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October 14, 2011

Onde perdemos tudo


"lançamento do livro de contos onde perdemos tudo, de alex castro, hoje, a partir das 19:30h, na casa das rosas (paulista 37, perto do metrô brigadeiro)! todas as dedicatórias escritas durante o evento serão únicas, apócrifas, exclusivas e absolutamente mentirosas. ainda em dúvida? leia o conto quando morrem os pêssegos. não vai poder ir? (o do rio é na quinta, 20) então já compra logo o livro pelo site da editora. quem comprar até dia 20, leva uma dedicatória exclusiva também."

lançamento de onde perdemos tudo na casa das rosas, 14 de outubro, 19:30h

mais detalhes sobre o livro, resenhas, trechos, etc.

October 13, 2011

Brasil, Occam


 
 
A enfermeira deixa o vidro de formol na estante de medicamentos. Os vidros são semelhantes. De repente chega um paciente com necessidade de injeção. É medicado, mas tem reações adversas e morre. O que ocorreu? Por sorte, dessa vez houve investigação e dessa vez ela descobre o motivo: foi o formol, ele não deveria estar ali.
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Quem não gosta de grevistas? (2)


 
Alguém colocou a foto ao lado numa rede social, com a legenda "ele não roubou nem matou, apenas luta por uma educação de qualidade!"
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October 12, 2011

Quem não gosta de grevistas?


Os dois cartazes acima trazem consigo incríveis histórias.

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Naomi Klein sobre “Ocupa Wall Street”


(…) Se há uma coisa que sei, é que o 1% adora uma crise. Quando as pessoas estão desesperadas e em pânico, e ninguém parece saber o que fazer: eis aí o momento ideal para nos empurrar goela abaixo a lista de políticas pró-corporações: privatizar a educação e a seguridade social, cortar os serviços públicos, livrar-se dos últimos controles sobre o poder corporativo. Com a crise econômica, isso está acontecendo no mundo todo.

Só existe uma coisa que pode bloquear essa tática e, felizmente, é algo bastante grande: os 99%. Esses 99% estão tomando as ruas, de Madison a Madri, para dizer: “Não. Nós não vamos pagar pela sua crise”. (…)

 Na Carta Maior. Tem um pouco daquele velho tema de que, a despeito da importância óbvia, nos EUA tudo é o mais importante do mundo (alguns Bouazizis contestariam: por que melhor?)

Mas a citação e o texto acima mostram como a idéia da "Doutrina do Choque" também se aplica, com notável desfaçatez, nesse caso.

October 11, 2011

Sobre ação individual


 

 

 E sobre o mesmo assunto, vale ler isso, isso e - contrapondo - isso.

 

Curitiba e seu tráfego de influências


Mais uma para a série: o curitibano, adepto dos governos "tecnocratas" e "saneadores" do PSDB, não gosta de continuidade no governo (apesar de mantê-la há décadas) e de nomeações espúrias.
 
Pois bem, Curitiba foi nomeada "cidade resiliente" em uma recente pesquisa na gringolândia. Cidade "resiliente" é aquela "empenhada em retornar a seu estado de equilíbrio ecológico após passar por intenso processo de urbanização".
 
Por que Curitiba seria "resiliente"? Ora, tudo se deve ao trânsito e ao transporte público. Eles ocasionam o "retorno" da cidade a certo "estado de equilíbrio ecológico", certo?
 
A considerar as palavras do prefeito Luciano Ducci, errado. Curitiba, segundo ele, tem 1140 carros novos por semana nas ruas. Isso (ainda segundo ele) obriga a criação de uma nova secretaria, agora de "trânsito". URBS, Diretran, IPPUC e outras instituições já existentes não dão conta de planejamento e fiscalização, é preciso uma secretaria só para o planejamento.
 
Critérios técnicos para deixar a cidade resiliente (que paradoxalmente obriga, incita, ocasiona a compra de 1140 carros semanais) mais resiliente, certo? Então por que há quem diga que os técnicos serão… políticos indicados do PPS?

October 10, 2011

Arquitetura do desperdício


Não sou profundo conhecedor da obra ou das idéias de Bautista Vidal, mas uma de suas idéias mais básicas poderia ser uma espécie de ultraje jogado contra nós mesmos, se considerarmos o quanto ela é correta e não aplicada: a disponibilidade (e o não aproveitamento) da energia solar no Brasil. 
 
É incrível, fabuloso, ultrajante, inominável vermos tantas cidades Brasil afora com arquitetura e urbanização feitas para desperdiçar energia (hidrelétrica) e água disponível sem aproveitar nada do sol.
 
Pelo contrário, além de não aproveitarmos e desperdiçarmos, retroalimentamos o sistema e agravamos ainda mais o desperdício, do jeito que construímos nossas ruas e casas
 
"Cidade", para muita gente, significa ruas asfaltadas, calçadas praticamente inexistentes, ausência de árvores e plantas, concreto e laje na casa inteira (sem gramado, árvore, jardim etc.), muros altos e - horizonte regulador eterno - ar condicionado ou ventilador pra todo lado. 
 
Multipliquemos o modelo acima por milhões e… resultado: somos capazes de privação de energia elétrica ou abastecimento de água no país mais ensolarado e bem servido de água do mundo. Sem contar o calor quase insuportável das regiões lajeadas.
 
Desse contexto a soluções simples, triviais, quase ridículas como o "watercone", vê-se o caráter ultrajante da idéia acima sobre o aproveitamento do sol.
 
 
 
O watercone é apenas um cone de vidro invertido que, com a luz do sol, direciona a água evaporada e então condensada para um reservatório. No modelo acima, para servir a água basta virar a parte superior do cone do avesso. Conforme os divulgadores, um desses em local ensolarado pode render 3,5 litros diários.
 
Sem muita dificuldade dá para pensar em pequenos mecanismos acoplando três ou quatro cones em telhados ou quintais para produzir e armazenar água potável diariamente e de modo automático. Uma pequena bomba traz a água a ser purificada, um pequeno tanque armazena a água pura, células fotovoltaicas e gravidade fazendo o serviço de transportar a água…
 
Enquanto isso, comenta-se que nesse verão o preço do caminhão-pipa subirá. ;)

September 29, 2011

Ali, ó!


 

 

David Monjou

 

 

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September 26, 2011

O Cordel e seus encantamentos


Nos últimos dias a Globo tentou dar alguns lances de cordel nordestino.

O desfecho de "Cordel do Fogo Encantado", última novela da Globo, foi muito interessante. Não propriamente a respeito de algum mérito narrativo ou artístico, mas sim nesse aspecto cotidiano e um pouco monótono da tradição das novelas brasileiras e seus encantamentos enviados ao povo.

A novela é sobre um cordel e encerrou com diversos cordelistas consagrados do nordeste, declamando algo parecido com o enredo dos últimos meses (o que é um belo gesto e quase lembrou da época em que havia algum esforço por adaptação, digamos, mais fiel a obras do que a audiências, como em O tempo e o vento). Mas antes disso, a última cena foi digna de atenção. Os mocinhos da novela - um grupo de amigos e parentes - certamente passou os mesmos últimos meses brigando com um coronel, que desapareceu ou foi morto (provavelmente nos capítulos finais).

O coronel devia ser realmente ruim. Tão ruim que, mesmo depois de morto, conseguiu não deixar os mocinhos em paz. No último lance eles seguem à fazenda desocupada do coronel, quando encontram um mancebo mal encarado. Ele apresenta documentos comprovando a posse da terra e manda todos embora. Então, junto com o personagem de Mateus Nachtergaele, os mocinhos comentam (parafraseio): "vamos embora, não temos o que fazer aqui. O mal sempre retorna, não importa o que se faça. Mas o importante é que somos um grupo e temos um ao outro".

Vale repetir: as injustiças vêm e vão, mas… somos felizes e nossa ação importa na medida e na proporção mesma em que "temos um ao outro".

Não muito longe do assunto, ontem o "Fantástico" apresentou outro tema de cordel: um velho Sr. possui mais de 50 filhos, isso sem considerar os "não contabilizados" espalhados pelo mundão. Como conseguiu? Revezando esposa e cunhada (quando não a sogra). Alguns comentadores então disseram: é a "sociedade coronelista", "machista" etc.. Ele mesmo tinha a resposta na ponta da língua: não fiz com ninguém que não quis.

 

Vale mencionar outro caso, também reduzido ao puro conteúdo individual, passional (candidato a um cordel?): uma amante manda matar a esposa e oferece mil reais. Recordando que era amigo de infância da mulher, o assassino decide simular sua morte, afinal não é sempre que se ganha 1000 reais, certo? Ele tira uma foto da mulher cheia de Ketchup com uma faca junto ao braço. Foto feita, valeu o prêmio. Dias depois a "morta" reaparece ao lado do marido, criando o maior escândalo. O caso renderia prisões ou maiores consequências? Conforme o delegado, não passou de um lance de humor pastelão. Afinal, valeu a sorte: a possível vítima era amiga de infância do assassino - este, o verdadeiro dono do destino da estória. Ufa!

Entre os amigos que enfim "têm um ao outro", as famílias criadas ao bel querer de certos caprichos e o destino individual controlado por assassinos de mil reais, não seria inútil lembrar de Lampião. Mesmo vivendo no mesmo universo acima, outra é a narrativa sobre ele. Cada cordel tem seu "encantamento", mas outro é o poder de simpatia de Virgulino. Os cordéis não contam suas presepadas, mas suas peripécias. O estatuto de seus atos e o próprio raio de ação são diferentes e contam outras virtualidades. Diante de sua peixeira teme o coroné, o policial, o patriarca, o assassino… e até o diabo:

 Lampião disse: vá logo
quem conversa perde hora
vá depressa e volte já
eu quero pouca demora
se não me derem ingresso
eu viro tudo as avesso
toco fogo e vou embora.

O vigia foi e disse
a Satanás no salão:
saiba vossa senhoria
que aí chegou Lampião
dizendo que quer entrar
e eu vim lhe perguntar
se dou-lhe ingresso ou não.

- Não senhor, Satanás disse
vá dizer que vá embora
só me chega gente ruim
eu ando muito caipora!
eu já estou com vontade
de botar mais da metade
dos que tem aqui pra fora.

- Lampião é um bandido
ladrão da honestidade
só vem desmoralizar
a nossa propriedade
e eu não vou procurar
sarna pra me coçar
sem haver necessidade.

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