;ncias, especialmente as midiáticas. N&atilde;o no sentido de que as a&ccedil;&otilde;es s&atilde;o desastradas ou inconsequentes, mas em outro bem preciso: mesmo quando age conforme seus princípios o MST é criticado duramente pela imprensa. </div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">Para isso, basta ver o simples exemplo de uma passeata em qualquer capital. Qual é a cobertura? Certamente, n&atilde;o a que trata de uma passeata pela reforma agrária, reivindica&ccedil;&otilde;es e afins. A manchete é quase invariável: &quot;Passeata do MST atrapalha o tr&acirc;nsito na cidade&quot;. Como se n&atilde;o existisse media&ccedil;&atilde;o possível, apenas a manifesta&ccedil;&atilde;o de um corpo estranho, de repente invadindo a cidade.</div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">Ou sen&atilde;o veja-se, em um contexto bem diferente das passeatas, o caso da Cutrale: o MST ocupou a fazenda com o intuito de denunciar os cartéis da laranja, a concentra&ccedil;&atilde;o das terras, e especialmente o fato da fazenda <em>n&atilde;o</em> ser da Cutrale, mas <a target="_blank" href="http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/10/09/materia.2009-10-09.9089443735/view">da Uni&atilde;o</a>. Coisa totalmente diversa das imagens apresentadas: um trator derrubando o laranjal como em um ato de vandalismo contra a propriedade privada.</div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">É certo que a imprensa n&atilde;o deu &ecirc;nfase em nenhum dos pontos manifestados pelo MST. Inclusive, é certo que todo o laranjal derrubado n&atilde;o equivale a 1% da fazenda. Mas o recado mediático foi bem preciso, e estrategicamente oportuno para reativar o movimento dos ruralistas pela CPI do MST, contra o MST. </div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">Fique claro o ponto em quest&atilde;o: n&atilde;o se ofereceu um canal de discuss&atilde;o, apenas a via da desqualifica&ccedil;&atilde;o (somada ao problema acima, do cuidado estratégico para com a cobertura negativa - o MST parece &agrave;s vezes n&atilde;o se ater ao fato de que, diante da imprensa, pisa em ovos).</div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">O Dep. Dr. Rosinha (PT-PR) chamou a aten&ccedil;&atilde;o precisamente a essa via da desqualifica&ccedil;&atilde;o hoje, em seu twitter. <a href="http://g1.globo.com/jornaldaglobo/0,,MUL1340032-16021,00-CPI+DO+MST+CRIA+QUEDA+DE+BRACO+ENTRE+GOVERNO+E+OPOSICAO.html" target="_blank">Entrevistado no Jornal da Globo junto ao Dep. Onix Lorenzoni (DEM/RS)</a>, reclamou do fato da edi&ccedil;&atilde;o come&ccedil;ar e terminar com as falas de Lorenzoni, totalmente afim aos motivos <em>contra </em>o MST:</div>
	<blockquote><div align="justify"><span class="entry-content">A edi&ccedil;&atilde;o de ontem do &quot;Pinga-fogo&quot;, do Jornal da Globo, foi criminosa. Deu + tempo ao dep. do DEM, q abriu e fechou o quadro. (<a href="http://twitter.com/DrRosinha/status/4861121851" target="_blank">&#8230;</a>) </span><span class="entry-content">a Globo cortou o q falei em defesa do MST, sobre a CPI da Terra de 2005, as mortes no campo. Lamentável. (&#8230;) </span><span class="entry-content">Na grava&ccedil;&atilde;o com o repórter Heraldo Pereira, eu havia sido o último a falar. A edi&ccedil;&atilde;o fez parecer q ambos concordávamos! (&#8230;) </span><span class="entry-content">além do desequilíbrio e parcialidade pró-ruralistas, o Jornal da Globo ainda me idenficou como do PT-SP (&#8230;) </span><span class="entry-content">A emissora da família Marinho n&atilde;o perdeu o costume de 1989 (debate LulaxCollor). Edita conforme lhe convém. (<a href="http://twitter.com/DrRosinha/status/4861389114" target="_blank">&#8230;</a>)</span> </div></blockquote>
	<div align="justify">Também pudera: o Dr. Rosinha declarou a defesa de uma investiga&ccedil;&atilde;o das autoridades para apurar os acontecimentos da fazenda, especialmente os relativos ao teor da denúncia do MST. Aproveitando o gancho, a edi&ccedil;&atilde;o converteu as palavras de Rosinha, tornando-as totalmente afins &agrave; fala de Lorenzoni: declarando o contrário, ele defendia a criminaliza&ccedil;&atilde;o dos atos do MST. O recado foi claro: parecia que os deputados, totalmente contrários, falavam a mesma coisa (!). Basta conferir o <a href="http://g1.globo.com/jornaldaglobo/0,,MUL1340032-16021,00-CPI+DO+MST+CRIA+QUEDA+DE+BRACO+ENTRE+GOVERNO+E+OPOSICAO.html" target="_blank">vídeo</a>.</div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">N&atilde;o por acaso, o &quot;repórter&quot; Heraldo Pereira definiu muito bem a situa&ccedil;&atilde;o: &quot;tática de guerra política&quot; (sic).</div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
	<div align="justify">&nbsp;</div>
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		<title>O governo de fato do Afeganistão</title>
		<link>http://catatau.blogsome.com/2009/10/12/o-governo-de-fato-do-afeganistao/</link>
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		<pubDate>Mon, 12 Oct 2009 14:32:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Catatau</dc:creator>
		
	<category>midia e politica</category>
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		<description><![CDATA[	
	A Precarious Election in Afghanistan 
	O enviado especial da ONU ao Afeganist&atilde;o, Kai Eide, afirmou hoje que houve uma &quot;fraude generalizada&quot; nas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 20 de agosto, embora n&atilde;o tenha determinado seu alcance.
	Em entrevista coletiva em Cabul, o chefe da miss&atilde;o da ONU no Afeganist&atilde;o (Unama) admitiu que o processo eleitoral foi &quot;difícil, com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<div align="center"><a target="_blank" href="http://s292.photobucket.com/albums/mm7/catatando/?action=view&#038;current=29217471.jpg"><img width="461" height="307" border="0" alt="Photobucket" src="http://i292.photobucket.com/albums/mm7/catatando/29217471.jpg" /></a></div>
	<div align="center"><a target="_blank" href="http://www.nytimes.com/slideshow/2009/08/03/world/20090903ELECTION_index.html">A Precarious Election in Afghanistan </a></div>
	<blockquote><p>O enviado especial da ONU ao Afeganist&atilde;o, Kai Eide, afirmou hoje que houve uma &quot;fraude generalizada&quot; nas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 20 de agosto, embora n&atilde;o tenha determinado seu alcance.</p>
	<p>Em entrevista coletiva em Cabul, o chefe da miss&atilde;o da ONU no Afeganist&atilde;o (Unama) admitiu que o processo eleitoral foi &quot;difícil, com muitos problemas&quot;.</p>
	<p>&quot;O alcance desta fraude está sendo analisado agora. N&atilde;o há forma de saber neste momento que nível de fraude houve. Só posso dizer que foi uma fraude generalizada&quot;, declarou.</p>
	<p>O diplomata noruegu&ecirc;s afirmou que &quot;qualquer dado concreto&quot; que apresentasse agora sobre o impacto da fraude no resultado eleitoral seria &quot;pura especula&ccedil;&atilde;o&quot;, já que, nos últimos dias, a Comiss&atilde;o Eleitoral come&ccedil;ou a fazer uma recontagem parcial dos votos por causa das denúncias de irregularidades.</p>
	<p>Os resultados provisórios, anunciados em setembro, deram ao atual presidente, Hamid Karzai, uma vitória folgada. Mas a nova apura&ccedil;&atilde;o deve resolver as irregularidades em mais de 10% dos colégios eleitorais.</p>
	<p>A miss&atilde;o de observadores da UE enviada para acompanhar a elei&ccedil;&atilde;o afeg&atilde; anunciou no m&ecirc;s passado a identifica&ccedil;&atilde;o de 1,5 milh&atilde;o de votos &quot;suspeitos&quot;, dos quais 1,1 milh&atilde;o favoreceriam Karzai. EFE</p></blockquote>
	<p align="justify">&quot;<em>It&acute;s all about Oil</em>&quot;, dizia Robert Fisk em <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/externo/index.asp?id_link=5486&#038;tipo=2&#038;isbn=9788576652847" target="_blank"><em>A Grande Guerra pela Civiliza&ccedil;&atilde;o</em></a> (<a target="_blank" href="http://compare.buscape.com.br/procura?id=3482&#038;raiz=3482&#038;ens=0&#038;kw=grande%20guerra%20civilizacao&#038;site_origem=521287">pre&ccedil;os</a>). Ou também ele se referia ao curioso <a target="_blank" href="http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/fisk/robert-fisk-democracy-will-not-bring-freedom-1775229.html">voto &quot;étnico&quot;</a> dos afeg&atilde;os, que n&atilde;o parte das mesmas premissas de uma sociedade democrática de maiorias. Ou talvez parta, mais no sentido das &quot;maiorias&quot; do que da &quot;democracia&quot;.</p>
	<p align="justify">Em agosto já se <a href="http://www.ipsnews.net/news.asp?idnews=48142" target="_blank">desconfiava</a> das articula&ccedil;&otilde;es de Karzai com outras for&ccedil;as políticas (e militares) afeg&atilde;s, para compor um esquema maci&ccedil;o de fraude. Pelo visto, concretizado. </p>
	<p align="justify">Karzai foi reeleito. Mas estranhos mesmo s&atilde;o os diferentes pesos e medidas conferidos &agrave;s fraudes, reelei&ccedil;&otilde;es e governos, de fato e de direito. Durante 2009, certamente vimos diferentes valores atribuídos &agrave;s discuss&otilde;es sobre a reelei&ccedil;&atilde;o na Col&ocirc;mbia e em Honduras, de um lado, e no Ir&atilde; e Afeganist&atilde;o, de outro. </p>
	<p align="justify">Tem-se por aí o hábito irrefletido de tomar imediatamente partido, segundo cren&ccedil;as estereotipadas e relativizadas. Como se pensar fosse um problema. Especialmente quando se fala em <em>legalidade</em>, é indispensável pensar, e se perguntar onde pesos e medidas foram diferentes. </p>
	<p align="center">***</p>
	<p align="justify">Nesse contexto, está imperdível o blog de <a target="_blank" href="http://stevemccurry.wordpress.com/">Steve McCurry</a>. </p>
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		<title>Vientosur - Milonga de andar lejos</title>
		<link>http://catatau.blogsome.com/2009/10/05/vientosur-milonga-de-andar-lejos/</link>
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		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 23:33:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Catatau</dc:creator>
		
	<category>catatau</category>
	<category>youtube</category>
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		<description><![CDATA[	



	Ahora comienza un duro, una inexorable viaje en busca de la posibilidad más lejana
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[	<p><center><object width="425" height="344"><br />
<param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/7hi9BBjaD8c&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;"></param>
<param name="allowFullScreen" value="true"></param>
<param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/7hi9BBjaD8c&#038;hl=pt-br&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></center></p>
	<blockquote><p>Ahora comienza un duro, una inexorable viaje en busca de la posibilidad más lejana</p></blockquote>
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